Maria e o sexo

by Paulo Coelho on January 18, 2010

Paulo Coelho

Os homens que conhecera desde que chegara em Genève faziam de tudo para parecerem seguros de si, como se governassem o mundo e suas próprias vidas; Maria, porém, via nos olhos de cada um o terror da esposa, o pânico de não conseguir ter uma ereção, de não serem machos o suficiente nem diante de uma simples prostituta, a quem estavam pagando. Se fossem a uma loja e não lhes agradasse o calçado, seriam capazes de voltar com o recibo na mão e exigir o reembolso. Entretanto, embora também estivessem pagando por uma companhia, se não tivessem uma ereção, jamais voltariam à mesma boate, porque achavam que a historia teria se espalhado entre todas, as outras mulheres, uma vergonha.

“Sou eu quem devia ter vergonha por não conseguir excitar um homem. Mas, na verdade, são eles que têm.”

Para evitar estes constrangimentos, Maria procurava deixá-los sempre à vontade, e quando algum deles parecia mais bêbado ou mais frágil que o normal, evitava o sexo e concentrava-se apenas em carícias e masturbação – o que os deixava muito contentes – por mais absurdo que fosse esta situação, já que podiam masturbar-se sozinhos.

Era preciso sempre evitar que ficassem envergonhados. Aqueles homens, tão poderosos e arrogantes em seus trabalhos, onde lidavam sem parar com empregados, clientes, fornecedores, preconceitos, segredos, atitudes falsas, hipocrisia, medo, opressão, terminavam o dia em uma boate, e não se importavam em pagar 350 francos suíços para deixarem de ser eles mesmos durante a noite.

“Durante a noite? Ora, Maria, você está exagerando. Na verdade, são 45 minutos, e mesmo assim, se descontarmos tirar a roupa, ensaiar algum falso carinho, conversar alguma coisa óbvia, vestir a roupa, reduziremos este tempo para onze minutos de sexo propriamente dito”.

Onze minutos. O mundo girava em torno de algo que demorava apenas onze minutos.

E por causa destes onze minutos em um dia de 24 horas (considerando que todos fizessem amor com suas esposas, todos os dias, o que era um verdadeiro absurdo e uma mentira completa), eles se casavam, sustentavam a família, agüentavam o choro das crianças, se desmanchavam em explicações quando chegavam tarde em casa, olhavam dezenas, centenas de outras mulheres com quem gostariam de passear em torno do lago de Genève,, compravam roupas caras para eles, roupas mais caras ainda para elas, pagavam prostitutas para compensar o que estava faltando, sustentavam uma gigantesca indústria de cosméticos, dietas, ginástica, pornografia, poder – e quando se encontravam com outros homens, ao contrário do que dizia a lenda, jamais falavam de mulheres. Conversavam sobre empregos, dinheiro e esporte.

Havia algo de muito errado com a civilização; e esta coisa não era o desmatamento da Amazônia, a camada de ozônio, a morte dos pandas, o cigarro, os alimentos cancerígenos, a situação nas penitenciárias, como gritavam os jornais.

Era exatamente aquilo em que trabalhava: o sexo.

trecho do livro “Onze Minutos”

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Flavia January 20, 2010 at 3:58 am

Qdo vi o título do livro nunca me passou pela cabeça que 11 minutos se referia ao sexo…
O sexo deturpado que vemos hoje leva somente ao vazio completo dos homens, que buscam o prazer pelo prazer, sem pensar que a relação entre homem e mulher engloba muito mais do que genitálias.

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Marie-Christine February 18, 2010 at 1:42 am

de comum acordo. Gracias a Deus.

Malú January 19, 2010 at 1:07 pm

É um dos melhores livros que já li! e o Paulo é um ótimo escritor. Sigo ele no Twitter e amo cada palavra dele.

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karinacasola January 19, 2010 at 2:23 am

Adorei este prisma. podemos incluir os dois gêneros,sem dúvida.. a humanidade a vida.. confesso que não li o livro, mas me deu uma “pitadinha” de curiosidade. Engraçado como nós tiramos a “armadura” mais fácil para desconhecidos, e é dificil se “despir” para aqueles que estão perto.
Estes Onze minutos podem ser os mais importantes de que 3.600 horas.

E se eu tivesse estes onze minutos de volta …humm
eu faria uma coisinha que só D-us sabe…rs e vinte e dois então..rs

Minha mãe é sua fã! kkk ela que me atiçou a curiosidade de ler teus livros. o alquimista eu adorei um dos primeiros que li.(mas dizia que não gostava, por que não queria trocar os clássicos..rs)

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alice catarina alvim lopes January 19, 2010 at 1:26 am

Ainda não li o livro,mas é bom abordar esse assunto,falar de sexo ainda é tabu.
Abs.

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Le January 18, 2010 at 11:38 pm

esse livro é ecencial para todas as mulheres!!!

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Rita January 18, 2010 at 9:40 pm

na verdade creio q sexo é complemento, nunca substituirá o prazer de comer um bom prato.Leiam COMER, REZAR, AMAR…de Elizabeth Gilbert…quem gosto do Paulo Coelho, gostará deste livro.

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Evelyn January 18, 2010 at 9:27 pm

Um quero ler amei esse trecho super interessante.

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Gelci Carlos Abreu January 18, 2010 at 9:09 pm

O sexo na verdade é a razão da existência humana,simpesmente adorei…

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♥ANDREIA♥ January 18, 2010 at 8:59 pm

por onze minutos daria a minha vida a vc passou isso pela minha cabeça lendo esta pagina!!!

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Itallo January 18, 2010 at 8:55 pm

Adoro o livro, adoro o tema! Circunda todos os campos por onde vaga os anseios humanos mais guardados…
Sexo ainda é tabú nos dias de hoje… O sexo move o mundo por baixo dos panos, ou dos edredons.

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Camille January 18, 2010 at 7:42 pm

Meu Deus…e solo sexo e move montanhas….pode mas q a fe, politica, religao….eu amei esse livro!!!

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kailasa blues January 18, 2010 at 6:02 pm

concordo plenamente: o sexo é a porta q se entra e pela qual se sai deste plano… e só por ela se entra de volta no Eden…

eu diria q realmente o mundo se perdeu na fornicação gratuita…. e por causa disso a humanidade aplaude os violentos, os sensuais e os charlatães…

pesquise WEOR ..

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Alexandre Fontenelle January 18, 2010 at 9:14 pm

Vou ler, mas nunca entenderemos de sexo!

Leandro Lima January 18, 2010 at 6:00 pm

Ainda bem que sou solteiro. Deus me livre, viver dessa maneira arrogante.

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Mariazinha January 18, 2010 at 5:54 pm

Onze minutos é ótimo!!
Já tá na hora de reler.

Por onze minutos as pessoas matam e morrem. Mto pouco tempo.

O que eu qro é a eternidade!

Deus te ilumine, amigo!

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