Sétimo Capítulo

by Paulo Coelho on August 19, 2006

Lukás Jessen-Petersen, ex-marido

Quando Viorel nasceu eu acabara de completar 22 anos. Já não era mais o estudante que acaba de casar com uma ex-companheira de faculdade, mas um homem responsável pelo sustento de sua família, com uma enorme pressão sobre meus ombros. Meus pais, é claro, que nem sequer tinham comparecido ao casamento, condicionaram qualquer ajuda financeira à separação e à guarda do filho (melhor dizendo, meu pai comentou isso, porque minha mãe costumava telefonar chorando, dizendo que eu era um louco, mas que gostaria muito de segurar seu neto nos braços). Eu esperava que, na medida em que entendessem meu amor por Athena e minha decisão de continuar com ela, esta resistência devia passar.

Mas não passava. E agora eu precisava prover minha mulher e meu filho. Tranquei a matrícula na Faculdade de Engenharia. Recebi um telefonema do meu pai, com ameaças e afagos: dizia que, se eu continuasse assim, terminaria sendo colocado fora da herança, mas se voltasse à universidade, ele iria considerar ajudar-me “provisoriamente”, segundo suas palavras. Eu me recusei; o romantismo da juventude exige que tenhamos sempre posições radicais. Disse que podia resolver meus problemas sozinho.

Até a data que Viorel nasceu, Athena começava a fazer com que eu me entendesse melhor. E isso não tinha ocorrido através de nossa relação sexual — muito tímida, devo confessar — mas através da música.

A música é tão antiga quanto os seres humanos, me explicaram depois. Nossos ancestrais, que viajavam de caverna em caverna, não podiam carregar muitas coisas, mas a arqueologia moderna mostra que, além do pouco que necessitavam para comer, na bagagem havia sempre um instrumento musical, geralmente um tambor. A música não é apenas algo que nos conforte, ou que nos distraia, mas vai além disso — é uma ideologia. Você conhece as pessoas pelo tipo de música que elas escutam.

Vendo Athena dançar enquanto estava grávida, escutando-a tocar seu violão para que o bebê pudesse tranqüilizar-se e entender que era amado, eu comecei a deixar que sua maneira de ver o mundo contagiasse também a minha vida. Quando Viorel nasceu, a primeira coisa que fizemos quando ele chegou em casa foi fazê-lo escutar um adágio de Albinoni. Quando discutíamos, era a força da música — embora eu não consiga estabelecer nenhuma relação lógica entre uma coisa ou outra, exceto pensar nos hippies — que nos ajudava a enfrentar os momentos difíceis.

Mas todo este romantismo não bastava para ganhar dinheiro. Já que eu não tocava nenhum instrumento, e não podia sequer oferecer-me para distrair clientes em um bar, terminei conseguindo apenas um emprego como estagiário em uma firma de arquitetura, fazendo cálculos estruturais. Pagavam muito pouco por hora, de modo que eu saía de casa cedo e voltava tarde. Quase não podia ver meu filho — que estava dormindo — e quase não podia conversar ou fazer amor com minha mulher, que estava exausta. Toda noite eu me perguntava: quando será que vamos melhorar nossa condição financeira, e ter a dignidade que merecemos? Embora concorde quando Athena fala da inutilidade de diploma para a maioria dos casos, em engenharia (e direito, e medicina, por exemplo) é fundamental uma série de conhecimentos técnicos, ou estaremos arriscando a vida dos outros. E eu havia sido obrigado a interromper a busca de uma profissão que tinha escolhido, um sonho que era muito importante para mim.

As brigas começaram. Athena se queixava que eu dava pouca atenção à criança, que ela precisava de um pai, que se fosse apenas para ter um filho ela poderia fazer isso sozinha, sem precisar ter criado tantos problemas para mim. Mais de uma vez bati a porta de casa e fui caminhar, gritando que ela não me entendia, que eu tampouco entendia como terminara concordando com esta “loucura” de ter filho aos 20 anos, antes que tivéssemos sido capazes de ter um mínimo de condições financeiras. Pouco a pouco deixamos de fazer amor, fosse por cansaço, fosse porque um sempre vivia irritado com o outro.

