Vinte anos depois: Entre Moscou e Ekaterinburg

Cheguei no vagão que irá me transportar pela Transiberiana cheio de livros, pensando que teria muito tempo durante estes 9.228 km de viagem de trem. Descubro logo em seguida que é impossível escrever ou ler qualquer coisa por causa do movimento e da ausência de bons amortecedores. Tudo que me resta é pensar, anotar alguns pensamentos no momento em que paramos em uma estação.

*****

Nós somos parte do sonho de Deus; como os personagens que habitam nossos sonhos, temos uma certa independência. Não somos Aquele que está sonhando, mas fazemos parte Dele. Espero que não tenha pesadelos por nossa causa, e possa passar noites tranqüilas.

*****

Senhor, protegei as nossas dúvidas, porque a Dúvida é uma maneira de rezar. É ela que nos fazem crescer, porque nos obriga a olhar sem medo para as muitas respostas de uma mesma pergunta. E para que isto seja possível,

Senhor, protegei as nossas decisões, porque a Decisão é uma maneira de rezar. Dai-nos coragem para, depois da dúvida, sermos capazes de escolher entre um caminho e o outro. Que o nosso SIM seja sempre um SIM, e o nosso NÃO seja sempre um NÃO. Que uma vez escolhido o caminho, jamais olhemos para trás, nem deixemos que nossa alma seja roída pelo remorso. E para que isto seja possível,

Senhor, protegei as nossas ações, porque a Ação é uma maneira de rezar. Fazei com que o pão nosso de cada dia seja fruto do melhor que levamos dentro de nós mesmos. Que possamos, através do trabalho e da Ação, compartilhar um pouco do amor que recebemos. E para que isto seja possível,

Senhor, protegei os nossos sonhos, porque o Sonho é uma maneira de rezar. Fazei com que, independente de nossa idade ou de nossa circunstância, sejamos capazes de manter acesa no coração a chama sagrada da esperança e da perseverança. E para que isto seja possível,

Senhor, dai-nos sempre entusiasmo, porque o Entusiasmo é uma maneira de rezar. É ele que nos liga aos Céus e a Terra, aos homens e as crianças, e nos diz que o desejo é importante, e merece o nosso esforço. É ele que nos afirma que tudo é possível, desde que estejamos totalmente comprometidos com o que fazemos. E para que isto seja possível,

Senhor, protegei-nos, porque a Vida é a única maneira que temos para manifestar o Teu milagre. Que a terra continue transformando a semente em trigo, que nós continuemos transmutando o trigo em pão. E isto só é possível se tivermos Amor – portanto, nunca nos deixe em solidão. Dai-nos sempre a tua companhia, e a companhia de homens e mulheres que tem dúvidas, agem, sonham, se entusiasmam, e vivem como se cada dia fosse totalmente dedicado a Tua gloria.

Amém.

*****

Creio que este meu texto é lido em aproximadamente três minutos. Pois bem: segundo as estatísticas, neste espaço de tempo irão morrer 300 pessoas, e outras 620 nascerão.

Talvez eu demore meia-hora para escrevê-lo: estou concentrado no meu computador, com livros ao meu lado, idéias na cabeça, a paisagem passando lá fora. Tudo parece absolutamente normal à minha volta; entretanto, durante estes trinta minutos, 3.000 pessoas morreram, e 6.200 acabam de ver, pela primeira vez, a luz do mundo.

Onde estarão estas milhares de famílias que apenas começaram a chorar a perda de alguém, ou rir com a chegada de um filho, neto, irmão?

Paro e reflito um pouco: talvez muitas destas mortes estejam chegando no final de uma longa e dolorosa enfermidade, e certas pessoas estão aliviadas com o Anjo que veio buscá-las. Além do mais, com toda certeza, centenas destas crianças que acabam de nascer serão abandonadas no próximo minuto, e passarão para a estatística de morte antes que eu termine este texto.

Que coisa. Uma simples estatística, que olhei por acaso – e de repente estou sentindo estas perdas e estes encontros, estes sorrisos e estas lágrimas. Quantos estão deixando esta vida sozinhos, em seus quartos, sem que ninguém se dê conta do que está acontecendo? Quantos nascerão escondidos, e serão abandonados na porta de asilos ou conventos?

