Personagem da semana: Chantal Prym

by Paulo Coelho on July 25, 2010

Um homem, seu cavalo e seu cão caminhavam por uma estrada. Quando passavam perto de uma árvore gigantesca, um raio caiu, e todos morreram fulminados.

Mas o homem não percebeu que já havia deixado este mundo, e continuou caminhando com seus dois animais; às vezes os mortos levam tempo para se dar conta de sua nova condição…

A caminhada era muito longa, morro acima, o sol era forte e eles ficaram suados e com muita sede. Precisavam desesperadamente de água. Numa curva do caminho, avistaram um portão magnífico, todo de mármore, que conduzia a uma praça calçada com blocos de ouro, no centro da qual havia uma fonte de onde jorrava água cristalina.

O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada.
- Bom dia. Que lugar é este, tão lindo?
- Aqui é o Céu.
- Que bom que nós chegamos ao céu, estamos com muita sede.
- O senhor pode entrar e beber água à vontade.
E o guarda indicou a fonte.
- Meu cavalo e meu cachorro também estão com sede.
- Lamento muito, mas aqui não se permite a entrada de animais.

O homem ficou muito desapontado porque sua sede era grande, mas ele não beberia sozinho; agradeceu e continuou adiante. Depois de muito caminharem, já exaustos, chegaram a um sítio, cuja entrada era marcada por uma porteira velha, que se abria para um caminho de terra, ladeada de árvores.

À sombra de uma das árvores, um homem estava deitado, cabeça coberta com um chapéu, possivelmente dormindo.

- Bom dia – disse o caminhante.- Estamos com muita sede, meu cavalo, meu cachorro e eu.
- Há uma fonte naquelas pedras – disse o homem e indicando o lugar. – Podem beber a vontade.
O homem, o cavalo e o cachorro foram até a fonte e mataram a sede. Em seguida voltou para agradecer.

- Por sinal, como se chama este lugar?
- Céu.
- Céu? Mas o guarda do portão de mármore disse que lá era o céu!
- Aquilo não é o céu, aquilo é o inferno.

O caminhante ficou perplexo.
- Vocês deviam evitar isso! Essa informação falsa deve causar grandes confusões!
O homem sorriu:
- De forma alguma. Na verdade, eles nos fazem um grande favor. Porque lá ficam todos aqueles que são capazes de abandonar seus melhores amigos…

do livro “O demônio e a Srta. Prym “

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BRENDA January 10, 2012 at 4:35 pm

amei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!ISSO NOS MOSTRA QUE O HOMEM NAO É TÃO MAL QUANTO PARECE

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eduardo bisneto March 11, 2011 at 3:32 am

Muito bom. E é exatamente isso. E tem aqueles que também te confundem, e se dizem amigos. Esses não chegarão contigo à beira da fonte.

Mandou bem Paulão. Um abraço

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Danielle March 10, 2011 at 11:00 pm

Não sei como ainda me surpreendo com os textos do Paulo… Já devia está acostumada. Mas felizmente ele me faz ter essas boas surpresas. E agora tenho que ler o resto do livro!
Parabéns Paulo,você é O CARA.

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Isabelle Lacerda March 10, 2011 at 10:55 pm

Lindíssimo uma leitura para iniciar a noite com sabedoria.

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sabrynna felix March 10, 2011 at 10:32 pm

que lindo, muito lindo!
devemos sempre fazer mais por nossos amigos, a começar de a não fazê-los alimento.

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Daniella March 10, 2011 at 10:29 pm

Lindíssimo.

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Cristiane Alves March 9, 2011 at 2:40 pm

Bom dia Paulo!

Acompanhando seu blog sinto um ímpeto de reler todos os seus livros! rs..tenho saudades de todos os ensinamentos e mensagens que eles trazem.
obrigada por nos proporcionar esse “alimento para a alma”.

beijos

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Dan Porto March 10, 2011 at 10:31 pm

Verdade Cristiane.

Dênia Gomes March 8, 2011 at 6:43 am

ESTA PARABOLA DEVERIA SER ESTAMPADA EM UM GRANDE OUTDOOR, ASSIM QUEM SABE TOCARIA MUITOS QUE ASSIM AGEM COM ESTES SERES QUE TANTO FAZEM POR NÓS,”RACIONAIS” … SERÁ ?

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Marta March 8, 2011 at 4:04 am

Querido sr. Paulo Coelho, Muito obrigada por seus lindos textos que fazem nos ver a vida de uma forma mais agradável e inspiradora. Costumava seguir seu antigo blog (na UOL) e lembro de um texto (Sabedoria Chinesa) que o senhor postou que mexeu muito comigo. Lembro de partes dele. É como tudo na vida acontece por uma causa. O homem está muito triste que seu filho tem que sair de casa para ir para guerra. O filho sai a cavalo, quebra a perna e não pode ir mais para guerra. Lembro que a moral da estória, é para encararmos a vida de uma forma mais positiva. Desculpe perde-lo com tanto escrito, mas por acaso, o senhor se lembra deste texto que estou falando e teria como posta-lo ou envia-lo. Serei eternamente grata. Sua eterna fã, Marta.

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Sandra Cotting Baracho March 8, 2011 at 2:26 am

Seria mentira dizer que esse é meu livro favorito, eu adoro todos os seus. Mas, com certeza Chantal é uma de minhas personagens preferidas.

Sou sua fãnzona!!!

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Nancy Ibarra March 8, 2011 at 1:21 am

Creo que sucede mucho eso, muchos se olvidan de los amigos, muchos se olvidaron de la lealtad, si ofrecemos nuestra amistad a otra persona debe ser con total sinceridad.
Estoy muy de acuerdo, que si estas caminando con un amigos no debes ser el unico beneficiado, si van en el mismo camino que todos beban del mismo agua.
Luz para ti..Nancy

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