A ordem natural

por Paulo Coelho

Um homem muito rico pediu a um mestre zen um texto que o fizesse sempre lembrar o quanto era feliz com a sua famí­lia.

O mestre zen pegou um pergaminho e, com uma linda caligrafia, escreveu:

– O pai morre. O filho morre. O neto morre.

– Como? – disse, furioso, o homem rico. – Eu lhe pedi alguma coisa que me inspirasse, um ensinamento que fosse sempre contemplado com respeito pelas minhas próximas geraí§íµes, e o senhor me dá algo tí£o depressivo e deprimente como estas palavras?

– O senhor me pediu algo que sempre lhe fizesse lembrar a felicidade de viver junto í  sua famí­lia. Se o seu filho morrer antes, todos serí£o devastados pela dor. Se o seu neto morrer, será uma experiíªncia insuportável.

“Entretanto, se sua famí­lia for desaparecendo na ordem em que coloquei no papel, isso trata-se do curso natural da vida. Assim, embora todos passem por momentos de dor, as geraí§íµes continuarí£o, e seu legado demorará muito tempo.”

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