Comecei a entrar em depressão, achando que tinha sido usado e manipulado pela mulher que amava. Athena notou meu estado de espírito cada vez mais estranho, e, em vez de ajudar-me, decidiu concentrar sua energia apenas em Viorel e na música. Minha fuga passou a ser o trabalho. De vez em quando conversava com meus pais, e sempre ouvia aquela história de que “ela teve um filho para conseguir prendê-lo”.

Por outro lado, sua religiosidade aumentava muito. Exigiu logo o batizado, com um nome que ela mesma havia decidido — Viorel, de origem romena. Penso que, exceto por uns poucos imigrantes, ninguém na Inglaterra se chama Viorel, mas eu achei criativo, e mais uma vez entendi que estava fazendo uma estranha conexão com um passado que nem chegara a viver — os dias no orfanato em Sibiu.

Eu procurava me adaptar a tudo — mas senti que estava perdendo Athena por causa da criança. Nossas brigas se tornaram mais freqüentes, ela começou a ameaçar sair de casa, porque achava que Viorel estava recebendo as “energias negativas” de nossas discussões. Certa noite, depois de mais uma ameaça, quem saiu de casa fui eu, achando que voltaria logo que me acalmasse um pouco.

Comecei a caminhar por Londres sem qualquer rumo, blasfemando a vida que tinha escolhido, o filho que tinha aceitado, a mulher que parecia já não ter mais nenhum interesse na minha presença. Entrei no primeiro bar, perto de uma estação de metrô, e tomei quatro doses de uísque. Quando o bar fechou às 11 da noite, fui até uma loja, destas que ficam abertas de madrugada, comprei mais uísque, sentei-me em um banco de praça, e continuei bebendo. Um grupo de jovens se aproximou, pediu um que dividisse com eles a garrafa, eu recusei, e fui espancado. A polícia logo apareceu, e terminamos todos na delegacia.

Eu fui liberado logo após prestar depoimento. Evidente que não acusei ninguém, disse que tinha sido uma discussão a toa, ou passaria alguns meses de minha vida tendo que comparecer a tribunais, como vítima de agressão. Quando estava pronto para sair, o meu estado de embriaguez era tal que caí por cima da mesa de um inspetor. O homem se irritou, mas ao invés de me prender por desacato à autoridade, empurrou-me para fora.

E ali estava um dos meus agressores, que me agradeceu por não ter levado o caso adiante. Comentou que eu estava completamente sujo de lama e sangue, e sugeriu que eu arranjasse roupas novas, antes de voltar para casa. Em vez de continuar meu caminho, pedi que ele me fizesse um favor: que me escutasse, porque eu estava com uma imensa necessidade de falar.

Durante uma hora ele ouviu em silêncio minhas queixas. Na verdade eu não estava conversando com ele, mas comigo mesmo, um rapaz com toda uma vida pela frente, uma carreira que poderia ser brilhante, uma família que tinha contatos suficientes para facilitar abrir muitas portas, mas que agora parecia um dos mendigos de Hampstead (N.R.: bairro de Londres), embriagado, cansado, deprimido, sem dinheiro. Tudo por causa de uma mulher, que nem sequer me dava atenção.

No final de minha história, já enxergava melhor a condição em que me encontrava: uma vida que eu tinha escolhido, acreditando que o amor sempre pode salvar tudo. E não é verdade: às vezes ele termina nos levando ao abismo, com a agravante de que geralmente carregamos conosco pessoas queridas. Neste caso, eu estava a caminho de destruir não apenas a minha existência, mas também Athena e Viorel.