Reflito: já fui parte da estatística de nascimentos, e um dia serei incluído no número de mortos. Que bom: eu tenho plena consciência de que vou morrer. Desde que fiz o caminho de Santiago, entendi que – embora a vida continue, e sejamos todos eternos – esta existência vai acabar um dia.

As pessoas pensam muito pouco na morte. Passam suas vidas preocupadas com verdadeiros absurdos, adiam coisas, deixam de lado momentos importantes. Não arriscam, porque acham que é perigoso. Reclamam muito, mas se acovardam na hora de tomar providências. Querem que tudo mude, mas elas mesmas se recusam a mudar.

Se pensassem um pouco mais na morte, não deixariam jamais de dar o telefonema que está faltando. Seriam um pouco mais loucas. Não iam ter medo do fim desta encarnação – porque não se pode temer algo que vai acontecer de qualquer jeito.

Os índios dizem: “hoje é um dia tão bom quanto qualquer outro para deixar este mundo”. E um bruxo comentou certa vez: “que a morte esteja sempre sentada ao seu lado. Assim, quando você precisar fazer coisas importantes, ela lhe dará a força e a coragem necessárias.”

Espero que voce, leitor, tenha chegado até aqui. Seria uma bobagem assustar-se com o assunto, porque todos nós, cedo ou tarde, vamos morrer. E só quem aceita isso está preparado para a vida.

Próximo texto: 29.05.06

P.S: Estimado leitor,

Durante esta caminhada, que está enchendo minha alma de experiências interessantíssimas, um dos momentos mais mágicos é quando chega a noite e posso ler os comentários no blog. Embora não tenha como responder a todos, saibam que é muitíssimo importante para mim entender que não estou só neste caminho. Muito obrigado pelo apoio e pelas palavras e idéias que estão sendo gravadas em meu coração.

Paulo Coelho

32 Responses to “Vinte anos depois: Entre Moscou e Ekaterinburg”


  • O medo da morte está me levando a pesquisar sobre o assunto e, para surpresa minha, deparei com seu texto que muito me agradou. Gostei mais ainda de ter a oportunidade de me expressar e confesso que do alto dos meus 61 anos sinto menos medo da morte do que a tempos atrás. Pode ser que Pelletier estivesse certo ao me dizer anos atrás que o pavor da morte está relacionado com o fato de não termos ainda cumprido a nossa missão. Naquele tempo eu buscava aperfeiçoamento profissional e auto conhecimento e estava longe de saber qual era a minha verdadeira missão. Era 1981
    e eu sonhava muito em poder contribuir na construçaão de um mundo melhor e acreditava que era a educação o melhor meio para se conseguir isso.Continuo sonhando com mudanças e ,mesmo depois de aposentada venho tentando como voluntária realizar meu sonho.Hoje tenho menos medo da morte mas sei que ainda tenho muito o que aprender.

  • Se tivesse vivido na ” Belle Èpoque ” ( de 1870 até à 1ª grande guerra de 1914 ) notaria, que no alvorecer da ” Estatística “, só se contavam os vivos.
    Enfim foi a última época em que predominou o Pensamento Positivo, e foi
    também a primeira vez que o sentido de Universalidade se fez sentir, aquilo a que hoje chamariamos ” Felicidade Global “.

    Curioso e surpreendente …

    Continuação de uma Boa Viagem que além de rolante é pelos vistos
    ” saltitante “.

  • Ola
    O texto é muito legal, com muitas verdades.

    Desejo uma ótima semana, dias e noites boas.

    brçs

    Nosbor

  • MORRER DEMAIS E MORRER DE MENOS – Há aqueles que morrem demais e outros que morrem de menos. Os homens são lembrados sempre pelo bem que fizeram e pelas belas palavras que pronunciaram (Jesus, Buda, Gandhi, Luther King…). Assim os dias vividos serão mais ou menos para cada pessoa indepedentemente da cronologia de sua vida. Os Guerreiros da Luz com certeza morrerão menos, suas vidas ganham eternidade na obra que deixam para Humanidade. Viva Paulo Coelho que ainda vivo já é imortal.

