Uma história sobre minha história


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Depois de ter comentado no Twitter, anteontem, sobre a visita de Carollna Kotscho – para a leitura final do roteiro do filme sobre minha vida – fiquei impressionadissimo com a quantidade de gente (brasileiros e estrangeiros) que me pediu detalhes a respeito.
Portanto, em deferencia aos meus amigos aqui no Twitter, fiz um resumo de nosso encontro.

Um pouco de história
Em 2005, quando assisti “Os dois filhos de Francisco”, perguntei a um amigo se conhecia a pessoa que fez o roteiro do filme. Tinha interesse de encontra-la apenas para conversar sobre a maneira brilhante de contar uma história que, em principio, nao me interessaria nada, e terminou me comovendo. Meu amigo conhecia a autora, Carolina Kotscho.
Nos encontramos e conversamos. Durante a conversa, veio a ideia de fazer um filme sobre minha vida. Eu hesitei, mas Carol foi persistente. Finalmente terminei cedendo.
Algumas semanas depois, os produtores entraram no jogo.

2005 a 2011
Durante os dois anos seguintes, duas coisas aconteceram em paralelo: por um lado, Carol comeí§ou uma pesquisa intensa sobre minha vida, e por outro lado um batalhí£o de advogados americanos sentou-se com minha agente, Monica Antunes, para acertar os detalhes do contrato.
A conversa com os advogados parecia ní£o levar a lugar nenhum. Queriam ter controle sobre minha história – que me possui, e foi vivida com muito sangue, suor, e lágrimas.
Ní£o contente em fuí§ar todos os meus arquivos pessoais, antigos diários, etc, Carol queria encontrar-se comigo todos os meses.
Eu já tinha dado tres longas entrevistas sobre minha vida. A primeira para o jornalista do El Pais, Juan Arias, que resultou no livro “Confissíµes de um peregrino”, a segunda para o biógrafo Fernando Morais, que escreveu a biografia “O Mago”, e a terceira para Herica Marmo, resumida ao periodo musical, que teve como resultado o excelente “A caní§í£o do mago”, a mais completa publicaí§í£o a respeito de minha encarnaí§í£o como letrista.
Ou seja: estava (e continuo, diga-se de passagem) farto de falar a respeito de mim mesmo.
Mas Carol nao desistiu.
E assim, nos anos seguintes, nos encontramos em diferentes paí­ses (Brasil, Turquia, Alemanha, Franí§a, Austria). O resultado sí£o os dez DVDs que voces podem ver na foto, í  minha direita. Se fossem em CD, teriamos uma pilha de 67 discos!
Os advogados resolveram todas as centenas de itens pendentes (como deve ser distribuí­do fora do Brasil, ní£o querem correr nenhum risco), os produtores montaram o esquema empresarial do projeto.
Todos fizemos um pacto: ní£o falariamos sobre o assunto até que chegassemos ao roteiro final.

O roteiro final
Ontem, dia 28 de abril de 2011, nos encontramos para a leitura final do roteiro. Cabe lembrar aqui eu eu ní£o tinha lido nenhuma das muitas versíµes anteriores.
Era a primeira vez que iria escutar como seria minha história nas telas.
Eu tinha tres perguntas para Carol:
– Quem é o diretor? Quem irá me interpretar? Quando estreia?
Ela respondeu a primeira pergunta com outra:
– Quem voce gostaria que fosse o diretor?
– Clint Eastwood.
Carol nao gostou muito. Disse que qualquer diretor americano iria reescrever por completo o roteiro. Pelo visto tem uma carta na manga, mas ní£o revelou.
Quanto í s outras duas perguntas:
Quem irá me interpretar é um ator muitissimo mais bonito que eu! Nao posso dizer o nome aqui porque o contrato nao está assinado, mas o ego inflou: será que ela me víª desta maneira?
Diga-se de passagem que considero este ator o MELHOR da atualidade. Mas Carol ní£o sabia disso.
Finalmente, a data de estreia está prevista para o final de 2012.

Uma vez respondida minhas perguntas, carol pegou uma camera de video, dois gravadores (isso já tinha acontecido antes, e vejo que, apesar de trabalhar em cinema,desconfia muitissimo da tecnologia) e me disse:
– Tenho 123 perguntas, relativas as 123 cenas do filme.
Abraxas!
Ha dois anos praticamente nao dou entrevistas (nao dei nenhuma quando O ALEPH foi publicado e, graí§as a Deus,nao foi por falta de interesse da imprensa). E apesar dos 10 dvds, carol ainda nao estava satisfeita. precisava fazer uma “verificaí§ao final” por “motivos legais”. Assim exigiram os advogados.
No final de cada cena eu deveria afirmar se era verdade, mentira, ou se tinha alguma coisa para acrescentar.
Afirmei “verdade” em todos os capitulos.
A medida que a leitura prosseguia, eu redescobria a mim mesmo. Me perguntava em silíªncio: ” por que agi assim? de onde veio a coragem para superar tal situaí§ao? como é que pude ser tao agressivo diante de tal experiencia?”
Eu era inteiramente a pessoa do filme (ou seja, os fatos eram reais) mas ao mesmo tempo parecia que estavamos falando de um outro Paulo, que me surpreendia a cada etapa.
Foram tres horas de emoí§í£o, surpresa, e alegria. O roteiro está ótimo.

Volta ao pacto
E todo o grupo envolvido retorna ao pacto original: ninguem tornará a falar mais sobre o assunto até que o filme esteja na produí§í£o final.
Exceto por Carol, que dará um entrevista (prometida há mais de um ano, para o “Hollywood Reporter” )
Uma vez feito isso, se conseguimos manter o projeto secreto por cinco anos, ní£o será dificil continuar com o silíªncio.
É uma decisí£o que sempre pautou minha vida: fale apenas quanto as coisas estiverem prontas.
O roteiro está pronto e eu falei sobre ele. Mas o filme ní£o está.
Ou seja, a parte deste texto que coloco aqui, ní£o haverá nenhum outro – ou notas para a imprensa – até outubro ou novembro de 2012.

P.S – Carol é mulher de Braulio Mantovani – que tem a seu credito, entre outras coisas, os roteiros de “Cidade de Deus”, “Tropa de Elite” e “Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro”, e portanto, assiim que terminamos a conversa, aprendi muití­ssimo sobre os bastidores de ambos os filmes…