Quebre o copo!

by Paulo Coelho on March 7, 2010

(trecho de “Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei”)

O vinho tornava as coisas mais fáceis para ele. E para mim.

– Por que você parou de repente? Por que não quer falar de Deus, da Virgem, do mundo espiritual?

– Quero falar de outro tipo de amor – insistiu. – Aquele que um homem e uma mulher compartilham, e em que também se manifestam os milagres.

Segurei suas mãos. Ele podia conhecer os grandes mistérios da Deusa – mas de amor sabia tanto quanto eu. Mesmo que tivesse viajado tanto.

E teria que pagar um preço: a iniciativa. Porque a mulher paga o preço mais alto: a entrega.

Ficamos de mãos dadas por um longo tempo. Lia em seus olhos os medos ancestrais que o verdadeiro amor coloca como provas a serem vencidas. Li a lembrança da rejeição da noite anterior, o longo tempo que passamos separados, os anos no mosteiro em busca de um mundo onde estas coisas não aconteciam.

Lia em seus olhos as milhares de vezes em que havia imaginado este momento, os cenários que construíra ao nosso redor, o cabelo que eu devia estar usando e a cor da minha roupa. Eu queria dizer “sim”, que ele seria bem-vindo, que o meu coração havia vencido a batalha. Queria dizer o quanto o amava, o quanto o desejava naquele momento.

Mas continuei em silêncio. Assisti, como se fosse um sonho, à sua luta interior. Vi que tinha diante dele o meu “não”, o medo de me perder, as palavras duras que escutou em momentos semelhantes – porque todos passamos por isto, e acumulamos cicatrizes.

Seus olhos começaram a brilhar. Sabia que estava vencendo todas aquelas barreiras.

Então soltei uma das mãos, peguei um copo e coloquei na beirada da mesa.

– Vai cair – disse ele.

– Exato. Quero que você o derrube.

– Quebrar um copo?

Sim, quebrar um copo. Um gesto aparentemente simples, mas que envolvia pavores que nunca chegaremos a compreender direito. O que há de errado em quebrar um copo barato – quando todos nós já fizemos isto sem querer alguma vez na vida?

– Quebrar um copo? – repetiu ele. – Por quê?

– Posso dar algumas explicações – respondi. – Mas, na verdade, é apenas por quebrar.

– Por você?

– Claro que não.

Ele olhava o copo de vidro na beira da mesa – preocupado com que caísse.

“É um rito de passagem, como você mesmo fala”, tive vontade de dizer. “É o proibido. Copos não se quebram de propósito. Quando entramos em restaurantes ou em nossas casas, tomamos cuidado para que os copos não fiquem na beira da mesa. Nosso universo exige que tomemos cuidado para que os copos não caiam no chão.

Entretanto, continuei pensando, quando os quebramos sem querer, vemos que não era tão grave assim. O garçom diz “não tem importância”, e nunca na vida vi um copo quebrado ser incluído na conta de um restaurante. Quebrar copos faz parte da vida e não causamos qualquer dano a nós, ao restaurante, ou ao próximo.

Dei um esbarrão na mesa. O copo balançou, mas não caiu.

– Cuidado! – disse ele, instintivamente.

– Quebre o copo – eu insisti.

Quebre o copo, pensava comigo mesma, porque é um gesto simbólico. Procure entender que eu quebrei dentro de mim coisas muito mais importantes que um copo, e estou feliz por isto. Olhe para a sua própria luta interior e quebre este copo.

Porque nossos pais nos ensinaram a tomar cuidado com os copos, e com os corpos. Ensinaram que as paixões de infância são impossíveis, que não devemos afastar homens do sacerdócio, que as pessoas não fazem milagres, e que ninguém sai para uma viagem sem saber aonde vai.

Quebre este copo, por favor – e nos liberte de todos estes conceitos malditos, esta mania que se tem de explicar tudo e só fazer aquilo que os outros aprovam.

– Quebre este copo – pedi mais uma vez.

Ele fixou seus olhos nos meus. Depois, devagar, deslizou sua mão pelo tampo da mesa, até tocá-lo. Num rápido movimento, empurrou-o para o chão.