  • Querido Paulo, é verdade….nós todos somos hóspedes neste mundo…
    Sabemos que um dia vamos partir. E temos que procurar viver cada minuto como se fosse o último. Gosto muito de um verso de Mário Quintana que diz:

    “Esta vida é uma estranha hospedaria,
    De onde se parte quase sempre às tontas,
    Pois nunca as nossas malas estão prontas
    E a nossa conta nunca está em dia.”

    Admiro muito seu trabalho, já li todos os seus livros, que têm sido LUZ em minha vida. Que Deus continue a te guiar em seus caminhos.
    Beijos
    Vera Alves

  • Sou portuguesa, e tento todos os dias conhecer um pouco melhor a morte, para aprender cada vez mais a Viver.
    Obrigado pelo texto.

  • conceição santos

    OLÀ… Paulo Coelho. Vejo a morte como fim de tudo, para mim é estramamente dificil encarar a morte, só de pensar não ver a minha familia é muito triste e desconfortavel e dessagradavel e por vezes choro por eles, não os poder ver seus futuros e crescimentos na vida profisional, e particular . O desenvolvimento dos meus sobrinhos o que cada um deles vai ser no futuro quero conpartilhar isso de perto, por isso cada dia tento viver cada monento como se fosse o ultimo, faço o possivel dentro das minhas possibilidades e seder aos seus caprichos. Mas não penso muito nisso ,não sei se por iguismo o não só me lembro quando estou doente, a relevamos todos os santos, promessas,pedidos etc. Penso que vou ser interna,preciso acreditar para não desanimar e levar está vida por vezes cruel.
    -força!!!

  • Olá Paulo!Acabei de ler Brida e confesso q estou apaixonada mais ainda por esse mundo q julgo fazer parte.Tenho q lhe parabeniza-lo por uma obra tão ilustre.Quero agora ler todos os seus livros e tenho q começar desde já pq me julgo atrasada!Sempre lhe acompanhei na midia mas agora não posso lhe perder de vista.Um super beijo e fique com Deus!Continue sendo essa pessoa iluminada!

  • Paulo, penso nisso também, sempre. Mas os encontros dependem, ainda sim, de duas pessoas que queiram se encontrar. Eu tive uma amizade boa por muitos anos, que acabou pela intransigencia da outra parte. Tive a sorte de reencontrar esta pessoa há algumas semanas, quando novamente deixei as portas abertas do meu coracao, demonstrei nao ter ressentimentos. Mas ela nao quis, nao apareceu mais, e aquele encontro foi nossa despedida. Ela morreu há 2 semanas e desde entao ficou esse sentimento do que “poderia ter sido se ela tivesse querido”. Mas independeu de mim. Eu penso sim na morte com frequencia e faco aquilo que considero importante. Outra pergunta que eu me faco é: imagino-me com 65 anos, do que terei orgulho, o que terá sido parte imprescindível da minha vida, o que eu nao poderia ter deixado de fazer, o que me decepcionará se eu nao tiver pelo menos tentado conquistar. Isto me guia para viver a vida que eu quero viver, para buscar aquilo que é importante pra mim. Continue seu caminho em paz! Beijos, Sandra

  • José Luiz Silva Nunes

    Blog XII – Pessoa decide viver

    Numa tarde de um quase verão, percorrendo o elegante trajeto entre o Consulado Geral do Brasil em Lisboa e os antigos armazéns do Chiado, observo uma lenda poética em bronze, sentado no café “A Brasileira”. Os turistas disparam suas máquinas à estátua que reproduz um homem franzino, intelectualmente dividido entre as idéias que o celebrizaram e o tempo pequeno para uma alma que não o era …

    Ao analisar a dimensão histórica de Fernando Pessoa, um dos poetas maiores da língua portuguesa, penso na fotografia de seu túmulo que uso como marcador de página de um de seus livros. Seu espírito reunia tantas personalidades (os imortais heterônimos, com características singulares) que o autor conseguia ser, em simultâneo, um conjunto de Pessoas superando-se como porta-vozes de uma genialidade que mesmo a morte não calaria:

    “Se eu, criança das cidades do vale, não sabia respirar…
    Porque é que me deste a tua alma se eu não sabia o que fazer dela
    Como quem está carregado de ouro num deserto,
    Ou canta com voz divina entre ruínas?
    Porque é que me acordaste para a sensação e a nova alma,
    Se eu não saberei sentir, se a minha alma é de sempre a minha?”

