Edição nº 134: De amigo para amigo

by Paulo Coelho on November 22, 2006

Soube por minha sobrinha que “A Bruxa de Portobello”, meu novo livro, mesmo antes de estar impresso, já circulava na internet em sua versão integral. Fiquei intrigado: como isso podia ter acontecido?

Meu próximo passo, evidente, foi procurar em todos os mecanismos de busca onde poderia encontrar o manuscrito. O resultado foi: em lugar nenhum. Mesmo assim, a sobrinha mostrou-me o original. Imaginei que tinha sido enviado por uma das cinco pessoas a quem costumo mostrar antes do texto ser publicado. Mas isso significaria lançar suspeita sobre gente que adoro; além do mais, mando meus manuscritos inéditos há anos para elas, e isso nunca, digamos, “vazou” para o grande público. Tampouco poderia ter vazado pelos editores, já que eles não têm o menor interesse em difundir gratuitamente algo que é sua fonte de renda.

Resolvi deixar de lado o tema, afinal de contas a internet é realmente um meio de democratização da cultura. Mas insisti com minha sobrinha, de 24 anos, onde ela tinha conseguido o manuscrito. Depois de muito relutar, ela mostrou-me um universo que eu, que navego na Web há dez anos, desconhecia completamente, e que é absolutamente impossível de controlar (como explicarei no final – embora acredite que grande parte das pessoas que estão lendo esta newsletter já saibam do que estou falando).

É já que não adiantava lutar contra o impossível, pedi para conhecer esta gigantesca teia. Ou seja, por quatro horas virei um “pirata” de mim mesmo. A sobrinha insiste que não tem nada de errado, que esta é a cultura da internet, que é isso que está mudando o mundo, e não as manifestações contra a globalização nos fóruns mundiais.

O que é a cultura da internet? Segundo as palavras dela: você tem direitos básicos à informação e ao prazer. Se tiver dinheiro para comprar um livro, vá e compre – é muito mais agradável ler sobre a forma impressa. Mas se não tiver, seus direitos continuam – e é preciso encontrar uma maneira de exercê-los.

Como? Existe uma zona estranha na rede, chamada em inglês de “Peer 2 Peer”. Procurei uma tradução (em um dicionário gratuito da internet), e significa mais ou menos: “de amigo para amigo”.

Como começou? Minha sobrinha tem a resposta na ponta da língua. No início, era a vontade de conversar com os outros. Em seguida, veio a necessidade de conversar com várias pessoas ao mesmo tempo. Mas conversar não basta – é preciso mostrar a música, dividir o livro ou o filme que amamos. Quando não havia nenhuma lei a respeito, estas informações eram livremente trocadas. Finalmente, quando a indústria de entretenimento se deu conta e começou a repressão, os jovens na internet conseguiram sempre se manter um passo adiante, e a coisa continua.

O conceito também mudou: antes, era dividir com os amigos algo que se admirava. Agora é deixar disponível para quem quiser algo que achamos que deve ser dividido.

O mecanismo funciona mais ou menos assim: eu compro um livro, gosto. Tiro uma fotocópia digital de suas páginas, e coloco no meu computador, no mesmo tempo que, abro um túnel para que alguém possa vir até aqui e pegá-lo. Por meu lado, entro neste túnel e vou a computadores dos outros, e pego também tudo que me interessa (normalmente músicas e filmes). Aos poucos, este material está estocado no mundo inteiro, e ninguém consegue mais evitar que seja copiado.

Em seguida me mostrou que apenas em um dos muitos lugares de “Peer 2 Peer”, eu tenho 325 obras, em diversas línguas, em centenas ou milhares de computadores. Confesso: fiquei muito honrado com isso, prova de que os leitores realmente são a peça fundamental na divulgação de um trabalho, mesmo que isso não seja feito através de meios convencionais.

Evidente que eu não vou ensinar a ninguém a como chegar ali – isso envolve uma série de mecanismos legais, e pode complicar minha vida. Tampouco adianta digitar a expressão nos mecanismos de busca: eles não darão o caminho das pedras. Mas se você tiver em sua casa alguém abaixo de 18 anos de idade, com toda certeza ela já tem uma coleção de músicas que vieram deste lugar. Pergunte ao seu filho, neto, ou sobrinho.

Mas por favor, não diga a ele que só descobri isso agora: ele vai achar que estou velho demais, e perderei um leitor.

