Edição nº 190 – E a caça às bruxas continua…

by Paulo Coelho on January 21, 2009

Faz um ano e meio, que transcrevi aqui nesta coluna uma notícia da CNN: no dia 31 de Outubro de 2004, aproveitando-se de uma lei feudal que foi abolida no mês seguinte, a cidade de Prestopans, na Escócia, concedeu o perdão oficial a 81 pessoas – e seus gatos – executadas por prática de bruxaria entre os séculos XVI e XVII.

Segundo a porta-voz oficial dos Barões de Prestoungrange e Dolphinstoun, “a maioria tinha sido condenada sem nenhuma evidência concreta – com base apenas nas testemunhas de acusação, que declaravam sentir a presença de espíritos malignos”.

O mais curioso nesta notícia é que a cidade e o 14º Barão de Prestoungrange & Dolphinstoun, estão “concedendo perdão” às pessoas executadas brutalmente. Estamos em pleno século XXI e aqueles que mataram inocentes ainda se julgam no direito de “perdoar”.

Para minha surpresa, o assunto não terminou aí.

Ainda existem, pelo menos segundo a respeitada agência Reuteurs, bruxas para serem perdoadas pelo sistema. Em uma notícia recentemente publicada, a neta de uma delas acaba de lançar uma campanha pelo “redenção póstuma” de Helen Duncan, uma senhora acusada pelos ingleses durante a Segunda Guerra Mundial. O crime de Duncan foi ter respondido durante uma sessão de espiritismo a pergunta de uma mãe desesperada, que gostaria de saber o paradeiro do seu filho, membro da tripulação do navio HMS Barbham. A médium afirmou que o mesmo acabava de naufragar, e todos haviam morrido.

Era verdade, mas o fato estava sendo mantido em segredo para não afetar a moral dos soldados. A notícia logo se espalhou, e chegou até o governo. Baseado em uma lei de 1735, Winston Churchill mandou prendê-la até o final da guerra.

Helen Duncan morreu em 1956, sem jamais ter sido perdoada. Sua neta, Mary Martin (hoje com 72 anos), já conseguiu até mesmo uma audiência com Ministro do Interior do governo Tony Blair, sem o menor sucesso.

No momento em que escrevo estas linhas, o Barão de Prestoungrange,o mesmo que conseguiu obter o perdão oficial da cidade de Prestopans, está diretamente envolvido no assunto, e já chegou até mesmo a montar um site na internet (www.prestoungrange.org/helenduncan) para angariar apoio internacional.

Diz o Barão:

“Os 300 soldados executados por deserção durante a Primeira Guerra Mundial já foram perdoados. As denúncias que provocaram a morte de um grupo de 20 jovens inocentes em Salem, Massachussets, já foram tratadas com o devido respeito. Nós já nos desculpamos de traficar escravos e adotarmos a pirataria como um meio nobre de enriquecer o Reino Unido. O que falta para perdoar Helen Duncan?”

É simples. No início, Duncan foi acusada de espionagem. Uma gigantesca investigação levada a cabo pelo governo concluiu que era impossível uma mulher como ela ter acesso a segredos oficiais e informações secretas. Como poderia, portanto, saber o que havia passado com a fragata HMS Barbham?

Restava apenas uma única explicação: bruxaria. E para que servem as antigas leis, mesmo que já tenham sido esquecidas por uma civilização que se julga iluminada e longe das superstições de outrora?

Para serem aplicadas.

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Maria Cardoso August 28, 2009 at 5:45 pm

Claro que tudo isto é absurdo em pleno sec. XXI, é um assunto muito sério e delicado. Sou a última mulher de uma geração de mulheres com a sensibilidade de prever, de ajudar através da energia, somos como dizem “mulheres com as antenas no ar”, pois apanhamos as frequências das almas. Sou a última e esta “speciality” não se ensina, nasceu comigo assim como nasceu com a minha mãe e a mãe da mãe através dos tempos.
Quero agradecer do fundo do coração toda a paz que os seus livros me trazem, agradeço tb este momento de contacto, e o meu desejo é ser contactada por si, Mestre. A sua bençao e a minha amizade de longos anos. Bem haja!

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geovana July 6, 2009 at 12:00 pm

[red] acho isso um absurdo em pleno século xxi

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Marcilio Bezerra Cruz February 21, 2009 at 11:38 am

caraca, que absurdo!!
eu li o texto e li o que o “Del” disse…
realmente é lamentavel vê que no mundo ainda a casos como esses…
poxa, acho que se todos lê-sem o manual do guerreiro da luz, pelo menos uma vez, mudariam o modo de pensar…
toda vez que eu preciso de inspiração ou quando estou num lugar calmo, eu customo lê-lo…
ele min traz calma e min faz pensar na vida…

uma boa frase para a situação de cima é essa:

” o Guerreiro da luz está no mundo para ajudar os outros não para julgar o seu proximo ”

abraços paulo Coelho!! ^^

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Del Debbio January 28, 2009 at 4:21 pm

Caro Paulo,

Eu postei recentemente em minha coluna uma matéria justamente sobre este assunto algum tempo atrás:
Stephanie Conover, uma miss, foi impedida de ser juiza de um concurso de beleza por alegações que estaria envolvida com bruxarias. O que realmente preocupa é que esta notícia não aconteceu nos cafundós da Àfrica, no interior dos EUA ou naquelas vilazinhas romenas, aconteceu no Canadá!
E o “crime” cometido pela miss? gostar de leituras de tarot e praticar reiki.

A organização do evento afirmou que a “leitura do tarô e do reiki (uma prática originada no Japão) fazem parte do oculto e não é aceitável por Deus, os judeus, muçulmanos ou cristãos”.

O link para a matéria é:
http://www.deldebbio.com.br/index.php/2009/01/26/miss-e-barrada-em-juri-de-concurso-de-beleza-por-causa-de-bruxaria/

Forte abraço
65!

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