    Descendo a Rua Garret penso nas estatísticas silenciando as vozes do mundo e no pranto vibrante dos recém-nascidos. Um artista ocasional tenta trocar seu pequeno espetáculo pirotécnico pelas moedas dos transeuntes: lembro-me do grande incêndio que reduziu a cinzas os principais edifícios da região nos anos 80, e dos mesmos já recuperados transbordando de vida e cultura. Na tradicional Livraria Bertrand tomo um exemplar de “O Zahir” de Paulo Coelho e descubro logo palavras marcantes a respeito de um Banco de Favores… Recuo no tempo para dez anos atrás: estou num centro comercial em Toronto, os livros do mesmo autor estão escritos em inglês. Também ali havia outra poesia de Fernando Pessoa sussurrando ao meu pensamento:

    “Foste tu que me ensinaste esse grito antiquíssimo, inglês,
    Que tão venenosamente resume
    Para as almas complexas como a minha
    O chamamento confuso das águas,
    A voz inédita e implícita de todas as coisas do mar,
    Dos naufrágios, das viagens longínquas, das travessias perigosas.
    Esse teu grito inglês, tornado universal no meu sangue,
    Sem feitio de grito, sem forma humana nem voz,
    Esse grito tremendo que parece soar
    De dentro duma caverna cuja abóbada é o céu…”

    A diferença entre viver ou tornar-se uma estatística reside também numa atitude voltada para uma vida além do óbvio. Houve um tempo no qual Veronika decidiu morrer, Pessoa preferiu viver, Coelho assumiu escrever e Nunes (eu mesmo…) pensou que tudo valia a pena se a alma não fosse pequena. Minha conta no Banco de Favores encontra-se aberta há muito tempo e espero um dia descobrir o retorno desses investimentos, para rir-me da realidade quando todos nós formos encontrar o refúgio dos nossos mistérios maiores.

    Do sempre amigo,

    J.L. Nunes

  • Paulo.espero sempre ansiosa sobre seus textos.Para mim são como remédios diários, que fazem com que meu dia se torne muito melhor.O texto de hoje, não se pode dizer que foi o melhor, pois nada que voce faz ouescreve é melhorou pior.Mas é um texto que realmente nos faz pensar, e transfoma a maneira de conduzir nossos dias, de voltar nossos sonhos e que independentemente de nossa idade, não temos tempo.Não podemosadiar nada, deixar nada para trás, não deixar para daqui a pouco a palavra ao amigo, porquequalquer segundo poderá ser tarde de mais. Quanto a sua oração somente posso dizer Amém.Que eu consiga pelo menos colocar em práticaum item dela.Já estaria fazendo algo por mim, e certamente por aqueles que me rodeiamSEgue teu caminho, e que sua jornada neste mundo continue sendo sempre tão iluminada, tão verdadeira, e tão simples, tocando nossos corações,e transmitindo a outras pessoas, men sag en stão verdadeiras e simples.Escreva logo novamente.Bjos.

  • Por isso somos seres tão antagônicos. Nascemos sob a luz que um dia se apagará e nos levará a outra luz, muito mais intensa, acolhedora. E lá, certamente teremos tempo para visualizar quadro a quadro nossos momentos do passado recente e também de um passado distante, que parece até havia se esfacelado da memória. O sorriso, o choro, os desalinhos, a inércia, as tentativas, a covardia… Tudo impreguinado na alma. Mas, e o brilho? O brilho ecoará pelo Universo, intensamente como o som que martela as lembranças, vislumbrando novas chegadas, novos caminhos e sempre a mesma procura…

  • And still small question:) how to you our gift – баранки??:))
    Novosibirsk loves you:) Transfer the best regards to all your team, everyone, who with you:) Is especial Volode – operator from Kiev)

    ” A Thank, Paulo!
    Happy ways! ”

    “Спасибо, Paulo!
    Счастливого пути!”

