Vinte anos depois: os dois sábios

Era uma vez um sábio chamado Sidi Mehrez. Estava irritadíssimo com o lugar onde vivia, uma linda cidade à beira do Mar Mediterrâneo; homens e mulheres viviam de maneira depravada, e o dinheiro era o único valor importante. Como Mehrez era também santo e fazia milagres, resolveu amarrar seu cachecol em torno de Tunis e atirá-la no oceano.

Os edifícios começaram a cair, o chão se levantou, os habitantes entraram em pânico, ao ver que estavam sendo empurrados em direção a morte. Desesperados, resolveram pedir ajuda a um amigo de Mehrez, chamado Sidi Ben Arous. Ben Arous conseguiu convencer o rigoroso santo a interromper a destruição; mas desde então todas as ruas de Tunis são inclinadas.

Caminho pelo bazar desta cidade africana, trazido pelo vento desta peregrinação com a qual celebro os 20 anos do meu caminho de Santiago (1986). Estou com Adam Fathi e Samir Benali, dois escritores locais; a quinze quilômetros estão as ruínas de Cartago, que no passado remoto foi capaz de enfrentar-se com a poderosa Roma. Discutimos a epopéia de Aníbal, um de seus guerreiros; os romanos esperavam uma batalha marítima (as duas cidades estavam separadas por apenas algumas centenas de quilômetros de mar), mas Aníbal enfrentou o deserto, cruzou o estreito de Gibraltar com um gigantesco exército, atravessou a Espanha, França, subiu os Alpes com soldados e elefantes, e atacou o Império pelo norte. Venceu todos os inimigos em seu caminho e de repente, sem que até hoje alguém saiba direito porque, parou diante de Roma, e não a atacou no momento exato. O resultado desta indecisão: Cartago foi riscada do mapa pelos navios romanos.

Passamos por um lindo edifício: em 1754, um irmão matou o outro. O pai de ambos resolveu construir este palácio para abrigar uma escola, mantendo viva a memória de seu filho assassinado. Comento que, ao fazer isso, o filho assassino também seria lembrado.

- Não é bem assim – responde Samil. – Em nossa cultura, o criminoso divide a culpa com todos que lhe permitiram cometer o crime. Quando um homem é executado, aquele que lhe vendeu a arma é também responsável diante de Deus. A única maneira de o pai corrigir que considerava seu erro, foi transformando a tragédia em algo que possa ajudar os outros: ao invés da vingança que se limita ao castigo, a escola permitiu que instrução e a sabedoria pudessem ser transmitidas há mais de dois séculos.

Em uma das portas da antiga muralha há uma lanterna. Fathi comenta o fato de eu ser um escritor conhecido, enquanto ele ainda luta por reconhecimento:

- Aqui está a origem de um dos mais célebres provérbios árabes: “a luz ilumina apenas o estrangeiro.”

Digo que Jesus fez o mesmo comentário: ninguém é profeta em sua própria terra. Tendemos sempre a valorizar aquilo que vem de longe, sem jamais reconhecer tudo de belo que está ao nosso redor.

Entramos em um antigo palácio, hoje transformado em centro cultural. Meus dois amigos começam explicar-me a história do lugar, mas minha atenção foi completamente desviada pelo som de um piano, e começo a segui-lo pelos labirintos do edifício. Termino em uma sala onde um homem e uma mulher, aparentemente alheios ao mundo, tocam a “Marcha Turca” a quatro mãos. Lembro-me que alguns anos atrás vi algo semelhante – um pianista em um centro comercial, concentrado em sua música, sem prestar atenção às pessoas que passavam falando alto ou com o rádio ligado.

Mas aqui estamos apenas nós três e os dois pianistas. Posso ver a expressão no rosto de ambos: alegria, a mais pura e completa alegria. Não estão ali para impressionar nenhuma platéia, mas porque sentem que foi este o dom que Deus lhes deu para conversarem com suas almas. Por conseqüência, terminam também conversando as almas de Adam, Samil, Paulo, e todos nós nos sentimos mais próximos do significado da vida.

