Personagem da semana: Esperaní§a

Para o dicionário: s. f. tendíªncia do espí­rito para considerar algo como provável; a segunda das virtudes teologais; expectativa; suposií§í£o; probabilidade.

Nas palavras de Jesus: Olhai para as aves do céu: Ní£o semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Ní£o valeis vós mais do que elas? (Mateus, 6: 26)

Para os antigos gregos:
Em um dos clássicos mitos da criaí§í£o, um dos deuses, furioso com o fato de Prometeu roubar o fogo e com isso dar independíªncia ao homem, envia Pandora para casar-se com seu irmí£o, Epimeteus. Pandora traz consigo uma caixa, a qual foi proibida de abrir. Entretanto da mesma maneira que Eva no mito cristí£o, sua curiosidade é mais forte: levanta a tampa para ver o que contíªm, e neste momento todas as desgraí§as males do mundo saem dali e se espalham pela Terra. Apenas uma coisa fica lá dentro: a Esperaní§a, única arma para combater os males que se espalharam.

Em uma história hassí­dica (tradií§í£o judaica): No final dos quarenta dias de dilúvio, Noé saiu da arca. Desceu cheio de esperaní§a, acendeu incenso, olhou a sua volta, e tudo que viu foi destruií§í£o e morte. Noé reclamou:
“Todo-Poderoso, se conhecias o futuro, por que criastes o homem? Só para ter o prazer de castigá-lo?”
Um perfume triplo subiu até os céus: o incenso, o perfume das lágrimas de Noé, e o aroma de suas aí§íµes. Entí£o veio a resposta:
“As preces de um homem justo sempre sí£o ouvidas. Vou te dizer porque fiz isto: para que entendesses tua obra. Tu e teus descendentes usarí£o a esperaní§a, e estarí£o sempre reconstruindo um mundo que veio do nada. Desta maneira dividiremos o trabalho e as conseqüíªncias: agora ambos somos responsáveis”.

Em uma história árabe: O grande califa Alrum Al-Rachid resolveu construir um palácio que marcasse a grandeza de seu reino. Ao lado do terreno escolhido, havia uma choupana. Al-Rachid pediu ao seu ministro que convencesse o dono – um velho tecelí£o – a vendíª-la para ser demolida. O ministro tentou, sem íªxito; de volta ao palácio, sugeriram que simplesmente expulsassem o velho do lugar.
“Ní£o”, respondeu Al-Rachid. “Ela passará a fazer parte do meu legado ao meu povo. Quando virem o palácio, dirí£o: ele foi grande. E, quando virem a choupana, dirí£o: ele foi justo, porque respeitou o desejo dos outros”.