Naquele momento, repeti mais uma vez para mim mesmo que era um homem, e não o rapaz que tinha nascido em berço de ouro, e enfrentado com dignidade todos os desafios que me tinham sido colocados. Fui para casa, Athena já estava dormindo com o bebê em seus braços. Tomei um banho, saí de novo para jogar as roupas sujas na lixeira da rua, deitei-me, estranhamente sóbrio.

No dia seguinte, disse que desejava o divórcio. Ela perguntou por quê.

— Porque te amo. Amo Viorel. E tudo que tenho feito é culpar vocês dois por ter abandonado meu sonho de ser engenheiro. Se tivéssemos esperado um pouco, as coisas seriam diferentes, mas você pensou apenas em seus planos — esqueceu de incluir-me neles.

Athena não reagiu, como se já estivesse esperando por isso, ou como se inconscientemente estivesse provocando esta atitude.

O meu coração sangrava, porque esperava que me pedisse por favor para ficar. Mas ela parecia calma, resignada, preocupada apenas em fazer com que o bebê não escutasse nossa conversa. Foi nesse momento que tive certeza que jamais havia me amado, eu fora apenas um instrumento para a realização deste sonho louco de ter um filho aos 19 anos.

Disse que podia ficar com a casa e os móveis, mas ela recusou-se: iria para a casa da mãe algum tempo, procuraria um emprego, e alugaria seu próprio apartamento. Perguntou-me se podia ajudar financeiramente com Viorel. Eu concordei na hora.

Levantei-me, dei-lhe um último e longo beijo, tornei a insistir que ela ficasse ali, ela voltou a afirmar que iria para casa de sua mãe assim que tivesse arrumado todas as suas coisas. Hospedei-me em um hotel barato, e fiquei esperando todas as noites que ela me telefonasse pedindo para voltar, recomeçar uma nova vida — eu estava inclusive pronto para continuar com a vida antiga se fosse necessário, já que o afastamento me fizera dar conta que não havia ninguém ou nada mais importante no mundo que a minha mulher e meu filho.

Uma semana depois, recebi finalmente sua chamada. Mas tudo que me disse foi que já tinha retirado suas coisas, e não pretendia voltar. Mais duas semanas, soube que alugara um pequeno sótão em Basset Road, onde precisava subir todos os dias três lances de escada com um menino no colo. Dois meses se passaram, e terminamos por assinar os papéis.

Minha verdadeira família partia para sempre. E a família onde nasci me recebia de braços abertos.

Logo depois de nossa separação e do imenso sofrimento que a seguiu, eu me perguntei se realmente não tinha sido uma decisão errada, inconseqüente, própria de pessoas que leram muitas histórias de amor na adolescência, e queriam repetir a todo custo o mito de Romeu e Julieta. Quando a dor acalmou — e só existe um remédio para isso, a passagem do tempo —, entendi que a vida me permitira encontrar a única mulher que seria capaz de amar em toda a minha vida. Cada segundo passado ao seu lado valera a pena, apesar de tudo que aconteceu tornaria a repetir cada passo que dei.

Mas o tempo, além de curar as feridas, mostrou-me algo curioso: é possível amar mais de uma pessoa durante a existência. Casei-me novamente, estou feliz ao lado de minha nova mulher, e não posso imaginar o que seria viver sem ela. Isso porém não me obriga a renunciar a tudo que vivi, desde que tome o cuidado de jamais tentar comparar as duas experiências; não se pode medir o amor como medimos uma estrada ou a altura de um prédio.

Algo muito importante ficou da minha relação com Athena: um filho, seu grande sonho, que me foi comunicado abertamente antes de nos decidirmos casar. Tenho outro filho com minha segunda mulher, agora estou bem preparado para todos os altos e baixos da paternidade, diferente de doze anos atrás.

Certa vez, em um dos encontros quando fui pegar Viorel para ficar o final de semana comigo, resolvi tocar no assunto: perguntei por que tinha se mostrado tão calma quando soube que eu desejava me separar.

— Porque aprendi a sofrer em silêncio toda a minha vida — respondeu.