Escutamos em silêncio durante uma hora. Aplaudimos no final, e quando volto para o hotel, fico pensando na tal lanterna.

Sim, pode ser que ela apenas ilumine o estrangeiro, mas será que isso faz tanta diferença quando estamos possuídos por este gigantesco amor pelo que fazemos?

Próximo texto: 23.05.06

P.S: Estimado leitor,

Durante esta caminhada, que está enchendo minha alma de experiências interessantíssimas, um dos momentos mais mágicos é quando chega a noite e posso ler os comentários no blog. Embora não tenha como responder a todos, saibam que é muitíssimo importante para mim entender que não estou só neste caminho. Muito obrigado pelo apoio e pelas palavras e idéias que estão sendo gravadas em meu coração.

Paulo Coelho

31 Responses to “Vinte anos depois: os dois sábios”


  • A mensagem dos 7 maiores budas (muito embora não existe maior ou menor diante do TAO)que ficaram para a humanidade pode ser sintetizada no seguinte:
    1-Nunca pratiques nenhuma maldade,
    2-Pratique todo o bem que puderes e
    3-Limpa e purifica teu coração.
    Não nos esqueçamos das palavras de Mencius: Quando um homem perde sua galinha ou seu cachorrinho, sabe procura-los, mas que tristeza, quando perde seu coração não sabe onde procura-lo e,
    “Se voce limpar o chão do teu coração, todas as partes do mundo ficarão limpas”

  • Adorei seu comentário a respeito de sua viagem.Já passei por momentos em que desacreditei de minha lenda pessoal. é que às vezes temos sonhos que não dão certo,amores não correspodidos. Mas acredito muito que depois da tempestade um sol brilha,e que o importante é o caminhar e não o chegar.Li essa citação em seu livro “O Diário de um Mago”achei linda e partir daquele momento passei a pensar assim.Espero um dia ter uma conversa contigo e falaremos sobre seus livros. Ficarei orgulhosa em receber seu email.Considero hoje uma guerreira da luz e a cada dia dia vej que estou perto de minha espada e já estou estudando o que fazer com ela. Kênia

  • Se a palavra “coincidência” é simplória face à complexidade de certos eventos do cotidiano, talvez mesmo coincidência não exista como não existe acaso, mas a palara “sincronicidade” tão bem aplicada por Jung traz mais justeza para espressar “o momento do encontro não causal, de encadeamentos de causas e efeitos diferentes!…QUando um escaravelho egipcio chegou ‘a janela do escritório do escritor, em um inverno suiço, exatamente no momento em que uma cliente lhe relatava o sonho havido com um escaravelho…” Isto o motivou a pesquisar e escrever sobre Sincronicidade.
    Parabens aos peregrinos da peregrinação que já é a Vida!

  • Paulo,

    O 2º patriarca de uma Religião Japonesa, Perfect Liberty, diz – “Vida é Arte”, que somos artistas enquanto houver auto-expressão através de tudo o que fazemos…. Diz também: – “Tudo é Espelho”, que o sentimento do ser humano consegue absorver e refletir nuances… uns nos outros……
    ….. Por isso tudo, tenho muito a lhe agradecer…… pela “Obra Artística” que você tornou sua própria vida….. que tem conseguido, como poucos, expressar generosidade através de sua “Arte” e com isso… refletir em nós… “Simples Leitores”, os mais belos sentimentos………
    Obrigado….. e um grande abraço….
    Farley Shikida

  • Caro Sr. José Luiz Silva Nunes

    Estou encantada com os seus escritos, através do blog do nosso querido Paulo Coelho e também curiosa. Tens algum livro publicado? Blog?

    p.s. Paulo, como sempre é maravilhoso acompanhar-te nessa viagem Grande abraço.

