Novo escritório em Barcelona

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Paulo Coelho, que este ano publicou um novo livro, “Adultério” – presente em todas as listas de mais vendidos em todos os países em que foi publicado – estará em Barcelona dia 12 de novembro para a inauguração do novo escritório da agencia literária Sant Jordi Asociados.
A agencia é responsável por todos os direitos do autor desde que foi fundada, 20 anos atrás.

Diz Monica Antunes, sua representante exclusiva desde as primeiras traduções de O Alquimista – atualmente em 140 países em mais de 80 idiomas: “ as novas oportunidades acarretadas pelas transformações profundas que o mercado literário está atravessando, tem nos permitido crescer bastante. “ Antunes se refere basicamente a edições digitais – a Sant Jordi Asociados agora publica em plataformas eletrônicas todos os livros do autor em portugues, frances, alemão, italiano, polones e espanhol.

Os novos escritórios da Sant Jordi Asociados tem o dobro de tamanho do escritório anterior, graças a constante expansão do trabalho de Paulo Coelho no mundo.

Para Coelho, “Barcelona é uma referência para o mundo editorial, e sempre foi generosa comigo em com Mônica, quando ainda estavamos dando os primeiros passos”.
Carlos Revés, diretor da área editorial do Grupo Planeta, afirma que a presença de Mônica Antunes na cidade permite uma aproximação especial com o autor e sua representante. “Estamos muito contentes que, durate a inauguração, poderemos brindar o sucesso de Adultério no país; desde que foi publicado, não saiu da lista de mais vendidos”.

Para maiores informações: + 34 93 224 0107

A critica literaria e o leitor

A critica literária e o leitor

A critica literária e o leitor

A recepção da obra de Paulo Coelho pela crítica

 

(NOTA: a versão acima não é a definitiva. Assim que receber a tese já corrigida, substituiremos)

#somostodosmacacos

(abaixo a análise feita pela Loducca a respeito da hashtag. Uma análise pertinente e lúcida)

Como toda manifestação, o #somostodosmacacos – mesmo atingindo dimensão mundial e provocando uma discussão honesta sobre um tema, infelizmente, mais atual do que gostaríamos – gerou algumas dúvidas sobre ele mesmo, sobre a forma e também sobre a participação de uma empresa de comunicação nele, nós. Por isso, estamos nos manifestando oficialmente sobre cada um dos principais temas levantados, alguns bastante pertinentes, outros, nem tanto ao nosso ver. Felizmente a maioria compreendeu a importância e soube ver a maneira irônica e icônica (banana) que foi usada e, por isso mesmo, fez sucesso tão rápida e espontaneamente.

Como nasceu o #somostodosmacacos. Fatos.

Segundo o Daniel Alves em entrevista para a revista Placar após o incidente no jogo de 29/3, no jogo contra o Espanyol, onde alguns “torcedores” jogaram bananas no campo para os jogadores brasileiros do Barcelona, mas que tanto o Neymar Jr. quanto o Daniel Alves, não viram na hora só tendo conhecimento do que aconteceu, mais tarde, pela imprensa. Quando souberam, ainda segundo Daniel Alves, Neymar teria comentado em tom de brincadeira que, “se tivesse visto a banana, teria comido”. Na volta para Barcelona, depois da derrota para o Granada, torcedores imitaram macacos quando Neymar Jr. estava chegando ao Camp Nou. Nesse momento, Neymar Jr., sabendo da responsabilidade mundial que tem, quis se manifestar contra o racismo e nos pediu, junto com Sr. Neymar e Eduardo Musa, que pensássemos em algo que pudesse ser feito nas redes sociais.
Por que nós? Há anos a Loducca orienta parte das ações de comunicação do Neymar Jr., do Instituto etc. O natural seria conversar conosco.
Nos pareceu (e ainda nos parece) que fazer algo bem-humorado, irônico e que ridicularizasse as atitudes racistas teria maior capacidade de levantar a discussão, seria mais eficiente em tocar o coração das pessoas do que algo que reclamasse, chorasse ou ficasse tentando reforçar um papel de vítima (caminhos que já foram seguidos em momentos diferentes, têm seus méritos, mas que não tiveram a mesma repercussão). Ainda mais para uma pessoa com a personalidade alegre, brilhante e divertida como a do Neymar Jr. Tinha que ser algo como ele.
O que fizemos?
Criamos a hashtag “somos todos macacos” e a ideia de “mandar uma banana” para todos os racistas através de uma foto do Neymar comendo uma banana. E também um vídeo onde explicamos a manifestação do Neymar Jr.
Então aconteceu de jogarem a banana para o Daniel Alves no jogo do Barcelona contra o Villareal, dia 27/4 , que imediatamente “ traçou a banana”.
Poucos devem duvidar que era o momento correto para iniciarmos o movimento que o Neymar Jr. queria, independentemente de ter acontecido com ele ou com o Daniel Alves.
Imediatamente Neymar Jr., que estava com seu filho naquele momento, bateu a foto (a que ficou conhecida mundialmente) e postou no twitter . Logo após o vídeo.
Qual seria o erro do Neymar Jr. fazer uma manifestação pública pensada e de maneira profissional? Ainda não conseguimos descobrir.
Saber colocar um pensamento, uma ideia, no momento mais adequado e propício para que ele tenha um impacto maior e melhor é oportunismo? Desde quando?