E só então abraçou-me e chorou todas as lágrimas que gostaria de ter derramado naquele dia.

Próximo texto: 29.08.06

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{ 147 comments }

Joana August 26, 2006 at 1:54 pm

Paulo,

Espero com muita pressa o livro completo….

Joana August 26, 2006 at 12:56 pm

Clarisa minha filha, esse amor muito bonito,
se nao for ouvido nao eh merecido…
Sorte
Beijos da Joana

claudio eugenio luz August 26, 2006 at 12:48 pm

Escritor de apenas uma voz. Continuo insistindo. Não existe o proverbio, se o santo não vai a montanha, a montanha vai ao santo? E, antes tarde do que nunca, feliz aniversario.Contudo, continuo sem ler.

hábraços

Agostinho August 26, 2006 at 12:46 pm

Resposta ah Aura:
O amor eh a fonte de todos os milagres…
Agostinho

Karine Guimarães August 26, 2006 at 10:45 am

Paulo, querido!
Estou ansiosa pela publicação do novo livro, que já está abençoado por Deus e pelos bons espíritos.Muitos beijos,
Karine

aura August 26, 2006 at 4:19 am

Sr, Agostinho, desculpe-me a intromissão.
Mas…. como o senhor consegue ser tão belo, assim tão distante, sentindo-se tão fraco?
Talvez seja esse amor que o mantem assim, vendo-se fragil, indo tão longe, tão perto e chegando.

Clarisa August 26, 2006 at 12:44 am

P.S. o nome eh o e-mail nao sao reais nesse caso.
…Afinal meu nome eh amor…

Clarisa August 26, 2006 at 12:43 am

Esse poema inacabado eh meu presente de aniversario para voce meu mago predileto.

Clarisa August 26, 2006 at 12:42 am

Sou amor e derreterei tuas dores, transformarei a duvida em certeza, o cansaco em recomeco. Sou amor e cavalgarei em tuas furias, sussurarei em teus ouvidos a cancao dos apaixonados em murmurios unisonos.Sou amor e faco parte de voce. Sou amor e te guiarei as explosoes da entrega, a ansia da espera.
Sou amor e faco parte de voce.

Clarisa August 26, 2006 at 12:25 am

Seguirei te amando, em silencio em segredo.
Sou o grito da aguia, a estrela cadente, a rosa,
o perfume do lirio, a prece sincera, o beijo apaixonado.
O desejo nos corpos amantes, a respiracao apressada.
O misterio, a verdade, a simplicidade da gota de orvalho.
Sou o amor e seguirei te amando, mesmo que voce nao me reconheca, nao perceba, ou nao ame.

Clarisa August 26, 2006 at 12:15 am

Meu nome eh amor e seguirei te amando mesmo que voce nao me reconheca na fala do riacho, no murmurio do lago, na entrega do mar.
Seguirei te amando em silencio, em segredo.

Clarisa August 26, 2006 at 12:12 am

Fui tambem o sol de verao. Tentei escrever teu nome enquanto pintava o mar com meu reflexo. Fui areia sedenta a espera do frescor de tuas aguas. Assim como a concha transformei a dor em perola.
Fui o sangue em tuas veias e o batimento apaixonado de teu coracao, fui o sopro do desejo, o descanso da chegada. Em segredo caminhei do teu lado, escondida sendo sombra, transformada sendo esperanca.
Meu nome eh amor, sou o caminho secreto. Seguirei com voce em segredo. em silencio, na dor desse amor, transformando as lagrimas em diamantes que adornam meu pescoco.
Seguirei com voce, em silencio, em segredo.

