O sentido do caminho

Estimado leitor (a):

Desde o dia 20 de março estou nesta viagem, maneira que escolhi para comemorar os vinte anos de minha peregrinação pelo Caminho de Santiago. Ela me levou a três diferentes continentes (Europa, África, Extremo Oriente), e me permitiu um contato direto com milhares de leitores, a partir do momento que resolvi ser impossível comemorar qualquer coisa sem a presença deles.

Em Puente la Reina fiz minha primeira tarde de autógrafos sem os “planejamentos oficiais”, e desde então pude combinar alguns encontros organizados com outros absolutamente espontâneos. Todas estas tardes de autógrafos eram seguidas por festas onde comemorávamos juntos o sentido do caminho: encontros. Comemorar, celebrar, discutir, dançar, respeitar o mistério da vida mas ao mesmo tempo entender que não estamos sós neste mistério, e precisamos dividir nosso encantamento com outras pessoas que entendem nossa maneira de pensar.

Criei no dia 19 de abril este blog, junto com Paula Braconnot, para que todas estas experiências também pudessem ir além do espaço físico, e mergulhar no espaço virtual. Quero aproveitar e agradecer à Paula por seu profissionalismo, seu amor, sua dedicação, que superou todas as dificuldades técnicas.

Minha próxima parada, antes de retornar à casa, será a Alemanha, onde participo da Copa do Mundo como convidado da FIFA. Penso que nada poderei dizer de novo a respeito de futebol, de modo que estou encerrando hoje estes textos. Qualquer comentário será bem-vindo, de modo que nos permita aperfeiçoar a idéia de ter um blog de vez em quando, para conversas.

No dia 22 de junho, se Deus quiser, estarei retornando ao velho moinho nos Pirineus, meu ponto de partida, e logo em seguida viajo para o Brasil.

A cada duas semanas envio uma newsletter a leitores interessados. Quem desejar recebê-la, pode inscrever-se em , disponível em alguns idiomas.

Em uma de minhas primeiras paradas nesta peregrinação, passei por um vilarejo na Espanha. Ali escrevi o texto abaixo. Penso que, não importa de onde viemos, sempre podemos chegar muito mais longe do que imaginamos. Esse é o exemplo que Francisco nos deu, e que devemos seguir.

Dedico este caminho a meus leitores. Muito obrigado pelo apoio de todos, pelas noites que passei lendo as mensagens aqui colocadas, e que me estimulavam sempre a seguir adiante. O sentido do caminho está nas pessoas, e sempre olhamos melhor o mundo quando permitimos que o mistério dos encontros se manifestem. Como diz a última frase de O Diário de um mago : “as pessoas sempre aparecem quando estão sendo esperadas.”

Paulo Coelho

Vinte anos depois: Francisco

Tomo café no terraço do hotel que dá vista para um castelo, um gigantesco castelo neste pequeno vilarejo com apenas algumas casas, na província de Navarra, Espanha. Já é noite, não há lua, estou refazendo de carro minha peregrinação a Santiago de Compostela, para comemorar os vinte anos quando cruzei este caminho à primeira vez.

O vilarejo onde estou, porém, não faz parte do percurso, que passa a uns 19 kms daqui. Mas pretendia visitá-lo, e aqui estou. Há quinhentos anos nasceu neste lugar um homem chamado Francisco. Deve ter brincado muito nos campos em volta do castelo. Deve ter banhado-se no rio que corre por perto. Filho de pais ricos, deixou sua aldeia para completar seus estudos na famosa Universidade Sorbonne, de Paris. Deduzo que foi sua primeira longa viagem.

Era atlético, bonito, inteligente, invejado por todos os alunos – menos por um, vindo da mesma e distante província espanhola, que se chamava Inácio. Inácio dizia: “Francisco, você pensa muito em você. Por que não dedicar-se a pensar em outras coisas, como Deus, por exemplo?” Não sabemos porque, mas Francisco, o mais belo e mais valente estudante da Sorbonne, deixa-se convencer por Inácio. Juntam-se com outros alunos, e fundam uma sociedade, que é motivo de risos de todos os outros, a ponto de alguém escrever na porta da sala onde se reuniam: Sociedade de Jesus. Ao invés de ficarem ofendidos, adotam o nome. E a partir daí, Francisco começa uma viagem sem volta.

