Edição nº 136: No castelo de São Jorge, Setembro 2006

by Paulo Coelho on December 20, 2006

Em minha opinião, a solidão é o pior de todos os males. Ao contrário da fome, da sede e da doença, que quando nos atingem, nos forçam a tomar uma atitude, a solidão muitas vezes se mascara com uma aura de virtude e renúncia.

Mas hoje estou sozinho porque assim escolhi.

É um dia especial para mim; caminho a pé pelo suave outono europeu, desço uma grande avenida, passo por pessoas que conversam sobre almas ou tabacarias. Caminho por Lisboa; subo até o castelo de São Jorge, olho o Tejo, o Atlântico, e procuro não pensar em nada.

Daqui a pouco o sol vai nascer no Brasil, e as livrarias estarão abrindo, e meu novo livro encontrará pela primeira vez a mão de um leitor. Depois de tantos títulos publicados, talvez imaginem que já estou acostumado com isso.Mas não estou, graças a Deus. Ainda sinto a mesma excitação e entusiasmo quando “O Diário de um mago” foi publicado há 20 anos atrás.

Pego este caderno no meu bolso e começo a escrever; além de entusiasmo e excitação, também estou sentindo medo?

Paro, escuto o vento nas árvores, reflito bem, e escrevo: “não, não estou com medo”. Sou neste momento uma mistura de mãe que está dando luz a um bebê, ou como um pai que aceita, finalmente, que sua filha vá morar fora de casa com o namorado.

“Penso em como o leitor vai reagir?” anoto no caderno.

De novo escuto o vento, e vem a resposta: claro. Afinal de contas, coloquei ali o melhor de mim, e como todo mundo, quero que meu amor seja compreendido. Um grande místico dominicano do século XIV, conhecido como Mestre Eckhart, disse certa vez: sou um homem, e faz parte da condição humana compartilhar isso com os outros homens. Tudo que olhei e vi, experimentei em minha caminhada do hotel até esse castelo, foram tentativas de dividir um pouco a visão de vida de cada um. Os ladrilhos nas fachadas das casas, os desenhos da catedral de Santa Maria Maior, o silêncio das pessoas que rezavam, o homem que tocava seu acordeom em uma ladeira, alheio a tudo que se passava ao seu redor. Artesões do passado e do presente, tentando dizer: eis o que penso, como sou.

Há cinco dias entramos no outono europeu, embora ainda faça calor. Mas o inverno vai chegar, o frio deve ser implacável, e as árvores que neste momento ainda estão cheias de folhas, suspirarão de tristeza quando estas caírem. Deverão dizer: “jamais seremos como antes”.

Ainda bem. Ou então, qual o sentido de renovar-se? As próximas folhas terão sua personalidade própria, pertencem a um novo verão que se aproxima, e que nunca poderá ser igual ao verão que pas­sou.

Viver é mudar – esta é a lição que as estações nos ensinam. Também as folhas de cada novo livro me transformam.

Seria um pouco de arrogância dizer que não preciso provar mais nada a mim mesmo? Talvez não seja arrogância, mas com toda certeza é uma tolice. Embora já tenha uma história para contar se tivesse netos, aquele que vive apenas dos sucessos passados, perdeu o sentido da vida.

Olho de novo o rio Tejo, e me lembro de alguns versos de Fernando Pessoa:

Pelo Tejo vai-se para o mundo. Ninguém nunca pensou no que há para além do rio de minha aldeia. O rio de minha aldeia não faz pensar em nada; quem está ao pé dele está só ao pé dele.

São as últimas horas em que o rio de minha aldeia – o meu novo livro – pertence apenas a mim. E procurarei ficar ao seu lado, sem pensar em nada, olhando Lisboa, escutando os sinos, os cachorros, os pregões, o riso das crianças, as conversas dos turistas. Pareço uma criança, e não me envergonho de estar tão excitado. Peço a Deus que me conserve assim.

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marcio wellington de souza May 20, 2008 at 5:13 pm

[quote comment="5061"]São paulo, 10 de dezembro de 2007

Sr Paulo Coelho,

Saudações!

Gostaria antes de mais nada dizer que admiro muito seu trabalho
não perguntar porque não deixou completo o ritual do mesageiro
pois bem sei que os caminhos da Magia(ciência sagrada) não podem ser profanados e não é uma brincadeira é uma coisa muito forte e até perigosa pois bem, estou aprendendo Magia sozinho e me projeto consiente no astral, estou estudando Franz Bardon, seus livros e também J.R.R abrahão o 4 secredo e o curso de Magia de J.R.R abrahão e alguns livros Gnósticos.
Quero saber o seguinte se este Mensageiro é o mesmo guardião do umbral descrito pela Gnose?

