Décimo Primeiro Capí­tulo

Nabil Alaihi, idade desconhecida, beduí­no

Fico muito contente em saber que Athena tinha uma foto minha no lugar de honra de seu apartamento, mas ní£o creio que o que lhe ensinei tenha qualquer utilidade. Ela veio até aqui, no meio do deserto, trazendo pelas mí£os uma crianí§a de tríªs anos. Abriu sua bolsa, retirou um radiogravador, e sentou-se diante da minha tenda. Sei que pessoas na cidade costumavam indicar meu nome para estrangeiros que gostariam de provar a cozinha local, e logo disse que ainda era muito cedo para jantar.

“” Vim por outra razí£o “” disse a mulher. “” Soube através de seu sobrinho Hamid, cliente do banco onde trabalho, que o senhor é um sábio.

“” Hamid é apenas um jovem tolo, que embora diga que sou sábio, jamais seguiu meus conselhos. Sábio foi Mohammed, o Profeta, que a bíªní§í£o de Deus esteja com ele.

Apontei para seu carro.

“” Vocíª ní£o devia dirigir sozinha em um terreno a que ní£o está acostumada, e tampouco se aventurar por aqui sem um guia.

Em vez de me responder, ela ligou o aparelho. Em seguida, tudo que pude ver era aquela mulher flutuando nas dunas, a crianí§a olhando espantada e alegre, e o som que parecia inundar o deserto inteiro. Quando terminou, perguntou se eu havia gostado.

Disse que sim. Em nossa religií£o existe uma seita que daní§a para encontrar-se com Allah “” louvado seja Seu nome! (N.R.: a seita em questí£o é o sufismo).

“” Pois bem “” continuou a mulher, apresentando-se como Athena. “” Desde crianí§a sinto que devo aproximar-me de Deus, mas a vida termina por me afastar Dele. A música foi uma das maneiras que encontrei; ní£o é o bastante. Sempre que daní§o, vejo uma luz, e esta luz agora me pede que vá mais adiante. Ní£o posso continuar aprendendo apenas comigo mesmo, preciso que alguém me ensine.

“” Qualquer coisa é bastante “” respondi. “” Porque Allah, o misericordioso, está sempre próximo. Tenha uma vida digna, isso basta.

Mas a mulher parecia ní£o estar convencida. Eu disse que estava ocupado, precisava preparar o jantar para os poucos turistas que deviam aparecer. Ela respondeu que esperaria o quanto fosse necessário.

“” E a crianí§a?

“” Ní£o se preocupe.

Enquanto tomava as providíªncias de sempre, observava a mulher e seu filho, os dois pareciam ter a mesma idade; corriam pelo deserto, riam, faziam batalhas de areia, atiravam-se no chí£o e rolavam pelas dunas. Chegou o guia com tríªs turistas alemí£es, que comeram, pediram cerveja, precisei explicar que minha religií£o me impedia de beber ou servir bebidas alcoólicas. Convidei a mulher e seu filho para jantarem, e um dos alemí£es logo ficou bastante animado com a inesperada presení§a feminina. Comentou que estava pensando em comprar terrenos, tinha uma grande fortuna acumulada, e acreditava no futuro da regií£o.

“” í“timo “” foi a resposta dela. “” Também acredito.

“” Será que ní£o seria bom jantarmos em outro lugar, para poder discutir melhor a possibilidade de…

“” Ní£o “” ela cortou, estendendo-lhe um cartí£o. “” Se desejar, pode procurar minha agíªncia.

Quando os turistas foram embora, nos sentamos na frente da tenda. O menino logo dormiu em seu colo; peguei cobertores para todos nós, e ficamos olhando o céu estrelado. Finalmente ela quebrou o silíªncio.

“” Por que Hamid diz que o senhor é sábio?