  • eu escrivo da Italia, sou italiana e amo muito seu Paìs pois moro no Rio no verao e alì aprendì a falar um pouco portugues. Eu lis seus livros, algums em italiano, algums em portugues (“Onze minutos” e “O Alquimista”). O seu livro que mais amo è o “Manual do guerreiro da luz”, que tenho sempre comigo. Suas palavras sao para mim motivo de animaçao para continuar meu caminho.
    Obrigado
    Rita

  • Cátia Branquinho

    Paulo,
    As palavras são pequenas para puder expressar todas as sensações que os seus textos me transmitem. Nos seus livros descobri uma forma de me descobrir e de me procurar dentro de mim própria e nestes seus relatos de viagem tenho descoberto uma vontade enorme de viajar, de encontrar nos outros um pouco de mim, de procurar conhecer um pouco mais da imensidão do mundo que me rodeia.
    Vivo em Portugal e já visitei Santiago bastantes vezes e confesso que nunca tinha tido especial vontade de o fazer (fazia-o para agradar ao meu pai que é devoto confesso de Santiago e que é um estudioso de tudo o que envolve os Caminhos de Santiago) mas depois de ler o seu “Diário de um Mago” muita coisa mudou. Encaro o caminho de uma forma totalmente diferente e sinto mesmo uma necessidade enorme de voltar a Santiago para rever tudo desta nova perspectiva.
    Espero que continue a presentear-nos com estas pérolas. O seu dom é o dom da escrita, o dom de fazer sonhar e sentir quem lê tudo aquilo que escreve.
    Beijinhos

  • Ola!
    O meu nome e Sara e sempre gostei muito de ler os seus livros. Adorei o Brida, devo confessar e o Alquimista e consulto regularmente o gurreiro da luz e o maktub quando estou a procura de alguma resposta que o mundo nao me da no momento ou que eu nao consigo entender… Desta sua historia gostei particularmente dos detalhes. Dois. O primeiro, o facto da hesitacao de Anibal ter resultado na dissolucao de Cartago e o segundo, o facto das lanternas so iluminarem os estrangeiros. Em relacao a Anibal… Nao sei muito bem o que lhe aconteceu no momento mas deduzo que tenha comecado a pensar em todas as vitorias que tinha obtido ate chegar a Roma e que, consequentemente, tenha sido invadido pelo medo ou pavor de perder ou de nao conseguir vencer Roma, ou seja hesitou, parou. Por ter medo de perder, perdeu e a sua cidade foi riscada do mapa. Em relacao a lanterna… estou curiosa de saber como vai desenvolver o tema mas espero que esta tendencia humana mude. DEvo confessar lhe que tambem nunca percebi porque e que as pessoas em vez de olharem para dentro, delas ou da sociedade em que estao inseridas, e tentarem encontrar e potenciar as boas caracteristicas que tem e tentarem modificar ou pelo menos atenuar as mas caracteristicas que tem, se limitam a olhar e aceitar para tudo o que “vem de fora” sem sequer pensar duas vezes. Penso que e porque aceitar sem pensar e mais facil do que pensar e reflectir e tentar ser melhor do que se e… Nao sei bem…
    Quanto a estar sozinho… percebo o que quer dizer, tambem sinto isso as vezes no local onde estou, mas… fique sabendo que quem gosta de o ler e de pensar sobre o que nos faz reflectir nunca ia deixa lo percorrer sozinho o seu caminho!!! Eu estou consigo tambem!

  • Ola Paulo
    Suas palavras sempre inspiraram muito o caminho de minha vida, acredito que seja verdade que sempre tenhamos a tendência de valorizar o q vem de longe, talvez seja dai que venha o grave defeito do ser humano de apenas se agradar do que é do outro, a terrível cobiça ou inveja!
    Mas mesmo assim acho que a saida não é sair de nossa casa para ser respeitado onde seja estrangeiro, devemos lutar pra conquistar o respeito de nossa terra para depois irmos para o mundo!
    E você Paulo é ótimo exemplo de vitória, pois nós brasileiros temos orgulho de você ser daqui de nosso país, e de estar conquistando o reconhecimento em todo o mundo!
    Um grande abraço!

