Edição nº 187 – O vitríolo ou a amargura

by Paulo Coelho on December 10, 2008

No meu livro “Veronika decide morrer”, que se passa em um hospital psiquiátrico, o diretor desenvolve uma tese a respeito de um veneno indetectável que contamina o organismo com o passar dos anos: o vitríolo.

Assim como a libido – o líquido sexual que o Dr. Freud reconhecera, mas nenhum laboratório fora jamais capaz de isolar, o vitríolo é destilado pelos organismos de seres humanos que se encontram em situação de medo. A maioria das pessoas afetadas identifica seu sabor, que não é doce nem salgado, mas amargo – daí as depressões serem profundamente associadas com a palavra Amargura.

Todos os seres têm Amargura em seu organismo – em maior ou menor grau – da mesma maneira que quase todos temos o bacilo da tuberculose. Mas estas duas doenças só atacam quando o paciente acha-se debilitado; no caso da Amargura, o terreno para o surgimento da doença aparece quando se cria o medo da chamada “realidade”.

Certas pessoas, no afã de querer construir um mundo onde nenhuma ameaça externa pudesse penetrar, aumentam exageradamente suas defesas contra o exterior – gente estranha, novos lugares, experiências diferentes – e deixam o interior desguarnecido. É a partir daí que a Amargura começa a causar danos irreversíveis.

O grande alvo da Amargura (ou Vitríolo, como preferia o médico do meu livro) é a vontade. As pessoas atacadas deste mal vão perdendo o desejo de tudo, e em poucos anos já não conseguem sair de seu mundo – pois gastaram enormes reservas de energia construindo altas muralhas para que a realidade fosse aquilo que desejavam que fosse.

Ao evitar o ataque externo, também limitam o crescimento interno. Continuam indo ao trabalho, vendo televisão, reclamando do trânsito e tendo filhos, mas tudo isso acontece automaticamente, sem que entendam direito porque estão se comportando assim – afinal de contas, tudo está sob controle.

O grande problema do envenenamento por Amargura reside no fato de que as paixões – ódio, amor, desespero, entusiasmo, curiosidade – também não se manifestam mais. Depois de algum tempo, já não restava ao amargo qualquer desejo. Não tinham vontade nem de viver, nem de morrer, este era o problema.

Por isso, para os amargos, os heróis e os loucos são sempre fascinantes: eles não têm medo de viver ou morrer. Tanto os heróis como os loucos são indiferentes diante do perigo, e seguem adiante apesar de todos dizerem para não fazerem aquilo. O louco se suicida, o herói se oferece ao martírio em nome de uma causa – mas ambos morrem, e os amargos passavam muitas noites e dias comentando o absurdo e a glória dos dois tipos. É o único momento em que o amargo tem força para galgar sua muralha de defesa e olhar um pouquinho para fora; mas logo as mãos e os pés cansam, e ele volta para a vida diária.

O amargo crônico só nota a sua doença uma vez por semana: nas tardes de domingo. Ali, como não tem o trabalho ou a rotina para aliviar os sintomas, percebem que alguma coisa está muito errada.

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Su August 2, 2011 at 5:29 pm

Eu tenho alguns desses sintomas :/ não sei o que fazer. Como disse o ultimo comentário, pode ser falta de amor, mas acho que a culpa foi ele mesmo. Após uma decepção, algo se fechou, e não foi por decisão minha. Muitas pessoas decidem que não querem mais amar ou coisa assim, mas como sou leitora de seus livros, sabia bem que eu não deveria deixar de tentar ser feliz. Segui em frente, hoje estou com outra pessoa, mas não sou feliz, sou indiferente com tudo, não tenho vontade de nada, não tenho sonhos, planos, não acho que estou no lugar certo fazendo a coisa certa. Mas não sei o que fazer pra me curar disso. A cada dia que passa deixo de sentir falta das pessoas, não me importo mais. Não quero que isso piore, tem alguma solução?

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oscar February 20, 2011 at 2:39 pm

Eu entendo que o uso da palavra na verdade é uma outra coisa que é uma palavra maçônica tipo “ábre-te sésamo” perdida em Egito (uma porta nas cavernas tipo Ali Baba e os 40 ladrões) e que tem um substituto em latim “VISITA INTERIOREM TERRAE RECTIFICANDOQUE INVENIES OCCULTUM LAPIDEM” que por tanto na realidad é VITRIOL adaptado no portugués como vitríolo: Visita o Interior da Terra Retificando Encontrarás a Pedra Oculta.

Alem de ser uma metáfora do interior do ser humano a ser desenvolvido, tem a ver com o império de Agharta dentro da Terra, o bebê “Jesus” que segundo apócrifos nasceu numa caverna e visitado pelos magos (2 anos depois) e recebeu presentes, códigos do templo de Jerusalem, etc, etc, etc.

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oscar February 20, 2011 at 12:40 pm

O problema do uso da palavra “vitríola” é que tanto em português como nas traduções feitas ao espanhol, milhões de leitores não pensam em “amargura” senão nos toca-discos antigos ou VITROLAS…., enquanto poderia ser usada outra palavra como “fel” cujo equivalente em espanhol é “hiel”.

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oscar February 20, 2011 at 12:42 pm

Perdão, me referia a palavra “vitríolo” no meu comentário.