“” Talvez porque tenha mais paciíªncia que ele. Houve uma época em que tentei lhe ensinar minha arte, mas Hamid parecia mais preocupado em ganhar dinheiro. Hoje deve estar convencido que é mais sábio que eu; tem um apartamento, um barco, enquanto eu estou aqui no meio do deserto, servindo aos poucos turistas que aparecem. Ní£o entende que estou satisfeito com o que faí§o.

“” Entende perfeitamente, porque fala a todos do senhor, com muito respeito. E o que significa sua “arte”?

“” Vi hoje vocíª daní§ando. Eu faí§o a mesma coisa, só que, em vez de mover meu corpo, sí£o as letras que daní§am.

Ela pareceu surpresa.

“” Minha maneira de me aproximar de Allah “” que seu nome seja louvado! “” foi através da caligrafia, a busca do sentido perfeito para cada palavra. Uma simples letra requer que coloquemos nela toda a forí§a que contém, como se estivéssemos esculpindo o seu significado. Assim, quando os textos sagrados sí£o escritos, ali está a alma do homem que serviu de instrumento para divulgá-los ao mundo.

“E ní£o apenas os textos sagrados, mas cada coisa que colocamos no papel. Porque a mí£o que traí§a as linhas reflete a alma de quem as escreve.”

“” Vocíª me ensinaria o que sabe?

“” Em primeiro lugar, ní£o creio que uma pessoa tí£o cheia de energia tenha paciíªncia para isso. Além do mais, ní£o faz parte do seu mundo, onde as coisas sí£o impressas “” sem que pensem muito no que estí£o publicando, se me permite o comentário.

“” Gostaria de tentar.

E durante mais de seis meses, aquela mulher que eu julgava agitada, exuberante, incapaz de ficar quieta por um só momento, passou a me visitar todas as sextas-feiras. O filho sentava-se em um canto, pegava alguns papéis e pincéis, e dedicava-se, também ele, a manifestar em seus desenhos aquilo que os céus assim determinavam.

Eu via seu esforí§o gigantesco para manter-se quieta, na postura adequada, e perguntava: “vocíª ní£o acha melhor procurar outra coisa para distrair-se?”. Ela respondia: “Preciso disso, preciso acalmar minha alma, e ainda ní£o aprendi tudo que vocíª pode me ensinar. A luz do Vértice me disse que eu devo seguir adiante”. Nunca perguntei o que era Vértice, ní£o me interessava.

A primeira lií§í£o, e talvez a mais difí­cil, foi:

“” Paciíªncia!

Escrever ní£o era apenas um ato de expressar um pensamento, mas de refletir sobre o significado de cada palavra. Juntos comeí§amos a trabalhar em textos de um poeta árabe, já que ní£o creio que o Alcorí£o fosse indicado para uma pessoa educada em outra fé. Eu ia ditando cada letra, e assim ela se concentrava no que estava fazendo, em vez de querer saber logo o significado da palavra, da frase, ou do verso.

“” Certa vez, alguém me disse que a música tinha sido criada por Deus, e que o movimento rápido era necessário para que as pessoas entrassem em contato consigo mesmas “” disse Athena em uma das tardes que passamos juntos. “” Durante anos, vi que isso era verdade, e agora estou sendo forí§ada í  coisa mais difí­cil do mundo, desacelerar meus passos. Por que a paciíªncia é tí£o importante?

“” Porque ela nos faz prestar atení§í£o.

“” Mas eu posso daní§ar obedecendo apenas a minha alma, que me obriga a concentrar-me em algo maior do que eu mesma, e me permite entrar em contato com Deus “” se é que posso utilizar esta palavra. Isso já me ajudou a transformar muitas coisas, inclusive meu trabalho. A alma ní£o é mais importante?

“” Claro. Entretanto, se sua alma conseguir comunicar-se com seu cérebro, poderá transformar mais coisas ainda.

Continuamos nosso trabalho juntos. Eu sabia que, em determinado momento, teria que dizer algo que ela talvez ní£o estivesse pronta para escutar, de modo que procurei aproveitar cada minuto para ir preparando seu espí­rito. Expliquei que antes da palavra existe o pensamento. E, antes do pensamento, existe a centelha divina que o colocou ali. Tudo, absolutamente tudo nesta terra fazia sentido, e as menores coisas deviam ser levadas em consideraí§í£o.