Vai com Inácio a Roma, e pede que o Papa reconheça a “sociedade”. O pontífice aceita encontrar-se com os estudantes, e para estimulá-los, dá o seu acordo. Francisco – que morria de medo de navios e de mar – parte sozinho para o Oriente, imbuído do que considera sua missão. Nos próximos dez anos visitará a África, a Índia, Sumatra, Molucas, Japão. Aprenderá novas línguas, visitará hospitais, prisões, cidades e vilarejos. Escreverá muitas cartas, mas nenhuma – absolutamente nenhuma – fará referências a pontos “turísticos” destes lugares. Comenta apenas a necessidade de levar uma palavra de coragem e esperança aos que são menos favorecidos.

Morre longe do vilarejo onde estou agora tomando meu café – e é enterrado em Goa. Em uma época em que o mundo era imenso, as distâncias quase insuperáveis, os povos viviam em guerra, Francisco achou que devia considerá-lo como uma aldeia global. Supera seus medos porque está consciente que sua vida tem um sentido. Não sabe, enquanto caminha pelo Oriente, que seus passos jamais serão esquecidos, e que tudo que plantou dará frutos; está fazendo isso porque é sua lenda pessoal, a maneira que escolheu de viver sua vida.

Quinhentos anos depois, na cidade de Ahmedabad, na Índia, um professor pede a seus alunos uma biografia sobre ele. Um dos meninos escreve: “foi um grande arquiteto, porque em todo o Oriente existem escolas que construiu e que levam seu nome.”

Antonio Falces, que dirige um destes colégios, conta que viu duas pessoas conversando:

- Francisco era português – diz uma.

- Claro que não. Nasceu e foi enterrado aqui em Goa, responde a outra.

Ambas estão erradas, e ambas tinham razão: Francisco veio de um pequeno povoado de Navarra, mas era um homem do mundo, e todos os consideravam parte de sua própria gente. Tampouco era arquiteto especializado em construir escolas; mas como diz um de seus primeiros biógrafos, “era como o sol, que não pode seguir adiante sem espalhar luz e calor por onde passa”.

Penso em Francisco: sair daqui, correr o mundo, fazer com que o nome deste pequeno vilarejo seja levado a tantos lugares, a ponto de muita gente achar que é o seu sobrenome. Enfrentar seus medos, renunciar a tudo em nome de seus sonhos – que isso me inspire e me sirva de exemplo; eu que estudei em um dos colégios da tal “sociedade de Jesus”, ou S.J., ou escolas jesuítas, como são conhecidas.

Estou no povoado de Xavier. Tanto Francisco como Inácio, que veio de outro pequeno povoado, chamado Loyola, foram canonizados no mesmo dia, 12 de Março de 1622. Naquela manhã, colocaram uma faixa em um dos muros do Vaticano:

“São Francisco Xavier fez muitos milagres. Mas o milagre de Santo Inácio é ainda maior: Francisco Xavier.”

Leia os primeiros capitulos do novo livro do Paulo Coelho no seu blog: A Bruxa de Portobello

Se quiser continuar conversando com Paulo Coelho, acesse o blog do Guerreiro da Luz

El sentido del camino

Estimado lector (a):

Desde el día 20 de marzo estoy en este viaje, que fue lo que escogí para festejar los veinte años de mi peregrinación por el Camino de Santiago. Esta me llevó por tres continentes (Europa, África, Extremo Oriente), y me permitió un contacto directo con millares de lectores, a partir del momento en que decidí que era imposible esa conmemoración sin su presencia.

En Puente de la Reina hice mi primera tarde de autógrafos sin un “planeamiento oficial” y desde entonces pude combinar algunos encuentros organizados con otros absolutamente espontáneos. A todas estas tardes de autógrafos les siguieron fiestas donde conmemorábamos juntos el sentido del camino: encuentros.Festejar, celebrar, discutir, bailar, respetar el misterio de la vida, pero al mismo tiempo, entender que no estamos solos en este misterio y que necesitamos dividir nuestro encantamiento con otras personas que entienden nuestra manera de pensar.