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Bárbara Evellyn May 16, 2007 at 3:26 am

É realmente para um escritor com toda sua genialidade, ver seu trabalho piratiado com certeza é horrível, mas se colocarmos em peso o quanto hoje em dia é dififil e precisa-se de alto pecúlio para se adquirir cultura, é o que não me deixa recriminar ninguem. Até agora não tiver oportunidade e condições financeira de adquirir muitos de seus livros ou disponíveis nas bibliotecas das escolas publicas, e se houvesse condições de baixar seus maravilhosos trabalhos pela internet gratuitos não hesitaria duas vezes. Adoro ler livros e tento da maneira possível manter-me informada. Minhas sinceras desculpas,mas com o mundo voltado para a tecnologia e a necessidade de mais informações fica dificil evitar isso, apesar de seus livros serem de preços acessíveis.

Bárbara Evellyn

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The Lion King March 15, 2007 at 5:36 pm

Eu acho incrível quando encontro pessoas de diferentes idades, que estão abertas as novas tecnologias que rompem fronteiras. Longe de discutir questões legais, o “Peer 2 Peer” traz muito mais do que músicas e filmes, ele é uma possibilidade real de acesso a conteúdos que muitas vezes nunca seriam disponibilizados, a quem não fosse influente o suficiente ou tivesse um alto poder aquisitivo.

Lembro ainda que o famoso Skype, que permite a conversação de pessoas do mundo inteiro através da internet sem custo, surgiu à partir do modelo “Peer 2 Peer”. Esse tipo de iniciativa mostra que mentes brilhantes estão surgindo a todo momento, renovando e criando um mundo mais próximo e principalmente com liberdade de escolha.

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Paola December 31, 2006 at 1:52 am

olá!!

Adimiro muito seu trabalho, há professores de faculdade achando que são muito sábios, aliás ninguém é sábio o suficiente pra poder julgar alguém, e dizem que seus livros são de auto ajuda, uma pena acharem isso, pois em seus livros há uma conexão profunda com a espiritualidade que tanto falta nas pessoas hoje em dia, como saber apreciar o nosso dia a dia, olhar para o céu e sentir-se vivo, sair dessa rotina da necessidade de ganhar dinheiro e respeitar nosso ”eu”que trás tantas dúvidas e anseios,enfim! desfrutar-se da vida nos pequenos detalhes!!
bjuuu
t adoroooo
Paola

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Lia Cardoni December 5, 2006 at 11:11 am

Impressionante como a velho adágio “Brasileiro gosta de levar vantagem em tudo” se tornou uma realidade de nosso dia a dia . Para os novos escritóres que necessitam se fazerem conhecidos , este é um meio gratuito de terem divulgação de seus trabalhos ; porém para os escritores já conceituados com seu publico cativo – este tipo de divulgação é simplesmente “um roubo ” . Infelizmente , a grande maioria dos brasileiros aceita sem reagir a altura , que seus representantes governamentais “desviem” o dinheiro dos impostos pagos para benefício próprio . Passar a perna no outro virou sinônimo de esperteza , inteligência . Honestidade virou sinônimo de burrice . Enquanto deste tipo de mentalidade predominar , teremos uma juventude que não sabe o que é ética .

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Anderson G. Gregorio December 5, 2006 at 2:24 am

Parabéns em todos os sentidos. Você é fantástico !

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Franciele December 5, 2006 at 12:48 am

Achei muito interessante o texto, tendo em vista que tenho 15 anos e também não conhecia o peer to peer :).
Ok, eu não sou lá nenhuma hacker em internet e tals… hehe…
Mas sobre o que quero deixar minha opinião é, na realidade, sobre os últimos comentários.
Penso que neles foi dado toda a culpa aos jovens: porque são os jovens os delinqüentes, eles não tem respeito… sim existem muitos jovens crackers que fazem mal através da internet. Mas não são todos. Acho que não se pode generalizar e também deve-se ter em vista que há muitos adultos envolvidos com isso!
Mas se tratando do P2P vejo que há muitos lados a se questionar.
Por um lado vemos pessoas sendo lesadas por este meio.
Por outro, creio que muitas têm acesso a certos tipos de conhecimentos novos, apartir dele. Talvez inacessíveis a elas por outros métodos!
Mas este é um problema, porque muitas coisas que poderiam servir apenas para o bem, tem também seu lado mal.
Acredito que se for possível controlar meios como o P2P, em breve o farão.>> 1º porque se há pessoas sendo lesadas(principalmente financeiramente), as coisas tendem a andar muito mais rápido.>> 2º o conhecimento não é tão importante, porque afinal… tem gente sendo lesada… pricipalmente finaceiramente… Se é que me entendem.