#somostodosmacacos é racista

Colocado como foi, ironicamente, na situação (logo após a maravilhosa atitude do Daniel Alves), a hashtag, mais a imagem de Neymar com seu filho, não chama os negros de macacos, mas LEMBRA OU ALERTA AOS BRANCOS que somos todos iguais, vindos “do mesmo macaco”. Este é um fato científico provado e comprovado (salvo alguns fanáticos que ainda questionam Darwin), não uma opinião. Achamos que isso fica bastante claro no post do Neymar Jr. com o seu filho e no vídeo que fizemos para esclarecer as motivações e intenções do movimento. Achamos 100% válido quem questiona se a hashtag do movimento é a melhor ou não para alertar as pessoas contra o racismo (alguns acham que deveria ser #somostodoshumanos). Respeitamos e estamos abertos a discutir, ouvir e aprender. Mas nos parece desinformação, má-fé ou algo pior quando alguns querem tentar dizer que estamos chamando exclusivamente os negros de macacos: somos todos macacos!

Se tem agência de propaganda, não deve ser coisa boa, não vale.

O que é isso além de puro preconceito? O que é isso além de “atirar” bananas nos profissionais de comunicação, em sua esmagadora maioria são sérios, engajados pessoal ou profissionalmente em causas importantes. Engenheiros, médicos, jornalistas, TODOS podem querer usar seu expertise por um mundo melhor, menos os publicitários?! Faz sentido isso?

A agência se aproveitou para aparecer ou, ao contrário, estava escondendo que tinha participação

A agência não tinha nenhuma intenção de assumir a paternidade da ação, já que a causa era é infinitamente maior do que isso. E também não tivemos nenhuma restrição em assumir nossa participação quando o repórter do Meio & Mensagem nos procurou dizendo que tinha informações de que nós havíamos participado. Não havia do que se aproveitar, nem a esconder.

Celso Loducca

Fundação Paulo Coelho (beta)

CLICQUE AQUI IR AO SITE DA FUNDAÇÃO PAULO COELHO

Se meu trabalho resistir ao tempo, sempre haverá curiosidade em saber como vivi meus dias.
Meus manuscritos. Meus diários. Os recortes de imprensa. As críticas. As cartas dos leitores. E por aí vai.
Resolvi criar uma Fundação Virtual onde todo este material poderá ser acessado – em qualquer lugar do mundo.

Um local físico não basta – a pesquisa seria limitada àqueles que podem vir até Genebra, onde estamos instalando a Fundação Paulo Coelho (abertura no final de 2014).
Assim, decidimos colocar todo o material na nuvem.
O portal que estão vendo é uma versão beta. Podem ocorrer muitos erros durante a navegação.

Quem puder colaborar conosco, apontando melhoras, por favor enviar um email para Ertz Porfirio
Muito obrigado.

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20 seg leitura: a águia

Um ovo de águia foi colocado, por acaso, no ninho de uma galinha. Quando o filhote nasceu, juntou-se aos pintinhos, e passou a depender da sua mãe adotiva.

Aos poucos, porém, foi sentindo necessidade de voar.

Um belo dia perguntou para a galinha: “quando irei cruzar os céus?”

A pobre galinha, que não sabia como ajudar fugiu da pergunta: “quando você estiver preparado, eu lhe ensino”.

Passou-se mais um tempo, e a águia desconfiou que a mãe não sabia voar. Mas não conseguia soltar-se e voar por si mesma.

“Por que não bate as asas e sobe aos céus?” perguntavam seus irmãos.

“Porque vou ferir minha mãe, que me deu tanto carinho”, respon­dia a águia.

E por causa disto, jamais saiu do chão.