“” Eduquei meu corpo para que pudesse manifestar por inteiro as sensaí§íµes da minha alma “” dizia ela.

“” Agora eduque apenas seus dedos, de modo que eles possam manifestar por inteiro as sensaí§íµes do seu corpo. Assim, sua imensa forí§a estará concentrada. “” O senhor é um mestre.

“” O que é um mestre? Pois eu lhe respondo: ní£o é aquele que ensina algo, mas aquele que inspira o aluno a dar o melhor de si para descobrir o que ele já sabe.

Pressenti que Athena já havia experimentado isso, embora ainda fosse muito jovem. Como a escrita revela a personalidade da pessoa, descobri que tinha consciíªncia de que era amada, ní£o apenas por seu filho, mas por sua famí­lia e eventualmente por um homem. Descobri também que tinha dons misteriosos, e procurei jamais demonstrar isso “” já que estes dons podiam causar seu encontro com Deus, mas também sua perdií§í£o.

Ní£o me limitava a adestrá-la na técnica; procurava também transmitir-lhe a filosofia dos calí­grafos.

“” A pena com que agora escreve estes versos é apenas um instrumento. Ela ní£o tem consciíªncia, segue o desejo daquele que a segura. E nisso se parece muito com aquilo que chamamos de “vida”. Muitas pessoas estí£o neste mundo apenas cumprindo um papel, sem entender que existe uma Mí£o Invisí­vel que as guia.

“Neste momento, em suas mí£os, no pincel que traí§a cada letra, estí£o todas as intení§íµes de sua alma. Procure entender a importí¢ncia disso.”

“” Entendo, e vejo que é importante manter certa elegí¢ncia. Porque o senhor exige que eu me sente em determinada posií§í£o, reverencie o material que vou utilizar, e só comece quando tiver feito isso.

Claro. Na medida em que respeitava o pincel, descobria que era necessário ter serenidade e elegí¢ncia para aprender a escrever. E a serenidade vem do coraí§í£o.

“” A elegí¢ncia ní£o é uma coisa superficial, mas a maneira que o homem encontrou para honrar a vida e o trabalho. Por isso, quando vocíª sentir que a postura a está incomodando, ní£o pense que ela é falsa ou artificial: ela é verdadeira porque é difí­cil. Ela faz com que tanto o papel como a pena sintam-se orgulhosos por seu esforí§o. O papel deixa de ser uma superfí­cie plana e incolor, e passa a ter a profundidade das coisas que ali sí£o colocadas.

“A elegí¢ncia é a postura mais adequada para que a escrita seja perfeita. Assim também é com a vida: quando o supérfluo é descartado, o ser humano descobre a simplicidade e a concentraí§í£o: quanto mais simples e mais sóbria a postura, mais bela ela será, embora no iní­cio pareí§a desconfortável.”

De vez em quando, ela me comentava sobre seu trabalho. Dizia que estava entusiasmada com o que fazia, e que acabara de receber uma proposta de um poderoso emir. Ele fora ao banco para ver um amigo que era diretor (os emires jamais ví£o aos bancos para retirar dinheiro, tíªm muitos empregados para fazer isso), conversando com ela mencionou que estava procurando alguém para cuidar da venda de terrenos, e gostaria de saber se estava interessada.

Quem se interessaria por comprar terrenos no meio do deserto, ou em um porto que ní£o estava no centro do mundo? Resolvi ní£o comentar nada; olhando para trás, fico contente por ter ficado em silíªncio.

Uma única vez falou do amor de um homem, embora sempre que turistas chegavam para jantar, e a encontravam ali, procurassem seduzi-la de alguma maneira. Normalmente Athena sequer se incomodava, até o dia em que um deles insinuou que conhecia seu namorado. Ela ficou pálida, e imediatamente olhou para o menino, que felizmente ní£o estava prestando atení§í£o í  conversa.

