Archives for May 2006

Vinte anos depois: Odessa é assim

Catarina a Grande,da Russia, recebe em pleno inverno algumas caixas de laranja recem-colhidas. Um bilhete diz que vieram de um porto longí­nquo, parte do seu império. “Veja do que somos capazes: mas precisamos de sua ajuda para crescer”. Impressionada, a imperatriz de todas as Rússias manda uma quantidade enorme de dinheiro, para que o tal porto possa desenvolver-se ainda mais.

Na verdade, as laranjas haviam sido trazidas de outros paí­ses, através do Mar Negro. Sem dizer mentiras, o bilhete para a imperatriz tampouco explicava toda a verdade. Mas, como vim aprender assim que desembarquei ali, continuando os 90 dias que me propus a peregrinar pelo mundo sem destino certo, a frase mais ouvida na cidade é: “Odessa é assim”.

Quando resolvi viajar, sabia que precisava de pelo menos um compromisso oficial a cada semana. Isso me ajudaria a resistir a tentaí§í£o de interromper o caminho no meio e voltar para o Brasil antes da hora. Neste caso, aceitei vir í  Ucrí¢nia a convite do governo, para o forum sobre 20 anos do desastre atí´mico de Chernobyl. O evento duraria apenas uma tarde, e o vento estava me levando para a Ucrania, portanto dedici ficar mais uma semana ali. Quando me perguntaram o que desejava fazer, expliquei que estava tendo encontros “surpresa” com meus leitores, normalmente avisando com apenas dois ou tres dias de antecedencia. Onde seria o tal encontro?

– Odessa – respondi.

Todos pareceram muito surpresos? Por que Odessa? Respondo que conheci Sergey Kostin, que teve um projeto selecionado pela Fundaí§í£o Schwab (da qual sou membro da diretoria). Nos encontros em Davos (a fundaí§í£o é ligada O Forum Economico Mundial) eu ficava impressionado com aquele ucraniano que, sem falar ingles, conseguia mostrar seu projeto e sensibilizar homens de negócio que frequentam Davos. Sergey insistia que eu devia conhecer sua cidade; como estava sendo guiado por impulsos e sinais, achei que tinha chegado a hora. Mantendo uma tradií§í£o que comeí§ou em Puente la Reina, pedi ao livreiro local que organizasse uma festa/noite de autografos, para 50 leitores escolhidos através de sorteio.

Um amigo nos emprestou seu avií£o. Quando desembarcamos, a minha representante na Russia pede para ver o tal convite da festa, e certificar-se que está tudo bem. Vejo seus olhos de espanto.

– Mas ní£o tem nem data, nem local, nem hora!

– Odessa é assim – responde o livreiro. – Os que receberam o convite telefonarí£o 3 horas antes e receberí£o as informaí§íµes necessárias. Se souberem antes, teremos muitos ingressos falsificados.

Achamos que ní£o irá ninguém, mas peí§o a Natasha ní£o se preocupe, ní£o temos nenhuma expectativa, é parte da aventura. Visito a escadaria onde acontece a cena mais forte do filme “Encouraí§ado Potemkim”, de Eisenstein. A festa é um sucesso, embora, como Odessa é assim, realmente aparece muito mais gente do que o esperado. O livreiro me apresenta a um homem gigantesco, que gostaria de fazer minha escultura.

Ja recebi este tipo de proposta. Jamais aceitei porque sei que significa ficar dias posando, e pretendo voltar para Kiev no dia seguinte. Mas o livreiro insiste

– Apenas uma hora. Odessa é assim.

É a Páscoa ortodoxa, um dia importante para a cristandade. Sinto que devo aceitar apenas para lhe dar prazer- ní£o poderei mesmo ficar mais de uma hora, viajamos em seguida para Kiev.

Vou ao seu estúdio com alguns amigos. Alexander Petrovich Tokarev, esse é o nome do escultor, diz que passou a noite em claro rezando, na igreja (um costume ortodoxo). Mesmo sem dormir, comeí§a o trabalho. Eu estou um pouco ansioso: conseguirá nada em tí£o pouco tempo. Está suando em bicas, suas mí£os ní£o param, mas seus movimentos sí£o precisos, uma espécie de balé espiritual. Fico olhando seus trabalhos ao redor, sua genialidade e talento. Entendo seu amor, e sua capacidade de realizar coisas que aparentemente sí£o impossí­veis. Ali, mais uma vez me foi lembrado que quando se deseja uma coisa, todo o Universos conspira a favor.

No final de uma hora a escultura está pronta.Mas por que devo ficar supreso? Odessa é assim!

(*) Todo o processo e o resultado podem ser vistos cliquando na Galeria de Fotos

Próximo texto: 19.05.06

P.S: Estimado leitor,

Durante esta caminhada, que está enchendo minha alma de experiíªncias interessantí­ssimas, um dos momentos mais mágicos é quando chega a noite e posso ler os comentários no blog. Embora ní£o tenha como responder a todos, saibam que é muití­ssimo importante para mim entender que ní£o estou só neste caminho. Muito obrigado pelo apoio e pelas palavras e idéias que estí£o sendo gravadas em meu coraí§í£o.

Paulo Coelho

Twenty years later: That’s Odessa!

In the middle of the winter, Catharine the Great of Russia receives some boxes of freshly-picked oranges. A note says that they have come from a distant port, part of her Empire. “See what we are capable of; but we need your help to grow”. Impressed, the Empress of all the Russias sends an enormous amount of money so that this port can develop even more.

In fact the oranges had been brought from other countries across the Black Sea. Without telling any lies, the note to the Empress also did not tell the whole truth. But, as I came to understand as soon as I landed there, continuing the 90-day pilgrimage that I proposed to make without any fixed destination, the sentence one hears most often in the city is: “That’s Odessa!”

When I decided to take this journey, I knew that I would need to have at least one official commitment a week. That would help me to resist the temptation of interrupting the trip in the middle and returning to Brazil before the proper time. In this case, I accepted to come to Ukraine on the invitation of the government, to the forum held on the 20th anniversary of the atomic disaster in Chernobyl. The event was to last only one afternoon, and since the wind was carrying me to Ukraine I decided to stay there for another week. When they asked me what I wanted to do, I explained that I was arranging “surprise” meetings with my readers, normally giving them only two or three days’ notice. And where was the meeting to be?

“Odessa,” I answered.

Everyone seemed very surprised. Why Odessa? I answered that I had met Sergey Kostin, who had a project selected by the Schwab Foundation (I am on their Board of Directors). At the meetings held in Davos (the Foundation is connected to the World Economic Forum), I was impressed by that Ukrainian who, without speaking any English, managed to show his project and sensitize the businessmen who frequent Davos. Sergey insisted that I should come to visit his town; since I was being guided by impulses and signs, I felt that the time had come. Following a tradition that began in Puente la Reina, I asked the local book vendor to organize a book-signing party for 50 readers chosen by drawing lots.

A friend lent me his plane. When we landed, my representative in Russia asked to see the invitation to the party just to make sure everything was alright. I saw a look of fear in her eyes.

“But there’s no date, no place, no time!”

“That’s Odessa!” answered the book vendor. “Those who received the invitation will telephone 3 hours ahead for the necessary information. If they find out earlier than that, we will have many fake tickets.”

We feel that nobody will turn up, but I ask Natasha not to worry, we have no expectations, this is all part of the adventure. I visit the staircase where they filmed the strongest scene in Eisenstein’s “The Battleship Potemkin”. The party is a success, although, since “that’s Odessa!”, far more people turned up than was expected. The book vendor introduced me to a gigantic man who wanted to make a sculpture of me.

I have already received this kind of proposal. I have never accepted because I know that it means spending days posing, and I plan to go back to Kiev the next day. But the book vendor insists

“Just one hour. That’s Odessa!”

It’s the Orthodox Easter, an important day for Christianity. I feel that I should accept just to please him – I really could not stay for more than an hour, we had to get back to Kiev.

I go to his studio with some friends. Alexander Petrovich Tokarev, that is the sculptor’s name, says he spent the whole night praying in church (an Orthodox custom). Even though he has not slept, he begins to sculpt. I am a bit anxious: he will manage to do nothing in so little time. He is sweating profusely, his hands do not stop for a moment, yet his movements are precise, a sort of spiritual ballet. I look at his work all around the studio, his genius and talent. I understand his love and his capacity to accomplish things that seem impossible. There, once again I am reminded that when we want something, the whole Universe conspires in our favor.

At the end of the hour the sculpture is ready. But why should I be so surprised? That’s Odessa!

(*)The photos of the work can be seen by clicking on Photo Gallery

The next text will be posted on the 19th of May.

P.S: Dear reader,

During this journey, that is filling my soul with very interesting experiences, one of the most magical moments comes every night when I read the comments posted on this blog. Even though I can’t answer all of you, I want you to know that it’s very important to me to know that I’m not alone on this path. Thank you so much for your support and for the words and ideas that are now engraved on my heart.