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Gabriel da Silva Barros December 4, 2006 at 1:17 pm

Querido Paulo…

Gostaria de parabeni-lo por mais este texto facinante. Sei que deve ser dificil para um Autor descobrir que sua obra foi parar na Internet, antes mesmo de seu lançamento. E adorei saber que você não teve nenhum tipo de “Ataque dos Nervos” (como diria minha querida mãe), pois muito fizeram isso. Acontece que estou treinando para ser escritor, estudando muito. Cometo ainda muitos erros gramaticais, porém o que me deixa mais contente de sua reação, é que, você levou em conta que seus livros são muito mais conhecidos do que você mesmo esperava, caso contrario do Dan Bronw, que, ao descobrir que estava sendo distribuido na rede os seus livros, ficou “puto da vida” (não sei de onde minha mão tira essas palavras…).
Mais em fim, gostaria de parabeniza-lo pela forma que lidou com a situação, que não é facil…
Obrigado, e espero seu próximo lançamento.
Fique com Deus!

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annamaria December 4, 2006 at 2:25 am

prezado DAmasco…para que existam limites sociaia é necessário sim,a lei.Para isso que ela existe.E a lei tem um código de Ëtica.E em nosso país é louvavel e certo tudo que nao é ético,tudo que é corrupto.Mas nao vou discutir isso com voce.Primeiro que nao é ëtico defender o ocorrido pois respeito a Obra de Arte em si ,no caso,do escritor Paulo Coelho.E defenderei minha opiniao.Assim como nao posso entrar na sua casa e roubar um escrito seu,abrir uma correspondencia sua,que é considerado crime e ant-ético acho que o ocorrido tem o mesmo perfil.ë crime também.contra os direitos autorais,contra o autor,os tradutores,contra toda a equipe que se exige um gasto particular e que está sendo lesada.ninguém tem o direito de lesar o outro fisicamente e intelectualmente sem ter um troco.ou vocÊ é um deles?é necessario que a mocada tenha ética sim.respeito.educacao.moralidade,princípios.estas atitudes sao ilegais em termos humanos.estamos falando de pessoas do BEM,ou melhor ,de bem./annamaria

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Geraldo Facco December 3, 2006 at 11:52 pm

Olá Paulo Coelho.
O fato a que se refere é extremamente complicado, por que envolve relacionamentos e questões éticas.
Mais o mundo em que vivemos é assim, portanto devemos buscar as melhores saidas para tais casos, sempre pensando em um equilibrio universal.
O universo depende de nós.
“Força sempre”.

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Damasco December 2, 2006 at 3:34 pm

Não creio que o problema seja de ética, mas do próprio conceito de juventude: tudo pode, tudo faz; logo, a questão não é de leis, exatamente, mas de limites sociais, ou seja, como criarmos mecanismos para limitarmos os acessos indesejáveis como um todo. Portanto, não se trata de criminalizar quem comete o ato (uma vez que não se sabe com toda a certeza, se é lícito ou ilícito); logo, o problema não é de legislação. Ao contrário: trata-se de experimentar tudo o que é feito para então criar programas de computador que impeçam o acesso. E não tenho mais nada a declarar.

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annamaria December 2, 2006 at 5:52 am

Olá Paulo Coelho…e a questao está dando pano pra mangas,nao é?concordo quanto as traducoes,a legitimidade do texto,a boa interpretacao.eu acho que no pouco conhecimento que tenho virtual pois uso a Internet para pesquisas e nao pirataria e crimes e roubos(os rackers)você tem que se defender sim.Os jovens internautas que me desculpem ,mas acho uma terrível invasao e vejo até como crime.acho que os jovens têm que estudar mais e entender um pouco de ética.Esta palavra é a chave da questao.Os jovens crescerao sem ética,sem respeito?burlando,assaltando,fazendo tudo clandestinamente?eu acho que já passou da hora de ter um código cível para crimes virtuais no Brasil.Em alguns países já têm.Senao estaremos criando experts e monstrinhos tiranos que vao nos agredir intectualmente a todo momento como os bandidos o fazem fisicamente.Nao sei se estou falando coisa com coisa.Mas…tem que ter leis para defender contra estes tipos de contravensoes que estamos vendo crescer a olhos vistos dando um toque de glamour a falta de ËTICA e incentivando os jovens a serem uma espécie de delinquentes virtuais.acho tudo isso muito perigoso.invasao a privacidade e ao código de ética./annamaria

