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Ele é a pessoa que tenta se destacar mais na época em que somos adolescentes, quando lutamos para afirmar nossas identidades, nossos sonhos, nosso lugar no mundo. Estamos cheios de dúvidas sobre o que fazer, e de repente o pulha está ali: é sempre o líder, o que se acha mais bonito, mais inteligente, mais capaz de enfrentar os desafios do futuro.
No caso dos rapazes, normalmente se impõe por sua força bruta ou por suas atitudes “espertas”, como se soubesse mais que todo mundo. No caso das moças, é sempre aquela que parece atrair os olhares de todos os homens, ser convidada para todas as festas, estar sempre mais elegante.
Todos nós, durante este importante rito de passagem que é a adolescência, fomos testados em nossos valores fundamentais – menos o pulha. Enquanto sofríamos o descaso, a insegurança, a fragilidade, ele passava ao largo.
Um belo dia, já adultos, pensamos em encontrar nossos amigos de juventude. Organizamos uma reunião, geralmente em um restaurante. O pulha aparece – geralmente também casado(a). Todos nós estamos interessados no que ocorreu em sua vida.
A primeira surpresa é que o pulha não chegou a lugar nenhum. Melhor dizendo, pode ter dado um ou dois passos bem-sucedidos, mas logo a vida foi implacável com a sua arrogância – o mundo dos adultos é bastante diferente daquele que vivemos quando jovens.
No início do jantar, parece que voltamos atrás, mas logo nos damos conta que ele foi apenas um instrumento para que pudéssemos crescer. Depois de alguns goles de álcool, vemos o pulha acuado, tentando provar uma força que já não existe mais, achando que ainda acreditamos que continua líder de todos nós.
Nós sorrimos, confraternizamos com todos, pagamos a conta, e saímos com aquela impressão de que o pulha fez a escolha errada. Pensamos: “essa pessoa tinha tudo para dar certo, e não deu”.










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