Por que não dou entrevistas?

EN ESPANOL AQUI —> ¿Por qué no doy entrevistas?
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Como já devem ter notado, faz tempo que não dou entrevistas quando publico um novo livro. E isso não se deve, de maneira nenhuma, a uma atitude de arrogancia ou desrespeito com jornalistas. Junto com os livreiros e os leitores, eles colaboraram muito para o meu sucesso.

Então por que decidi parar com entrevistas – exceto para alguns amigos, com quem tenho laços de gratidão ?
Existem várias razoes para isso.

1] as comunidades sociais hoje me permitem chegar diretamente ao leitor, e dizer: “aqui está meu novo título, leiam e recomendem se gostarem”. Portanto, a idéia de promover um livro através da mídia termina sendo redundante.

2] sempre precisei lutar com a idéia de explicar o que escrevi. Penso que o texto deve ser claro o suficiente.

3] os cadernos de cultura, que floresciam na minha época, terminaram acabando. A mais recente perda foi a Ilustríssima, da Folha de São Paulo.

4] em virtude disso, surgem perguntas que não tenho a menor paciência para responder, tais como “Explique o seu sucesso” ou “o que faz com seu dinheiro”. Nada que seja relacionado ao processo criativo em si.

Isso não quer de maneira nenhuma dizer que NUNCA dou entrevistas.
Quando vejo um assunto que julgo importante opinar – como, por exemplo, defender o conteúdo livre na internet (Pirateiem tudo que escrevi) – eu estou sempre acessivel.

O mesmo ocorre quando se trata de promover autores que julgo relevantes – como por exemplo Khalil Gibran ou Malba Tahan, que iluminaram minha juventude. Jamais me furto de fazer com que minha palavra seja ouvida quando vejo alguma barbaridade no terreno político ou cultural.

Só para vocês terem uma idéia, meio bilhão de pessoas em todo o planeta leram meu texto contra a guerra no Iraque, Obrigado Presidente Bush.
Outro exemplo: quando Tony Blair foi convidado para ser “consultor” das Olimpíadas do Rio, eu imediatamente me manifestei, e consegui impedir sua presença. ((leia aqui)

Esperam que me entendam. Não vou ficar quieto quando precisar falar em alto e bom tom. Quanto ao mais, o que preciso dizer hoje em dia está nos livros ou nas comunidades sociais, que administro pessoalmente.

Paulo

Decidindo o destino alheio

Malba Tahan conta a história de um homem que encontrou um anjo no deserto, e lhe deu água. “Sou o anjo da morte e vim buscá-lo”, disse o anjo. “Mas como você foi bom, vou lhe emprestar o Livro do Destino por cinco minutos; você pode alterar o que quiser”.

O anjo entregou o livro. Ao folhear suas páginas, o homem foi lendo a vida dos seus vizinhos. Ficou descontente: “estas pessoas não merecem coisas tão boas”, pen­sou. De caneta em punho, começou piorar a vida de cada um.

Finalmente, chegou na página de seu destino. Viu seu final trági­co, mas quando preparava-se para mudá-lo, o livro sumiu. Já se tinham passado cinco minutos.

E o anjo, ali mesmo, levou a alma do homem.

Culpar os outros é fácil

Hoje sou surpreendido com uma matéria no Valor Economico, que coloca em Luis Ruffato toda a culpa pelo fiasco que foi Frankfurt. O injusto título é “O efeito Luis Ruffato nas letras”. Como o portal é fechado, aqui vai um trecho

Seja pelo alto orçamento, pela seleção dos 70 escritores que faziam parte da delegação oficial, pela ausência-presença de Paulo Coelho ou pelo politizado e franco discurso de abertura que proferiu Luiz Ruffato, as críticas marcaram a presença brasileira, pelo menos no que diz respeito à imprensa nacional e também à alemã. O já batizado “Efeito Ruffato” pode ser traduzido nas palavras que o diretor da feira, Juergen Boos, lançou durante uma coletiva de imprensa: “A participação brasileira destruiu a imagem que se fazia aqui na Alemanha de um país colorido no qual ninguém trabalha, que é como 90% dos alemães viam o Brasil”.
Tantos poréns à participação brasileira em Frankfurt – e aí aparece outro desdobramento do efeito Ruffato – parece ter provocado medo a mais críticas e, portanto, certa retração que ameaça as novas homenagens que vêm aí. A 50ª Feira do Livro Infantil de Bolonha (24 a 27 de março) é o primeiro exemplo, com um orçamento inicialmente de R$ 2,5 milhões anunciado pela Biblioteca Nacional para as atividades do Brasil, que foi reduzido a R$ 1,3 milhão e agora segue indefinido.