Paulo Coelho

Vingt ans après: Odessa c’est comme í§a!

La Grande Catherine de Russie reí§oit, un jour d’hiver, quelques caisses contenant des oranges récemment cueillies. Un billet lui fait savoir que ces oranges proviennent d’un lointain port de son empire. « Voyez de quoi nous sommes capables : mais nous avons besoin de votre aide pour grandir ». Impressionnée, l’impératrice de toutes les Russies leur envoie une énorme somme d’argent pour que ce port puisse croí®tre encore plus.

En fait, les oranges avaient été apportées depuis d’autres pays par la Mer Noire. Sans réellement mentir, le billet pour l’impératrice ne disait pas toute la vérité. Mais, comme je l’ai aussití´t découvert une fois sur place en continuant mes quatre-vingt-dix jours de pèlerinage sans destination pré-établie, la phrase la plus entendue dans la ville c’est : « Odessa c’est comme í§a! »

Quand j’ai décidé de voyager, je savais que j’aurai besoin d’au moins un rendez-vous officiel chaque semaine. Cela m’aiderait í  résister í  la tentation de m’interrompre í  mi-chemin et de retourner au Brésil avant le moment venu. C’est ainsi que j’ai accepté de venir en Ukraine sur invitation du gouvernement pour le forum sur les vingt ans du désastre nucléaire de Tchernobyl. L’événement en soi ne durerait qu’un après-midi mais le vent m’amenait vers l’Ukraine et du coup j’ai décidé de rester une semaine. Quand on m’a demandé ce que je désirais faire, j’ai expliqué que je faisais des rencontres « surprise » avec mes lecteurs, ne les prévenant de mon arrivée normalement que deux ou trois jours í  l’avance. Oí¹ se tiendra cette rencontre ?

– í€ Odessa – répondis-je.

Tous paraissaient très surpris. Pourquoi Odessa ? Je réponds que j’ai connu Sergueí¯ Kostin, qui a un projet sélectionné par la Fondation Schwab (je suis membre de la direction). Lors de nos rencontres í  Davos (la fondation est liée au Forum Économique Mondial) j’étais impressionné par cet Ukrainien, qui sans parler l’anglais, arrivait í  monter son projet et í  sensibiliser les hommes d’affaires qui fréquentent Davos. Sergueí¯ insistait pour que je connaisse sa ville ; comme je suis guidé par des impulsions et des signaux, j’ai pensé que le moment était arrivé. Continuant une tradition qui commení§a í  Puente de la Reina, j’ai demandé í  la librairie locale d’organiser une fíªte/soirée de dédicaces pour une cinquantaine de lecteurs choisis lors d’un tirage au sort.

Un ami m’a príªté son avion. Lors du débarquement, mon agent en Russie me demande de lui montrer l’invitation pour la soirée, pour s’assurer que tout se passe bien. Je vois la frayeur dans ses yeux.

– Mais cette invitation n’a ni date, ni lieu, ni heure !

– Odessa c’est comme í§a – répond le libraire. – Ceux qui ont reí§u l’invitation vont téléphoner trois heures en avance et recevront les informations nécessaires. Si les gens savent cela avant, nous aurons beaucoup d’invitations falsifiées.

Nous pensons que personne ne viendra mais je demande í  Natacha de ne pas se préoccuper, nous n’avons aucune expectative, cela fait partie de l’aventure. Je visite les lancées d’escaliers oí¹ fut filmé la scène la plus forte du « Cuirassé Potemkine » d’Eisenstein. La fíªte est un succès, malgré le fait qu’Odessa étant comme í§a, beaucoup plus de gens viennent í  la dédicace. Le libraire me présente un homme énorme qui me dit qu’il voudrait faire ma sculpture.

J’ai déjí  reí§u ce type de proposition. Je n’ai jamais accepté car je sais que cela demande des jours de pose et je prétends retourner í  Kiev le lendemain. Mais le libraire insiste : – Seulement une heure. Odessa c’est comme í§a. C’est la Pí¢ques orthodoxe, un jour important pour la chrétienté. Je sens que je dois accepter simplement pour lui faire plaisir – de toute faí§on je ne pourrai pas rester plus car juste après nous voyageons vers Kiev.

Je vais í  son atelier avec quelques amis. Alexander Petrovich Tokarev, tel est le nom du sculpteur, me dit qu’il a fait nuit blanche en priant í  l’église (en costume orthodoxe). Míªme sans avoir dormi, il commence le travail. Je suis un peu inquiet : il ne réussira pas grand-chose en si peu de temps. Il n’arríªte pas de transpirer, ses mains ne s’arríªtent pas mais ses mouvements sont précis, une sorte de ballet spirituel. Je regarde ses Å“uvres autour de moi, son génie et son talent. Je comprends son amour et sa capacité de réaliser des choses apparemment impossibles. Lí , une fois de plus, je me suis rappelé que lorsque nous désirons quelque chose, tout l’univers conspire en notre faveur.

Au bout d’une heure la sculpture est príªte. Mais pourquoi suis-je surpris ? Odessa c’est comme í§a !

(*) Les photos de cette Å“uvre peuvent íªtre vues en cliquant sur la Galerie des Photos.

Le prochain texte sera mis en ligne le 19 Mai 2006

P.S: Cher lecteur,

Pendant ce cheminement, qui remplit mon í¢me d’expériences très intéressantes, un des moments les plus magiques c’est lorsque, le soir venu, je lis les commentaires sur le blog. Míªme si je ne peux pas vous répondre í  tous, je veux que vous sachiez qu’il est très important pour moi de savoir que je ne suis pas seul sur ce chemin. Merci beaucoup de votre soutien et pour les mots et les idées qui maintenant sont inscrites dans mon coeur.

Paulo Coelho

Vingt ans après: la ville

Vingt ans après : la ville Je marche dans la grande ville comme j’ai marché dans tant d’autres en ce monde, et j’assiste aux míªmes scènes : l’homme qui se promène avec son téléphone mobile, le garí§on qui court pour attraper l’autobus, la mère qui pousse son landau, deux jeunes qui s’embrassent dans un parc, des gamins qui jouent au football sur un terrain, des panneaux de signalisation, des publicités. J’attends avec un groupe de passants pour traverser la rue, je regarde sans intéríªt les monuments qui montrent toujours de grands hommes, pensifs, portant le monde sur leur dos.

Je marche dans la grande ville, je ne parle pas la langue locale, mais quelle différence cela peut-il faire ? Dans les grandes villes, personne ne cause í  personne – ils sont tous plongés dans leurs problèmes, toujours pressés. Et s’ils sont assis sur une place, ou bien s’ils attendent l’autobus, quelqu’un qui s’approche leur paraí®t une menace. L’inconnu est suspect, on nous l’a appris dès l’enfance, et cela nous suit pour le restant de nos vies. On peut íªtre misérable ou solitaire, avoir besoin de partager la joie d’une conquíªte ou la tristesse qui étouffe, mieux vaut demeurer silencieux, c’est plus sí»r.

Pourtant, j’aborde quelqu’un : nous ne parlons pas la míªme langue. Je tente une deuxième, une troisième personne, et puis un monsieur – lui aussi pressé, comme tous les autres – répond í  la question que j’aime poser, et dont je devine presque toujours la réponse :

« Qui est la personne qui a donné son nom a cette rue ?

– Je n’en ai pas la moindre idée. íŠtes-vous perdu ? »

J’explique que je sais oí¹ se trouve mon hí´tel, et je remercie. Dans la plupart des rues de ma ville, je ferais la míªme réponse : je ne sais pas í  qui l’on rend hommage. La gloire du monde est transitoire, disait Paul dans l’une de ses épí®tres.

Je marche dans la ville, qui est séparée de mon appartement par plus de dix mille kilomètres, mais avec pour seule différence la vue sur la mer ; pour tout le reste, les deux villes se ressemblent, et je me demande ce que je fais depuis deux mois ou presque loin de chez moi. J’ai décidé de fíªter ces vingt ans de pèlerinage í  Saint-Jacques-de-Compostelle par quatre-vingt-dix jours de voyage, allant dans la direction oí¹ le vent me porte, acceptant quelques engagements professionnels parce que cela m’empíªchera de résister í  la tentation qui en ce moment m’envahit violemment : celle de rentrer. Serait-ce que j’ai pris la mauvaise décision, que j’ai été très radical ? Je retourne í  l’hí´tel, je ferai encore une fois les valises, je prendrai de nouveau congé de mes amis, j’affronterai les contrí´les de sécurité í  l’aéroport, et je poursuivrai vers une autre grande ville, oí¹ m’attendent pratiquement les míªmes choses.