Clarisa August 25, 2006 at 11:56 pm

Amei o silencio, o fogo da lareira , a neve. Enquanto sonhava com teus olhos, com a boca macia, a minha dor se transformava na neve congelando o povoado… Sonhei com o teu abraco, vi o brilho dos teus olhos nas estrelas, no riso das criancas, me esvaziei na dor que senti.
Busquei teu abraco nos bosques de carvalho, teu beijo nas brisas da manha, conversei com voce atraves do mar, do lago, e do riacho. Beijei tuas faces sendo a brisa, as vezes mais apaixonada gritei no sopro do vento. Te amei em segredo, pois senti vergonha de ser tola, amante, carente de teus olhos. Iluminei tuas noites sendo lua, me escondi em misterios para te fazer crianca inocente. Te convidei a danca, a disciplina, consolei a dor que muitas vezes te dobrou o corpo, fui teu riso solto.
Meu nome eh amor…

Denis Manoel August 25, 2006 at 10:12 pm

É incrível como as vezes tudo parece conspirar ao nosso favor, estou vivendo um desses momentos… Passei aqui só para registrar, acreditar é poder, ter atitude é conquistar.

Comunidade A Bruxa de Portobello (estão todos convidados):
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=18946024

Hermese August 25, 2006 at 8:33 pm

Antes tarde do que nunca: FELIZ ANIVERSARIO Paulo

1 Pater noster, qui es in caelis:
2 sanctificetur nomen tuum;
3 adveniat regnum tuum;
4 fiat voluntas tua,
5 sicut in caelo, et in terra.
6 Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
7 et dimitte nobis debita nostra,
8 sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
9 et ne nos inducas in tentationem;
10 sed líbera nos a malo.
11 quia tuum est regnum, et potestas, et gloria in saecula.
12 Amen.

Hermese August 25, 2006 at 8:30 pm

Sobre as dificuldades:

E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim (Mat 10:38). O Mistério da Crucificação não é sofrimento, mas sim Glória. Não há culpa, há Realização, dar-se conta de como as coisas são, dar-se conta do Divino em nós e no Mundo, a completa Imanência da Vontade Una. Morre a forma, desvelando o Espírito Uno que a tudo sustenta, Substância e Essência de tudo.

DEVEMOS AGRADECER AQUELES QUE NOS ABANDONAM ….

Hermese August 25, 2006 at 8:28 pm

Os grandes segredos arcanos protegem-se a si mesmos por sua extrema simplicidade, e estão expostos aos olhos dos que forem humildes o suficiente para os ver. A verdadeira oração é uma perfeita operação teúrgica. O contato com a Luz e seus Mestres se dá dessa maneira simples. E eles vem, e Ela vem. Essa é a oração do Ocultista, e nesse caso ela de fato “move montanhas”. Felizes os simples de espírito, pois deles será o Reino dos Céus (Mat 5:3).

Paulo, mago querido …. seus livros valem a pena////

Roselyn August 25, 2006 at 8:24 pm

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O estudante deve retornar ao estado de criança que perdeu.
Pensamento tibetano
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A menos que se tornem como criancinhas, vocês não entrarão no reino dos céus.
Jesus
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Abandone os pensamentos complicados para ver a resposta oculta.
Jalaluddin Rumi
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A essência de Deus é simples e invisível e essencialmente de nada necessita.
Philokalia
——————————————————————————–
A linguagem da verdade é simples.
Eurípides

ADRIANO August 25, 2006 at 8:20 pm

Adjetivos a vc seria redundância,apenas gostaria de parabeniza-lo e ver que o sonho do eterno Raul em ser escritor se faz presente em ti,onde ele estiver estará orgulhoso.Quando tu tiraste da bainha sua espada já sabia oque fazer com ela.O sucesso é a tua prova…..AMOR E PAZ…ADRIANO…

Pietra August 25, 2006 at 8:16 pm

Para Viver Um Grande Amor

Vinicius de Moraes

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher… — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo”, que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor…

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer “baixo” seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

Pietra August 25, 2006 at 8:06 pm

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? (Fernando Pessoa)

Solange August 25, 2006 at 7:57 pm

Paulo nos leitores estamos esperando um final feliz, na obra a bruxa de portobello.

