Valkirias: el acuerdo con la derrota


En 1998 yo y mi mujer, Chris, estubimos 40 dias en el deserto de Mojave. El resultado de la experiencia está en “Las Valkírias”, ahora publicado em toda America Latina, México y España. En el momento en que hago este post, el libro está en todas las listas de mas vendidos.

—Hablo del contrato de derrota.
Paulo recordó lo que J. había dicho: el hombre siempre destruye aquello que más ama.
El silencio dentro de la mina era peor que el del desierto. No se oía absolutamente nada, excepto la voz de Vahalla, que parecía diferente.
—Tenemos un contrato entre nosotros: no vencer, cuando es posible la victoria —insistió ella.
—Jamás hice un acuerdo así —dijo Paulo por tercera vez.

—Todos lo hacen. En algún momento de la vida, todos nosotros hacemos ese acuerdo. Por eso hay un ángel con una espada de fuego en la puerta del Paraíso. Para dejar entrar sólo a los que rompen ese acuerdo.
Sí, ella tiene razón, pensaba Chris. Todos lo hacen.

—¿Crees que soy bonita? —preguntó Vahalla, cambiando de nuevo el tono de su voz.
—Eres una mujer hermosa —respondió Paulo.

—Un día, cuando era adolescente, vi llorar a mi mejor amiga. Salíamos juntas siempre, sentíamos un inmenso amor una por la otra, y le pregunté qué pasaba. Después de mucho insistir, ella acabó contándome que su novio estaba enamorado de mí. Yo no lo sabía, pero ese día hice el acuerdo.
“Sin comprender bien por qué, comencé a engordar, a cuidar mal de mi cuerpo, a ponerme fea. Porque, inconscientemente, creía que mi belleza era una maldición, hacía sufrir a mi mejor amiga.
”En poco tiempo, comencé a destruir también el sentido de mi vida, porque ya no estaba unida a mí misma. Hasta que llegó el momento en que todo a mi alrededor se volvió insoportable; pensé en morir.”

Vahalla rió.
—Como ves, rompí el acuerdo.
—Es verdad —dijo Paulo.
—Sí, es verdad —dijo Chris—. Eres hermosa.
—Estamos en el vientre de la montaña —continuó la Valkiria— Allá afuera brilla el sol, y aquí todo es oscuro. Pero la temperatura es agradable; podemos dormir, no tenemos que preocuparnos por nada. Aquí está la oscuridad del Acuerdo.
Se llevó la mano al cierre de su chaqueta de cuero.
—Rompe el acuerdo —dijo—. Por la gloria de Dios. Por el amor. Y por la victoria.
Comenzó a bajar el cierre lentamente. No usaba nada debajo.
Aparecieron los senos.

 

AQUI: COMUNIDAD LAS VALKYRIAS

Breaking the pact with defeat

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VERSION EN ESPANOL: CLICAR AQUI >>>EL PACTO CON LA DERROTA
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In 1988, my wife and I spent 40 days in the Mojave desert. The result of this experience is in the book “The Valkiries”. (the book, already published in several languages, is now released in German under the title of SCHUTZENGEL
 
 

‘I’m talking about your pact with defeat.’
Paulo thought of what J. had said – about destroying what we love most.

The silence within the mine was worse than in the desert. Not a sound was heard, except Valhalla’s voice – which sounded different.

‘We have a contract, you and I: not to win when victory is possible,’ she insisted.
‘I have never made any such pact,’ Paulo said for the third time.

‘Everyone has. At some point in our lives, we all enter into such an agreement. That’s why there is an angel with a burning sword at the gates to paradise. To allow entry only to those who have broken that pact.’

Yes, she’s right, thought Chris. Everyone has made this pact.
‘Do you find me attractive?’ Valhalla asked, once again changing the tone of her voice.
‘You are a beautiful woman,’ Paulo answered.

‘One day, when I was still an adolescent, I saw my best friend crying. We were inseparable, and we loved each other completely, and I asked what had happened. When I insisted on knowing, she told me that her boyfriend was in love with me.
“I didn’t know that, and that day I made the pact. Without really knowing why, I began to gain weight, to take poor care of myself, to become unattractive. Because – unconsciously – I felt that my beauty was a curse, and had caused suffering for my best friend.
‘Before long, I had destroyed all meaning in my life because I just didn’t care about myself anymore. I reached the point that everything about my life became unbearable: I thought about dying.’