J’entre dans ma chambre, j’allume l’ordinateur, et je visite le blog que j’ai créé pour ce voyage. Mes lecteurs y placent leurs commentaires, et il semble que l’un d’eux ait deviné ce que je ressentais aujourd’hui, car il raconte une histoire.

« Il était une fois un homme pauvre mais courageux qui s’appelait Ali. Il travaillait pour Ammar, un vieux et riche commerí§ant. Un soir d’hiver, Ammar dit :”Personne ne peut passer une nuit comme celle-lí  en haut de la montagne, sans couverture et sans nourriture, mais tu as besoin d’argent, et si tu réussis, tu recevras une grosse récompense. Si tu ne réussis pas, tu travailleras gratuitement pendant trente jours.” Ali répondit : “Demain, j’accomplirai cette épreuve.” Mais en sortant de la boutique, il constata qu’il soufflait vraiment un vent glacial, il eut peur, et il décida de demander í  Aydi, son meilleur ami, si ce pari n’était pas une folie. Aydi réfléchit un peu, puis répondit : “Je vais t’aider. Demain, quand tu seras en haut de la montagne, regarde devant toi. Je serai en haut de la montagne voisine, j’y passerai toute la nuit avec un feu allumé pour toi. Regarde le feu, pense í  notre amitié, et cela te tiendra chaud. Tu vas réussir, et après je te demanderai quelque chose en échange.” Ali réussit l’épreuve, prit l’argent, et se rendit chez son ami : “Tu m’as dit que tu voudrais íªtre payé.” Aydi le saisit par les épaules : “Oui, mais pas en argent. Promets que, si í  un moment le vent froid passe sur ma vie, tu allumeras pour moi le feu de l’amitié.” »

Le lecteur termine son commentaire sur le blog :

« Oí¹ que vous soyez maintenant, merci de nous avoir rendu visite. Quand vous déciderez de revenir chez nous, le feu de l’amitié sera toujours allumé pour vous. »

Et bien que la solitude du voyage soit toujours dans mon í¢me, je comprends mieux ce que je fais ici.

Le prochain texte sera mis en ligne le 15 Mai 2006

P.S: Cher lecteur,

Pendant ce cheminement, qui remplit mon í¢me d’expériences très intéressantes, un des moments les plus magiques c’est lorsque, le soir venu, je lis les commentaires sur le blog. Míªme si je ne peux pas vous répondre í  tous, je veux que vous sachiez qu’il est très important pour moi de savoir que je ne suis pas seul sur ce chemin. Merci beaucoup de votre soutien et pour les mots et les idées qui maintenant sont inscrites dans mon coeur.

Paulo Coelho

Veinte años después: la ciudad

Camino por la ciudad grande, como ya caminé por otras tantas en este mundo y veo las mismas escenas: el hombre caminando con el celular, el muchacho que corre para tomar el ómnibus, la madre paseando con el cochecito del bebé, dos jóvenes besándose en el parque, chicos que juegan fútbol en un terreno baldí­o, Iglesias, señales de tránsito, anuncios. Espero junto con un grupo de personas para cruzar la calle, miro sin interés los monumentos que siempre muestran grandes hombres, pensativos, cargando el mundo en sus espaldas.

Camino por la ciudad grande donde no hablo el idioma local, pero que diferencia eso puede hacer? En las ciudades grandes, nadie conversa con nadie, – están todos sumergidos en sus problemas, siempre con apuro. Y si estuviesen sentados en una plaza, o esperando un ómnibus, si alguien se les aproxima, será visto como una amenaza. El desconocido es sospechoso, eso nos fue enseñado desde la infancia y nos seguirá el resto de nuestras vidas. Por más miserables o solitarios que estén, por más que necesiten dividir la alegrí­a de una conquista, o la tristeza que los sofoca, mejor y más seguro es quedarse en silencio.

Aún así­ abordo a alguien: no hablamos un idioma común. Trato una segunda, una tercera persona, hasta que un señor – también él apurado, como todos los otros – responde a la pregunta que querí­a hacerle y cuya respuesta casi siempre adivino:

– Quién es la persona a quién dieran el nombre de esta calle?

– No tengo la menos idea. Usted. Está perdido?

Explico que sé donde se encuentra mi hotel y agradezco. En gran parte de las calles de mi ciudad, darí­a la misma respuesta: no sé de quien se trata, quien es el homenajeado. La gloria del mundo es transitoria, así­ decí­a Pablo en una de sus epí­stolas.

Camino por la ciudad, que está separada de mi departamento por más de diez mil kilómetros de distancia, pero cuya única diferencia es la visión del mar, en todo lo demás se parecen y me pregunto que estoy haciendo hace casi dos meses fuera de casa. Resolví­ celebrar estos veinte años de peregrinación a Santiago de Compostela con 90 dí­as de viaje, yendo en la dirección que el viento me llevase, aceptando algunos compromisos profesionales porque eso me impedirí­a de resistir la tentación que en este momento me invade con toda fuerza: volver. Será que Tomé una decisión equivocada, fui muy radical? Regreso al hotel, haré otra vez las maletas, me despediré de nuevo de los amigos, enfrentaré los controles de seguridad en el aeropuerto y seguiré adelante para otra gran ciudad, donde me esperan prácticamente las mismas cosas.

Entro en mi habitación. Enciendo el ordenador y visito el blog que crié para este viaje. Mis lectores colocan sus comentarios y parece que uno de ellos adivinó lo que estaba sintiendo hoy, porque cuenta una historia:

“Era una vez un hombre pobre pero de mucho coraje que se llamaba Ali. Trabajaba para Ammar, un viejo y rico comerciante. Cierta noche de invierno dice Ammar: “Nadie puede pasar una noche así­ en lo alto de la montaña, sin frazada y sin comida. Pero tu necesitas de dinero y si consigues hacer eso, recibirás una gran recompensa. Si no lo consigues, trabajarás gratis por treinta dí­as”. Ali respondió: “Mañana cumpliré esa prueba”. Pero al salir del negocio vio que realmente soplaba un viento helado y tuvo miedo. Resolvió preguntarle a su mejor amigo, Aydi, si no le parecí­a una locura hacer esa apuesta. Después de reflexionar un poco Aydi le respondió: “Voy a ayudarte. Mañana cuando estés en lo alto de la montaña mira hacia el frente. Yo estaré también en lo alto de la montaña vecina, pasaré la noche entera con una fogata encendida para ti. Mira para el fuego, piensa en nuestra amistad, y eso te mantendrá abrigado. Tu vas a conseguir y después yo te pediré algo en cambio. Ali venció la prueba, tomó el dinero y fue hasta la casa de su amigo: “Tu me dijiste que querí­as algo en pago”. Aydi lo agarro por los hombros: “Si, pero no en dinero. Prométeme que, si en algún momento el viento frí­o pasa por mi vida, encenderás para mi el fuego de la amistad.”

El lector termina el comentario en el blog: “Independiente de donde estés ahora, gracias por habernos visitado. Cuando resuelvas volver a nuestro paí­s, siempre estará encendido para ti el fuego de la amistad”.

Y aunque la soledad del viaje todaví­a continúa en mi alma, entiendo mejor lo que estoy haciendo aquí­.

Próximo texto: 15.05.06.

P.S: Caro lector, En este camino que me está llenando el espí­ritu con experiencias interesantí­simas, uno de los momentos más mágicos es cuando, durante la noche, puedo leer sus cometarios en el blog. Mismo que no pueda responder a todos, quiero que sepan que es muy importante para mi saber que no estoy solo en este camino. Muchas gracias por su soporte y por las palabras e ideas que seguirán grabadas en mí­ corazón.

Paulo Coelho

Vinte anos depois: a cidade

Caminho pela cidade grande como já caminhei por outras tantas neste mundo, e assisto as mesmas cenas: o homem que caminha com o celular, o rapaz que corre para pegar o í´nibus, a mí£e passeando com o carrinho de bebíª, dois jovens que se beijam em um parque, garotos que jogam futebol em um terreno, igrejas, sinais de trí¢nsito, anúncios. Espero junto com um grupo de pessoas para atravessar a rua, olho sem interesse os monumentos que sempre mostram grandes homens, pensativos, carregando o mundo em suas costas.

Caminho pela cidade grande onde nao falo a lingua local, mas que diferení§a isso pode fazer? Nas cidades grandes ninguém conversa com ninguém – estí£o todos imersos em seus problemas, sempre com pressa. E se estiverem sentados em uma praí§a, ou esperando um í´nibus, alguém que se aproxime será visto como uma ameaí§a. O desconhecido é suspeito, isso nos ensinaram desde a infí¢ncia, e isso seguimos o resto de nossas vidas. Por mais miseráveis ou solitários que estejam, por mais que precisem dividir a alegria de uma conquista ou a tristeza que sufoca, melhor e mais seguro ficar em silíªncio.