O barulho do vidro quebrado chamou a atenção de todos. Em vez de disfarçar o gesto com algum pedido de desculpas, ele me olhava sorrindo – e eu sorria de volta.

– Não tem importância – gritou o rapaz que atendia as mesas.

Mas ele não escutou. Havia se levantado, me agarrado pelos cabelos, e me beijava.

Eu também o agarrei nos cabelos, abracei-o com toda força, mordi seus lábios, senti sua língua se movendo dentro de minha boca. Era um beijo que havia esperado muito – que havia nascido junto dos rios de nossa infância, quando ainda não compreendíamos o significado do amor. Um beijo que ficou suspenso no ar quando crescemos, que viajou pelo mundo através da lembrança de uma medalha, que ficou escondido atrás de pilhas de livros de estudos para um emprego público. Um beijo que se perdeu tantas vezes e que agora tinha sido encontrado. Naquele minuto de beijo estavam anos de buscas, de desilusões, de sonhos impossíveis.

Eu o beijei com força. As poucas pessoas que estavam naquele bar devem ter olhado, e pensavam estar vendo apenas um beijo. Não sabiam que naquele minuto de beijo estava o resumo de minha vida, da vida dele, da vida de qualquer pessoa que espera, sonha e busca o seu caminho debaixo do sol.

Naquele minuto de beijo estavam todos os momentos de alegria que vivi.

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solangekatona March 12, 2010 at 1:29 am

Adoro e tenho grande orgulho de vc.
Tenho todos os seus livros,e embalo os melhores momentos da minha vida com vc,mestre.
Abraços…

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Márcia March 10, 2010 at 6:38 am

Eu não sei dizer, nada somentente por dizer…então eu leio…leio o que escritores como você escrevem.Algumas coisas pelas quais eu já passei.

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Ariovaldo March 9, 2010 at 10:44 pm

Conheci uma pessoa que quebrava copos para assustar sua esposa quando discutiam, e ele me confidenciou que ela realmente ficava amedrontada e, preocupada pensando que ele fosse acabar com os copos dela ficava quieta e assim acabava com a discussão. Neste caso os copos foram quebrados com um único propósito…amedrontar.
Em seu texto um simples copo quebrado acabou se tornando uma grande conquista de amor…naquele minuto de beijo…
Muito legal, Paulo.

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Talita March 9, 2010 at 2:57 am

Minha exata situação: pilhas de livros de estudos para um emprego público, um reencontro. Não era um copo, mas era um rito de passagem. Eu quebrei, ele não. Quebrou-se o encanto. :(

Abraços Paulo!

P.S.: eu prefiro a sua história.

P.S.2: com licença, no Cantinho eu vou sentar e chorar.

P.S.3: já passou :) <—- beautiful smile to hide the craziness lol I love this insight of yours…

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Aldinair March 9, 2010 at 2:55 am

Em contraste a contradição.
Do ser livre.
Do ser centrado.
Entre encantos e paixões.
Não quebrar copo.
Não quebrar paradigma de vida.
Abraços.
Fique com Deus.

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ekala March 8, 2010 at 5:05 pm

Para romper el vidrio, solo necesitamos respirar profundo y querer vivir. Un fuerte abrazo!

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Airton Krauniski March 8, 2010 at 8:26 am

Natural que seja assim. A vida é um fluxo de energia que corre em direção a Fonte Criadora. Como todo rio corre em direção ao mar. Como avaliar a energia necessária para executar tarefas e afazeres cotidianos. Simplesmente são executadas com naturalidade. A ação ocorre sem o discernimento da razão daquilo que se precisou investir em energia de vontade, de vigor e de concentração. Qual a energia necessária para executar uma ação tão simples quanto quebrar um copo. Por certo é a mesma energia que se emprega para dar um passo em direção ao destino. E por mais que a vida resista e tenta fugir ao destino todas as ações e energias que se utilizam para tanto só a coloca a mais um passo em sua direção. Não há como evitar nem pela razão e nem pela vontade, todos os caminhos levam a Deus.