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Damasco November 30, 2006 at 6:16 pm

Quando se trata de textos de autoridade, como os acadêmicos, não interessa a divulgação; vale a regra dos direitos autorais. Quando se trata de textos universais, a divulgação é interessante. Quando se trata de globalização, nada é de ninguém, portanto, há sempre a área de risco. Divirtam-se os jovens.

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Renata Araujo November 29, 2006 at 2:45 am

Oi Paulo, é sempre um prazer visitar seu site e passar alguns momentos lendo seus artigos.

Só para complementar a informação a respeito dessas redes, a tradução de peer 2 peer (peer to peer) quer dizer ponto a ponto. É um tipo de rede em que os computadores se conectam diretamente, sem mediação de servidores, por programas especificos que criam uma espécie de comunidade virtual, para interliga -los por alguns instantes, geralmente so ate a que seja feita a transferencia de um arquivo.

Quanto a sua posição pessoal a respeito da divulgação de seu trabalho nas redes peer2peer, achei no minimo curiosa. É raríssimo encontrar autores, compositores ou detentores de direitos autorais que compreendam que também há um lado positivo nesse tipo de compartilhamento de arquivos.

Quase maioria absoluta dos detentores de direitos autorais encaram a situação pelo lado do prejuízo financeiro imediato e não levam em conta que a internet e essas redes virtuais são os meios de divulgação mais eficientes que existem hoje, já que chegam a milhares de pessoas em questão de segundos, e que pela primeira vez na história, temos o pleno direito a comunicação e à informação sem qualquer tipo de restrição, especialmente a censura politica, que tanto perseguiu vocês nas decadas de 60 e 70. E essa liberdade hoje, só aconteceu graças a internet.

Um grande abraço! Renata.

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Paulo Coelho November 27, 2006 at 11:47 pm

Claro que se eu escrevi um artigo sobre P2P, isso significa que eu nao estava nem um pouco chateado com o que encontrei. O grande problema sao as traduçoes, já que os tradutores estrangeiros merecem ser remunerados. Mesmo assim, quando for possivel (e eu espero que seja ainda esta semana, dependendo da Paula Braconnot), colocaremos no download gratis tudo o que acharmos na internet. Isso não significa
a] que as traduçoes sejam boas
b] que as traduçoes vao ficar ali para sempre (o editor pode – e tem o direito de – reclamar)
c] que os leitores tenham familiaridade com torrent, emule, e coisas do genero.
Muito obrigado pelo apoio constante
Paulo

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Arlene Branco November 27, 2006 at 6:16 pm

Um tempo atrás escreví para você contando que tinha comprado seu livro em holandês (Elf Minuten). Até agora olho para ele e não consiguí teminar de ler (em holandês). Comprei em ingles também. Aconteceu a mesma coisa. Aí descobrí o per2per! Nada como a nossa lígua materna!!! Me sinto um pouco traidora, mas se encontrasse por aquí em português teria comprado. Agora tenho no computador A Bruxa de Portobello que pretendo ler nesse final de semana. Acho que vai demorar mais de um ano para lançarem seu livro por aquí, mas quando acontecer vou indicar para os amigos.
Desculpa, viu.

Abraços.

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Valeriaa November 26, 2006 at 11:48 pm

Se a nova geração realmente não teve acesso ao livro e, portanto, não sente a diferença, isto é uma questão do direito do consumidor. Mas, se o texto é pirateado e outras pessoas ganham com o que você escreve, isso corresponde aos direitos autorais. Por exemplo: não me importa que o que eu escrevo agora seja copiado, porque uso um pseudônimo e isso corresponde à minha livre expressão. Mas se, como escritora, trabalho um texto e ele é reproduzido de uma forma não-autorizada, perco o meu trabalho. Literalmente, meu trabalho vai para as cucuias…

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Guz November 26, 2006 at 1:53 pm

Complicado esse assunto. Eu sou um árduo defensor da livre divulgação de conteúdo, contanto que na obra esteja devidamente mencionado o nome do autor. Aliás, acho que todos somos. Todo mundo “pirateia”. O grande problema é que todo mundo não quer ser “pirateado”.