Mesmo assim, abordo alguém: ní£o falamos uma lingua comum. Tento uma segunda, uma terceira pessoa, até que um senhor – também ele apressado, como todos os outros – responde a pergunta que gosto de fazer, e cuja resposta quase sempre adivinho:

– Quem é a pessoa a quem deram o nome desta rua?

– Ní£o tenho a menor idéia. O senhor está perdido?

Explico que sei onde se encontra meu hotel, e agradeí§o. Na grande parte das ruas de minha cidade, daria a mesma resposta: ní£o sei de quem se trata o homenageado. A glória do mundo é transitória, assim dizia Paulo em uma de suas epí­stolas.

Caminho pela cidade, que está separada do meu apartamento por mais de dez mil quilí´metros de distí¢ncia, mas cuja única diferení§a é a visí£o do mar; em tudo o mais as duas se parecem, e me pergunto o que estou fazendo há quase dois meses fora de casa. Resolvi celebrar estes vinte anos de peregrinaí§í£o a Santiago de Compostela com 90 dias de viagem, indo na direí§ao que o vento me conduz, aceitando alguns compromissos profissionais porque isso me impediria de resistir í  tentaí§í£o que neste momento me invade com toda forí§a:: voltar. Será que tomei a decisí£o errada, fui muito radical? Retorno ao hotel, farei outra vez as malas, me despedirei de novo dos amigos, enfrentarei os controles de seguraní§a no aeroporto, e seguirei adiante, para outra grande cidade, onde me esperam praticamente as mesmas coisas.

Entro no meu quarto, ligo o computador, e visito o blog que criei para esta viagem. Meus leitores colocam seus comentários, e parece que um deles adivinhou o que estava sentindo hoje, porque conta uma história:

“Era uma vez um homem pobre mas corajoso que se chamava Ali. Trabalhava para Ammar, um velho e rico comerciante. Certa noite de inverno, disse Ammar: “ninguém pode passar uma noite assim no alto da montanha, sem cobertor e sem comida. Mas voce precisa de dinheiro, e se conseguir fazer isso, receberá uma grande recompensa. Se ní£o conseguir, trabalhará de graí§a por trinta dias”. Ali respondeu: “amanhí£ cumprirei esta prova”. Mas ao sair da loja, viu que realmente soprava um vento gelado, ficou com medo, e resolveu perguntar ao seu melhor amigo, Aydi, se ní£o era uma loucura fazer esta aposta. Depois de refletir um pouco, Aydi respondeu: “vou lhe ajudar. Amanhí£, quando estiver no alto da montanha, olhe adiante. Eu estarei também no alto da montanha vizinha, passarei a noite inteira com uma fogueira acesa para voce. Olhe para o fogo, pense em nossa amizade, e isso o manterá aquecido. Vocíª vai conseguir, e depois eu lhe peí§o algo em troca.” Ali venceu a prova, pegou o dinheiro, e foi até a casa do amigo: “voce me disse que queria um pagamento.” Aydi agarrou-o pelos ombros: “sim, mas ní£o é em dinheiro. Prometa que, se em algum momento o vento frio passar por minha vida, acenderá para mim o fogo da amizade.”

O leitor termina o comentário no blog: “independente de onde estiver agora, obrigado por ter nos visitado. Quando resolver retornar ao nosso paí­s, sempre estará aceso para vocíª o fogo da amizade”.

E embora a solidí£o da viagem ainda continue em minha alma, entendo melhor o que estou fazendo aqui.

Próximo texto: 15.05.06

P.S: Estimado leitor,

Durante esta caminhada, que está enchendo minha alma de experiíªncias interessantí­ssimas, um dos momentos mais mágicos é quando chega a noite e posso ler os comentários no blog. Embora ní£o tenha como responder a todos, saibam que é muití­ssimo importante para mim entender que ní£o estou só neste caminho. Muito obrigado pelo apoio e pelas palavras e idéias que estí£o sendo gravadas em meu coraí§í£o.

Paulo Coelho

Twenty years later: the city

I stroll through the big city like I have strolled through so many other big cities in this world, and I see the same scenes: a man walking and talking on his cell phone, a boy running to catch the bus, a mother pushing a pram, a young couple kissing in a park, kids playing football in a vacant lot, churches, traffic lights, billboards. I stand waiting with a group of people to cross the street, glance at the monuments that always show great men deep in thought, bearing the world on their shoulders.

I stroll through the big city where I do not speak the language, but what difference does that make? In big cities, nobody talks to anybody – everybody is so immersed in their problems, always in a hurry. And if they are sitting in the square, or waiting for the bus, anyone who approaches is seen as a threat. Strangers are suspect, we are taught that since we are children, and we remember that for the rest of our lives. No matter how miserable or lonely they are, however much they need to share the joy of a victory or some suffocating sadness, it is better and safer to remain silent.

Even so, I go up to someone: we do not speak a common language. I try a second person, then a third, until a man – in a hurry, like all the others – answers the question I want to ask, the answer to which I can almost always guess:

“Who is this street named after?”

“I haven’t the least idea. Are you lost?”

I explain that I know where my hotel is and thank him. In most of the streets in my home town I would give the same answer: I do not know the person to whom the homage is paid. The glory of the world is transitory, as Paul said in one of his epistles.

I stroll through the city, which is more than ten thousand kilometers from my apartment, but whose only difference is the view of the sea. In everything else, both cities resemble one another, and I wonder what I have been doing for nearly two months away from home. I decided to celebrate the twentieth anniversary of my pilgrimage to Santiago de Compostela with a 90-day trip, traveling in whatever direction the wind carried me, accepting some professional engagements because that would protect me from the temptation that at this very moment seizes me with tremendous power: to go home. Have I made the wrong decision, have I been too radical? I make my way back to the hotel, once more I will pack my bags, say goodbye again to my friends, go through all the security controls at the airport, and move on to another big city where practically the same things await me.

I go into my room, turn on the computer and visit the blog that I created for this trip. My readers send their comments, and one of them seems to have guessed what I have been feeling today, because he tells the following story:

“Once upon a time there was a poor but very brave man called Ali. He worked for Ammar, a rich old merchant. One winter’s night Ammar said: “nobody can spend a night like this on top of the mountain without a blanket or food. But you need money, and if you can manage to do that you will receive a great reward. If you don’t, you will work for thirty days without pay”. Ali answered: “tomorrow I shall do this test”. But when he left the shop, he saw that a really icy wind was blowing and became scared, so he decided to ask his best friend, Aydi, if it was crazy of him to accept that bet. After reflecting a while, Aydi answered: “I shall help you. Tomorrow, when you are at the top of the mountain, look ahead. I will be on the top of the mountain next to yours, where I will spend the whole night with a bonfire lit for you. You look at the fire and think about our friendship – that will keep you warm. You will manage, and later on I shall ask you something in return.” Ali won the test, got the money, and went to his friend’s house: “You told me you wanted some payment.” Aydi grabbed him by the shoulders: “Yes, but it isn’t money. Promise that if at any time a cold wind passes through my life, you will light the fire of friendship for me.”

The reader ends his comment on the blog: “wherever you may be at this moment, thanks for having paid us a visit. When you decide to come back to our country, the fire of friendship will always be lit for you”.

And although the loneliness of the journey is still here in my soul, now I understand better what I am doing here.

The next text will be posted on the 15th of May.

P.S: Dear reader,

During this journey, that is filling my soul with very interesting experiences, one of the most magical moments comes every night when I read the comments posted on this blog. Even though I can’t answer all of you, I want you to know that it’s very important to me to know that I’m not alone on this path. Thank you so much for your support and for the words and ideas that are now engraved on my heart.

Paulo Coelho

Travelling differently

I realised very early on that, for me, travelling was the best way of learning. I still have a pilgrim soul, and I thought that I would use this blog to pass on some of the lessons I have learned, in the hope that they might prove useful to other pilgrims like me.

1. Avoid museums. This might seem to be absurd advice, but let’s just think about it a little: if you are in a foreign city, isn’t it far more interesting to go in search of the present than of the past? It’s just that people feel obliged to go to museums because they learned as children that travelling was about seeking out that kind of culture. Obviously museums are important, but they require time and objectivity – you need to know what you want to see there, otherwise you will leave with a sense of having seen a few really fundamental things, except that you can’t remember what they were.

2. Hang out in bars. Bars are the places where life in the city reveals itself, not in museums. By bars I don’t mean nightclubs, but the places where ordinary people go, have a drink, ponder the weather, and are always ready for a chat. Buy a newspaper and enjoy the ebb and flow of people. If someone strikes up a conversation, however silly, join in: you cannot judge the beauty of a particular path just by looking at the gate.

3. Be open. The best tour guide is someone who lives in the place, knows everything about it, is proud of his or her city, but does not work for an agency. Go out into the street, choose the person you want to talk to, and ask them something (Where is the cathedral? Where is the post office?). If nothing comes of it, try someone else – I guarantee that at the end of the day you will have found yourself an excellent companion.

