Edição nº 168 : Misticismo Sufi

by Paulo Coelho on March 20, 2008

O turbante de Nasrudin

Nasrudin apareceu na corte com um magnífico turbante, pedindo dinheiro para caridade.

- Você veio me pedir dinheiro, e está usando um ornamento muito caro na cabeça. Quanto custou esta peça extraordinária? – perguntou o soberano.

- Quinhentas moedas de ouro – respondeu o sábio sufi.

O ministro sussurrou: “É mentira. Nenhum turbante custa esta fortuna”.

Nasrudin insistiu:

- Não vim aqui só para pedir, vim também para negociar. Paguei tanto dinheiro pelo turbante, porque sabia que, em todo o mundo, apenas um soberano seria capaz de comprá-lo por seiscentas moedas, para que eu pudesse dar o lucro aos pobres.

O sultão, lisonjeado, pagou o que Nasrudin pedia. Na saída, o sábio comentou com o ministro:

- Você pode conhecer muito bem o valor de um turbante, mas sou eu quem conhece até onde a vaidade pode levar um homem.


Igual ao casamento

Nadia passou o outono inteiro semeando e preparando seu jardim. As flores se abriram na primavera – e Nadia reparou alguns dentes-de-leão, que não havia plantado.

Nadia arrancou-os. Mas o pólen já estava espalhado, e outros tornaram a crescer. Ele procurou um veneno que atingisse apenas os dentes-de-leão. Um técnico disse-lhe que qualquer veneno ia terminar matando as outras flores. Desesperado, pediu ajuda a um jardineiro.

- É igual ao casamento – comentou o jardineiro. – Junto com coisas boas, terminam sempre vindo algumas poucas inconveniências.

- Que faço?

- Nada. Mesmo sendo flores que você não planejou ter, fazem parte do jardim.


Aceitando a compaixão

- Como purificamos o mundo?- perguntou um discípulo.

Ibn al-Husayn respondeu:

- Havia um sheik em Damasco chamado Abu Musa al-Qumasi. Todos o honravam por causa de sua sabedoria, mas ninguém sabia se era um homem bom.

“Certa tarde, um defeito de construção fez com que desabasse a casa onde o sheik vivia com a sua mulher. Os vizinhos, desesperados, começaram a cavar as ruínas; em dado momento, conseguiram localizar a esposa do sheik”.

Ela disse: “Deixem-me. Salvem primeiro o meu marido, que estava sentado mais ou menos ali”.

“Os vizinhos removeram os destroços no lugar indicado, e encontraram o sheik. Este disse: “Deixem-me. Salvem primeiro a minha mulher, que estava deitada mais ou menos ali.”

“Quando alguém age como agiu este casal, está purificando o mundo inteiro”

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Katherine Lago May 11, 2008 at 12:58 am

Acredito que este casal generan la energia de todos los mandamientos unidos y simplificados en uno solo,el amor al projimo,”amaras a al projimo como a ti mismo” ,esta entrega del casal es el amor ,la entrega ,el efecto corregido.
katha.de chile.
te amo mestre…

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Maria Izabel April 3, 2008 at 3:49 am

Realmente, a compaixão é um sentimento que purifica não só, o mundo inteiro mas também a alma. Pena que poucos percebam isto…

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