Acho que o grande problema é usar uma obra para ganhar dinheiro em cima. Você faz o trabalho, e outra pessoa tenta ganhar dinheiro em cima disso (teoricamente, SEU dinheiro); há pessoas que realmente não ligam para isso, também. Eu ligo…

No caso de livros, a maioria ainda não gosta de ler na tela do computador, e eu sou um deles. Prefiro tocar, alisar, deitar e sentir o cheiro do papel.

Mas a geração que está vindo não vai sentir falta, disso, pois não o tem; e não há como culpar, nem impor regras para se manter tradições; seria idiota demais parar a mudança… Simplesmente teremos que nos adaptar a elas, certo? De alguma maneira…

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Ale November 25, 2006 at 10:03 pm

Parabéns pelo texto! Participei de um curso onde foi abordado o “movimento” peer 2 peer, achei gênial. Quando cheguei em casa, comentei com meu filho de 12 anos, sobre a novidade dos sites peer 2 peer, e é claro… ela já conhecia vários. Na Era do Conhecimento, a internet é o caminho para mais rápido e democrático para a busca da informação, sem preconceitos e desigualdades. É importante para um escritor estar aberto a isso. Seu posicionamento faz com que lhe admire ainda mais…

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Valeriaa November 24, 2006 at 7:45 pm

Concordo inteiramente com Jussara: ela disse em mínimas linhas o que eu não consegui dizer em tantas. A questão que aponta é, realmente, a questão.

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Mari Raphael November 24, 2006 at 4:18 pm

Concordo com alguns leitores acima.
Achei muito bom o texto porque não podemos fugir dessa realidade, embora não usufrua desse método, nem sei como chegar lá.
Mas tive curiosidade em “tirar a prova dos nove” chamando meu filho mais velho de quartoze anos pedindo que lêsse o artigo…..Ao final deu boas risadas e disse: -Aí mãe o Paulo tá por dentro! .
….hum. Enfim, existe.
Mas pense bem; se você envia os manuscritos a seus cinco amigos de confiança, com certeza esses teêm companheiros, que por sua vez falam aos amigos do peito, que por sua vez aos amigos pessoais. Cá entre nós, um segredo do Paulo Coelho,…Vira uma bola de neve!
No próximo só mostre o “tesouro”, um dia antes do lançamento,a não ser que seus amigos lhe deêm muita sorte!
Ou como você mesmo nos diz : siga seu coração!!!
Bjs.,
Mari.

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Morel Neto November 24, 2006 at 11:09 am

Excelente texto Paulo, que bom que tens esse posicionamento quanto a disponibilização de obras via internet, cada vez te admiro mais.
Ah, e quanto aos leitores jovens te acherem velho demais, não te preocupas pois tu demonstras estar cada vez mais atualizado e mais uma vez parabéns.

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Monclar Jr. November 24, 2006 at 4:32 am

Bem dizer que você esta velhinho por não conhecer o P2P? Não se preocupe, ja vi muitos garotos e garotas de 14 anos que nem fazem idéia também… rsrs Quanto a esse tipo de ferramente ele é assim, distribui na sua maioria gratuitamente para quem souber procurar. Bom para alguns que não tem muitos recursos financeiros. Para se ter uma idéia meu primeiro livro que li de sua autoria foi emprestado para mim por uma amiga e que ela havia pegado numa livraria publica. Resultado no fim mais um fã seu que agora que tenho condições os compro. Muito obrigado pelas suas obras.

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Cris November 24, 2006 at 2:32 am

Caro Paulo Coelho!