4. Try to travel alone or – if you are married – with your spouse. It will be harder work, no one will be there taking care of you, but only in this way can you truly leave your own country behind. Travelling with a group is a way of being in a foreign country while speaking your mother tongue, doing whatever the leader of the flock tells you to do, and taking more interest in group gossip than in the place you are visiting.

5. Don’t compare. Don’t compare anything – prices, standards of hygiene, quality of life, means of transport, nothing! You are not travelling in order to prove that you have a better life than other people – your aim is to find out how other people live, what they can teach you, how they deal with reality and with the extraordinary.

6. Understand that everyone understands you. Even if you don’t speak the language, don’t be afraid: I’ve been in lots of places where I could not communicate with words at all, and I always found support, guidance, useful advice, and even girlfriends. Some people think that if they travel alone, they will set off down the street and be lost forever. Just make sure you have the hotel card in your pocket and – if the worst comes to the worst – flag down a taxi and show the card to the driver.

7. Don’t buy too much. Spend your money on things you won’t need to carry: tickets to a good play, restaurants, trips. Nowadays, with the global economy and the Internet, you can buy anything you want without having to pay excess baggage.

8. Don’t try to see the world in a month. It is far better to stay in a city for four or five days than to visit five cities in a week. A city is like a capricious woman: she takes time to be seduced and to reveal herself completely.

9. A journey is an adventure. Henry Miller used to say that it is far more important to discover a church that no one else has ever heard of than to go to Rome and feel obliged to visit the Sistine Chapel with two hundred thousand other tourists bellowing in your ear. By all means go to the Sistine Chapel, but wander the streets too, explore alleyways, experience the freedom of looking for something – quite what you don’t know – but which, if you find it, will – you can be sure – change your life.

© Translated from the Portuguese by Margaret Jull Costa

The next text will be posted on the 12th of May.

P.S: Dear reader,

During this journey, that is filling my soul with very interesting experiences, one of the most magical moments comes every night when I read the comments posted on this blog. Even though I can’t answer all of you, I want you to know that it’s very important to me to know that I’m not alone on this path. Thank you so much for your support and for the words and ideas that are now engraved on my heart.

Paulo Coelho

Vingt ans après: droite ou gauche?

Je suis arrivé í  Saint-Jacques-de-Compostelle, cette fois-ci en voiture, pour célébrer mon pèlerinage d’il y a vingt ans. Quand j’étais í  Puente la Reina, l’idée m’est venue de faire, í  l’improviste, des après-midi de dédicaces : il suffisait d’appeler la prochaine ville oí¹ nous allions dormir, demander í  ce qu’une affiche soit mise sur la faí§ade de la librairie locale et íªtre lí  í  l’heure convenue.

Cela a très bien marché dans les petits villages, et avec un peu plus d’organisation dans les plus grandes villes, telles que Saint-Jacques-de-Compostelle. J’ai pu avoir une rencontre inespérée avec les lecteurs et j’ai appris que pour les choses faites avec amour l’improvisation est une grande alliée.

Saint-Jacques se trouve maintenant devant moi. Et quelques dizaines de kilomètres plus loin, l’océan Atlantique. Mais je suis décidé í  continuer avec les après-midi de dédicaces vu que je veux rester quatre-vingt-dix jours hors de chez moi.

Et comme je ne prétends pas traverser l’Océan Atlantique en ce moment, dois-je aller í  droite (Santander, Pays Basque) ou í  gauche (Guimarí£es, Portugal)?

Mieux vaut laisser le destin décider: ma femme et moi sommes rentrés dans un bar et nous avons demandé í  un homme qui buvait son café: droite ou gauche? Avec conviction il nous répond de continuer í  gauche – pensant probablement qu’on faisait référence í  des partis politiques.

J’appelle mon éditeur portugais. Il ne me demande pas qu’est-ce que c’est que cette folie, ne s’insurge pas contre le fait de l’avoir prévenu í  la dernière seconde. Deux heures plus tard il m’appelle en me disant qu’il a contacté les radios locales de Guimarí£es et Fátima et qu’en 24 heures je peux retrouver mes lecteurs dans ces villes.

Tout se passe bien.

í€ Fátima, comme un signe, je reí§ois un cadeau d’une des personnes se trouvant lí . Il s’agit des écrits d’un moine bouddhiste, Thich Nhat Hanh, nommé The long road to joy (Le long chemin vers la joie). í€ partir de ce moment, avant de commencer ce périple de quatre-vingt-dix jours autour du monde, je commence í  lire, tous les matins les sages paroles de Nhat Hanh, qui en résumé sont les suivantes:

1] Tu es déjí  arrivé. Ainsi, sens le plaisir í  chaque pas, et ne t’inquiètes pas des choses qu’il faudra encore surmonter. Nous n’avons rien devant nous í  part un chemin que nous devons parcourir í  chaque moment avec joie. Quand nous pratiquons la méditation pérégrine, nous sommes constamment en train d’arriver, notre foyer est le moment présent et rien d’autre.

2] í€ cause de cela, souris toujours lors de ta marche. Míªme si tu devras parfois le forcer et míªme si tu te sens ridicule. Habitue-toi í  sourire et í  terme tu seras content. N’aies pas peur de montrer ta joie.

3] Si tu penses que la paix et la joie sont devant toi, tu ne les atteindras jamais. Essaies de comprendre qu’elles t’accompagnent tout au long de ton chemin.

4] Quand tu marches, tu masses et honores la terre. De míªme, la terre est en train d’essayer de t’aider í  équilibrer ton organisme et ton esprit. Comprends cette relation et essaie de la respecter – que tes pas soient faits avec la fermeté d’un lion, l’élégance d’un tigre, la dignité d’un empereur.

5] Sois attentif í  ce qui se passe autour de toi. Concentre-toi sur ta respiration – cela te permettra de te libérer des problèmes et des anxiétés qui essaient de t’accompagner sur ton chemin.

6] En marchant, ce n’est pas seulement toi qui se meut, mais toutes les générations passées et futures. Dans le monde nommé “réel” le temps est une mesure, mais dans le vrai monde il n’existe rien au-delí  du moment présent. Aies pleine conscience de tout ce qui s’est passé et de tout ce qui se passera í  chacun de tes pas.

7] Amuse-toi. Que la méditation pérégrine soit toujours une rencontre de soi avec soi-míªme; jamais une pénitence en quíªte d’une reconnaissance. Que des fleurs et des fruits poussent toujours lí  oí¹ tes pieds toucheront le sol.

Le prochain texte sera mis en ligne le 9 Mai 2006

P.S: Cher lecteur,

Pendant ce cheminement, qui remplit mon í¢me d’expériences très intéressantes, un des moments les plus magiques c’est lorsque, le soir venu, je lis les commentaires sur le blog. Míªme si je ne peux pas vous répondre í  tous, je veux que vous sachiez qu’il est très important pour moi de savoir que je ne suis pas seul sur ce chemin. Merci beaucoup de votre soutien et pour les mots et les idées qui maintenant sont inscrites dans mon coeur.

Paulo Coelho

Veinte años después: derecha o izquierda?

Llego a Santiago de Compostela, esta vez en auto, para celebrar mi peregrinación de hace veinte años. Cuando estaba en Puente La Reina, me vino la idea de hacer tardes de autógrafos sin grandes preparaciones: solamente bastaba con telefonear para la próxima ciudad donde deberí­amos dormir, pedirles que colocasen un cartel en la librerí­a local y estarí­a allí­ a la hora marcada.

Funciono magní­ficamente en las pequeñas aldeas, aunque exigiendo un poco más de organización en las grandes ciudades, como la propia Santiago de Compostela. Tuve un contacto inesperado con los lectores y aprendí­ que las cosas hechas con amor pueden tener la improvisación como una gran aliada.

Santiago estaba ahora delante de mí­. Y a algunas decenas de kms. más adelante, el Océano Atlántico. Pero estoy decidido a seguir adelante con las tales tardes de autógrafos improvisadas, ya que pretendo quedarme noventa dí­as fuera de casa.

Y como no pretendo atravesar el oceano em este momento, debo ir para la derecha (Santander, Pais Basco) o para la izquierda (Guimarí£es, Portugal)?

Es mejor dejar que el destino elija: mi mujer y yo entramos en un bar y le preguntamos a un hombre que está tomando un café: derecha o izquierda? Él nos responde con convicción que debemos seguir para la izquierda – quizás pensando que nos referí­amos a partidos polí­ticos.

Llamo por teléfono a mi editor portugués. Él no me pregunta que locura es esa, no reclama de ser avisado encima de la hora. Dos horas más tarde me llama, dice que contactó las radios locales de Guimarí£es y Fátima y que en 24 horas puedo estar con mis lectores en aquellas ciudades.

Todo sale bien.