  • Thank, road Paulo!!! The large thank, that are divided with us by a part of the soul! Novosibirsk travels with you! You невсегда will stay in heart of city!!! Мадонна with the Christ on hands, this card, which you have presented, is stored(kept) at us and we thank you for such благословение!!! A thank, thank from all soul!!!

  • Ola, bom dia… viver é uma verdadeira viagem, em todos os sentidos. E as bençãos divinas tem que ser enxergadas e aceitas. Aceitei meu destinho, minha lenda e viver um sonho, sofri horrores, e agora no inicio de uma calmaria, de nova fase rumo ao cume, percebo que fiz a melhor das escolhas, mesmo tenho sacudido minha vida por uma tsunami existêncial…. beijos… *CRIS*

  • Sabe Paulo , tem uma coisa realmente mágica que me faz ler suas mensagens. Não sei explicar bem o que acontece, porque nem eu mesmo sabia que estava precisando daquelas palavras, e de repente me vejo entrando no seu site ou pegando um livro seu para reler … e o mais incrível …. sempre tem algo que me emociona muito, parece que foi feito para mim.
    Hoje eu li esta linda oração, e enquanto eu a lia eu chorava de emoção, e de alegria também por ter tido a oportunidade de encontrar as palavras que mexem com o meu coração e me fortalece nos momentos de duvidas e apreensão.
    Um grande sonho que te tenho é de poder fazer o Caminho de Santiago … então desejo que vc tenha ótimos momentos para nos repassar todos os detalhes e emoção da viagem… assim posso sentir como estivesse vivenciando estes momentos.
    Que Deus o ilumine sempre!!!!

  • Oi, Paulo, tava com o texto da Bulgaria pela frente dai o comentário acima. Imagino sim a alegria que Vc deve sentir com os blogs; a gente fica muito feliz de saber que há interação com a gente, diminui nossa solidão. Sobre a morte, há muitos mortos vivos na vida (agora comento o texto atual.)

  • Pois é Paulo, não podemos negar que eles foram originais. Abraços, Marcelino

  • Olá, Paulo li mais um texto seu e concordo plenamente com vc e acho q temos q tirar dá morte o melhor dela q é nos deixar cada vez mais vivos toda vez q pensamos no assunto. Graças ao seu livro “Veronika decide morrer” eu consegui tirar o melhor da morte e dei o telefonema q precisava ter dado, carta q escrevi e q entreguei, e tudo q poderia ser feito eu fiz.BJS……Valeu

  • Olá

    Sou leitora assídua deste blog e já li (quase) todos os seus livros editados em Portugal. Ao ler este post não pude deixar de recordar o “Verónika decide morrer” que é fantástico.
    Não acho que pensar na morte faça bem ou nos ajude a aproveitar melhor a vida. Não penso na minha própria morte, ela não me assusta. Mas a morte dos que estão à minha volta aterroriza-me. Sei que é inevitável e que sobreviverei tal como sobrevivi quando perdi alguns dos que mais amava, mas como encarar que aqueles que são a nossa ancora nos vão deixar?
    Sei, melhor do que gostaria, o que é perder alguém, e reviver esse momento noite após noite. Pensar nisso vai ajudar-me?
    Saber que vou sentir mais uma vez o medo que alguém que amo morra à minha frente vai ajudar-me a lidar com essa situação?
    Não creio. Se começar a ter essa consciência vou afastar-me de todos, para não tornar a sofrer e isso não é solução, mas outra espécie de morte.
    Prefiro viver com alegria a cada dia e acreditar que haverá sempre um amanhã. Prefiro arriscar-me a amar e acreditar que estaremos sempre juntos.
    Não é o medo da morte que me vai fazer viver com mais intensidade. A VIDA não precisa dessa justificação para ser plena. Eu não preciso de pensar no FIM para celebrar a vida.