Continue caminhando.
AK

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Leonor March 8, 2010 at 6:30 am

Maravilhoso… Também o beijo.
A liberdade dos sentimentos não pode ficar atada a conceitos, é o motor de nossas vidas… sentimos e existimos.
Parabéns por mais uma beleza!

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Ca March 7, 2010 at 11:20 pm

Querido Mestre,

Preciosa mensagem!

A partir de agora estou disposta a quebrar todos os copos possiveis na minha vida…

MARG,

Ca

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Solange Campos March 7, 2010 at 10:36 pm

tbm gostei muito do livro, já quebrei varios copos em minha vida, más o verdadeiro copo que quebrei faz pouco tempo, foi tão significativo que tive medo em tentar novamente e a magia se perder.

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Ana Fernanda March 7, 2010 at 10:32 pm

Simplesmente maravilhoso, nos faz pensar em conceitos, em pré-conceitos, na vida com um todo. Concordo com o comentário da Kátia, Obrigada por essa mensagem nesse Domingo solitário (7/3/2010)

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Mirna March 7, 2010 at 8:06 pm

Obrigada por compartir…Vc è lindo Paulo!!!

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Solene Oliver March 7, 2010 at 8:06 pm

Este tipo de cena deveria virar cena de filme.

Um romantismo modernamente romantico.

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roberta March 7, 2010 at 8:02 pm

Lindo lindo lindo!!!

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Teresa March 7, 2010 at 8:02 pm

Lindo como sempre tudo o que voce escreve.
Aquele bejo… o desejo de o vivir porque pra mim falta muito!

Um abraço Paulo

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Deniziel March 7, 2010 at 7:39 pm

parabéns pelo texto, e obrigado, obrigado por essa mensagem nesse domingo, quase lá, bom resto de fim de semana.

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SIMONE March 7, 2010 at 7:36 pm

O QUE ESTÁ SIMBOLIZANDO O COPO?

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Francineide March 7, 2010 at 7:14 pm

Vou que o copo e me libertar…

“Quebre este copo, por favor – e nos liberte de todos estes conceitos malditos, esta mania que se tem de explicar tudo e só fazer aquilo que os outros aprovam.”

Muito bom!!!

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Rosângela Monnerat March 7, 2010 at 6:58 pm

Lí este seu livro há muitos anos atrás. Lembrei-me agora do tanto que havia gostado deste trecho.
O proibido que não tira pedaço. Vira caco espalhado no chão. E memória. Memória de ser “levado”. Um “levado da breca”, que adora brincar, cheio de vida.
Obrigada por ter proporcionado esta releitura.
Este beijo é tudo de bom!
Valeu!

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Ludmila Sinedino March 7, 2010 at 6:55 pm

parece que entrei aqui e esse texto estava aqui pra eu lê-lo como que eu precisasse disso isso sempre acontece quando leio as suas coisas, obrigada por isso,
o universo mais uma vez conspirando!

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Claudia March 7, 2010 at 6:51 pm

Quando li este livro, lembro que fiquei intrigada porque quebrar um copo é algo simples, até filosofei um pouco sobre este conteúdo, mas decidi vivenciá-lo também. Numa lanchonete próximo à faculdade onde estudava, sentada com algumas amigas coloquei um copo na beira da mesa e disse: Quem teria coragem de quebrar o copo?
Todas olhavam realmente o copo como o personagem. Depois de muitos minutos empurrei o copo que se quebrou no chão. É interessante como nós damos a pequenos e simples acontecimentos importância tão grande.
Quebrar o copo poderia ser também olhar nossos problemas e dificuldades como eles realmente são e a partir do momento que percebemos esta realidade solucioná-los torna-se muito mais fácil.
Bjs
Claudia

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christweet_ March 7, 2010 at 6:46 pm

Que texto maravilhoso,q perspectiva + linda das coisas!
@paulocoelho se auto-supera tds os dias!

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Alex March 7, 2010 at 6:39 pm

Quantas histórias podem estar por trás de um copo intacto? E para quebrar um pequeno copo sem valor, mas incômodo, imagine a força que precisamos ter e quantas barreiras romper…vamos pensar nisso. Obrigado Paulo!