Y en Fátima, como una señal, recibo um regalo de una de las personas que están allí­. Se trata de las escrituras de un monje budista, Thich Nhat Hanh, tituladas “The long road to joy” (El largo camino para la alegrí­a) A partir de aquel momento, antes de continuar esta jornada de 90 dias por el mundo, paso a leer todas las mañanas las sabias palabras de Nhat Hanh, que resumo a seguir:

1] Tu ya llegaste. Por lo tanto, siente el placer en cada paso y no te preocupes con las cosas que todaví­a tienes que superar. No tenemos nada delante de nosotros, apenas un camino para ser recorrido a cada momento con alegrí­a. Cuando practicamos la meditación peregrina, estamos siempre llegando, nuestro hogar es el momento actual y nada más.

2] Por causa de eso, sonrí­e siempre mientras andas. Aunque tuvieses que esforzarte un poco y sentirte ridí­culo. Acostúmbrate a sonreí­r y terminarás alegre. No tengas miedo de mostrar que estás contento.

3] Si piensas que la paz y la felicidad están siempre adelante, jamás conseguirás alcanzarlas. Trata de entender que ambas son tus compañeras de viaje.

4] Cuando andas, estás masageando y honrando la tierra. De la misma manera, la tierra está tratando de ayudarte a equilibrar tu organismo y tu mente. Entiende esta relación y trata de respetarla – Que tus pasos sean dados con la firmeza del león, la elegancia del tigre, la dignidad de un emperador.

5] Presta atención a lo que sucede a tu alrededor. Concéntrate en tu respiración – eso te ayudará a liberarte de los problemas y ansiedades que tratan de acompañarte en tu camino.

6] Al caminar, no eres tu apenas que te estás moviendo, sino todas las generaciones pasadas y futuras. En el mundo llamado de “real” el tiempo es una medida, pero en el verdadero mundo no existe nada más allá del momento presente. Ten plena conciencia que todo lo que ya sucedió y todo lo que sucederá está en cada paso tuyo.

7] Diviértete. Haz de la meditación peregrina un constante encuentro contigo mismo; jamás una penitencia en busca de recompensas. Que siempre crezcan flores y frutos en los lugares donde tus pies toquen.

Próximo texto: 09.05.06.

P.S: Caro lector,

En este camino que me está llenando el espí­ritu con experiencias interesantí­simas, uno de los momentos más mágicos es cuando, durante la noche, puedo leer sus cometarios en el blog. Mismo que no pueda responder a todos, quiero que sepan que es muy importante para mi saber que no estoy solo en este camino. Muchas gracias por su soporte y por las palabras e ideas que seguirán grabadas en mí­ corazón.

Paulo Coelho

Vinte anos depois: direita ou esquerda?

Chego a Santiago de Compostela,desta vez de carro, para celebrar minha peregrinaí§í£o há vinte anos. Quando estava Puente La Reina, veio a idéia de fazer tardes de autógrafos sem grandes preparaí§íµes: bastava telefonar para a próxima cidade onde deveriamos dormir, pedir que colocassem um cartaz na livraria local, e estaria ali na hora marcada.

Funcionou magnificamente nas pequenas aldeias, embora exigindo um pouco mais de organizací£o em grandes cidades, como a própria Santiago de Compostela. Tive um contato inesperado com os leitores, e aprendi que coisas feitas com amor podem ter o improviso como um grande aliado.

Santiago estava agora diante de mim. E algumas dezenas de kms mais adiante, o Oceano Atlantico. Mas estou decidido a seguir adiante com as tais tardes de autógrafos improvisadas, já que pretendo ficar noventa dias fora de casa.

E como ní£o prentendo atravessar o oceano neste momento. devo ir para a direita (Santander, Pais Basco) ou esquerda (Guimarí£es, Portugal)?

Melhor deixar que o destino escolha: minha mulher e eu entramos em um bar, e perguntamos a um homem que está tomando um café: direita ou esquerda? Ele diz com convicí§í£o que devemos seguir í  esquerda – talvez pensando que nos referí­amos a partidos polí­ticos.

Telefono para o meu editor portugues. Ele ní£o pergunta que loucura é essa, ní£o reclama de avisa-lo em cima da hora. Duas horas mais tarde me chama, diz que contactou as radios locais de Guimarí£es e Fátima, e em 24 horas posso estar com meus leitores naquelas cidades.

Tudo dá certo.

E em Fátima, como um sinal, recebo um presente de uma das pessoas que estí£o ali. Trata-se dos escritos de um monge budista, Thich Nhat Hanh, intutitulado “The long road to joy” (A longa estrada para a alegria). A partir daquele momento, antes de continuar esta jornada de 90 dias pelo mundo, passo a ler todas as manhí£s as sábias palavras de de Nhat Hanh, que resumo a seguir:

1] Vocíª já chegou. Portanto, sinta o prazer em cada passo, e ní£o fique preocupado com as coisas que ainda tem que superar. Ní£o temos nada diante de nós, apenas um caminho para ser percorrido a cada momento com alegria. Quando praticamos a meditaí§í£o peregrina, estamos sempre chegando, nosso lar é o momento atual, e nada mais.

2] Por causa disso, sorria sempre enquanto andar. Mesmo que tiver que forí§ar um pouco, e achar-se ridí­culo. Acostume-se a sorrir, e terminará alegre. Ní£o tenha medo de mostrar seu contentamento.

3] Se pensa que paz e felicidade estí£o sempre adiante, jamais conseguirá atingi-las. Procure entender que ambas sí£o suas companheiras de viagem.

4] Quando anda, está massageando e honrando a terra. Da mesma maneira, a terra está procurando ajuda-lo a equilibrar seu organismo e sua mente. Entenda esta relaí§í£o, e procure respeita-la – que seus passos sejam dados com a firmeza de um leí£o, a elegí¢ncia de um tigre, a dignidade de um imperador.

5] Preste atení§í£o ao que acontece a sua volta. E concentre-se em sua respiraí§í£o – isso o ajudará a libertar-se dos problemas e das ansiedades que tentam acompanha-lo em seu caminho.

6] Ao caminhar, ní£o é apenas vocíª que está se movendo, mas todas as geraí§íµes passadas e futuras. No mundo chamado de “real” o tempo é uma medida, mas no verdadeiro mundo ní£o existe nada além do momento presente. Tenha plena consciíªncia que tudo que já aconteceu e tudo o que acontecerá está em cada passo seu.

7] Divirta-se. Faí§a da meditaí§í£o peregrina um constante encontro consigo mesmo; jamais uma penitíªncia em busca de recompensasQue sempre cresí§am flores e frutas nos lugares onde seus pés tocaram.

Próximo texto: 09.05.06

P.S: Estimado leitor,

Durante esta caminhada, que está enchendo minha alma de experiíªncias interessantí­ssimas, um dos momentos mais mágicos é quando chega a noite e posso ler os comentários no blog. Embora ní£o tenha como responder a todos, saibam que é muití­ssimo importante para mim entender que ní£o estou só neste caminho. Muito obrigado pelo apoio e pelas palavras e idéias que estí£o sendo gravadas em meu coraí§í£o.

Paulo Coelho

Twenty years later: right or left?

I arrive at Santiago de Compostela, this time by car, to celebrate my pilgrimage twenty years ago. When I was in Puente La Reina, I had the idea of holding afternoon book-signings without any elaborate preparations: just calling the next town where we were going to spend the night, ask them to put up a notice in the local bookstore, and be there at the appointed time.

It worked wonderfully in the small villages, but it did take a bit more organizing in big towns, like Santiago de Compostela itself. I enjoyed these unscheduled meetings; I found that labors of love are best performed in the spirit of improvisation.

Santiago is now in front of me, with the Atlantic Ocean a few dozen kilometers beyond. Nevertheless, I am determined to go ahead with my improvised book-signing afternoons, since my plan is to spend ninety days away from home.

And since I have no intention of crossing the ocean right now, should I take a right (Santander, the Basque Country) or a left (Guimarí£es, Portugal)?

Better let destiny make the choice: my wife and I enter a bar and ask a man who is drinking his coffee: right or left? He says with some conviction that we should go left – perhaps thinking we were referring to political parties.

I telephone my Portuguese editor. He does not ask me if I have gone crazy, does not complain about being informed at the last moment. Two hours later he calls me back to say that he has contacted the local radio stations in Guimarí£es and Fatima and that in 24 hours I can meet my readers in those cities.

Everything works out fine.

And in Fatima, like a sign, I receive a present from one of the people present at the book-signing – the writings of a Buddhist monk called Thich Nhat Hanh, with the title “The long road to joy”. From that moment on, before I continue on this 90-day journey across the world, every morning I read the wise words of Nhat Hanh, which I summarize below:

1] You have already arrived. So, feel pleasure at each step and do not worry about things that you still have to face. We have nothing before us, just a road to be traveled at each moment with joy. When we practice pilgrim meditation, we are always arriving, our home is the present moment, and nothing more.