Isso é um absurdo. Nao estava lá, mas uma coisa sei: o discurso de Ruffato, muito bem feito, nao teve absolutamente nenhuma repercussão fora do Brasil. Alias, nenhum discurso de abertura da Feira de Frankfurt jamais teve – o interesse é zero. Sei disso porque em 2008 fui um dos convidados para a entrevista coletiva de abertura, e meus comentários tiveram repercussão apenas na Turquia, que era o país homenageado.

Coloquemos os pingos nos “ii”: Por que eu me recusei a ir à Feira?
Aqui está a razão: “Porque recusei o convite do Ministério da Cultura”
E, sem querer dar uma de profeta, acabei tomando uma das decisões mais acertadas de meu 2013.

O que listei foi o que fez com que a presença do Brasil não tivesse nenhuma repercussão: falta de representatividade da delegação convidada.
Hoje o ufanismo diz que “existem agora mais de 200 títulos traduzidos para o alemão”, mas onde estão estes livros?
Em recente viagem à Alemanha, NENHUMA das livrarias que visitei os tem em estoque.
Acompanhei tudo que saiu sobre a Feira durante o mes de outubro, e além da doença de nossos queridos Ziraldo e Cony, até mesmo a imprensa brasileira se esforçava para descobrir notícias inexistentes.
Pobres dos escritores que passaram o ano inteiro esperando por este momento, e que nem em jornais brasileiros tiveram seus nomes mencionados.

A imagem que saia nos poucos jornais estrangeiros que publicaram algo a respeito da presença brasileira era de gente deitada em uma rede, lendo um livro. Pode?

De quem é a culpa?
A curadoria listou 20 escritores representativos e outros 50 que praticamente ninguém tinha ouvido falar – uma visão sem visão, ultrapassada, regida pelas leis da pseudo-intelectualidade, totalmente obscurantista. A literatura brasileira não estava representada ali. E seguramente a culpa NÃO é de Luis Ruffato, que – pelo que li no jornal O Globo na semana passada – terminou com medo de ser agredido por outros participantes brasileiros.
(Nota: não conheço Manuel da Costa Pinto, o curador da feira e crítico da Folha de São Paulo. O vi apenas uma vez, durante uma entrevista que dei para o progrma “Roda Viva”. Não tenho absolutamente nada contra a pessoa, mas questiono seus critérios, assim como ele tem o direito de questionar meus critérios literários)

Ou seja: o Brasil perdeu uma excelente oportunidade de mostrar a força de sua literatura jovem, dinâmica, que atrai leitores para as livrarias.
O autor Nassim Nicholas Taleb, em seu livro “Black Swan”, usa um termo muito próprio: a falácia da narrativa. As pessoas desenvolvem toda uma teoria, começam a repetir umas as outras a mesma história, terminam se convencendo que estão certas, e assim vivem felizes por algum tempo até que essa narrativa, totalmente falsa, cai por terra quando a teoria é aplicada.

A presença do Brasil na Feira de Frankfurt foi uma demonstração clássica desta “falácia da narrativa”. Deu no que deu, e custou 19 milhões de reais.

30 sec leitura|: a brasa solitária

Juan ia sempre aos serviços dominicais de sua congregação. Mas começou a achar que o pastor dizia sempre as mesmas coisas, e parou de frequentar a igreja.

Dois meses depois, em uma fria noite de inverno, o pastor foi visitá-lo.
“Deve ter vindo para tentar convencer-me a voltar”, pensou Juan consigo mesmo. Imaginou que não podia dizer a verdadeira razão: os sermões repetitivos.
Precisava encontrar uma desculpa, e enquanto pensava colocou duas cadeiras diante da lareira, e começou a falar sobre o tempo.

O pastor não disse nada.

Juan, depois de tentar inutilmente puxar conversa por algum tempo, também calou-se.
Os dois ficaram em silêncio, contemplando o fogo por quase meia-hora.

Foi então que o pastor levantou-se, e com a ajuda de um galho que ainda não tinha queimado, afastou uma brasa, colocando-a longe do fogo.
A brasa, como não tinha suficiente calor para continuar queimando, começou a apagar. Juan, mais que depressa, atirou-a de volta ao centro da lareira.

“Boa noite”, disse o pastor, levantando-se para sair.

