30 sec leitura: a brasa solitária

Juan ia sempre aos servií§os dominicais de sua congregaí§í£o. Mas comeí§ou a achar que o pastor dizia sempre as mesmas coisas, e parou de frequentar a igreja.

Dois meses depois, em uma fria noite de inverno, o pastor foi visitá-lo.
“Deve ter vindo para tentar convencer-me a voltar”, pensou Juan consigo mesmo. Imaginou que ní£o podia dizer a verdadeira razí£o: os sermíµes repetitivos.
Precisava encontrar uma desculpa, e enquanto pensava colocou duas cadeiras diante da lareira, e comeí§ou a falar sobre o tempo.

O pastor ní£o disse nada.

Juan, depois de tentar inutilmente puxar conversa por algum tempo, também calou-se.
Os dois ficaram em silíªncio, contemplando o fogo por quase meia-hora.

Foi entí£o que o pastor levantou-se, e com a ajuda de um galho que ainda ní£o tinha queimado, afastou uma brasa, colocando-a longe do fogo.
A brasa, como ní£o tinha suficiente calor para continuar queimando, comeí§ou a apagar. Juan, mais que depressa, atirou-a de volta ao centro da lareira.

“Boa noite”, disse o pastor, levantando-se para sair.

“Boa noite e muito obrigado”, respondeu Juan. “A brasa longe do fogo, por mais brilhante que seja, terminará extinguindo rapidamente.
“O homem longe dos seus semelhantes, por mais inteligente que seja, ní£o conseguirá conservar seu calor e sua chama. Voltarei í  igreja no próximo domingo.”