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Juliana Stelmak March 7, 2010 at 6:38 pm

“Um beijo que se perdeu tantas vezes e que agora tinha sido encontrado. Naquele minuto de beijo estavam anos de buscas, de desilusões, de sonhos impossíveis.”
Eu chorei e continuo chorando, tem mais de 5 minutos… Eu vivi algo parecido e foi tão intenso e tão verdadeiro.
Separamos mas ainda nos amamos.
Tenho buscado força para continuar no O Manual do Guerreiro da Luz, ele não faz milagres, mas ajuda demais.
Infelizmente banalizaram o beijo, beija-se qualquer um, e eu ainda desejo a mesma boca de sempre.
Ai ai…
Sublime, Paulo!
abÇ

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Liane March 7, 2010 at 6:31 pm

Vou quebrar! :D Obrigada!

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Gelci Carlos Abreu March 7, 2010 at 6:30 pm

Este eu não tinha lido ainda…Amei, bravo. Quem sou eu para comentar, apenas elogiar…
Meu respeito e meu carinho, sou fã do teu suado trabalho, seja feliz meu mestre, paz no teu coração, fico cá do meu canto a admirar a tua criação, precisamos de muitas, alimenta-nos com teu saber. Obrigado.

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djaanjinha March 7, 2010 at 6:26 pm

Adorei re-ler esse trexo…
fazia um bom tempo que ja havia lido mas é facinante como ao ler de novo velhas emocoes se renavam….
meu livro preferido é “veronica decide morrer” mas tbm gosto muito desse….

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Thaís Caroline March 7, 2010 at 6:25 pm

Este é o livro que eu mais amei! Eu chorei quando li essa parte,é tão profunda,verdadeira…
“[...]Eu também o agarrei nos cabelos, abracei-o com toda força, mordi seus lábios, senti sua língua se movendo dentro de minha boca. Era um beijo que havia esperado muito – que havia nascido junto dos rios de nossa infância, quando ainda não compreendíamos o significado do amor. Um beijo que ficou suspenso no ar quando crescemos, que viajou pelo mundo através da lembrança de uma medalha, que ficou escondido atrás de pilhas de livros de estudos para um emprego público. Um beijo que se perdeu tantas vezes e que agora tinha sido encontrado. Naquele minuto de beijo estavam anos de buscas, de desilusões, de sonhos impossíveis.[...]“

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Katia Horpaczky March 7, 2010 at 4:52 pm

Estou precisando quebrar o copo…
“Olhe para a sua própria luta interior e quebre este copo.”
Obrigada por essa mensagem nesse domingo solitário (07/03/10)
Abraços Fraternos

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@caio_acpa March 7, 2010 at 8:03 pm

Olaa, pq do “domingo solitario”? =/

Abçs

MARILSA G. M DOS SANTOS March 7, 2010 at 4:35 pm

…”Quebre o copo, pensava comigo mesma, porque é um gesto simbólico”…

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Drugue March 7, 2010 at 3:50 pm

Toda vez que paro para ler esse pequeno trecho, paro tambem para refletir. Realmente quebrar um copo é um gesto tão simples e ao mesmo tempo tão dificil. Um copo é algo que pode ser comprado com centavos, mesmo assim o simples ato de pensar em arremessar um deles no chão nos faz sentir como criminoso.
Ainda não tive a coragem de quebrar meu copo, espero pelo dia em que assim como o homem da história, eu seja confrontado a quebra-lo, para assim poder faze-lo sem medo de ser feliz.

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Ingrid March 7, 2010 at 3:44 pm

Muito bonito! Devemos sempre pensar neste copo, que envolve tantas tristezas… devemos lembrar de quebrá-lo de vez em quando pra recomeçar.

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Astrid Annabelle March 7, 2010 at 1:28 pm

Este é um dos livros que eu amei.
Quanto ao beijo?…
“…naquele minuto de beijo estava o resumo de minha vida, da vida dele, da vida de qualquer pessoa que espera, sonha e busca o seu caminho debaixo do sol.”
Maravilhoso!
Namasté

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