“Boa noite e muito obrigado”, respondeu Juan. “A brasa longe do fogo, por mais brilhante que seja, terminará extinguindo rapidamente.
“O homem longe dos seus semelhantes, por mais inteligente que seja, não conseguirá conservar seu calor e sua chama. Voltarei à igreja no próximo domingo.”

Hangout com Jovem Nerd 09/10/2013

Mentiras, Morais, Marta e Mimimi que não acaba

From: Paulo Coelho
Date: Sun, 06 Oct 2013 18:37:29 +0200
To: Fernando Morais

Que interessante link , Fernando.
Agora espero sinceramente que voce faça um post ali (não um comentário, porque ninguem le comentário ali) contando em detalhes nossa conversa de segunda-feira
a] que a Marta te procurou duas vezes na segunda. Já havia te procurado antes [quereudo falar comigo], tenho email dela que voce me repassou
b] que o objetivo do seu telefonema era dizer que eu teria meu auditório de mil lugares, que ela tinha conseguido isso
dc] que eu demonstrei nao apenas espanto, mas irritaçao. EU NUNCA pedi isso, tinha um auditorio de 600 lugares na Feira, e um auditorio de 2.000 lugares no Maritm Frankfurt
d] enviei um email para voce, como pediu, para que repassasse para Marta. Ali mostrava minha surpresa e indignidade.

Ontem o escritor e biógrafo Fernando Morais (escreveu “O Mago”) me enviou um link de um portal, aparentemente ligado ao PT, com um post cheio de mentiras. Mentiras que podem ser comprovadas.

Fernando MOrais sabia que tudo era invenção. Conversamos na segunda-feira, com testemunhas de ambos os lados, mas resumindo:

1 -há dias me informa que Marta Suplicy quer conversar comigo. Perguntou se podia dar meu email privado, eu disse que tudo bem.
2= Recebi um email de alguem do Gabinete de Marta, pedindo que entrasse em contato com ela urgente. Não respondi.

Na segunda dia 30 de setembro, Fernando me enviou mais de uma mensagem via email. Disse que quando chegasse em casa telefonaria, e foi o que fiz. Fiquei horrorizado com o que me disse.
Ou
a] mentem para a ministra descaradamente
b] ela não acompanha de perto o que está acontecendo.

c] Fernando me pediu que enviasse um email, que ele repassaria para Marta. Fiz isso

Tenho provas (minha agente em fevereiro pediu para que eu abrisse a Feira, e rebati na hora). Tanto o diretor da Feira, Juergen Boss, como a minha editora local, Diogenes, podem confirmar facilmente as mentiras.

Enviei o email que abre este post.
Pedi a Fernando para escrever ali (conhece os admins) e desmentir. Eu na verdade não tinha a menor idéia do que estavam armando (embora deduzisse que estavam armando algo).

Pois bem: Fernando disse que podia escrever ali um comentário ali dizendo que o Brasil não me valoriza (o que não é verdade, mas isso é um outro tema).
Mas que não ia se meter em “picuínhas”.
Eu disse que um comentário ali daria credibilidade ao que o post acusava.
Fernando, sempre tão correto, de repente mostrou que não quer se envolver em “picuínhas”, quando o que está em jogo é um post mentiroso – mas de um blog ligado ao PT.

Fica o registro: minha biografia é absolutamente correta. Não tem os erros do post

Escritores convidados Frankfurt 2013

Aqui está a delegação de escritores da Feira do Livro de Frankfurt (fonte: Biblioteca Nacional )

Adélia Prado (Minas Gerais)

Adriana Lisboa (Rio de Janeiro)

Affonso Romano de Sant’Anna (Minas Gerais)

Age de Carvalho (Pará)

Alice Ruiz (Paraná)

Ana Maria Machado (Rio de Janeiro)

Ana Miranda (Ceará)

André Sant’Anna (Minas Gerais)

Andrea del Fuego (São Paulo)

Angela Lago (Minas Gerais)

Antonio Carlos Viana (Sergipe)

Beatriz Bracher (São Paulo)

Bernardo Ajzenberg (São Paulo)

Bernardo Carvalho (Rio de Janeiro)

Carlos Heitor Cony (Rio de Janeiro)

Carola Saavedra (Rio de Janeiro)

Chacal (Rio de Janeiro)

Cíntia Moscovich (Rio Grande do Sul)

Cristovão Tezza (Santa Catarina)

Daniel Galera (Rio Grande do Sul)

Daniel Munduruku (Pará)

Eva Furnari (São Paulo)