Creé este blog el día 19 de abril junto con Paula Braconnot para que todas estas experiencias pudiesen ir también más allá del espacio físico y zambullirse en el espacio virtual. Quiero aprovechar la oportunidad para agradecer a Paula su profesionalismo, su amor, y su dedicación, que superó todas las dificultades técnicas.

Mi próxima parada antes de retornar a casa será Alemania, donde participo de la Copa del Mundo como invitado de la FIFA. Pienso que nada nuevo podré decir respecto al fútbol, de modo que hoy estoy cerrando estos textos. Cualquier comentario será bienvenido, de forma que nos permita perfeccionar la idea de tener un blog, de vez en cuando, para conversar.

El día 22 de Junio, si Dios quiere, estaré volviendo al viejo molino en los Pirineos, mi punto de partida, y enseguida viajaré para Brasil.

Cada dos semanas envío una newsletter para los lectores interesados. Quien desee recibirla puede inscribirse en Guerrero de la Luz Online , disponible en varios idiomas.

En una de mis primeras paradas en esta peregrinación pasé por un poblado en España. Allí escribí el texto de más abajo. Pienso que no importa de donde venimos; siempre podemos llegar mucho más lejos de lo que imaginamos. Ese es el ejemplo del camino que Francisco nos dio y que debemos seguir.

Dedico este camino a mis lectores. Muchas gracias por el apoyo de todos, por las noches que pasé leyendo sus mensajes colocados aquí y que me estimulaban siempre para que siguiese adelante. El sentido del camino está en las personas y siempre vemos mejor el mundo cuando permitimos que el misterio de los encuentros se manifieste. Como dice la última frase de El Peregrino : “las personas siempre aparecen cuando están siendo esperadas.”

Paulo Coelho

Veinte años después: Francisco

Estoy tomando un café en la terraza del hotel con vistas a un castillo, un gigantesco castillo en esta pequeña aldea con apenas algunas casas, en la provincia de Navarra, España. Ya es de noche, no hay luna, estoy rehaciendo en coche mi peregrinación a Santiago de Compostela, para conmemorar los veinte años desde que crucé este camino por primera vez.

La aldea donde estoy, no obstante, no forma parte del recorrido, que pasa a unos 19 kms. de aquí, pero pretendía visitarla y aquí estoy. Hace quinientos años nació en este lugar un hombre llamado Francisco. Debe haber jugado mucho en los campos alrededor del castillo. Debe haberse bañado en el río que corre cerca de aquí. Hijo de padres ricos, dejó su aldea para completar sus estudios en la famosa Universidad de La Sorbonne, en París. Deduzco que fue su primer viaje largo.

Era atlético, guapo, inteligente, envidiado por todos los alumnos – menos por uno, venido de la misma y distante provincia española, que se llamaba Ignacio. Ignacio decía: “Francisco, tu piensas mucho en ti. Por qué no te dedicas a pensar en otras cosas, como en Dios, por ejemplo?” No sé por qué, pero Francisco, el más guapo y más valiente estudiante de La Sorbonne, se dejó convencer por Ignacio. Se juntan con otros alumnos y fundan una sociedad que pasa a ser motivo de risas de todos los otros compañeros, hasta el punto que alguien escribe en la puerta de la sala donde se reunían: Sociedad de Jesús. En lugar de sentirse ofendidos, adoptan el nombre. Es a partir de ahí que Francisco empieza un viaje sin retorno.

Va con Ignacio a Roma, y le pide al Papa que reconozca la “sociedad”. El pontífice acepta encontrarse con los estudiantes y, para estimularlos, les da su aprobación. Francisco – que se moría de miedo de los navíos y del mar – parte solo para Oriente, imbuido de lo que considera su misión. En los próximos diez años visitará África, India, Sumatra, Molucas, Japón. Aprenderá nuevos idiomas, visitará hospitales, prisiones, ciudades y aldeas. Escribirá muchas cartas, pero ninguna – absolutamente ninguna – hará referencias a puntos “turísticos” de estos lugares. Comenta sólamente la necesidad de llevar una palabra de coraje y esperanza a los que son menos favorecidos.

