30 SEG LEITURA: Problemas

by Paulo Coelho on October 12, 2010


Ilustrado por Ken Crane

Era uma vez um sábio muito conhecido, que cansado de conviver com os homens, havia escolhido uma vida simples, e passava a maior parte do tempo meditando.

Sua fama, porém, era tão grande, que as pessoas estavam dispostas a andar por caminhos estreitos, subir colinas escarpadas, vencer rios caudalosos – apenas para conhecer aquele homem santo. O sábio, como era um homem cheio de compaixão, dava um conselho aqui, outro ali. Mesmo assim, eles apareciam em grupos cada vez maiores, e certo dia uma multidão bateu à sua porta, dizendo que histórias a seu respeito haviam sido publicadas, e todos estavam certos que ele sabia como superar as dificuldades da vida.

O sábio pediu que sentassem e esperassem. Quando não havia espaço para mais ninguém, ele dirigiu-se ao povo que estava diante de sua porta:

- Hoje vou dar a resposta que todos desejam. Mas vocês prometem que, assim que tiverem seus problemas resolvidos, dirão aos novos peregrinos que me mudei daqui – de modo que possa continuar a viver na solidão que tanto almejo. Contem-me seus problemas.

Alguém começou a falar, mas foi logo interrompido por outras pessoas. Minutos depois, a confusão estava criada.O sábio deixou que a situação se prolongasse um pouco, até que gritou:
- Silêncio! Escrevam seus problemas e coloquem o papel na minha frente.

Quando todos terminaram, o sábio misturou todos os papéis em uma cesta, pedindo em seguida:

- Passem esta cesta por todos; que cada um tire o papel que está em cima, e leia o que foi escrito. Vocês podem escolher entre passar a ter o problema que está escrito ou vocês podem pedir seu problema de volta a quem os sorteou.

Cada um dos presentes pegou uma das folhas de papel, leu, e ficou horrorizado. Concluíram que aquilo que tinham escrito, por pior que fosse, não era tão sério como o que afligia o seu vizinho. Duas horas depois, trocaram os papéis, e cada um tornou a colocar no bolso o seu problema pessoal, aliviado por saber que sua aflição não era tão dura como imaginava.

Agradeceram a lição, desceram a montanha com a certeza de que eram mais felizes que os outros, e – cumprindo o juramento feito – nunca mais deixaram que ninguém perturbasse a paz do santo homem.

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Lara October 22, 2010 at 6:44 pm

Que historinha gostosa…!! É bem por aí mesmo. Somos cheios de autocomiseração (se escreve assim?), muitas vezes cultivamos o problema como um bichinho de estimação ruim, a gente quer resolver e se livrar, mas matém uma identificação enorme, nos amarramos no problema e carregamos ele pra todo lado.. rs até com os nossos problemas temos apego! rs

Maravilhosa ilsutração, belíssima, fique uns bosn minutos admirando-a.. Parabéns ao ilustrador.

um abração em vcs!

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Anônimo October 19, 2010 at 11:06 am

Filosofia sufi,não?

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Adriana October 17, 2010 at 3:20 pm

Linda mensagem!

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Norberto Santos October 17, 2010 at 2:01 pm

Dear Sir,
and most respected writer Paulo Coelho,

allow me an intuitive and humble reflexion on Your ‘Savant’s Story’ – I work in a Hospital in Lisbon – from my experience [MD psychiatrist] I don’t think every single of one of the aflicted men would’ve traded back the ‘notes’. Rather I would imagine a fierce fight over the lesser of evils in order to keep them which in turn would lead to an enraged mob slaughtering each other – and ultimately the ‘Xaman’ himself – something like the ‘spectacle’ we unfortunately get to see in awe nowadays – via a worldwide media sadistic broadcast[and suppose always happened throughout mankind's history]. I find this uphauling and people seem to be magnetized to such horrific events, desensitized with its banalization in such a way they do no longer care or are even able to – such is the state of their frozen souls and numbed emotions – does this alegory really apply, doesn’t the ‘status quo’ lead to a neo-Darwinistic antropologic evolution of Homo sapiens sapiens – ourselves!?,

Yours sincerely and most respectfully,
best regards,

Norberto Santos

P.S. …why did Veronica decide to die?…

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Airton Krauniski October 17, 2010 at 1:53 pm

Salve Paulo.

Isso me fez pensar que a grama do vizinho sempre parece mais verde.