Fábio Moon e Gabriel Bá (São Paulo)

Fernando Gonsales (São Paulo)

Fernando Morais (Minas Gerais)

Fernando Vilela (São Paulo)

Ferréz (São Paulo)

Flora Süssekind (Rio de Janeiro)

Francisco Alvim (Minas Gerais)

Ignácio de Loyola Brandão (São Paulo)

João Almino (Rio Grande do Norte)

João Gilberto Noll (Rio Grande do Sul)

João Ubaldo Ribeiro (Bahia)

Joca Reiners Terron (Mato Grosso)

José Miguel Wisnik (São Paulo)

José Murilo de Carvalho (Minas Gerais)

Laurentino Gomes (Paraná)

Lelis (Minas Gerais)

Lilia Moritz Schwarcz (São Paulo)

Lourenço Mutarelli (São Paulo)

Luiz Costa Lima (Maranhão)

Luiz Ruffato (Minas Gerais)

Manuela Carneiro da Cunha (Portugal – São Paulo)

Marçal Aquino (São Paulo)

Marcelino Freire (Pernambuco)

Maria Esther Maciel (Minas Gerais)

Maria Rita Kehl (São Paulo)

Marina Colasanti (Rio de Janeiro)

Mauricio de Sousa (São Paulo)

Michel Laub (Rio Grande do Sul)

Miguel Nicolelis (São Paulo)

Nélida Piñón (Rio de Janeiro)

Nicolas Behr (Mato Grosso)

Nuno Ramos (São Paulo)

Patricia Melo (São Paulo)

Paulo Coelho (Rio de Janeiro)

Paulo Henriques Britto (Rio de Janeiro)

Paulo Lins (Rio de Janeiro)

Pedro Bandeira (São Paulo)

Roger Mello (Distrito Federal – Brasília)

Ronaldo Correia de Brito (Ceará)

Ruth Rocha (São Paulo)

Ruy Castro (Minas Gerais)

Sérgio Sant’Anna (Rio de Janeiro)

Silviano Santiago (Minas Gerais)

Teixeira Coelho (São Paulo)

Veronica Stigger (Rio Grande do Sul)

Walnice Nogueira Galvão (São Paulo)

Ziraldo (Minas Gerais)

“Por que recusou o convite do Ministério da Cultura?”

 
 

[ACIMA: HANGOUT COM JOVEM NERD, ÚNICA ENTREVISTA QUE DEI PARA BRASIL
ABAIXO, ALGUNS TRECHOS DA ENTREVISTA. A MATERIA SAIU NO DOMINGO, DIA DE OUTUBRO, NA ALEMANHA.]

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logo_die_welt>Martin Scholz_Interview with Paulo Coelho for Welt am Sonntag, Sunday 06 October 2013


WELT AM SONNTAG: Na próxima semana, a maior feira literária do mundo abre suas portas em Frankfurt. O Brasil é o país de honra, mas você que é o autor brasileiro de maior sucesso não participará. Por que recusou o convite do Ministério da Cultura?

PAULO COELHO: Estou em constante contato com jovens escritores do meu país. Mas quando o governo chega para apresentar oficialmente a cultura brasileira em outros lugares, infelizmente esses são ignorados e a políticagem interna acaba predominando. O Ministério da Cultura do Brasil convidou 70 pessoas para irem à Frankfurt…

WaS: 70 escritores.
PC: Eu duvido que sejam todos escritores profissionais. Dos 70 escritores convidados (LISTA AQUI) , eu conheço apenas 20, então os outros 50 nunca ouvi falar. Presumo que sejam amigos de amigos de amigos. Nepotismo. O que me incomoda mais: EXISTE uma nova e excitante cena literária brasileira. Mas a maioria desses jovens autores não está nessa lista.

WaS: Por que você não exerceu sua influência como membro da Academia?
PC: Falei publicamente e conversei com muitos colegas escritores que não foram convidados para Frankfurt como Eduardo Spohr, Carolina Munhóz, André Vianco, Felipe Neto e Raphael Draccon, só para mencionar alguns nomes. Eu tentei ao máximo levá-los para a feira, mas sem sucesso. Então, por protesto, eu DECIDI não ir mais para Frankfurt, o que foi uma decisão difícil por diversos motivos. Primeiro porque eu sempre quis ser convidado para um evento como este pelo meu governo, mas também porque tenho fortes laços com a Feira de Frankfurt, especialmente com seu diretor Jürgen Boos, que não só reconheceu o processo de transformação do impresso para o digital, como colocou o tópico até na programação da feira. Ele iniciou vários fóruns e painéis com o assunto. Outras feiras do mesmo molde, como a de Genebra e Paris estão deteriorando porque se prendem a antigos conceitos. Eu NÃO vou para Frankfurt mesmo com a alta estima que tenho por essa feira porque simplesmente não aprovo o modo que está sendo representada a literatura brasileira. Não quero posar de um Robin Hood brasileiro. Nem de Zorro ou Cavaleiro Solitário. Mas não pareceria certo ser parte da delegação oficial brasileira, do qual não conheço a maioria dos escritores e que exclui tantos outros.