2] For that reason, always smile while you walk, Even if you have to force it a bit and feel ridiculous. Get used to smiling and you will end up happy. Do not be afraid of displaying your contentment.

3] If you think that peace and joy always lie ahead, you will never manage to achieve them. Try to understand that they are both your traveling companions.

4] When you walk, you are massaging and honoring the earth. In the same way, the earth is trying to help you to balance your organism and mind. Understand this relationship and try to respect it – may your steps have the firmness of a lion, the elegance of a tiger and the dignity of an emperor.

5] Pay attention to what is going on around you. And concentrate on your breathing – this will help you to get rid of the problems and worries that try to accompany you on your journey.

6] When you walk, it is not just you that is moving, but all past and future generations. In the so-called “real” world, time is a measure, but in the true world nothing exists beyond the present moment. Be fully aware that everything that has happened and everything that will happen is in each step you take.

7] Enjoy yourself. Make pilgrim meditation a constant meeting with yourself, never a penance in search of reward. May flowers and fruit always grow in the places touched by your feet.

The next text will be posted on the 9th of May.

P.S: Dear reader,

During this journey, that is filling my soul with very interesting experiences, one of the most magical moments comes every night when I read the comments posted on this blog. Even though I can’t answer all of you, I want you to know that it’s very important to me to know that I’m not alone on this path. Thank you so much for your support and for the words and ideas that are now engraved on my heart.

Paulo Coelho

La tempíªte s’approche

Je sais que la tempíªte s’approche parce que je l’aperí§ois au loin,et je peux la voir qui passe í  l’horizon. Bien sí»r la lumière m’aide un peu – c’est la fin de l’après-midi, ce qui renforce le contour des nuages. Je vois aussi la lueur des éclairs.

Aucun bruit. Le vent ne souffle ni plus fort, ni plus faible qu’avant. Mais je sais qu’une tempíªte s’approche parce que je me suis habitué í  observer l’horizon.

J’arríªte de marcher- rien de plus excitant ou terrifiant que de regarder une tempíªte qui approche. Ma première pensée est celle de trouver un abri – mais cela peut íªtre dangereux. Un abri peut íªtre une sorte de piège – d’ici peu le vent commencera í  souffler et il pourra íªtre assez fort pour arracher les toits, casser les branches, détruire des lignes d’haute tension.

Je me souviens d’un vieil ami, qui a vécu en Normandie pendant son enfance et qui a pu voir le débarquement des troupes alliées dans une France alors occupée par les nazis. Je n’oublierai jamais ses paroles:

“En me réveillant, l’horizon était rempli de navires de guerre. Sur la plage, í  cí´té de ma maison, les soldats allemands contemplaient la míªme scène que moi. Mais ce qui m’a le plus fait peur, c’était le silence. Un silence total, celui qui précède un combat de vie ou de mort.”

Le míªme silence m’entoure. Et peu í  peu il est remplacé par le bruit – très suave – de la brise qui souffle sur les champs de blé. La pression atmosphérique est en train de changer. La tempíªte s’approche de plus en plus et le silence commence í  íªtre remplacé par le doux bruissement des feuillages.

J’ai déjí  vu beaucoup de tempíªtes dans ma vie. La plupart des tempíªtes m’ont pris au dépourvu, de faí§on que j’ai appris – très vite – í  regarder plus loin, í  comprendre que je ne suis pas capable de contrí´ler le temps, í  pratiquer l’art de la patience et í  respecter la furie de la nature. Les choses ne se passent pas de la faí§on que je désire, et il vaut mieux que je m’habitue í  cela.

De nombreuses années auparavant, j’ai composé une chanson qui disait “J’ai perdu ma peur de la pluie/ car la pluie, revenant í  la terre, apporte des choses de l’air”. Il vaut mieux dominer la peur. íŠtre digne de ce que j’ai écrit, et comprendre que míªme la pire des tempíªtes, í  un moment donné, passera.

Le vent a augmenté sa vitesse. Je suis dans un champ ouvert, il existe des arbres í  l’horizon qui, au moins en théorie, attireront les éclairs. Ma peau est imperméable míªme si mes víªtements deviendront totalement trempés. Pourtant il vaut mieux apprécier cette vision au lieu de partir en courant í  la recherche d’un abri.

Une autre demi heure se passe. Mon grand-père, un ingénieur, aimait m’enseigner les lois de la physique pendant qu’on s’amusait: “après avoir vu un éclair, compte les secondes puis multiplie-les par 340 mètres, ce qui équivaut í  la vitesse du son. Comme í§a, tu pourras toujours savoir í  quelle distance tu te trouves des éclairs.”C’est un peu compliqué mais je me suis habitué í  faire í§a depuis mon enfance: Je sais qu’en ce moment la tempíªte est í  deux kilomètres de distance.

Il y a encore suffisamment de clarté pour que je puisses voir le contour des nuages que les pilotes d’avion appellent CB – cumulo nimbus. La forme en enclume des nuages me rappellent un forgeron qui serait en train de marteler les cieux, forgeant des épées pour des dieux enragés qui en ce moment doivent íªtre au-dessus de la ville.

Je vois la tempíªte qui s’approche. Comme n’importe quelle tempíªte, elle apporte la destruction mais en míªme temps, la sagesse des cieux descend avec la pluie. Comme n’importe quelle tempíªte, elle doit passer. Plus elle sera violente, plus elle passera rapidement.

Grí¢ce í  Dieu que j’ai appris í  faire face aux tempíªtes.

Le prochain texte sera mis en ligne le 6 Mai 2006.

P.S: Cher lecteur,

Pendant ce cheminement, qui remplit mon í¢me d’expériences très intéressantes, un des moments les plus magiques c’est lorsque, le soir venu, je lis les commentaires sur le blog. Míªme si je ne peux pas vous répondre í  tous, je veux que vous sachiez qu’il est très important pour moi de savoir que je ne suis pas seul sur ce chemin. Merci beaucoup de votre support et pour les mots et idées qui maintenant sont inscrites dans mon coeur.

Paulo Coelho

A tempestade se aproxima

Sei que vem uma tempestade porque posso olhar í  distí¢ncia, ver o que está acontecendo no horizonte. Claro, a luz ajuda um pouco – é o final do entardecer, o que reforí§a o contorno das nuvens. Vejo também o clarí£o dos raios.

Nenhum ruí­do. O vento ní£o está soprando nem mais forte, nem mais fraco do que antes. Mas sei que vem uma tempestade, porque costumo olhar o horizonte.

Paro de caminhar – nada mais excitante ou aterrorizante do que olhar uma tempestade que se aproxima. O primeiro pensamento que me ocorre é procurar abrigo – mas isso pode ser perigoso. O abrigo pode ser uma espécie de armadilha – daqui a pouco o vento comeí§ará a soprar, e deve ser forte o suficiente para arrancar telhados, quebrar galhos, destruir fios de alta tensí£o.

Lembro-me de um velho amigo, que quando crianí§a vivia na Normandia, e pode presenciar o desembarque das tropas aliadas na Franí§a ocupada pelos nazistas. Ní£o me esqueí§o de suas palavras:

“Acordei, e o horizonte estava repleto de navios de guerra. Na praia ao lado de minha casa, os soldados alemí£es contemplavam a mesma cena que eu. Mas a coisa que mais me aterrorizava era o silíªncio. Um silíªncio total, que precede um combate de vida ou morte.”

É esse mesmo silíªncio que me cerca. E que pouco a pouco é substituí­do pelo barulho – muito suave – da brisa nos campos de milho a minha volta. A pressí£o atmosférica está mudando. A tempestade está cada vez mais próxima, e o silíªncio comeí§a a ser substituí­do pelo farfalhar suave das folhas.

Já presenciei muitas tempestades em minha vida. A maior parte das tormentas me pegou de surpresa, de modo que precisei aprender – e muito rápido – a olhar mais longe, entender que ní£o sou capaz de controlar o tempo, a exercitar a arte da paciíªncia, e a respeitar a fúria da natureza. Nem sempre as coisas acontecem do jeito que eu desejava, e é melhor me acostumar com isso.

Muitos anos atrás, compus uma música que dizia “eu perdi o meu medo da chuva/ pois a chuva, voltando para a terra, traz coisas do ar”. Melhor dominar o medo. Ser digno daquilo que escrevi, e entender que, por pior que seja o vendaval, em algum momento ele passará.

O vento aumentou de velocidade. Estou em um campo aberto, existem árvores no horizonte que, pelo menos teóricamente, irí£o atrair os raios. Minha pele é impermeável, mesmo que as minhas roupas fiquem encharcadas. Portanto, melhor desfrutar desta visí£o, ao invés de sair correndo em busca de seguraní§a.