Valhalla laughed.
‘As you can see, I broke the pact.’
‘True,’ Paulo said.
‘Yes, it is true,’ Chris said. ‘You are lovely.’

‘We are in the heart of the mountain,’ the Valkyrie continued. ‘Outside, the sun is shining, and here there is only darkness. But the temperature is pleasant, we can sleep, we have nothing to worry about. This is the darkness of the pact.’
She raised her hand to the zipper of her leather jacket.
‘Break the pact,’ she said. ‘For the glory of God. For love. And for victory.’

She began to lower the zipper slowly. She wore nothing beneath the jacket.

 

taken from THE VALKYRIES

O caminho da paz (trecho de O Aleph)

Não devo. Não posso. E tenho que dizer para mim mesmo mil vezes: não quero.

Yao tira a roupa e fica apenas de cuecas. Apesar de ter mais de 70 anos, seu corpo é pele e músculos. Eu também tiro a roupa.

Eu preciso disso. Nem tanto pelos dias que passo confinado dentro do trem, mas porque meu desejo agora começou a crescer de maneira incontrolável. Mesmo que só ganhe dimensões gigantescas quando estamos distantes – ela foi para seu quarto, ou eu tenho um compromisso profissional a cumprir –, sei que não falta muito para que eu sucumba a ele. Assim foi no passado, quando nos encontramos pelo que imagino ser a primeira vez; quando se afastava de mim, não conseguia pensar em outra coisa. Quando tornava a estar próxima, visível, palpável, os demônios desapareciam sem que eu precisasse me controlar muito.

Por isso ela precisa ficar aqui. Agora. Antes que seja tarde demais.

Yao veste o quimono, eu faço a mesma coisa. Caminhamos em silêncio para o dojo, o lugar da luta, que ele conseguiu encontrar depois de três ou quatro telefonemas. Há várias pessoas praticando; encontramos um canto livre.

“O Caminho da Paz é vasto e imenso, refletindo o grande desenho que foi feito no mundo visível e invisível. O guerreiro é o trono do Divino e serve sempre a um propósito maior.” Morihei Ueshiba disse isso há quase um século, enquanto desenvolvia as técnicas do Aikido.

O caminho do seu corpo é a porta ao lado. Eu irei bater, ela abrirá e não me perguntará exatamente o que desejo; pode ler em meus olhos. Talvez tenha medo. Ou talvez diga: “Pode entrar, eu estava esperando por esse momento. Meu corpo é o trono do Divino, serve para manifestar aqui tudo aquilo que já estamos vivendo em outra dimensão.”

Yao e eu fazemos a reverência tradicional, e nossos olhos mudam. Agora estamos prontos para o combate.

E na minha imaginação, ela também abaixa a cabeça como se estivesse dizendo “Sim, estou pronta, segure-me, agarre meus cabelos.Abra minhas pernas.”

Yao e eu nos aproximamos, seguramos as golas dos quimonos, mantemos a postura, e o combate começa. Um segundo depois estou no chão.
Não posso pensar nela – invoco o espírito de Ueshiba ele vem ao meu socorro por meio dos seus ensinamentos e consigo voltar ao dojo, ao meu oponente, ao combate, ao Aikido, ao Caminho da Paz.

“Sua mente precisa estar em harmonia com o Universo. Seu corpo precisa acompanhar o Universo. Você e o Universo são apenas um.”

Levanto. Faz anos que não luto, minha imaginação está longe daqui, esqueci como me equilibrar direito.
Yao espera que me recomponha; vejo sua postura e me lembro da posição em que preciso manter os pés. Coloco-me diante dele de maneira correta, de novo agarramos as golas de nossos quimonos.

No meu imaginário, não é Yao, mas Hilal que está diante de mim.
Mantenho seus braços imóveis, primeiro com as mãos, depois colocando meus joelhos sobre eles. Começo a desabotoar sua blusa.

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