“O discurso ní£o é esse livro é ruim, é ní£o gostei desse livro'”

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criticVivo lendo reclamaí§íµes de crí­ticos e pseudo-acadíªmicos, dizendo as coisas de sempre: a cultura empobreceu, os leitores estí£o mais burros, a internet é o anticristo, o ivro eletrí´nico “ní£o tem cheiro”, coisas do tipo.
Na verdade, quem perdeu completamente a sintonia com o mundo foi esse tipo de gente. Desesperados porque já ninguém escuta o que dizem, resta-lhes apenas a “demoní­aca” internet para expressarem suas lamentaí§íµes.
Andei fazendo uma pesquisa nestes portais. Cada artigo tem um ou dois comentários, de gente que escreve em portais semelhantes.

Enfim, nada mais triste – mas também nada mais merecido.
Os arautos da “alta cultura” foram pego de surpresa, í  semelhaní§a dos aristocratas que curtiam suas festas em Versailles, Franí§a, em 1789: um belo dia, sem qualquer aviso, a populaí§í£o revoltou-se e a grande maioria foi parar na guilhotina.
No caso da “alta cultura”, a revoluí§í£o foi menos visí­vel, e nem por isso menos contundente.
Há anos ninguém escuta o que dizem, mas como ocorre com todos aqueles que estí£o trancados em suas torres de marfim, só agora passaram a ser dar conta.

Isso quer dizer que ní£o existe mais crí­tica literária? Claro que existe.
Mas o objetivo ní£o é demolir o trabalho alheio, nem arrotar cultura com dezenas de citaí§íµes.
O objetivo é muito simples: dizer se gostou ou ní£o gostou de um livro.

Neste sábado, as jornalistas Raquel Cozer e Fernanda Ezabella publicaram uma interessante matéria na Folha de Sí£o Paulo, dividida
em duas partes
Resenhas literárias de amadores na internet atraem leitores e abrem filí£o para editoras e Blogueiros resenhistas dizem que chegam a ler 70 livros em um só ano

Como ní£o poderia deixar de ser, existe ainda uma terceira parte, uma “análise” feita por alguém do sistema acadíªmico, colocando tudo sob suspeita, aventando a hipótese que que a revoluí§í£o da crí­tica é algo manipulado pelas editoras. Enfim, a “análise”que confirma tudo que disse acima.

A matéria vem em um momento bastante oportuno. Postei um dos links acima do meu Twitter, e fiquei supreso com a receptividade, embora tenha sido “insultado” porque o link levava para um portal pago (“vc está querendo nos convencer a assinar a Folha?” disse um. “Só pode ler quem é rico” disse outro). Resolvi cortar algumas partes e coloca-las aqui.

Abaixo alguns pontos da matéria de Cozer e Ezabella:

Todo míªs, 75 mil pessoas acessam os ví­deos em que o paulista Danilo Leonardi, 26, comenta livros. A carioca Ana Grilo, 37, diz ler até 150 tí­tulos por ano para seu blog de resenhas, escrito em inglíªs. O americano Donald Mitchell, 66, já publicou 4.475 resenhas na Amazon -por parte delas, levantou R$ 70 mil, doados para uma ONG beneficente.

Os tríªs sí£o personagens de um movimento que, nos últimos anos, chamou a atení§í£o de editoras e virou negócio: o de crí­ticas de livros feitas na internet por amadores, que, com linguagem mais simples, atraem milhares de leitores.

Com o aumento na venda de e-books, a expansí£o da autopublicaí§í£o e a concorríªncia ferrenha entre editoras, textos escritos por hobby ou por até R$ 1.000 tornaram-se uma alternativa de divulgaí§í£o capaz de atingir nichos e multiplicar vendas de livros.

Nos EUA, páginas como o Hollywood Book Reviews e o Pacific Book Review cobram de autores e editoras de R$ 250 a R$ 800 por textos a serem publicados em até 26 sites, incluindo seí§íµes de comentários de lojas virtuais.
O “pagamento”, ressaltam editoras e blogueiros, sí£o apenas os livros a serem avaliados, nunca dinheiro.

Enquanto crí­ticas feitas por especialistas em jornais fazem livreiros dar destaque aos tí­tulos nas lojas, blogueiros atraem leitores de gosto similar e alimentam o boca a boca. (meu comentário: será mesmo? Duas séries, “Crespúsculo” e “50 Tons” tiveram todo o destaque necessário nas lojas. O livreiro está sempre muito antenado, e notou que caderno de cultura já perdeu por completo a releví¢ncia)

“É bem pessoal. Eles deixam claro que é o canto deles”, diz a gerente de marketing da Intrí­nseca, Heloiza Daou.

“O discurso ní£o é ‘esse livro é ruim’, é ‘ní£o gostei desse livro'”, diz Diana Passy, gerente de mí­dias sociais da Companhia das Letras.