Sophia August 25, 2006 at 7:54 pm

Ola Paulo,
Esqueci de explicar Alfonso eh meu primo e sempre faz comentarios assim: ” nao vale a pena ser amigo de ninquem, afinal as pessoas que eu confiei me decepcionaram” Eu passei os seus livros para meu primo Alfonso para ver se ele aprende com a sua docura…

Sophia August 25, 2006 at 6:25 pm

Quero responder ao comentario de Alfonso…
Eu me tornei uma pessoa muito melhor com as pessoas,
aprendi muito com as tristezas…
Adorei o texto Paulo….

Aparecida August 25, 2006 at 6:19 pm

Eh a Aparecida outra vez….

Olha eu chorei foi muito com esse capitulo…

Bom de mais…poxa!!!!

Aparecida August 25, 2006 at 6:01 pm

Feliz aniversario atrasado!!!!!

P.S. nao vejo a hora do proximo capitulo….

Betsy August 25, 2006 at 5:59 pm

Eu adoro os seus livros, nao o conheco, ou melhor conheco uma parte de voce que eh o escritor… e fico feliz de ter encontrado os seus livros.
Obrigado…

Dawn August 25, 2006 at 5:53 pm

Ola,

Muita sorte no novo livro e nos proximos…
O melhor para voce e sua familia….
Obrigada por existir….

Alfonso August 25, 2006 at 5:50 pm

Queria fazer-lhe uma pergunta?
Voce acredita que amigo verdadeiro existe???
Eu fui abandonado por pessoas que ainda amo,
passei necessidades…todas elas…e seguia sozinho de arrasto …. hoje sigo sozinho com a cabeca em pe…. Mas depois disso tudo… nao sei se existe amigo de verdade…
Sou um rapaz abandonado!!! Descuidado!!!
Solitario!!! Os seus livros me deixam com uma certa esperanca…
Devo ser apenas um tolo…

Luiz August 25, 2006 at 5:44 pm

Ola…
As mulheres tem o dom do amor…
Eu brindo as mulheres…
maravilhosas…

Muna August 25, 2006 at 5:40 pm

Sabe….
Nao existe nada mais belo do que saber que existe um sorriso nos labios de um ser amado…

Carlos August 25, 2006 at 4:05 pm

Querido Mago…
Voce merece muito mais do que esses meros comentarios…
Que o sol de Tabriz te ilumine, estou te escrevendo de meu trabalho…
Sou um padre, minha colega de trabalho que eh brasileira me deu seus livros… adorei….

Maria Cecilia August 25, 2006 at 2:17 pm

Parabens mais uma vez pelo seu nascimento e por existir.
Deus te proteja, guarde e abencoe.
m abraco carinhoso , beijos.
Sua fa Maria Cecilia.

P.T. estou ansiosa pra comprar o ultimo exemplar a ser lancado.
Tchau

Anna Carolina August 25, 2006 at 12:45 pm

Realmente, sempre achei que fosse viver um amor daqueles contos de Romeu e Julieta.. Acabei vivendo mesmo.. e sofrendo muito.. engraçado que com o tempo tb aprendi a sofrer em silêncio.. me identifiquei com Athena.. simplesmente maravilhoso.. Fantástico esse livro!!

Paulo Coelho August 25, 2006 at 9:35 am

Fico muito comovido com as mensagens que os leitores enviaram por ocasião do meu aniversário. Vocês não podem imaginar o quanto são importantes para mim. Todos os dias leio os emails, os comentários, e isso me enche de força para seguir adiante. Muitíssimo obrigado, e que os guerreiros da luz continuem sempre unidos.