Interessante ver seu texto sobre este assunto. Justo hoje entrei em dois blogs que falam sobre direitos autorais.
Acho sua visão muito generosa, viu? De tudo que já li sobre direitos autorais na internet, vc é o PRIMEIRO que possui uma opinião diferente.
Também acredito que a cultura deve ser compartilhada.
Prefiro livros de papel…e quando eu gosto de um livro eu compro.Aliás, geralmente a internete é o primeiro lugar em tenho notícia de livros…daí eu olho, leio…e quando gosto muito, compro um de papel. Porque o livro impresso a gente pode ler na cama, levar para qualquer lugar…
Acredito que o importante é que a obra não seja alterada, nem atribuída à outra pessoa que não o autor. Pelo que sei, vc mesmo já teve alguns textos alterados, ou colocaram seu nome em textos que não são de sua autoria.
De outro lado, também entendo o lado dos autores que sentem-se lesados por perderem dinheiro com esses e-books grátis.
Mas que é uma forma muito boa de marketing, isso é…basta saber usá-la. Gostei da dica de marketing viral ciatada pelo colega aí em cima.
No mais, parabéns. Sou sua fã há muitos anos. Esse texto me tocou…achei encantador sua posição generosa, compreensiva e o jeito humorado com que encarou a situação. Um guerreiro da luz mesmo. E sua visão talvez seja o início de uma, no meu entender, agradável mudança, por parte de muitos autores.

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Jussara November 23, 2006 at 6:58 pm

Em minha opinião, o lado mau são as pessoas que vendem esses arquivos como se fossem seus. Essa é a pirataria, é a apropriação indevida das artes de outros.
Abraços,

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Nanda November 23, 2006 at 5:50 pm

Olha…eu trabalho com computadores desde os 15 anos (tenho 25)

Estou acostumada a conseguir tudo o que quero (legal ou não) via Internet.

Lí todos os seus livros sem comprar, até o Zahir, que lí em espanhol, pois foi a primeira versão digital que consegui encontrar. (e fiquei pensando como era engraçado que uma brasileira estivesse lendo um livro escrito originalmente em português, em espanhol)

Mas quando ví que a Bruxa de Portobello foi lançado por 19.90…não tive coragem…

Esperei chegar meu décimo terceiro e comprei!

Isso foi muito especial, porque sempre compro livros pra dar de presente, e essa foi a primeira vez, em 25 anos, que comprei um livro pra mim!

Por isso, agradeço à vc e à editora…não consegui ainda decidir se é bom ou ruim que as editoras tenham que baixar seus preços pra competir com a pirataria, mas foi um momento feliz na minha vida: finalmente poder pegar um livro e me dirigir ao caixa, e ela perguntar “é pra presente?”, e eu responder “não, é pra mim!”

Pensando bem…deveria ter pedido pra embrulhar pra presente mesmo…porque foi, foi um grande presente!

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Daniel Rodrigues November 23, 2006 at 5:35 pm

Oi Paulo

Li o texto, e realmente, achei fantástica a tua visão, pois na verdade foste o grande lesado no episodio.
Sou a favor da democratização do conhecimento, acredito que só teremos uma sociedade mais justa quando todos tiverem acesso ao conhecimento e à cultura, e a internet tem dado passos nesse sentido que nunca foram dados, em momento nenhum da história da humanidade.

Muita coisa a respeito de internet precisa ser desmistificada. Não basta apenas acessar a internet para que sua vida esteja disponível para download, como muitos pensam. No acesso P2P (com o que eu não concordo, por sinal), você pode impedir o acesso aos seus arquivos, ou permitir o acesso a apenas uma pasta do seu computador. Não quero ser guru de nada, mas provavelmente, algum erro humano deve ter permitido o acesso à pasta onde estavam os manuscritos. Ou invasão de hackers via vírus, o que já é um problema bem mais sério. Sinceramente? acredito mais na segunda hipótese.

Onde eu queria chegar? Creative Commons é uma realidade, a democratização do conhecimento é uma necessidade frente ao mundo desigual em que vivemos, mas tudo precisa ser feito com muita responsabilidade e, principalmente, conivência dos autores. P2P é roubo, eu discordo totalmente da prática.

Mas por outro lado, gostaria de incentivar artistas como você, Paulo, a distribuir conteúdo gratuitamente. Sempre existirão pessoas que gostam dos livros impressos, e os comprarão. Sempre que gosto de um artista, faço questão de comprar o livro ou CD. Por outro lado, pense no bem que será feito à sociedade quando as suas lúcidas palavras estiverem ao alcance de todos.

Grande abraço
Daniel Rodrigues

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Hendric November 23, 2006 at 4:15 am

Eu ri bastante agora!!! O finalzinho do e-mail foi bastante cômico. Realmente isto é assunto banal pra nós jovens internautas. E eu num conhecia esse lado humorístico do Paulo Coelho!

