Edição nº 194 – Independência emocional

by Paulo Coelho on March 18, 2009

“No início da nossa vida e de novo quando envelhecemos, precisamos da ajuda e a afeição dos outros. Infelizmente, entre estes dois períodos da nossa vida, quando somos fortes e capazes de cuidar de nós, negligenciamos o valor da afeição e da compaixão. Como a nossa própria vida começa e acaba com a necessidade da afeição, não seria melhor praticarmos a compaixão e o amor pelos outros enquanto somos fortes e capazes?”

As palavras acima são do atual Dalai Lama. Realmente é muito curioso ver que nos orgulhamos de nossa independência emocional. Claro, não é bem assim: continuamos precisando dos outros nossa vida inteira, mas é uma “vergonha” demonstrar isso, então preferimos chorar escondidos. E quando alguém nos pede ajuda, esta pessoa é considerada fraca, incapaz de controlar seus sentimentos.

Existe uma regra não escrita, afirmando que “o mundo é dos fortes”, o que “sobrevive apenas o mais apto.” Se assim fosse, os seres humanos jamais existiriam, porque fazem parte de uma espécie que precisa ser protegida por um largo período de tempo (especialistas dizem que somos apenas capazes de sobreviver por nós mesmos depois dos nove anos de idade, enquanto uma girafa leva apenas de seis a oito meses, e uma abelha já é independente em menos de cinco minutos).

Estamos neste mundo. Eu, de minha parte, continuo – e continuarei sempre – dependendo dos outros. Dependo de minha mulher, meus amigos, meus editores. Dependo até mesmo dos meus inimigos, que me ajudam a estar sempre adestrado no uso da espada.

Claro, existem momentos que este fogo sopra em outra direção, mas eu sempre me questiono: onde estão os outros? Será que me isolei demais? Como qualquer pessoa sadia, necessito também de solidão, de momentos de reflexão.

Mas não posso me viciar nisso.

A independência emocional não leva a absolutamente lugar nenhum – exceto a uma pretensa fortaleza, cujo único e inútil objetivo é impressionar os outros.

A dependência emocional, por sua vez, é como uma fogueira que acendemos.

No início as relações são difíceis. Da mesma maneira que o fogo é necessário conformar-se com a fumaça desagradável – que torna a respiração difícil, e arranca lágrimas do rosto. Entretanto, uma vez o fogo aceso, a fumaça desaparece, e as chamas iluminam tudo ao redor – espalhando calor, calma, e eventualmente fazendo saltar uma brasa que nos queima, mas é isso que torna uma relação interessante, não é verdade?

Comecei esta coluna citando um prêmio Nobel da Paz sobre a importância das relações humanas. Termino com o professor Albert Schweitzer, médi­co e missionário, que recebeu o mesmo prêmio Nobel, 1952.

“Todos nós conhecemos uma doença na África Central chamada de doença do sono. O que precisamos saber é que existe uma doença semelhante que ataca a alma – e que é muito perigosa, porque se instala sem ser percebida. Quando você notar o menor sinal de indiferença e de falta de entusiasmo com relação ao seu semelhante, fique alerta!”

“A única maneira de prevenir-se contra esta doença é entendendo que a alma sofre, e sofre muito, quando a obrigamos a viver superficialmente. A alma gosta de coisas belas e profundas”.

 

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Danielle September 27, 2011 at 6:00 pm

Paulo Coelho escreve o que as pessoas querem ouvir.Assim como Sidney Sheldon,Skinner,Freud…o que muda é a maneira como interpretamos o que lemos.Gostei de ele dizer que não podemos exagerar na independencia emocional.E concordo que os dependentes são vampiros.Mas acho que cada um pode escrever seu próprio livro.

Abraços a todos!

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Aline July 27, 2011 at 3:02 am

Demorei anos para saber da existência de uma das mais importantes regras da vida: a regra do equilíbrio. A regra do equilíbrio diz:
Coma! Mas apenas o necessário para satisfazer sua fome.
Beba! Mas apenas o necessário para satisfazer sua sede.
Aprenda! Mas apenas o que for necessário aprender.
Faça sexo! Mas apenas o necessário para satisfazer seu desejo.

Esta regra possui uma lista infinita de itens. Por isso, não durma, não se exercite, não trabalhe demais. Isso também inclui não amar a si mesmo e nem aos outros demais.
Entretanto, ame muito, aprecie o sabor de um bom vinho e de um delicioso chocolate. Viva intensamente, pois somente quando o ciúme pela pessoa amada perturbar seu sono, a ressaca atrapalhar seu dia e os quilos extras não permitir você vestir a calça adorada, pare e procure, seu ponto de equilíbrio ficou em algum lugar pra trás.
Não posso dizer qual é o ponto de equilíbrio por duas razões: primeiro, eu nunca o encontrei e, o mais importante, ele é pessoal e intransferível.
Saber da existência da regra do equilíbrio foi difícil,já conseguir cumpri-la é um exercício para uma vida inteira.

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Karla January 4, 2010 at 10:08 pm

Quando se fala em independência emocional , não se está dizendo que, não se precisa de ninguém.Seria um absurdo pensar que podemos tudo sozinho.
Claro que precisamos de amigos, dos nossos familiares de um companheiro e/ou companheira.Precisamos até de quem julgamos ser nossos inimigos, por vezes são eles que nos colocam em movimento.
Precisar é uma coisa…DEPENDER é outra completamente diferente. Eu preciso me alimentar, mas, tornar-me dependente de comida pode me trazer problemas sérios de saúde.
Todos nós precisamos vez por outra tomar um pouco de vinho (como recomendou São Paulo Apostolo à Timóteo), mas tornar-se dependente do alcool…(bem não preciso comentar).
Como as emoções e relações humanas não é muito diferente,
a dependência emocional, depender de alguém sempre para nos motivar, nos animar, validar o que fazemos é um vicio tão prejudicial como qualquer outro.
Devemos ter um minimo de autoestima para porder nos autosustentar emocionalmente.
Sou sua amiga, posso ensinar você a voar, posso com prazer voar a seu lado e ficar com você em terra, caso vc machuque suas asas.A única coisa que não posso, não devo fazer é voar por você.
É impossivel amar alguém se desconhecemos a medida do amor que temos por nós mesmos.É por isso que o Mestre diz:Amai teu próximo, como , a Ti mesmo. Logo temos que manter em bom nivel nossa cota de amor próprio e automotivação.
Os dependentes emocionais, são os verdadeiros vampiros! E vc sabe disso Paulo Coelho….
Paz e LUZ.

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Mary March 29, 2009 at 12:21 am

Deus me livre e guarde desta independência,rs o que eu poderia fazer com toda minha alegria ou minha tristeza se não contasse com meus amigos?, e meus sentimentos confusos; o que seria de mim se os guardasse todos para mim mesma?
Não saberia viver tão independente…gosto de ser amada, de amar, me sinto bem em ouvir as pessoas, e mais leve quando posso desabafar o resultado e as conseqüências de tudo que vivo. ‘Viva a liberdade de expressão!!!’ Isso sim…
Eu bem que me achava fraca por isso, mas agora estou mais firme e confiante …Valeu mais uma vez Paulo!! bjs

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