“” Conhece de onde?

“” Estou brincando “” disse o homem. “” Queria apenas saber se estava livre.

Ela ní£o respondeu nada, mas entendi que o homem que estava em sua vida ní£o era o pai do garoto. Um dia chegou mais cedo que de costume. Disse que tinha deixado o emprego no banco, comeí§ara a vender terrenos, e assim teria mais tempo livre. Expliquei que ní£o podia ensiná-la antes da hora marcada, tinha uma série de coisas para fazer.

“” Posso juntar as duas coisas: movimento e quietude. Alegria e concentraí§í£o.

Foi até o carro, pegou o gravador, e a partir daquele momento, Athena daní§ava no deserto antes de comeí§ar as aulas, enquanto a crianí§a corria e sorria í  sua volta. Quando se sentava para praticar caligrafia, sua mí£o estava mais segura do que normalmente.

“” Existem dois tipos de letras “” eu explicava. “” A primeira é feita com precisí£o, mas sem alma. Neste caso, embora o calí­grafo tenha um grande domí­nio da técnica, ele concentrou-se exclusivamente no ofí­cio “” e por causa disso ní£o evoluiu, tornou-se repetitivo, ní£o conseguiu crescer, e um dia irá deixar o exercí­cio da escrita, porque acha que tudo se transformou em rotina.

“O segundo tipo é a letra feita com técnica, mas também com alma. Para isso, é necessário que a intení§í£o de quem escreve esteja de acordo com a palavra; neste caso, os versos mais tristes deixam de ser revestidos de tragédia, e se transformam em simples fatos que estavam em nosso caminho.”

“” O que vocíª faz com os seus desenhos? “” perguntou o menino, em árabe perfeito. Embora ní£o estivesse entendendo nossa conversa, fazia o possí­vel para participar do trabalho da mí£e.

“” Eu os vendo.

“” Posso vender meus desenhos?

“” Deve vender seus desenhos. Um dia vai ficar rico com isso, e ajudar sua mí£e.

Ele ficou contente com meu comentário, e voltou para o que estava fazendo naquele momento: uma borboleta colorida.

“” E que faí§o com os meus textos? “” perguntou Athena.

“” Vocíª sabe o esforí§o que custou sentar-se na posií§í£o correta, acalmar sua alma, ter clara sua intení§í£o, respeitar cada letra de cada palavra. Mas, por enquanto, continue apenas praticando.

“Depois de muito praticar, já ní£o pensamos em todos os movimentos necessários: eles passam a fazer parte de nossa própria existíªncia. Antes de chegar a este estado, entretanto, é preciso treinar, repetir. E, como se ní£o bastasse, é preciso repetir e treinar.

“Observe um bom ferreiro trabalhando o aí§o. Para o olhar destreinado, ele está repetindo as mesmas marteladas.

“Mas quem conhece a arte da caligrafia, sabe que cada vez que ele levanta o martelo e o faz descer, a intensidade do golpe é diferente. A mí£o repete o mesmo gesto, mas, í  medida que se aproxima do ferro, ela compreende se deve tocá-lo com mais dureza ou mais suavidade. Assim é com a repetií§í£o: embora pareí§a a mesma coisa, é sempre distinta.

“Vai chegar o momento em que ní£o é mais preciso pensar no que se está fazendo. Vocíª passa a ser a letra, a tinta, o papel, e a palavra.”

Este momento chegou quase um ano depois. A esta altura, Athena já era conhecida em Dubai, indicava clientes para jantar na minha tenda, e através deles pude entender que sua carreira ia muito bem: estava vendendo pedaí§os de deserto! Certa noite, precedido de um grande séquito, apareceu o emir em pessoa. Eu fiquei assustado; ní£o estava preparado para aquilo, mas ele me tranqüilizou e me agradeceu o que estava fazendo por sua funcionária.