    Boa vigem e até um dia…
    Patrícia

  • O seu texto parece que foi escrito propositadamente para mim… como certamente estarão a pensar muitos dos que o estão a ler neste momento.
    Finalmente decidi, com uma dose de loucura e de confiança em mim mesma e em Deus, e com esperança no futuro, fazer algo que tenho adiado há já alguns anos. Estou a perder o medo do fracasso. A morte,a minha pelo menos, já não me assusta.
    Dia 7 de Junho parto em peregrinação a pé para Santiago de Compostela em busca do meu «Graal». Acabou de nascer o meu 1º sobrinho – neto!!! A minha sobrinha mais velha que é apenas mais nova que eu 3 anos ( eu tenho 28 e ela 25) teve o seu 1º filho!
    E, tal como Walt Whitman, eu não canto apenas pelos vencedores, mas também pelos vencidos…também eles, na minha opinião, levam algo desta vida.
    Carpe Diem!
    Obrigada!
    Vera

  • Querido Paulo….
    Não acredito em coincidências…
    Costumo visitar o seu flog todas as manhãs… mesmo quando não há um novo texto… porém, esta manhã eu estava muito ocupada (com trabalhos que havia acumulado durante a semena e com os trabalhos que deveriam ser feitos para hoje) e não tive tempo de fazer minha visita diária. Agora, depois de concluir quase tudo que tinha planejado, vim conferir o seu flog. E como eu disse, não acredito em coincidências, eu estava justamente pensando nas coisas que eu deixei de dizer por medo de expressar meus sentimentos e não ter a recíproca que gostaria. Das oportunidades perdidas, dos momentos que “poderiam” ter sido diferentes… enfim, os momentos mágicos existem…
    Muito obrigada pelas palavras!!!
    Deus te abençõe!!!!
    Paz!

  • Paulo,

    Tenho lido todos os seus textos e gostaria apenas de dizer que este me tocou particularmente, porque “senti” o que queria dizer.
    Temos de saber viver com “tempo” que a nossa condição humana nos dá; e, viver não custa, o que custa é saber viver.
    Obrigada pela inspiração e votos de uma viagem recheada descobretas!

    Helena

  • Mariana Cristina Tegani

    Querido Paulo,
    Que oração mais linda! Vou salvá-la em meu computador para toda vez que lembrar e tiver um tempo, eu poder lê-la.
    Agora em questão de vida e morte, realmente, por não sabermos a data de nossa morte, nos julgamos eternos. E isso é muito triste, pois deixamos muita coisa passar “em branco”, que nos iria trazer uma alegria, um sorriso, não só nosso, mas das pessoas que convivemos.
    Às vezes deixamos ciclos abertos em nossa vida, esperando o momento certo de fechar, sem correr atrás do que queremos ou daquilo que não está nos deixando dormir.”O zahir” descreve muito bem isso, quando queremos algo, temos que correr atrás, e o mais rápido possível, para que se morrermos, não tenhamos deixado nada pra traz, nada não feito, nada não vivido, mas se ainda continuarmos um bom tempo vivos, louvores a Deus! Pq realizamos um sonho e ainda tivemos tempo de ter mais outros sonhos e torná-los reais, e fechando nossos ciclos, ficamos com a consciência mais leve, nosso fardo diminue, e a paz, a tão desejada paz se instala em nosso coração, e qdo acontece isso, é incrível como o nosso pensamento é: “Se eu morresse agora, nesse instante, morreria feliz, em paz, com o coração livre”.
    Então é isso meu amigo, isso é uma minúscula parte do que tenho aprendido lendo seus livros, ser sonhadora, mas correr atrás do sonhos; não viver o passado nem o futuro, mas o presente;estar certa de que vou morrer, mas com a alma leve por ter fechado meus ciclos, resumindo: combatendo o bom combate SEMPRE!

    Um grande beijo pro senhor e pra todos que forem postar aqui tbm…
    E que sempre, sejamos guerreiros da luz!