  • Prezado Senhor Paulo Coelho,

    Escrevi um pequeno livro de poesias com o nome de LIBERDADE. Usei o nome de Poeta/Escritor Tarciso Coelho em sua homenagem. Já me pergutaram: o que você é de Paulo Coelho? Primo, respondi. Brincadeira a parte gostaria que você soubesse que sou seu discípulo, sou Guerreiro da Luz.
    Abraço,
    Tarciso Coelho.

  • Amigo Paulo!
    Saudações Amigo…que este percurso seja muito mais que caminhar em reencontro . Visualise quantas almas foram tocadas por suas palavras, a força que eles imprimem em nós. Mas que rever, veja, acrescente e busque…ainda há muito por ser feito. E todos nós esperamos atentos por cada novo livro.
    Você mora em meu coração.
    Paz Profunda, Isabela Falcón.

  • Paulo

    Assim como tu fala que a palavra “coincidência” é muito simples para explicar situações que acontecem em nosso dia a dia, a expressão “muito obrigado,Paulo Coelho” é também muito pequena para explicar o quanto eu estou “aprendendo a viver “depois que me tornei seu leitor há doze ou treze anos atrás.Que Deus continue abençoando a nós todos, os guerreiros da luz !!!
    Um grande abraço !

    João Marcelo-Mariópolis/PR/Brasil.

  • Andreza de Castro

    Prezado Paulo,

    Mais uma vez, seu texto me inspirou. Não parei, avancei.
    Beijos,
    Andreza.

  • Olá, Paulo passei só pra dar um oi, pra ti desejar otimos dias de viaje e q tudo continue correndo bem, to um pouco sem assunto agora.Valeu ate ha proxima bjs…..

  • Prezado Paulo.

    A conquista do poder de “Compartilhar” com pessoas,com transparência,
    o melhor de si com os outros é uma dádiva recebida por Deus.
    Você foi merecedor desta essência .
    Continue neste caminho.
    Estaremos juntos.

    Sua leitora.

  • Querido Paulo,

    Estou seguindo este seu caminho como se fossem os capitulos acabados de “pintar” de um novo livro seu…
    Eu pergunto se, em vez de estarmos à espera de ser iluminados por uma qualquer luz, porque não acender em nós a verdadeira luz… a interior. Muita gente caminha ainda às escuras pelo mundo fora porque não são capazes de perceber que a luz está neles próprios!!!
    Um beijo e boa caminhada!!

  • Helio Daldegan Albuquerque

    Paulo,

    Escrevi meu primeiro livro porque precisava partilhar as minhas experiências espirituais, queria ajudar, o pouco que fosse, a iluminar o Caminho.
    Eu o dediquei assim: /a todos que possam encontrar aqui um pouco da Luz do Caminho./

    “Diálogos com o Criativo”, esse é o nome, foi lançado em setembro de 2005. Mas custou muito a acontecer, porque eu dispensava referências, mas a minha editora, com a decisão de publicar ou não, me dizia sempre: / sem referências de alguém, um livro de um autor novo não vende… /

    E busquei a pessoa mais próxima, mesmo não a conhecendo pessoalmente… E a pessoa mais próxima de meu livro era Leonardo Boff, porque o texto lembrava o seu, algo de sua espiritualidade, de sua visão do transcendente.
    E Leonardo, em sua generosidade, concordou em fazer o prefácio.
    Que alegria, Leonardo!