Se num fosse esse sistema, eu não teria lido grandes obras.

Abraços, de um humilde leitor!

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annamaria November 23, 2006 at 1:33 am

Paulo Coelho…vivemos em um mundo onde em todas manifestacoes criadas para e pelo Homem existe o problema da ,digamos,pirataria.nao creio que o seu leitor,aquele que gosta de ler tranquilamente voce vai usar desse recurso.Voce pode sim ter um baita prejuíso ,que nao contava.Mas voce também prega a honestidade,o nao apego e todos os sentimentos do BEM.Vvoce já devia estar preparado para a manifestacao do Mal.Você nos ensina isso sempre.seu leitor fiel continuará a te comprar porque os apaixonados pela sua Obra(que é uma uma de Arte)querem o original para guardarem.Sao os malefícios do Poder,velho e querido guerreiro da Luz.Nem tudo sao flores,sucesso,perfeicao.Há a traicao,a inveja,a corrupcao.estou achando gosado eu uma leitora e admiradora do mago e mestre,estar lhe lembrando essas coisas tao comuns nos dias do povo brasileiro que nao tem dinheiro para comprar livros.eu nao comprei o meu ainda,olha que aflicao.vou pedir de Natal.Nao li o Zahir porque nao tinha dinheiro.Só li alguma coisa pela internete que foi quando conheci seu blog.Se servir de alento vou te contar como as coisas estao até no plano da Saúde.Com a nefrectomia feita em marco toda minha alimentacao mudou.todo produto animal foi retirado,como leite e derivados,carne ,etc.tudo tem que ser muito cuidadosos e se possível natural.quer coisa mais corrupta o que as lojas naturalistas fazem com os produtos que deviam estar no mercado para SALVAR as pessoas?Bem,tudo foi substituido por soja.e esta nao pode ser transgenica.o que os logistas fazem?compram sacos de 50 quilos de carne de soja trangenica,empacotam em saquinhos de 500 gr/1 k/e fazem um rótulo totalmente pirata de péssima qualidade,sem as características exigidas pelo secretaria de saúde e meio ambiente,vendem para as pessoas como eu ,que nao podem comer trangenicos.só vim a saber do perigo quando recebi do GREENPEACE um mes dedicado com tres revistas ilustrativas e como devemos adquirir o produto e denunciar quem desrespeita.enfim…é um sufoco achar a soja que nao é transgenica e um logista me procurou confessando que nao sabia do meu problema e tinha me vendido durante 3 meses a tal soja.Mas que ali ele se confessava pois a minha secretária pediu a ele para mostrar os devidos rótulos e levou as revistas do Greenpece para ele ver.Como o homem era adventista,entrou em horror e me procurou dizendo que eu procurasse outro fornecedor porque ele nao podia mentir para mim pois meu caso era de saúde e sério.Mas nao mudou de fornecedor e se legalizou.continua na pirataria .continua vendendo soja transgenica e enganando sabe-se lá quantas pessoas.ë um caso de denúncia.fico a pensar.vou ser uma delatora e vou dedar o homem?entao…estou a pensar.porisso meu querido,a Internet sempre foi uma faca de dois gumes e nós sabemos disso.enquanto isso sua popularidade vai crescendo e nao diminuindo.deixa os piratas te lerem e que facam um bom aprendizado com sua Obra.Afinal voce tem que levar a Luz onde está as trevas…nos piratas.meu presente de natal será A bruxa e O zahir.cèst la vie!!!/PAZ e BEM/annamaria

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Valeriaa November 22, 2006 at 10:41 pm

Incomoda-me um pouco saber que estamos a ser vigiados. Antes era a vizinha, a fofoqueira de plantão, o síndico do prédio. Hoje é qualquer um a qualquer hora. Democratizar?
Estou com muitas dúvidas a respeito desse conceito, sinceramente. Creio que a nossa identidade pessoal evacuou-se para outro canto. A internet é opinitiva, mas não produz caráter. Apenas demonstra alguns (ou muitos) caracteres, e na verdade, isso diz muito pouco a respeito de nosso crescimento pessoal. Sim, é um meio de comunicação, mas estou ficando careta e uma hora desencanto de vez da internet, que ficará dada aos jovens, etc. Realmente, não sei como foi parar o seu texto impresso já na versão virtual. Mas não sei nem mesmo das coisas todas que somem dentro de minha casa! Ou, que diabos, finalmente perdi aquele anel enigmático? Afinal, a perda pode ter as suas vantagens. Vou voltar a este blog para conferir as outras opiniões…Um pouco contraditório, não?