Muere lejos de la aldea donde estoy ahora tomando mi café – y es enterrado en Goa. En una época en que el mundo era inmenso, las distancias casi insuperables, los pueblos vivían en guerra, Francisco creyó que debía considerarlos como una aldea global. Supera su miedo al mar, a los navíos, a la soledad, porque está consciente de que su vida tiene un sentido. No sabe, mientras camina por Oriente, que sus pasos jamás serán olvidados y que todo lo que plantó dará frutos; está haciendo eso porque es su leyenda personal, la manera que escogió de vivir su vida.

Quinientos años después en la ciudad de Ahmedabad, en la India, un profesor pide a sus alumnos una biografía sobre él. Uno de los niños escribe: ”Fue un gran arquitecto, porque en todo Oriente existen escuelas que construyó y que llevan su nombre”.

Antonio Falces, que dirige uno de estos colegios, cuenta que ya vio a dos personas conversando:

- Francisco era portugués – decía una.

- Claro que no. Nació y fue enterrado aquí en Goa, respondía la otra. Ambos estaban errados, y ambos tenían razón: Francisco vino de un pequeño pueblo de Navarra, era un hombre de mundo, y todos lo consideraban parte de su propia gente. Tampoco era arquitecto especializado en construir escuelas; pero como dice uno de sus primeros biógrafos, “era como el sol, que no puede seguir adelante sin derramar luz y calor por donde pasa”.

Pienso en Francisco: salir de aquí, recorrer el mundo, Hacer que el nombre de esta pequeña aldea sea llevado a tantos lugares, hasta el punto de que mucha gente cree que es su apellido. Enfrentarse a sus miedos, renunciar a todo en nombre de sus sueños – que eso me inspire y me sirva de ejemplo; yo que estudié en uno de los colegios de la tal “sociedad de Jesús”, o S.J., o escuelas jesuitas, como son conocidas.

Estoy en el pueblo de Javier. Tanto Francisco como Ignacio, que vino de otra pequeña aldea, llamada Loyola, fueron canonizados el mismo día, 12 de Marzo de 1622. En aquella mañana, colocaron una faja en los muros del Vaticano:

“San Francisco Javier hizo muchos milagros pero el milagro de San Ignacio es todavía mayor: Francisco Javier.”

Si quiere Usted continuar hablando con Paulo Coelho, puedes ir al blog Guerrero de la Luz

What the path means

Dear reader:

I have been on this journey since 20 March, this being the way I chose to commemorate the twentieth anniversary of my first pilgrimage on the Way to Santiago. This has taken me to three different continents (Europe, Africa and the Far East) and has enabled me to come into direct contact with thousands of readers, since the moment I decided that it was impossible to celebrate anything without their presence.

At Puente de la Reina I held my first autograph afternoon without any “official planning”, and since then I have managed to combine some organized meetings with other absolutely spontaneous ones. All these autograph-afternoons were followed by parties where together we commemorated the meaning that the path holds: encounters. To commemorate, celebrate, discuss, dance, and respect the mystery of life, but at the same time to understand that we are not alone in this mystery and that we need to share our enchantment with other people who understand our way of thinking.

On 19 April I created this blog together with Paula Braconnot, so that all these experiences could reach beyond physical space and enter virtual space as well. I would like to take this opportunity to thank Paula for her professionalism, love and dedication, which overcame all the technical difficulties.

My next stop before going back home will be Germany, where I will attend the World Cup as guest of FIFA. As I don’t think I will be able to say anything new about football, today I am bringing these texts to an end. Any comments will be most welcome, so that we can perfect the idea of having a blog for occasional conversations.

On 22 June, God willing, I shall be returning to my point of departure, the old mill in the Pyrenees, and right after that I go back to Brazil.

Every two weeks I send a newsletter to interested readers. Whoever wants to receive these can register a, which is available in some languages.

