Frankfurt I

Neste final de semana, um colunista, uma revista e um jornal entraram em contato comigo para saber se não vou à Feira do Livro de Frankfurt por causa da “desorganização.” Talvez esse interesse tenha ocorrido por causa dos frequentes tuites que postei sobre o Ministério da Costura (antes conhecido por Ministério da Cultura, mas que no momento se dedica a justificar os subsídios da Lei Rouanet à alta costura: Marta Suplicy libera verba para desfiles de luxo )

Preciso esclarecer alguns pontos:

ORGANIZAÇÃO
Embora eu seja convidado da delegação oficial, quem organizou minha ida foi minha editora alemã.
Portanto, tenho hotel (com banheiro no quarto!), carro, etc.
“Banheiro no quarto, o que é isso? “ alguém perguntará.
O fato é que o Brasil, embora já saiba há anos que seria o convidado de honra em 2013, reservou quartos sem banheiro para escritores. Leio na coluna de Ancelmo Gois nesta sexta: A ministra Marta Suplicy reconhece que ainda não foi escolhido o lugar onde vão ficar hospedados os 70 escritores da delegação brasileira na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, dia 8 de outubro:— Mandei fazer uma nova licitação depois que descobri que o hotel dos nossos escritores não tinha banheiro nos quartos.
Vamos torcer para que consigam hotéis na cidade. Ou os escritores terão banheiro no quarto, mas precisarão viajar todos os dias no mínimo por 1:30 hr (40 min para ida + volta) , já que os hotéis – no momento – estão completamente lotados.

A ENTREVISTA
Nesta quinta feira, dia 5, resolvi dar uma única entrevista, para o maior jornal alemão, Die Welt. A entrevista será publicada no domingo, dia 6 de outubro.
O jornalista disse que não conhecia absolutamente ninguém da lista.
Minha editora alemã, Ruth Geiger, presente na entrevista, disse que o comentário em Frankfurt é o seguinte: “ao invés de trazer escritores consagrados, o Brasil optou por trazer desconhecidos e assim mostrar a nova face da literatura brasileira”.

QUEM É QUEM?
Vejam aqui: Lista de escritores brasileiros convidados para a Feira de Frankfurt 2013
Dos 70 nomes, conheço 22, e já li 17 autores – que realmente merecem estar ali. O resto simplesmente não tenho idéia de quem seja.
Mas checando um por um dos 48 que nunca ouvi falar, descobri que estão longe de ser “a nova face da literatura brasileira”.
Pedi a algumas pessoas que me dissessem quais autores conheciam. A contagem variou entre quatro e cinco. E você, quantos conhece?

BIENAL DO LIVRO RIO DE JANEIRO
Encerrada ontem, e merecidamente homenageando o Ziraldo, podemos ler em qualquer jornal os autores nacionais que fizeram sucesso junto ao público: a verdadeira nova literatura brasileira.
Veja o que escreve Raquel Cozer na Folha de São Paulo: A hora dos nacionais
Alguns exemplos: Andre Vianco, Felipe Neto, Carolina Munhoz, Eduardo Sphor, Raphael Draccon, e muitos mais. Além destes, temos Deive Passos e Alexandre Ottoni, autores do Protocolo Bluehand - que não estiveram na Bienal mas escreveram um livro fantástico.
Nenhum deles está na lista.

O MINISTÉRIO DA CULTURA/COSTURA E MEU TRABALHO
EU nunca tive nenhuma tradução subsidiada pelo governo (agora apareceu um chinês que pediu, mas sem minha permissão ou conhecimento). Meus livros estão em 72 linguas, detenho o recorde de autor vivo mais traduzido do mundo. Sou publicado em 155 países.
O Ministério da Cultura nunca me ajudou. Não entrei na lista oficial de Frankfurt 1994 (ainda bem, foi um desastre).
Em 1998, fui vetado pela Biblioteca Nacional para participar do Salon du Livre de Paris, embora tivesse 3 livros na lista dos mais vendidos na França (participei a convite de minha editora francesa, e foi fantástico).
Em 2008, o patético ex-ministro Juca Ferreira desmarcou em cima da hora sua presença na festa organizada por meus editores, celebrando àquela altura 100 milhões de livros vendidos ( por sinal, nunca devolveu o convite).

MUDA BRASIL
Em junho deste ano, assistimos as manifestações que pediam mudanças estruturais. Pelo visto, a mudança até agora foi permitir que a Lei Rouanet apoie desfile de moda.
Na época, postei um tuite dizendo que estou seriamente repensando minha presença em Frankfurt. Ainda não decidi nada, mas se deixar de ir não será por falta de organização.
Será por não compactuar com o que o governo brasileiro quer mostrar ali.

Como diz Reinaldo Azevedo, de quem discordo em genero, número e grau de tudo que posta sobre política, mas concordo com tudo que posta sobre cultura: volto ao assunto mais adiante.

Everything is permitted, if everything is accepted

When we are too generous in the sexual act and our main preoccupation is with our partner’s pleasure, our own pleasure can be diminished or even destroyed.

When we are capable of giving and receiving with the same intensity, our body becomes as tense as the string on a bow, but our mind relaxes like the arrow about to be fired. Our brain is no longer in charge; instinct is our only guide.

Body and soul meet and the Divine Energy fills not only those parts that most people consider to be erotic, but every hair, every inch of skin, and they give off a light of a different colour. Two rivers meet to become a more beautiful, more powerful river.

Everything that is spiritual manifests itself in visible form and everything that is visible is transformed into spiritual energy.

Everything is permitted, if everything is accepted.
Sometimes love grows tired of speaking softly. Therefore, let it reveal itself in all its splendour, burning like the sun and destroying whole forests with its winds.

If one of the lovers surrenders completely, then the other will do the same, because embarrassment will have become curiosity, and curiosity leads us to explore all the things we did not know about ourselves.

 
 
taken from THE MANUSCRIPT FOUND IN ACCRA