WaS: Isso te deixa claramente chateado.

PC: Porque isso é apenas um dos diversos pontos críticos do atual cenário governamental brasileiro. Eu apoiei esse governo e estou muito decepcionado com isso. Existe uma lei que permite grandes empresas como a Volkswagen investirem parte de seus impostos em projetos culturais. Essa lei foi modificada de tal forma que a alta costura brasileira é sustentada por essas taxas – uma indústria que não precisava desse tipo de apoio de forma alguma. Esse é apenas um detalhe, mas é um exemplo do que acontece em larga escala. Para mim, o atual governo brasileiro é um desastre. Onde quer que eu vá, as pessoas sempre me perguntam o que está acontecendo de errado em meu país. O governo fez grandes promessas e não as manteve. Isso é o que está acontecendo de errado.

WaS: Recentemente centenas de milhares de pessoas em mais de 140 cidades protestaram contra a corrupção, má gestão e desigualdade social. O que passa pela sua mente quando vê todas essas imagens de tumultos nos noticiários?
PC: Estou muito preocupado, sobretudo porque não parece ter um fim breve. Tudo começou quando aumentaram as tarifas de ônibus. E quando, após a Copa das Confederações, um país louco por futebol como o Brasil admitiu publicamente que temos problemas mais urgentes que modernizar nossos estádios para o Campeonato Mundial – isso já foi uma grande declaração. No entanto, todo mundo foi pego de surpresa pelo escopo de raiva pública. Porque o Brasil tinha sido cotado como o novo país do momento. O problema é que uma grande parte da população não tem sido capaz de lucrar com esse momento. A violência no Rio de Janeiro é um grande problema. O governador prometeu encontrar uma solução, mas ele não manteve sua promessa. São Paulo não tem uma situação melhor. Não importa onde você olha, o demônio da corrupção está olhando de volta pra você. Em uma situação tão tensa, elevar as tarifas de ônibus parece ter sido a gota d’água para quebrar as costas do camelo. Pessoas respondem coisas desse tipo. Com a minha fundação apoio crianças carentes de favelas durante anos, sem nunca ter recebido apoio financeiro ou até mesmo uma palavra de reconhecimento por parte do governo. Eu me encontro em uma situação semelhante à de muitos colegas brasileiros. Eu votei no governo de esquerda, pelo qual tinha grandes esperanças. Estive cego por muito tempo, não querendo ver o que acontecia de errado. E eu me mantenho pela minha crítica.


WaS: Nestas circunstâncias, o que você espera do campeonato mundial no próximo ano? O ex-craque Ronaldinho mostrou pouca simpatia pelos manifestantes. Ele disse que campeonatos não eram sobre construções de hospitais ou ruas, mas sim de estádios.

PC: Essa foi uma observação muito estúpida. Ronaldinho deveria ter mantido sua boca fechada. Claro que hospitais, escolas e acima de tudo um bom sistema de transporte público são mais importantes para um país como o Brasil que estádios de futebol. O transporte público ainda é um grande problema no Brasil. A infraestrutura não é apenas ruim, mas uma decadência total. No entanto, não perdi por completo a esperança que antes da Copa vamos chegar aos nossos sentidos e usar os investimentos para o campeonato de uma forma que os brasileiros possam lucrar, mesmo após os jogos. Estou em dúvida, no entanto. Mas agora estou falando há um tempo sobre o Brasil e percebi que não pintei um quadro muito positivo do meu país.

WaS: Isso é ruim?
PC: Não, você pode manter isso. Especialmente porque já expresso parte dessa crítica no Facebook e no Twitter, embora em pequenos pedaços e não em um grande bloco como está sendo agora em nossa conversa. Essa é a grande coisa sobre redes sociais. Se eu tenho algo a dizer, digo. Não preciso dar longas entrevistas a jornalistas que predominantemente vão procurar fraquezas e argumentos falhos e focar neles diversas vezes. Hoje em dia, eu prefiro dividir os meus comentários imediatamente com os meus 8,5 milhões de seguidores no twitter, ou com meus 12 milhões de amigos no Facebook. Instantaneamente. Globalmente.