    Acabei de escrever o segundo, agora em Maio. Provisoriamente, eu o chamo de / Paula – Uma História de Amor em Barcelona. /
    Transcrevo para você, que agora é a pessoa mais próxima que conheço, o texto da introdução de meu novo livro, resumo da história que conto:

    / Esta é uma história de amor.
    De um amor que nasceu quase de um absurdo,
    de uma situação inacreditável, mas que pode ser verdadeira
    O impossível é o possível daquele que sabe,
    que experimenta a Alma do Mundo,
    que convive com ela, no silêncio e amplitude de seu próprio coração.

    Esta é a história de um homem e de uma mulher,
    que se encontram, pela primeira vez, fora do tempo, fora de Cronos,
    o tempo dos relógios, do lado de fora da sucessão regular dos minutos.

    Eles aceitam o absurdo porque dentro deles vive uma certeza maior.
    Acreditam que há um Desígnio,
    e que é Ele que cria Realidade e Sentido no mundo do tempo.
    E que este Sentido é maior que eles próprios.

    E porque aceitaram e ouviram, o impossível se mostrou possível,
    e puderam viver o seu sonho.

    Para que o Caminho se mostre e para que a Luz brilhe nos espíritos,
    para que o perfume das flores nos guie aqui na Terra,
    é preciso simplesmente ter fé, aceitação, e um coração tranqüilo./

    Paulo, continua! O Caminho precisa de sua Luz!

  • José Luiz Silva Nunes

    Blog X – A Lição do Terço e da Rosa

    Minha paixão pela Literatura Fantástica começou muito cedo ainda no Brasil, por meio da magistral obra infantil de Monteiro Lobato, que fazia tudo parecer realizável com a magia do faz-de-conta ou pela impertinência da boneca Emília, alter-ego do autor. No clássico “Meu Pé de Laranja Lima” a possibilidade de um menino ultrapassar as barreiras da Natureza, ao tornar-se amigo de uma pequena árvore, mostrou que minha futura linha de interesses literários iria conduzir-me pelo pensamento livre de escritores extraordinários: Exupéry, Richard Bach, Melville, Jorge Luis Borges…
    Lembro-me do dia em que surpreendi-me com uma caneta nas mãos a frente de uma página em branco, compreendendo estar diante do mesmo impulso que conduzira tantos outros à partilha de suas idéias, com os mesmos receios de falhar miseravelmente, comuns nessas circunstâncias. Superei na ocasião meus temores: uma lamparina não é acesa para ser posta debaixo da cama… Datilografei numa pequena máquina de escrever portátil (os processadores de texto teriam seu lugar apenas nos anos seguintes…) e enviei os originais para um centro cultural responsável pela divulgação de um concurso literário na TV Educativa (Programa “Sem Censura”, conduzido na época pela jornalista Lúcia Leme). Os originais do conto foram selecionados para publicação numa coletânea e, encorajado por esse primeiro sucesso, dediquei-me integralmente à conclusão do meu primeiro romance…
    Apesar de ótimo e repleto de boas idéias havia um problema: eu era um escritor desconhecido!!!… Qualquer tentativa de apresentação dos originais terminava invariavelmente na lista de manuscritos não lidos (conhecida pela sombria expressão “slush pile”), rotulados previamente pela ausência de uma assinatura famosa ou de um bom agente a representá-los devidamente. Uma carta de agradecimento padronizada (enviada ao fim de dois ou três meses, simulando um acurado “exame literário”) servia para resumir a falta de interesse em novas apostas…
    Abatido, mas não vencido, encontrava as melhores palavras de conforto pela bondade de minha avó materna, uma sergipana que corajosamente se lançara ao mundo até achar o caminho do Rio de Janeiro, local escolhido para lutar honrosamente por uma vida plena de acontecimentos. Nunca conseguiria ler um livro meu pois os seus 91 anos arrebataram-na, não prematuramente, para um Paraíso que eu espero que exista. Acreditava em mim e seus últimos momentos de lucidez foram penosamente utilizados para lembrar-me do Amor Infinito traduzido por palavras que serão só minhas. Morreu num 22 de Maio, dia de Santa Rita de Cássia, a quem dedicava sua maior devoção depois da família, com um terço e uma rosa nas mãos entrelaçadas sobre seu silêncio…
    Confesso que durante muito tempo fiquei decepcionado com Deus por roubar-me meu anjo pessoal. Lamentei não ter atingido o sonho da publicação a tempo de recompensá-la por seu esforço, ela que me ensinara as primeiras letras e pacientemente contara-me as primeiras estórias…
    Minha avó foi sepultada numa manhã ensolarada num cemitério próximo ao Estoril, aqui em Portugal. Muitos amigos acompanharam o cortejo e eu, destroçado, lembrava-me dos tempos nos quais ela fora meu próprio sol, minha alegria de viver e minha esperança. Sonhara em mostrar-lhe os proventos multiplicados da educação que recebera… Constituíra família, conseguira colocar-lhe duas bisnetas nos braços (seu maior motivo de orgulho), mas a deixara partir apenas com um terço e uma rosa…
    Guardaria o sonho de tornar-me escritor até ler sobre o humilde monge malabarista no prefácio de “O Alquimista”, há apenas dois anos. Com lágrimas simultâneas a um sorriso, escrevi a primeira página de um novo romance, já concluído. Nasceu do sonho de acreditar outra vez na possibilidade de realizar algo capaz de sobreviver ao meu próprio tempo, nadando contra a corrente com a luz de um guerreiro. Agora, como o pianista alheio à indiferença das pessoas num centro comercial, nada me honraria mais do que compartilhar a melodia (que talvez só nós entendamos), com o bom ouvinte Paulo Coelho, porque foste responsável por um renascimento. Posso remeter-lhe o arquivo para o e-mail que indicar…
    (“Será que isso faz tanta diferença quando estamos possuídos por este gigantesco amor pelo que fazemos?”).