Outra meia hora se passa. Meu aví´, engenheiro, gostava de me ensinar as leis da fí­sica enquanto nos divertí­amos: “depois de ver o raio, conte os segundos e multiplique por 340 metros, que é a velocidade do som. Assim, vocíª sempre saberá a distí¢ncia dos trovíµes”. Um pouco complicado, mas me acostumei a fazer isso desde crianí§a: neste momento a tempestade está a dois quilí´metros de distí¢ncia.

Ainda há claridade suficiente para que eu possa ver o contorno das nuvens que os pilotos de avií£o chamam de CB – cumulus nimbus. O formato de bigorna, como se um ferreiro estivesse martelando os céus, forjando espadas para deuses enfurecidos, que neste momento devem estar sobre a cidade.

Vejo a tempestade que se aproxima. Como toda e qualquer tempestade, ela traz destruií§í£o – mas ao mesmo tempo molha os campos, e a sabedoria do céu desce junto com a sua chuva. Como toda e qualquer tempestade, ela deve passar. Quanto mais violenta, mais rápida.

Graí§as a Deus, aprendi a enfrentar tempestades.

Próximo texto: 06.05.06

P.S: Estimado leitor,

Durante esta caminhada, que está enchendo minha alma de experiíªncias interessantí­ssimas, um dos momentos mais mágicos é quando chega a noite e posso ler os comentários no blog. Embora ní£o tenha como responder a todos, saibam que é muití­ssimo importante para mim entender que ní£o estou só neste caminho. Muito obrigado pelo apoio e pelas palavras e idéias que estí£o sendo gravadas em meu coraí§í£o.

Paulo Coelho

La tormenta se avecina

Sé que se avecina una tormenta porque puedo mirar a lo lejos y ver lo que sucede en el horizonte. Por supuesto, la luz ayuda: es el final del atardecer, lo cual hace más ní­tido el contorno de las nubes. Veo también el destello de los relámpagos.

Ni un solo ruido. El viento no está soplando ni más fuerte ni más débil que antes. Pero sé que se acerca una tormenta, porque estoy acostumbrado a mirar al horizonte.

Me detengo. No hay nada más emocionante o terrorí­fico que mirar una tormenta que se aproxima. El primer pensamiento que se me ocurre es ir a buscar cobijo, pero eso puede ser peligroso. El cobijo puede ser una especie de trampa, pues de aquí­ a poco tiempo el viento empezará a soplar, y puede que tenga fuerza suficiente como para arrancar tejados, derribar árboles, destruir cables de alta tensión.

Recuerdo un viejo amigo que de niño vivió en Normandí­a, y pudo presenciar el desembarco de las tropas aliadas en la Francia ocupada por los nazis. No he olvidado sus palabras: “Me levanté, y el horizonte estaba lleno de barcos de guerra. En la playa al lado de mi casa, los soldados alemanes contemplaban la misma escena que yo. Pero lo que más me aterrorizaba era el silencio. Un silencio total, que precede a un combate a vida o muerte.”

Y ese mismo silencio es el que me rodea. Y poco a poco es sustituido por el murmullo, muy suave, de la brisa en los campos de maí­z a mi alrededor. La presión atmosférica está cambiando. La tormenta está cada vez más cerca, y el silencio comienza a ser sustituido por el suave rumor de las hojas.

He presenciado muchas tormentas en mi vida. La mayor parte me pilló por sorpresa, por lo que tuve que aprender, y muy rápidamente, a mirar más lejos, a entender que no soy capaz de controlar el tiempo, a practicar el arte de la paciencia, y a respetar la furia de la naturaleza. Las cosas no siempre suceden como uno quiere, y más vale hacerse a la idea.

Hace muchos años, compuse una canción que decí­a “perdí­ el miedo a la lluvia / pues la lluvia, al volver a la tierra, trae cosas del aire.” Es mejor dominar el miedo. Ser digno de aquello que escribí­, y entender que, por muy malo que sea el vendaval, en algún momento pasará.

El viento ha aumentado de velocidad. Estoy en un campo abierto, hay árboles en el horizonte que, por lo menos en teorí­a, atraerán los rayos. Mi piel es impermeable, por muy empapada que tenga la ropa. Por lo tanto, más vale disfrutar de esta vista, en lugar de salir corriendo en busca de cobijo.

Pasa media hora. A mi abuelo, ingeniero, le gustaba enseñarme las leyes de la fí­sica mientras nos divertí­amos: “después de ver el rayo, cuenta los segundos y multiplí­calos por 340 metros, que es la velocidad del sonido. Así­ sabrás siempre a qué distancia suenan los truenos”. Un poco complicado, pero me acostumbré a hacerlo desde niño: en este momento, la tormenta se encuentra a dos kilómetros de distancia.

Aún hay suficiente claridad para que pueda ver el contorno de las nubes que los pilotos llaman CB, cumulonimbos, con su forma de yunque, como si un herrero estuviese martilleando los cielos, forjando espadas para dioses enfurecidos, que en este momento deben de estar sobre la ciudad.

Veo la tormenta que se aproxima. Como cualquier otra tormenta, trae consigo destrucción, pero al mismo tiempo moja los campos, y la sabidurí­a del cielo desciende junto con su lluvia. Como cualquier otra tormenta, pasará. Cuanto más violenta sea, más rápido lo hará.

Gracias a Dios, aprendí­ a enfrentarme a las tormentas.

© Traducción: Juan Campbell-Rodger

Próximo texto: 06.05.06.

P.S: Caro lector,

En este camino que me está llenando el espí­ritu con experiencias interesantí­simas, uno de los momentos más mágicos es cuando, durante la noche, puedo leer sus cometarios en el blog. Mismo que no pueda responder a todos, quiero que sepan que es muy importante para mi saber que no estoy solo en este camino. Muchas gracias por su soporte y por las palabras e ideas que seguirán grabadas en mí­ corazón.

Paulo Coelho

The tempest is approaching

I know that the tempest is approaching because I see what’s happening in the distance, I see what’s happening on the horizon. Of course the light helps a little; the ebbing afternoon marks the lining of the clouds. I can also see the brightness of the bolts.

There is no sound. The wind is neither blowing stronger nor weaker than before. But I know that a tempest is approaching because I’m used to look at the horizon.

I stop walking – there’s nothing more exciting or terrifying than seeing a tempest approach. The first thought in my mind is to look for shelter – but this can be dangerous. The shelter can be some sort of trap – in a little while the wind will start to blow and he can be strong enough as to tear off roofs, break tree branches, destroy high voltage wires.

I remember an old friend, who spent his childhood in Normandy and saw the arrival of allied troops in the Nazi-occupied France. I will never forget his words:

“I woke up and the horizon was filled with battleships. On the beach next to my house, the German soldiers were contemplating the scene as well. But the thing that terrorized me the most was the silence. A total silence that precedes a life or death combat .”

It is the same silence that surrounds me now. Little by little it is replaced by the noise – very soft – of the breeze in the cornfields around me. The atmospheric pressure is changing. The tempest is getting closer, and the silence is slowly being replaced by the soft rustle of leaves.

I’ve seen many tempests in my life. The majority of them took me by surprise, so that I had to learn – and very quickly – to look further, to understand that I cannot control time, to exercise the art of patience, to respect the fury of nature. Things do not always happen the way I would like them to, so it’s better for me to get used to it.

Many years ago, I wrote a song lyric that said “I lost my fear of the rain/ ’cause the rain, coming back to earth, brings things from the air”. It is best to dominate one’s fear. I need to be worthy of what I wrote, and understand that eventually, even the worst storms will pass.

The wind is speeding up. I’m in an open field; there are trees on the horizon that, at least theoretically, will attract the bolts. My skin is impermeable even though my clothes may get drenched. Therefore it’s best to enjoy this vision rather than run for shelter.

Another half hour passes. My grandfather, who was an engineer, liked teaching me the laws of physics while we played: “after you see a lightening bolt, count the seconds until you hear the thunder, and then multiply them by 340 metres, which is the speed of sound. That’s how you will always know the distance of a storm.” It’s a bit complicated but over the years I have got used to doing it: right now the tempest is two kilometres away.

There’s still some clarity that’s how I can see the lining of the clouds that airplane pilots call CB- cumulus nimbus. The anvil shape, as if a blacksmith was hammering the sky, forging swords to enraged gods, above the city.

I see the tempest approaching. Like any tempest, it brings destruction – but at the same time it waters the fields, and the wisdom of the heavens comes down with the rain. Like any tempest, it will pass. The more violent it is, the quicker it will pass.

Thank God that I’ve learned to face tempests.

The next text will be posted on the 6th of May.

P.S: Dear reader,

During this journey, that is filling my soul with very interesting experiences, one of the most magical moments comes every night when I read the comments posted on this blog. Even though I can’t answer all of you, I want you to know that it’s very important to me to know that I’m not alone on this path. Thank you so much for your support and for the words and ideas that are now engraved on my heart.

Paulo Coelho