On one of my first stops on this pilgrimage, I found myself in a village in Spain. There I wrote the text below. I believe that, no matter where we come from, we can always reach far beyond what we imagined. This is the example that Francisco gave us, the example we should follow.

I dedicate this path to my readers. Many thanks for the support you have all lent me, and for the nights that I spent reading your messages, which always encouraged me to proceed on my journey. The meaning of the path lies in people, and we always see the world better when we allow the mystery of our encounters to be unveiled. As the last sentence in The Pilgrimage says: “people always turn up when they are expected.”

Paulo Coelho

Twenty years later: Francis

I am having coffee on the terrace of the hotel looking on to a castle, a gigantic castle in this little village with few houses in the province of Navarra, Spain. Night has fallen but there is no moon. I am repeating by car my pilgrimage to Santiago de Compostela to commemorate the twentieth anniversary of the first time I traveled this road.

The village where I find myself, however, is not part of the route, which passes about 19 kilometers from here. I planned to visit it, and here I am. Five hundred years ago a man called Francisco was born in this place. He must have played a lot in the fields that surround the castle. He must have swum in the river that runs close by. The son of rich parents, he left his village to complete his studies at the famous Sorbonne in Paris. I imagine it was his first long journey.

Francis was athletic, good-looking, intelligent and envied by all the other students – except one, who came from the same distant Spanish province and whose name was Ignatius. Ignatius said to him: “Francis, you think too much about yourself. Why don’t you dedicate yourself to thinking about other things, like God, for instance?” I do not know why, but Francis, the most handsome and bravest student at the Sorbonne, is convinced by Ignatius. They get together with other students and found a society which is the laughing stock of all the others, who even write on the door of the room where they meet: Society of Jesus. Instead of feeling offended, they adopt the name. And from that moment on, Francis begins a journey without return.

He goes to Rome with Ignatius and asks the Pope to recognize the “society”. The Pontiff agrees to meet the students, and in order to stimulate them he gives his consent. Francis – who was deadly afraid of ships and the sea – sets off alone to the Orient, imbued with what he considers to be his mission. In the next ten years he visits Africa, India, Sumatra, the Moluccas and Japan. He learns new languages, visits hospitals, prisons, cities and villages. He writes many letters, but none – absolutely none – makes any reference to “tourist” spots in these places. He comments only on the need to bring a word of encouragement and hope to those who are less privileged.

He dies far from the village where I now sit having my coffee, and he is buried in Goa. At a time when the world was immense, distances were almost insurmountable and people lived at war, Francis thought that he should consider the world as a global village. He overcame his fear of the sea and ships and solitude, because he was aware that his life had a meaning. While traveling through the Orient, he does not know that his steps will never be forgotten and that all he has planted will bear fruit; he is doing all this because this is his personal legend, the way he has chosen to lead his life.

Five hundred years later, in the city of Ahmedabad in India, a teacher asks his pupils for a biography of Francis. One of the boys writes: “he was a great architect, because all over the Orient there are schools he built and that bear his name.”

Antonio Falces, who directs one of these colleges, tells me he heard two people chatting:

“Francis was Portuguese,” said one.

“Of course he wasn’t. He was born and buried here in Goa,” answered the other.

They are both wrong, and they are both right: Francis came from a small village in Navarra, but he was a man of the world, and everyone considered him a part of their own people. Nor was he an architect specialized in building schools, but, as one of his first biographers says, “he was like the sun, which cannot move forward without spreading light and heat wherever it passes.”

I think of Francis: leaving here, traveling the world, making the name of this little village known in so many places that many people believe it is his surname. Facing his fears, giving up everything on behalf of his dreams – may this inspire and serve as an example to me, who studied in one of the colleges of the so-called “society of Jesus”, or S.J., or Jesuit schools, as they are known.

Here I am in the village of Javier. Both Francisco and Ignatius, who hailed from another small village called Loyola, were canonized on the same day – 12 March 1622. on that morning a banner was hung on one of the walls of the Vatican:

“Saint Francis Javier worked many miracles. But the miracle of Saint Ignatius was even greater: Francis Javier.”