Sucesso!!!

Que a providencia Divina o favoreça todos os dias de sua vida.

Angelos Theou…[/quote]
gostaria de saber o original e como se comunicar com meu mensageiro minha colega consegui com seu d livro ,mas nao esta incopleto ?eu nao conseguir.eu quria o original

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Alex March 27, 2008 at 5:22 pm

caro paulo leio seus livros deis dos meus 9 anos de idade sempre te admirei mais lia por que eu era fascinado por magia …
hoje tenho 17 anos e nao sou tao fascinado quanto era porem ainda gosto apesar de nao saber muita coisa…
sei que vc nem pode ser isto caso leia iria gostar de saber que vc leu esta mensagem q estou deixando para vc
só comecei entender seus livros agora pois vc utiliza muitas metaforas para expressar seus pensamentos….

Abraços Paulo

Alex

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Rodrigo Malizia February 9, 2008 at 1:56 pm

Paulo, Encontrei Isto na Internet Sobre o Ritual do Menssageiro… Queria Saber o Que Acha e Eu Queria Muito Conversar Com Meu Menssageiro, Pedir Conselhos Etc… Porquê Não Aconselha Sua Invocação? Peço Que Por Favor Responda.

“RITUAL DE INVOCAÇÃO DO MENSAGEIRO – Deita-se ou senta-se em um lugar bem confortável de forma que nenhum músculo esteja contraído ou tencionado. Fecham-se os olhos e fica-se assim durante alguns segundos, procurando ouvir os sons exteriores e classificando cada um deles. Passa-se, então, a identificar os sons mais distantes e a respirar mais devagar. Quando sentir que as pernas estão “balançando” abre-se contagem (em pensamento) lentamente de sete a um. Ao terminar, visualiza-se com os olhos fechados duas fogueiras no chão, separadas por um metro de distância. Então se pronuncia as palavras rituais (não colocarei as palavras por segurança) e ordena-se que seu mensageiro apareça. Muitas vezes ele não vem na primeira tentativa ou vem e não diz nada, outras vezes você pode vê-lo ao fundo, meio acanhado. Depois de uma certa insistência sua, ele começa a falar contigo e lhe diz o seu nome. Então se fecha o ritual agradecendo a Satã pela benção obtida (absurdo!). E pronunciam-se as palavras de encerramento. O nome do seu guia ou mensageiro é o seu nome mágico, ninguém pode sabê-lo, senão você poderia ser destruído”

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Saudações!!! December 10, 2007 at 5:49 pm

São paulo, 10 de dezembro de 2007

Sr Paulo Coelho,

Saudações!

Gostaria antes de mais nada dizer que admiro muito seu trabalho
não perguntar porque não deixou completo o ritual do mesageiro
pois bem sei que os caminhos da Magia(ciência sagrada) não podem ser profanados e não é uma brincadeira é uma coisa muito forte e até perigosa pois bem, estou aprendendo Magia sozinho e me projeto consiente no astral, estou estudando Franz Bardon, seus livros e também J.R.R abrahão o 4 secredo e o curso de Magia de J.R.R abrahão e alguns livros Gnósticos.
Quero saber o seguinte se este Mensageiro é o mesmo guardião do umbral descrito pela Gnose?

Sucesso!!!

Que a providencia Divina o favoreça todos os dias de sua vida.

Angelos Theou…

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Vahallah May 22, 2007 at 12:52 pm

Caro Mago, suas obras sao de belezas inquestionáveis, que tocam o coração e a alma do leitor. Saiba que li quase todas e a cada obra que leio, e tenho certeza que os outraos também, tiram para si uma nova lição, uma nova visão em relaçao a sentir as bençãos de Deus e as oportunidades e desafios que ele te oferece. As obras que mais gostei e me indentifiquei foram “O Monte Cinco, O Alquimista e Brida”, mas como uma leitora que postou aqui nessa página questiona, gostaria de saber pq o EXERCICIO DO MENSAGEIRO nao foi citado por completo em seu livro.?? Levanto os mesmos questionamentos que ela. Te admiro e te considero um dos maiores escritores e pq não, artista que o Brsail possui atualmente. Parabéns

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