  • mais uma vez voce nos fez pensar mais alem…espero que a morte demore a te encontrar…pois issso seria um desperdicio…abracos

  • AMIGO CAMINHANTE

    Que a LUZ sagrada dos divinos o acompanhe nesta grandiosa CAMINHADA !
    Talvez um dia, quando passar por Portugal eu consiga apertar-lhe a mão e dizer-lhe “OBRIGADO pelos caminhos que através de si consegui abrir na minha VIDA “.
    Fique Bem e sinta-se FELIZ porque continua a contribuir para a Realização Pessoal de muitos Seres que têm a vontade à flor da pele de se descobrirem !!!
    1 bj amigo
    LINA MELO

  • Paulo Coelho muito obrigado pela esta linda oração,porque esta oração que eu estava precisando de ler.Vou colocala nas minhas oraçoes diarias.Nos mais um grande abraçoe que DEUS de abençoi nesta caminhada.

  • Mas uma vez…
    um ótimo texto!!!
    Gostaria de agradacer o cartão autografado….fiquei esperando anciosa por isso, e finalmente chegou!!!
    Muito obrigada mesmo!!!
    Boa viagem pra você!

  • Olá Paulo Coelho! Ler o que você escreve já é um prazer que vem do fundo da alma, você consegue nos fazer refletir, repensar certos assuntos que ficam escondidos no nosso íntimo. Na minha vida já tive grandes perdas a minha mãe biológica faleceu aos 46 anos e eu questionava porque ela tinha muita coisa pra fazer ainda, mas agora depois de ler esse texto pude entender que cada um tempo que não de sabe quando será para estar aqui na terra e que devemos viver. No ano passado meu pai(avô) faleceu aos 86 anos, são tempos diferentes mas a morte dele eu aceitei melhor porque ele tinha vivido muito tempo alcançou várias gerações e ela partiu na medade. A morte é um grande mistério.
    Mas lendo seu texto, sua reflexão sobre a morte, vi que ela é um detalhe na nossa vida, inevitável com certeza, mas um detalhe, pois temos uma vida pela frente seja ela longa ou curta que seja uma vida de realizações.
    Parabéns pelo seu excelente trabalho. Um beijo no seu coração e continue sua caminhada nos ensinando através de seus textos a VIVER.

  • Olá querido, tudo bom?
    espero que sim pois são meus sinceros votos.
    Olha tenho um pouco de medo da morte, pois tenho tantos planos e por isso o medo de a morte vim cedo e eu nao chegar a realizar meus objetivos. Mais no entanto, acho que já estou perdendo mais o medo, porque o tempo realmente transforma tudo e sei que vou acabar mudando de opinião a respeito da morte.
    Sinto agora uma confiança de quer ela não ta perto e que ainda vou fazer muita coisa na vida, mais sei também que não possa deixar tudo para depois, sei que a vida é curta.
    Bom espero aprender a conviver com essa certeza, e só assim viver em paz e feliz.
    Mil Beijos e fica com Deus.
    Bia

  • A vida e a morte são temas complexos cujo debate é infindo…
    A morte está presente a partir do preciso momento em que se nasce e medo algum de homem vai alterar o estado das coisas…
    O melhor a fazer é então tentarmos viver plenamente segundo a nossa consciência e os principios e valores que consideramos justos!!
    Querido Paulo, você estes dias acaba sempre os seus textos com a nota especial de agradecimento dirigida a nós, seus leitores, nota essa que eu lhe devolvo…
    É bom saber que nunca estamos sós naquele que é o nosso caminho!!
    Não é preciso conhecer alguém pessoalmente pra que essa pessoa tenha um papel importante na nossa vida!!
    Um beijo

  • Paulinho…
    Me emocionei com seu texto pela simplicidade e verdade que há nele…
    O maior presente que Deus nos dá é a vida e à medida que o tempo avança, percebemos que fomos abençoados com este milagre…
    Indepente do lugar, da raça, da religião ou de outro parâmetro externo, o que confere qualidade à vida é a dignidade que trazemos dentro de nós e o maior e mais sublime traço de dignidade que temos é o AMOR…
    Com ele, tudo faz sentido…tudo é possível…
    É o amor que nos faz sentir humanos e parte de Deus
    Expressamos nossa humanidade ao expressarmos o amor e isso nos torna mais próximos de Deus…
    Que Deus seja sempre nossa luz de AMOR e que possamos ao nosso modo iluminarmos uns aos outros…
    Deus nos abençoe grandemente…
    Carinhoso abraço!
    So

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