Character of the week: Henry Miller

Example moves the world more than doctrine. Every man has his own destiny: the only imperative is to follow it, to accept it, no matter where it leads him.

Art is only a means to life, to the life more abundant. It is not in itself the life more abundant. It merely points the way, something which is overlooked not only by the public, but very often by the artist himself. In becoming an end it defeats itself.

Develop an interest in life as you see it; the people, things, literature, music – the world is so rich, simply throbbing with rich treasures, beautiful souls and interesting people. Forget yourself. In the attempt to defeat death man has been inevitably obliged to defeat life, for the two are inextricably related. Life moves on to death, and to deny one is to deny the other.

Moralities, ethics, laws, customs, beliefs, doctrines – these are of trifling import. One of the reasons why so few of us ever act, instead of react, is because we are continually stifling our deepest impulses. All that matters is that the miraculous become the norm.
Imagination is the voice of daring. If there is anything Godlike about God it is that. He dared to imagine everything. The man who looks for security, even in the mind, is like a man who would chop off his limbs in order to have artificial ones which will give him no pain or trouble.

Henry Valentine Miller (26 December 1891 – 7 June 1980) was an American novelist and painter. He was known for breaking with existing literary forms and developing a new sort of ‘novel’ that is a mixture of novel, autobiography, social criticism, philosophical reflection, surrealist free association, and mysticism. For the author of this blog, he is one of the best writers of the XX Century

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PORTUGUES

Desejo dar uma volta por aquelas altas e áridas cordilheiras de montanhas onde se morre de sede e frio, por aquela história “extratemporal”, aquele absoluto de tempo e espaí§o onde ní£o existe homem, nem fera, nem vegetaí§í£o, onde se fica louco de solidí£o, com linguagem que é de meras palavras, onde tudo é desengachado, desengrenado, sem articulaí§í£o com os tempos.

Desejo um mundo de homens e mulheres, de árvores que ní£o falem (porque já existe conversa demais no mundo!) de rios que levem a gente a lugares, ní£o rios que sejam lendas, mas rios que ponham a gente em contato com outros homens e mulheres, com arquitetura, religií£o, plantas, animais – rios que tenham barcos e nos quais os homens se afoguem, mas ní£o se afoguem no mito e lenda e nos livros e poeira do passado, mas no tempo e no espaí§o e na história.

Desejo rios que faí§am oceanos como Shakespeare e Dante, rios que ní£o se sequem no vazio do passado. Oceanos sim! Tenhamos novos oceanos que apaguem o passado, oceanos que criem novas formaí§íµes geológicas, novas vistas topográficas e continentes estranhos, aterrizadores, oceanos que destruam e preservem ao mesmo tempo, oceanos nos quais possamos navegar, partir para novas descobertas, novos horizontes. Tenhamos mais oceanos, mais convulsíµes, mais guerras, mais holocaustos. Tenhamos um mundo de homens e mulheres com dí­namos entre as pernas, um mundo de fúria natural, de paixí£o, aí§í£o, drama, sonhos, loucura, um mundo que produza extí¢se e ní£o peidos secos. Creio hoje mais do que nunca é preciso procurar um livro ainda que de uma só grande página: precisamos procurar fragmentos, lascas, unhas dos dedos dos pés, tudo quanto contenha minério, tudo quanto seja capaz de ressuscitar o corpo e a alma.

Henry Valentine Miller (Manhattan, New York, 26 de Dezembro de 1891- Los Angeles, 7 de Junho de 1980), Muitas vezes lembrado como escritor pornográfico, é para o autor deste blog um dos maiores escritores do século XX. Há um filme ficcional sobre o perí­odo da vida em que eles se conheceram, Henry and June, baseado nos diários de Anaí¯s.