    Do sempre amigo,

    J.L. Nunes

  • “Amor uma palavras tão simples, mas impossivel de ser explicada atravez de palavras ou qualquer outra forma….A unica maneira de saber como tal é viver o amor…Sentir o amor.”

    Desejo um boa noite (03:17), e um ótimo final de semana…

    brçs

    Nosbor

  • Paulo,
    tenho quatorze anos e pretendo ser escritor. Eu penso que isso possa não significar nada para você, mas mesmo não lhe conhecendo vc já tem importância na minha vida. A minha lenda pessoal, acredito que ainda esteja em tempo de identificá-la, é escrever e poder viver das palavras. Porém creio não ter o dom e penso que quanto mais leio ao invés de escrever melhor estou cada vez mais me perdendo nos estilos e me perdendo no meu objetivo e naquilo que quero realmente.
    Eu tenho todas as imagens e os sentimentos dos personagens na minha cabeça, mas não tenho as palavras. É como se eu fosse um pintor cego, que tem as tintas e a imaginção, porém falta-lhe o essencial.
    Nestes dias tristes que passo pensando na infelicidade de não conseguir fazer aquilo que quero- algo muito precoce, creio eu, para um jovem da minha idade- reli seu livro, O Alquimista, e penso que ele (Deus me perdooe se isso não lhe agradar) é como se fosse uma bíblia para mim. Ali eu encontrei a explicação e as dicas para cado momento e situação da vida. Agora não estou mais triste e tenho coragem para encarar
    Foi aí que pensei que você me ajudou muito.
    Agora penso que se esta é a minha lenda pessoal e se realmente o mundo conspira para que tudo isso aconteça basta eu escrever. Espero que a partir de hoje o mundo se empenhe mais em conspirar para que a minha lenda pessoal se realize.
    Você talvez não me ajude em nada e creio que este seja o melhor para que o mundo cumpra a sua tarefa sozinho, mas vim aqui registrar meu profundo agradecimento, pois se não fosse a sua obra, eu nunca teria pensado em continuar aquilo que realmente acho que seja o meu futuro. Eu teria pensando em talvez estudar mais e abandonado minhas vontades e sentimentos, e deixando-os cair no esquecimento do tempo e nunca mais me lembrando que um dia eu quis ser escritor.
    Queria agradecer por tudo, e espero que por essas ruas inclinadas da vida um dia nos encontremos e eu possa lhe apertar a mãe e agradecer por tudo o que você fez por mim.