MAURO SILVA December 18, 2008 at 2:01 pm

NÃO PERSIGA A NINGUEM, NEM TENHA PESSOA ALGUMA COMO INIMIGA. POR MAIS RUIM QUE SEJA ALGO QUE LHES TENHAM FEITO OU FALADO, PERMANEÇA NA FÉ INABALÁVEL DE QUE SÓ DEUS PODE JULGAR. NÃO SEJA, POIS, INSTRUMENTO DE VINGANÇA PARA COM NINGUEM. LEMBRE-SE SEMPRE DO QUE NOS DISSE JESUS: “AMAI VOSSOS INIMIGOS” ( LEIA-SE NO LIVRO DE MATEUS, 5:43 A 47.), E TAMBÉM NA ORAÇÃO DO PAI NOSSO QUANDO ELE NOS ENSINOU: “PERDOAI AS NOSSAS OFENÇAS, ASSIM COMO PERDOAMOS A QUEM NOS TENHA OFENDIDO”. ESTAS MÁXIMAS SÃO O RESUMO DE TODA A CARIDADE CRISTÃ. POR ESTAS PALAVRAS ENCONTAMOS A RECOMENDAÇÃO QUE LHES ESQUEÇAMOS AS OFENSAS, QUE PERDOEMOS O MAL QUE NOS FAÇAM, QUE LHE PAGUEMOS COM O BEM ESSE MAL. AGINDO ASSIM VOCE MOSTRA AS PESSOAS O QUE CONSISTE A VERDADEIRA SUPERIORIDADE.
PERDOAR AQUELES QUE NOS TENHAM FEITO O MAL PODE, PARA ALGUNS, ATÉ PARECER UMA CONTROVÉRSIA. MAS, ACREDITE, SUA VIDA MELHORA CONSIDERAVELMENTE QUANDO ASSIM VOCE PROCEDE.
TODAS AS PESSOAS QUE SE QUALIFICAM DO DIREITO DE JULGAR E CONDENAR AQUELE QUE LHE FIZERAM O MAL ACABA TRAZENDO PARA PERTO DE SÍ IGUALMENTE FATORES QUE O PUXAM PARA BAIXO E O IMPEDEM A SUA REALIZAÇÃO PESSOAL, SENTIMENTAL E ATÉ FINANCEIRA, FAZENDO-A DESPERDIÇAR GRANDE PARTE DA VIDA COM ESTE SENTIMENTO QUE A NADA LEVA E TRAZ MAIS MAL A QUEM O DESEJA DO QUE A QUEM O É DESTINADO. LIVRE-SE DE TODA A IDÉIA DE MALDIZER E DE TODO O DESEJO MALÉVOLO A QUEM QUER QUE SEJA. NÃO SE DEIXE MACULAR POR TAIS PENSAMENTOS QUE NADA DE POSITIVO SOMAM PARA SUA VIDA, NEM GUARDE VINGANÇA, NEM O ÓDIO, NEM A INVEJA, NEM RANCOR; PERDOE SEM PENSAMENTO OCULTO E SEM CONDIÇÕES O MAL QUE TE CAUSEM.
LEMBRE-SE DESTE PRECEITO: “AMAIVOS UNS AOS OUTROS” E, ENTÃO RESPONDA AOS GOLPES DE ÓDIO COM UM SORRISO, E AO ULTRAJE COM O PERDÃO.
“SÓ É VERDADEIRAMENTE GRANDE E FELIZ AQUELE QUE CONSIDERA A VIDA COMO UMA VIAGEM QUE HÁ DE O CONDUZIR HÁ ATÉ UM PONTO CHAMADO FELICIDADE, POUCO CASO FAZ DAS ASPEREZAS DA JORNADA E NÃO DEIXA QUE SEUS PASSOS DESVIE DO CAMINHO RETO. COM O OLHAR COMPLETAMENTE DIRIGIDO AO OBJETIVO A ALCANÇAR, NADA LHE IMPORTA AS DIFICULDADES E OS ESPINHOS LHE AMEACEM PRODUZIR ARRANHÕES; UNS E OUTROS LHE TOCAM A PELE, SEM O FERIREM, NEM IMPEDIREM DE PROSSEGUIR NA CAMINHADA. EXPOR SEUS DIAS PARA SE VINGAR DE UMA INJURIA É RECUAR DIANTE DAS PROVAÇÕES DA VIDA, É SEMPRE UM CRIME AOS OLHOS DE DEUS”

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Paula David December 14, 2008 at 7:11 pm

Sou leitora assidua das suas obras, quando leio as suas palavras a minha alma purifica-se,obrigada, por me ajudar a encontrar o meu tesouro.
adorei o Alquimista e Veronika completa a minha paixão, há pouco tempo perdi alguém que me era muito querido através do suicidio, tenho a certeza de que se tivesse lido a sua obra, não o teria feito!
Um beijo muito grande…
Paula

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Dennis Pinheiro December 10, 2008 at 2:00 pm

Sr. Paulo Coelho,
Muitos perdem a Vontade porque lhes falta o combustível que na minha opinião é o entusiasmo. Entusiasmo advindo do amor. Alimentamos nosso corpo e esquecemos que continuamente estamos alimentando nossa alma, porém com alimentos variados, inconscientemente ingerimos toda a espécie de “estados mentais”, produzidos por nós ou não. Autoconsciência é algo raro nos dias de hoje. Quando apresentamos uma questão, devemos mostrar uma saída e a minha é essa: que devemos cuidar de nossa alma com “boa alimentação”.;-) A adoração ao Altíssimo, exercícios de amorização e a prática do amor são remédios comprovados contra a amargura. Agora, indo para outro tópico, vejo grande influência além de Castañeda na sua obra, que é a de Franz Bardon. Saberia me dizer qual a importância dela em sua caminhada, se houve ou não? Amor e Vitória para você.

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