“” É uma pessoa excelente, e atribui suas qualidades ao que está aprendendo com o senhor. Estou pensando em dar-lhe uma parte na sociedade. Talvez seja bom enviar meus vendedores para aprender caligrafia, principalmente agora que Athena deve sair de férias por um míªs.

“” Ní£o iria adiantar nada “” respondi. “” Caligrafia é apenas uma das maneiras que Allah “” louvado seja Seu Nome! “” colocou diante de nós. Ensina objetividade e paciíªncia, respeito e elegí¢ncia, mas podemos aprender tudo isso…

“” … na daní§a “” completou Athena, que estava perto.

“” Ou vendendo imóveis “” completei.

Quando todos saí­ram, quando o menino estendeu-se em um canto da tenda, os olhos quase se fechando de sono, eu trouxe o material de caligrafia e pedi que escrevesse alguma coisa. No meio da palavra, retirei a pena de sua mí£o. Era a hora de dizer o que precisava ser dito. Sugeri que caminhássemos um pouco pelo deserto.

“” Vocíª já aprendeu o que precisava “” disse. “” Sua caligrafia está cada vez mais pessoal, mais espontí¢nea. Já ní£o é apenas uma repetií§í£o da beleza, mas um gesto de criaí§í£o pessoal. Vocíª entendeu o que os grandes pintores entendem: para esquecer as regras, é preciso conhecíª-las e respeitá-las.

“Já ní£o precisa dos instrumentos que a fizeram aprender. Já ní£o precisa do papel, da tinta, da pena, porque o caminho é mais importante que aquilo que a levou a caminhar. Certa vez vocíª me contou que a pessoa que a ensinou a daní§ar ficava imaginando músicas em sua cabeí§a “” e mesmo assim, era capaz de repetir os ritmos necessários e precisos.”

“” Isso mesmo.

“” Se as palavras estivessem todas unidas, elas ní£o fariam sentido, ou complicariam muito o seu entendimento: é necessário que existam espaí§os.

Ela concordou com a cabeí§a.

“” E apesar de vocíª dominar as palavras, ainda ní£o domina os espaí§os em branco. Sua mí£o, quando está concentrada, é perfeita. Quando salta de uma palavra para a outra, ela se perde.

“” Como o senhor sabe isso?

“” Tenho razí£o?

“” Tem toda razí£o. Em algumas fraí§íµes de segundo, antes de concentrar-me na próxima palavra, eu me perco. Coisas que eu ní£o quero pensar insistem em dominar-me.

“” E vocíª sabe exatamente o que é.

Athena sabia, mas ní£o disse nada, até voltarmos í  tenda, e poder segurar o filho adormecido no colo. Seus olhos pareciam cheios de lágrimas, embora fizesse o possí­vel para controlar-se.

“” O emir disse que vocíª iria tirar férias.

Ela abriu a porta do carro, colocou a chave na ignií§í£o, e deu a partida. Por alguns momentos, apenas o ruí­do do motor quebrava o silíªncio do deserto.

“” Sei o que o senhor está falando “” disse ela afinal. “” Quando escrevo, quando daní§o, sou guiada pela Mí£o que tudo criou. Quando olho Viorel dormindo, sei que ele sabe que é fruto de meu amor pelo pai dele, embora já ní£o o veja há mais de um ano. Mas eu…

Ficou em silíªncio de novo. O silíªncio que era o espaí§o em branco entre as palavras.

“” … mas eu ní£o conheí§o a mí£o que me embalou pela primeira vez. A mí£o que me escreveu no livro deste mundo.

Apenas balancei a cabeí§a em sinal afirmativo.

“” O senhor acha isso importante? “” Nem sempre. Mas no seu caso, enquanto ní£o tocar esta mí£o, ní£o irá melhorar… digamos… sua caligrafia.

“” Ní£o creio que seja necessário descobrir quem jamais se deu ao trabalho de me amar.

Fechou a porta, sorriu, e arrancou com o carro. Apesar de suas palavras, eu sabia qual seria seu próximo passo.

Próximo texto: 23.09.06