You can continue to talk to Paulo Coelho through the blog Warrior of Light

Le sens du chemin

Cher Lecteur et Chère Lectrice :

Depuis le 20 Mars, je fais ce voyage qui fut la façon que j’ai choisie pour célébrer les vingt ans de mon pèlerinage à Saint-Jacques-de-Compostelle. Il m’a mené dans trois continents différents (Europe, Afrique, Extrême-Orient), et m’a permis d’établir un contact immédiat avec des milliers de lecteurs, car il m’est impossible d’envisager de commémorer quoi que ce soit sans leur présence.

À Puente de la Reina, j’ai fait mon premier après-midi de dédicaces sans les « organisations officielles », et depuis, j’ai réussi à arranger quelques rencontres officielles avec d’autres absolument spontanées. Tous ces après-midi de dédicaces furent suivis de fêtes où nous commémorions ensemble le sens que le chemin recèle : les rencontres. Commémorer, célébrer, discuter, danser, respecter le mystère de la vie mais au même temps comprendre que nous ne sommes pas seuls dans ce mystère, et que nous avons besoin de partager notre enchantement avec d’autres personnes qui comprennent notre façon de penser.

J’ai créé, le 19 Avril, ce blog avec Paula Braconnot, pour que toutes ces expériences puissent aussi aller au-delà de l’espace physique et se retrouver ainsi plongées dans l’espace virtuel. Je veux saisir cette opportunité et remercier Paula pour son sérieux, son amour et son dévouement, qui nous ont permis de surmonter toutes les difficultés techniques.

Ma prochaine étape, avant de retourner à la maison, sera l’Allemagne, où je participerai à la Coupe du Monde en tant qu’invité de la FIFA. Comme je ne pense pas avoir quoique ce soit de nouveau à dire sur le football, je mets fin à ces textes dès aujourd’hui. Les commentaires sont bienvenus : ils nous permettent d’améliorer le principe de ce blog et de favoriser les discussions entre les gens qui le lisent.

Le 22 Juin, si Dieu le veut bien, je retournerai au vieux moulin dans les Pyrénées, mon point de départ, puis j’irai au Brésil.

Toutes les deux semaines j’envoie une newsletter aux lecteurs intéressés. Si vous désirez la recevoir, vous pouvez vous inscrire à Guerrier de Lumiere, disponible en plusieurs langues.

Lors d’une des premières étapes de ce pèlerinage, je suis passé par un village en Espagne, d’où j’ai écrit le texte qui suit. Je pense qu’il n’importe pas d’où nous venons, car nous pouvons toujours aller beaucoup plus loin que ce que nous imaginons. Tel est l’exemple que François nous a légué et que nous devons suivre.

Je dédie ce chemin à mes lecteurs. Je vous remercie de votre soutien et me rappellerai les nuits que j’ai passé à lire vos messages – ils m’ont poussé à aller de l’avant. Le sens du chemin est dans les personnes, et nous regardons toujours mieux le monde quand nous permettons au mystère des rencontres de se manifester. Comme le dit la dernière phrase du Pèlerin de Compostelle : « les personnes apparaissent toujours quand elles sont attendues. »

Paulo Coelho

Vingt Ans Après : François

Je bois mon café sur la terrasse d’un hôtel, d’où je peux voir un château, un gigantesque château dans ce petit village qui ne compte que quelques maisons, dans la province de Navarre, en Espagne. Il fait déjà nuit, il n’y a pas de lune, je suis en train de refaire mon pèlerinage à Saint-Jacques-de-Compostelle, pour célébrer les vingt années qui se sont écoulées depuis que j’ai emprunté ce chemin pour la première fois.

Pourtant, le village dans lequel je me trouve ne fait pas partie du parcours qui passe à 19 kilomètres d’ici. Mais j’avais l’intention de le visiter, et j’y suis donc. Il y a 500 ans, un homme nommé François est né ici. Il a dû beaucoup jouer dans les champs qui entourent le château. Il a dû se baigner dans la rivière qui passe par ici. Fils de parents riches, il a laissé son village pour poursuivre ses études dans la fameuse université de la Sorbonne, à Paris. J’en déduis que ce long voyage vers la capitale fut son premier.