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Damasco November 22, 2006 at 10:25 pm

Não me admira que seja assim e a muito mais tempo do que pensamos. Acho que só tenho uma coisa a dizer: esse mundo é mesmo muito maluco. Podemos ir ao Mistério ou ao Caos, não importa. Importa o que eu guardo dentro do meu coração.

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Juan November 22, 2006 at 10:07 pm

Olá Paulo

O primeiro livro que li em meu computador foi exatamente “O diário de um mago”. Nunca tinha lido nenhum livro seu e nunca tinha lido nenhum livro pela internet. Acabei encontrando o seu livro e li.
Gostei muito do livro, mas odiei ter que carregar meu desknote pra todo lado pra terminar de ler. Acabei comprando e lendo todos os seus outros livros, mas desta vez livros impressos e vendidos legalmente. (Também comprei o diário de um mago e dei de presente para uma amiga).

Pelo menos desta vez a pirataria saiu pela culatra… além de não perder a venda de um livro, o autor ainda ganhou um leitor fiel.

Que suas palavras continuem a tocar os corações em todo o mundo, seja por livros impressos ou através da internet.

parabéns pelo trabalho

um abraço

Juan

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Lia Cardoni November 22, 2006 at 4:31 pm

AO LER O TEXTO ‘DE AMIGO PARA AMIGO” – FIQUEI NA DÚVIDA SE ESTOU FICANDO FORA DO CONTEXTO (TENHO 49 ANOS), OU O ILEGAL NÃO SÓ PASSOU A SER LEGAL, COMO TMMBÉM AS PESSOAS PERDERAM A NOÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS “. ROUBAR É A PALAVRA CERTA . COMPARTILHAR É OUTRA COISA, POIS OS MEUS DIREITOS TERMINAM AONDE COMEÇAM O DOS OUTROS .

SOU FAVORÁVEL A TODO OS MEIOS PARA COLOCAR UM LIMITE !!!!!

UM ABRAÇO A TODOS ON LINE

LIA CARDONI

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Aparecida November 22, 2006 at 4:02 pm

Parabéns Paulo Coelho.
Sua atitude aumentou minha admiração.
E atitudes de egoismo, de esnobismo já me fizeram jogar fora vários CDs de música originais e quando certos artistas aparecem na televisão, se estou só assistindo tv, desligo na hora.
Acho que o artista em geral tem que ter um certo respeito pelo público, é bem verdade que algumas pessoas as vezes são um tanto avassaladoras, mas creio não ser por falta de educação e sim prova de amor.
Eu estou aguardando ansiosa o Natal, porque minha filha faz questão de me presentear com o seu livro, mas sou paciente.
Realmente vi que esta disponível na Internet, mas prefiro o livro normal, pois ele torna apenas meu, pois eu grifo, faço anotações, carrego direto comigo.
E já tenho quatro embrulhadinhos para presente.
Não é engraçado?
Os livros ali na minha frente, eu morrendo de curiosidade, mas faço questão de esperar, pois o que minha filha vai me dar, vai ser mais especial ainda.
Aparecida.

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Ricardo Galanciak November 22, 2006 at 1:05 pm

Paulo, bom dia.

Interessante esta tua edição.

No início deste ano, eu precisei pesquisar para o meu curso de pós graduação em designer, um assunto totalmente novo para mim. Chama-se: Marketing Viral e fiquei fascinado. Lendo hoje tua coluna, pude notar muitas semelhamças com o que você mencionou sobre “peer 2 peer”.

Indico ler um livro: “Virus idea” por Seth Godin, seu autor.

Acredite, existem empresas especializadas em marketing viral e o custo quase 0. Como? Internet de amigo para amigo.

Stephen King ja disponibilizou um livro dele antes de ser publicado e mesmo assim vendeu muito. O livro do Seth Godin explica bem os mecanismos.

Até desconfiei se vc não estava fazendo o mesmo mas, mesmo assim achei interessante lhe comunicar caso desconheça este assunto.

Um grande abraço,

Ricardo Galanciak.

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