Esther August 25, 2006 at 2:30 am

Pudesse a árvore vagar
e mover-se com pés e asas,
não sofreria os golpes do machado
nem a dor de ser cortada

Não errasse o sol por toda a noite,
como poderia ser o mundo iluminado
a cada nova manhã
E se a água do mar não subisse ao céu,
como cresceriam as plantas
regadas pela chuva e pelos rios?

gota que deixou seu lar, o oceano,
e a ele depois retornou,
encontrou a ostra à sua espera
e nela se fez pérola.
Não deixou José seu pai
em lágrimas, pesar e desespero,
ao partir em viagem para alcançar
o reinado e a fortuna?

Não viajou o Profeta
para a distante Medina
onde encontrou novo reino
e centenas de povos para governar?

Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
e reflete, como a mina de rubis,
os raios de sol para fora de ti.

A viagem te conduzirá a teu ser,
transmutará teu pó em ouro puro.

Ainda que a água salgada
faça nascer mil espécies de frutos,
abandona todo amargor e acridez
e guia-te apenas pela doçura.
É o Sol de Tabriz que opera todos os milagres:
toda árvore ganha beleza
quando tocada pelo sol.”

Raven August 25, 2006 at 2:24 am

Rumi -
A morte do ego é aqui necessária,
Não a tal arte da composição:
Esforça-te, pois, por seres nada
E caminha sobre o mar então.

Bruma August 25, 2006 at 2:13 am

Nossa … que bom que entrei aqui hoje…
Assim descobri que eh um dia especial…
Afinal nesse dia nasceu meu escritor predileto…

Elpidia Kinn August 25, 2006 at 2:10 am

Ola,

Sempre quiz saber voce eh um mago ou um warlock?
Que livro belo esse que voce esta escrevendo…
Ah…nem sabia que teu aniver … feliz dia

Lucia August 25, 2006 at 1:56 am

…COM todo respeito a sua esposa… o meu esposo nao vai se importar…
Feliz aniversario…(desculpe a cantada)

Lucia August 25, 2006 at 1:53 am

Queria ser sua amiga colorida….
Sabe???
Sera que da tempo!!!!

Lucia August 25, 2006 at 1:50 am

Nossssssssssa!!!!!!!

Como voce escreve bem!!!!!!!!
Estou amando a bruxa ate quero ser mae, mesmo que estraque o corpo……..

Mayte August 25, 2006 at 1:48 am

La Paz sea contigo…

Christina August 25, 2006 at 1:44 am

Paulo

Muito sucesso com a bruxa de portobello…
Feliz aniversario…

Deborah August 25, 2006 at 1:40 am

Paulo, e esposa…

Obrigada por brindarem por nos… meros fas em seu caminho…

Sucesso e amor para voces

Denise August 25, 2006 at 12:06 am

A cada novo livro me impressiono mais com sua capacidade de transformar sentimentos em palavras.. detalhe: em palavras simples e verdadeiras que estão ao alcance da compreensão de todos!! E pelo que percebi “A Bruxa de Portobello” será mais uma oportunidade maravilhosa de entrar em contato com sua sabedoria.. a sabedoria de quem trilha o caminho das pessoas comuns!!!
Parabéns.. sucesso!!!

Aline Rocha August 24, 2006 at 11:49 pm

Um livro muito interesante,de uma maneira descritiva ele explorar a psicologia humana.Meus parabéns!!!

Lu August 24, 2006 at 10:52 pm

Parabens!!! Achei o link. Eu adoro essa website.

Beijos

Lu

Denis Manoel August 24, 2006 at 10:23 pm

Ah, já ia me esquecendo. Parabéns… Que a graça de Maria esteja com vc, e que Deus o ilumine.

Denis Manoel August 24, 2006 at 10:22 pm

Caro paulo Coelho, somos nós (fãs) que lhe agradecemos, a cada nova história, enxergamos horizontes que nossos olhos muitas vezes não enxergam, não porque os desconheçamos, mas porque nos acostumamos com a “correria”, os padrões… Através de seus personagens, tão vivos, tão reais, acabamos ampliando nosso campo de visão. Acredite nós é que lhe agradecemos.

Comunidade: A Bruxa de Portobello (estão todos convidados)
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=18946024

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