  • Marcia Fernandes

    Paulo,
    Um dia, pela primeira vez ainda menina, pensei que a cegonha tinha me entregado no lugar errado, pois que eu deveria ter nascido princesa. Maiorzinha, tive a certeza que ela era uma cegonha danada de velha, ou “na menopausa”, e teria confundido todos os endereços… Pensando em fazer graça do que considerava meio que desgraça, dizia: alguém deve estar vivendo no meu castelo, dormindo com meu príncipe, gastando todo o meu dinheiro e usufruindo da Minha vida…
    Agora, falando sério (ou mais seriamente, já que, para mim, sério esse assunto sempre foi), sentia – coisa estranha – que eu vivia no lugar errado. Que trabalhava na coisa errada. Que amava o errado… Consequentemente, que fazia e vivia só o errado. Dizia: não sou daqui! Achava que o “certo” estaria longe de mim, no estrangeiro. Longe, muito longe. Tão longe que fora de alcance.
    Hoje penso que isso, esse sentimento tolo e paralizante, era uma forma de inveja.
    Grande abraço,
    Marcia

  • que jesus te proteja, meu amigo eu lhe consedero um grande amigo por que eu aprendi muito com os seus livros que são muito importante para todos.

    ps : que jesus abençoe os teus caninho

  • Não importa quem será beneficiado com nossa luz, ou nosso pequeno candeeiro.O que importa realmente é se fazer por amor e com amor.Assim independe se apenas 1 pessoa, ou muitas pessoas dividirão conosco nossas experiências e aprendizados.Se serão poucas ou muitas pessoas que serão beneficiadas pelo nosso trabalho, por aquilo que falamos ou fazemos.O que importa sim , é fazermos, desempenharmos nosso papel nesta vida, com amor, sinceridade, pureza de alma.Assim as sementes jogadas, se aproveitadas apenas e tão somente 1 pessoa, nada importa, pois serão boas sementes, eivadas de amor e boas intenções,de bons fluidos.Nossa missão estará cumprida,enquanto desempenhada com amor, com integridade, com fidelidade aos princípios da boa conduta do ser humano.Por isso, se da luz se aproveitarão poucos,nada importa, porque a nossa parte foi feita.

  • Sempre quis ser “de fora”… Fui de fora em Salvador, em Minas e em Buenos Aires…É bem legal ser de fora…A gente fica especial, importante…Um importante que não é nosso de verdade, é meio emprestado. É, quero ser de fora de novo qualquer hora destas. Aproveite aí enquanto está fora daqui também. Que o caminho complete o que falta.
    Besitos :-)
    Lu*

  • Paulo, toda vez que procuro por vc, é sinal que meu coraçao está batendo muito fraco…. sem perspectiva, sem sonoridade, sem calor! E é através das suas palavras que me renovo! Qdo. te leio, sinto renovar minha meninice e até a vontade de criança, de escrever “O trem azul” (quem sabe um dia consigo), mas te escrevo pra te dar um motivo a mais pra seguir o seu caminho, o motivo que não só comigo mas com certeza pra todos que te curte é saber as coisas que o seu coração diz e o que sua alma vive, no dia a dia, e que mesmo tão longe aconchega a tantos.
    segue seu maravilhoso caminho e que na realidade é de todos nós!!!!
    Um forte abraço pra você.