Il était athlétique, beau, intelligent, convoité par tous les élèves – sauf un, venu de la même et lointaine province espagnole, nommé Ignace. Ignace lui disait : « François, tu penses beaucoup à ta personne. Pourquoi ne pas consacrer tes pensées à d’autres choses, comme Dieu par exemple ? » Nous ne savons pas pourquoi, mais François, le plus beau et vaillant des étudiants de la Sorbonne, se laissa convaincre par Ignace. Ils se joignèrent à d’autres étudiants et fondèrent une société qui devint la risée de tous les autres, à tel point que quelqu’un inscrivit sur la porte de la salle dans laquelle ils se réunissaient : Société de Jésus. Au lieu de se sentir offensés, ils adoptèrent le nom. Et c’est à partir de là que François entame un voyage sans retour.

Il part avec Ignace à Rome et demande à ce que le Pape reconnaisse la « société ». Le pontife accepte de rencontrer les étudiants, et, pour les stimuler, donne son accord. François – qui a horreur des bateaux et de la mer – part seul pour l’Orient, imbu de ce qu’il considère comme être sa mission. Dans les dix années suivantes, il visite l’Afrique, l’Inde, Sumatra, les Moluques, le Japon. Il apprend de nouvelles langues, visite des hôpitaux, des prisons, des villes et des villages. Il écrit de nombreuses lettres, mais aucune – absolument aucune – ne fait référence aux points « touristiques » de ces endroits. Il parle seulement de la nécessité de mener la parole du courage et de l’espoir aux défavorisés.

Il meurt loin du village où je me trouve maintenant à boire mon café, et il est enterré à Goa. À une époque où le monde était immense, où les distances étaient quasi insurmontables, où les peuples vivaient en guerre, François pense qu’il doit considérer tout cela comme un village global. Il surmonte ses peurs parce qu’il est conscient que sa venue a un sens. Il ne sait pas, lors de son cheminement en Orient, que ses pas ne seront jamais oubliés, et que tout ce qu’il a planté fructifiera ; il fait ça car c’est sa légende personnelle, la façon qu’il a choisi de vivre sa vie.

Cinq cents ans après, dans la ville d’Ahmedabad, en Inde, un professeur demande à ses élèves de raconter sa vie. Un des enfants écrit : « il fut un grand architecte car dans tout l’Orient il existe des écoles qu’il érigea et qui portent son nom. »

Antonio Falces, qui dirige une de ces écoles, raconte qu’il vit deux personnes discuter :

- François était Portugais – dit la première .

- Bien sûr que non. Il est né et enterré ici à Goa, répond l’autre.

Les deux se trompent et les deux ont raison : François vint d’un petit village de Navarre mais il était un homme du Monde, et tous le considèrent comme faisant partie de leur propre culture. Il n’était pas non plus un architecte spécialisé dans la construction d’écoles ; mais, comme l’écrit un de ses premiers biographes, « il était comme le soleil, qui ne peut aller de l’avant sans dispenser lumière et chaleur là où il passe. »

Je pense à François : partir d’ici, parcourir le monde, faire que le nom de ce petit village soit mené à tant d’endroits, au point que beaucoup de gens pensent qu’il s’agit de son nom de famille. Faire face à ses peurs, renoncer à tout au nom de ses rêves – que cela inspire et serve d’exemple. J’ai étudié dans une de ces écoles qui appartiennent à la « société de Jésus », ou S.J, ou écoles jésuites, telles qu’elles sont connues.

Je suis dans le village de Xavier. François ainsi qu’Ignace, qui vient d’un autre village, nommé Loyola, furent canonisés le même jour, le 12 Mars 1622. Ce matin-là, une bannière fut accrochée aux murs du Vatican :

« Saint François Xavier fit plusieurs miracles. Mais le miracle d’Ignace fut encore plus grand : François Xavier. »

Si vous désirez continuer à parler à Paulo Coelho, allez sur le blog Guerrier de la Lumière