Airton

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Felipe October 17, 2010 at 1:25 pm

É a velha questão de culpar um fator externo por não ser feliz.

Adorei o NerdCast e pensei será que não está na hora de você ingressar nesse meio?

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José A. Furquim October 17, 2010 at 1:23 pm

Paulo, o conto é encantador e para bom entendedor basta, porém como diz o velho deitado, “Pimenta no c. dos outros, é refresco”.

É nossa missão vencer nossas dificuldades e ainda assim ajudar o próximo. Somos por natureza solidários, todos se comovem por uma boa causa, mas muitas vezes nossos problemas são tão grandes, que precisamos nos ajudar antes para poder ajudar alguém e por isso também buscamos ajuda.

Você é um farol e fonte inesgotável de inspiração e boas palavras, se voce fizer o que o velhinho fez acima, muita gente perderá o rumo.

Sempre compartilhe, não se isole. Distribua a luz que Deus te dá, como voce sempre fez.

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Gelci Carlos Abreu October 17, 2010 at 12:03 pm

Bom dia, permita-me…
Belo trabalho recheado de sabedoria e profundo conhecimento, parabéns e obrigado pelo carinho da doação, eis aqui uma joia que encontrei e vou guardá-la no baú do conhecimento, paz ao teu coração e seja feliz!

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Ana Laura Kosby Lyra October 17, 2010 at 9:58 am

Paulo,
Nossos problemas sempre são relativos: Relativos à nos mesmos e ao conceito de problema, relativos ao contexto, relativos à dor, relativos ao sentimentos. Problemas sempre são pessoais, as soluções é que são universais.

BEIJO, GOSTO MUITO DE LER-TE.

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Belabruxinha October 17, 2010 at 4:50 am

Que bela ilustração!

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Rakel kedem October 17, 2010 at 2:30 am

Jamais me esquecerei do primeiro livro seu que li no qual foi em Ebraico quando apenas estava aprendendo a língua, estava em Israel e o Titulo me chamou muito a atenção,a minha vida mudou depois deste livro!
Esse foi o comeco de uma grande transformação espiritual em minha vida.

Sou sinceramente grata a você simplesmente a sua mensagem aqui na terra tem atraído muitos para a directo da luz…
Que a luz esteja sempre com você!

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Evencio Barros October 17, 2010 at 12:50 am

Caro Paulo Coelho:
Sou sincero admirador do seu génio escritural e cerebral…Considero depois do Jorge Amado o segundo da galeria intelectual brasileira contemporânea…Vale a pena revermos os pedaços dos nossos sonhos,desejos e valores globais no traçado da sua pena quotidiana…Bem haja-Evencio Michael Barros

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Paola Rhoden October 17, 2010 at 12:15 am

Nenhum problema é tão grande que não possa ser resolvido. Ninguém pode resolvê-los para nós a não ser nós mesmos. A sabedoria dos mestres tem sempre a profundidade filosófica correta.

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margherita October 15, 2010 at 4:35 pm

Caro Paulo,
noi del Piemonte, la regione più a Nord-Ovest dell’Italia abbiamo un vecchio proverbio che potrebbe sintetizzare il tuo racconto:- Se tutti portassero la propria croce in piazza, ognuno se ne tornerebbe a casa con la stessa croce.
Il che significa che se ognuno portasse i propri problemi e le proprie sofferenze sulla pubblica piazza del paese, constaterebbe che ci sono dolori e sofferenze più grandi delle sue. Quindi non vorrebbe scambiarle con quelle di chiunque altro ma accetterebbe con più rassegnazione i problemi della vita, grandi o piccoli che siano. Saggezza popolare simile in tante parti del mondo. Questo ci dice che l’essere umano ha gli stessi problemi ovunque e ciò dovrebbe incoraggiarci alla condivisione, alla comprensione e all’aiuto reciproco. Ne siamo capaci o il nostro egoismo ci fa considerare degni di attenzione solamente i nostri crucci quotidiani? Se interroghiamo la nostra coscienza credo che la risposta sia chiara e sincera.
Se…

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Jane Stewart October 14, 2010 at 11:55 pm

Enjoyed this story very much!

I shared this story with friends while in Canada visiting. My friend likes inspiring things, loved this story too, and planned to do this exercise at work with co-workers.

Thankyou dear Paulo. Sometimes a change in perpective, changes everything.

Gratitude & Love,
Cheers for a wonderful day!
Jane xo
p.s. I do not usually remember stories, not sure why. But love the stories here and it surprises me to remember.

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