  • Olá Paulo.
    Viajar. Conhecer o mundo. Encontrar pessoas de todos os tipos. Se apaixonar por um(a) desconhecido(a). Viver coisas novas e incertas. Isso é o sonho de todo mundo, mas deve ser bastante solitário.
    Vendo vc viajar por todo o mundo sempre me faz sentir inveja, mas ontem, eu passei uma tarde com uma amiga. Ri muito com ela, e… entendi que poderia estar em qualquer lugar do mundo mas não me divertiria tanto como foi ao lado dela.
    Vc é mágico, e nós precisamos de vc.
    Abençoado seja, e que os anjos toquem sempre sua alma, e que desse toque magico nasça incriveis livros.
    “Que os anjos te proteja e a tristeza te esqueça”

    Uma breve história:
    Quando disse ao coroço de laranja que dentro dela havia um laranjal inteiro, ele me olhou estupidamente incrédulo.”

    Até o acaso…
    Téu Borella

  • Oi, Paulo. Acho que a questão de alguns escritores sem reconhecimento passa mais pelas dificuldades de sobrevivência do que por reconhecimento. Acredito que os escritores se resumem em dois tipos; os comprometidos e os vaidosos. Os primeiros não fazem questão da fama, e sim com cidadania. Os segundos se artomentam com a glória mundana oque demonstra pouca maturidade espiritual. Abaixo vai um poema que fiz pra Vc do meu livro de poesias (juvenília, 2000). Acredito que seu reconehcimento vem do mérito de ensinar coisas úteis as pessoas, inclusive a mim.

    THE FOOL

    Quando nasci, já lia nas entrelinhas.
    A primeira palavra que aprendi: contramão.
    Já imaginava estar ali o meu caminho.
    Pus cedo o pe na estrada,
    Cantando minhas alucinações.
    Segui.
    Se o barato era surfar qualquer onda, mereci.
    Se o barato era ganhar dinheiro, mereci.
    Então, descobri um universo simples na goma de mascar.
    Hoje sou um mago animado, como nos desenhos.
    Hoje, vivo em universos, porque segui a lenda.
    E ainda sobrou-me tempo
    Para mostrar o caminho.
    A lição: desque tenhas pernas,
    Qualquer caminho te serve.
    Agora: magia.
    Amanhã: deslumbramento.
    Eu sou, eu fui, eu vou.
    N~sao sou menos mágico
    Que o Coelho da cartola.
    Meu nome é Paulo.
    Apóstolo.

  • Paulo… obrigada pelas palavras, elas conseguiram acalmar o meu coração.
    Que deus te abençõe!!!!
    PAZ!

  • Debora Rodrigues

    Obrigada… por tudo.

    Abraços de uma Guerreira com medo de acreditar de novo…

    *bom fim de semana pra ti*

  • Olá querido Paulo!
    Quando se tem amor no coração tudo que fazemos fica iluminado, sendo estranjeiro ou não.
    O amor é a luz que ilumina todos aqueles que carregam e vivim por amor,
    seja como for e muito menos onde esteja o amor sempre estará presente para que tudo possa fazer o sentido. E você, é claro carrega esse amor naquilo que faz e por isso estará sempre iluminado.
    Que você tenha os melhores resultados possiveis em tudo que for fazer, que Deus te abençoi e te proteja.
    Tenha certeza te que você tem o amor do mundo inteiro e que todos que te ama sempre te acompanha para de alguma forma te fortalecer e te ajudar.
    Beijos te amo de mais.
    boa sorte!!!
    bia

  • Paulinho…
    A luz divina está sempre nos nossos caminhos… na verdade, esta luz abençoada é o brilho de Deus manifestado em nossos atos
    Sermos luzes para os outros é algo indescritível..é a certeza que Deus está conosco e estamos trilhando seus caminhos retos, justos e de amor…
    O que adianta sermos luzes se não pudermos iluminar os outros?…
    Vc ilumina os outros qdo manifesta através de sua vida algo bom e especial…
    Todos somos luzes quando manifestamos o AMOR…
    Carinhoso abraço!
    So

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