WaS: A revista Forbes declarou que você é a segunda personalidade mais influente no twitter depois de Justin Bieber. No Facebook você agora tem mais seguidores do que Madonna. Não se torna assustador ter este número crescente de devotos on-line esperando que você dê um significado a suas vidas?
PC: Nem um pouco. Eu gosto de participar de redes sociais porque é divertido e acho gratificante. Agora estou ligado aos meus leitores de todo o mundo de uma maneira que antes das redes sociais emergirem não era possível. Deixe-me dar-lhe um exemplo: sessões de autógrafos costumavam ser frustrante. 200 ou 300 pessoas ficavam muito felizes, porque conseguiam um autógrafo meu. Muitos outros ficavam irritados porque tinham esperado na fila e foram mandados para casa de mãos vazias, já que não posso assinar livros por oito horas a fio.

WaS: Mas para enviar mensagens no Twitter e no Facebook para seus fãs em todos os cantos do mundo, todos os dias, pode ser cansativo também, certo?

PC: Eu não preciso estar on-line todos os dias e não estou. Você não tem que escrever um livro a cada dia a fim de se considerar um escritor, não é? Eu uso o twitter e posto no Facebook quando quero.

WaS: Você tem vontade de salvar o mundo através das redes sociais?

PC: Eu não quero salvar o mundo, eu meramente construo algumas pontes. E atualmente não sou o único. O novo presidente iraniano abriu sua conta própria no Twitter (ou teve alguém para fazer isso por ele) e escreveu: “Feliz ano novo, meus amigos judeus”. Uma pequena mudança paradigmática, que não deve passar despercebida.

WaS: O que você diz a seus colegas escritores que consideram Blogs e Twitter uma perda de tempo?
PC: Francamente, eu não entendo a recusa. As redes sociais permitem que você experimente novas formas de escrita. Eu escrevo de uma forma diferente para um blog, um romance, tweet ou em um post no Facebook. Nas redes sociais, posso discutir temas que meus leitores ou eu consideramos importantes. Isso não significa que todos esses posts tenha que transformar em um livro. Mas através dessas redes posso chegar a uma comunidade gigantesca. Pessoas que não vão mais a muitas livrarias e são pouco interessadas em livros. Eles pensam que livros são chatos. Minha experiência é a seguinte: se eu publicar textos na internet, posso interessa-los em os meus livros. Não devemos demonizar essas novas formas de comunicação.
Também acho desconcertante quando os meus colegas escrevem: “a internet mata literatura” e em seguida publicam esses textos online. Eles escrevem na internet para reclamar da internet. Isso é como ser casado e só falar com sua esposa a fim de reclamar dela. Isso não funciona.

WaS: Você recentemente chocou o mundo editorial com um experimento altamente incomum. Em seu site incentiva usuários a baixar vários formatos e traduções de seus próprios livros. Gratuitamente. No entanto, as vendas de seus livros impressos continuam a aumentar apesar disso ou por causa desses downloads gratuitos, o que causa curiosidade entre a indústria editorial que está convenientemente ignorada. Por que ninguém lhe imitou ainda?

PC: Eu não tenho resposta para isso. Eu fico me repetindo: se você é um verdadeiro artista, então o seu principal objetivo é ser notado.

WaS: Na verdade, você já era um autor best-seller antes mesmo da chegada de downloads – que acabou sendo uma ferramenta de marketing interessante para impulsionar ainda mais suas vendas.
PC: Isso é o que eu continuo ouvindo: Paulo Coelho pode se dar ao luxo de permitir downloads gratuitos de seus livros, porque ele já é famoso. Eu sempre discordo: “eu sou quem eu sou hoje porque sempre tomo riscos e porque estou aberto a novas ideias”. Muitos colegas dizem: “eu não dou os meus livros gratuitamente na internet”. O que já mostra que eles não entendem o núcleo do mundo digital – que compartilhar termina somando ao invés de dividir.  Não consigo explicar por que meus livros impressos vendem melhor hoje do que antes dos meus compartilhamentos, mas o que parece ser o caso é que a maioria dos leitores que baixa o primeiro livro de graça, depois sentem certa obrigação de comprar o livro impresso. Pelo menos os jovens escritores não parecem pessimistas com as redes sociais. Muitos jovens escritores brasileiros abraçam essas oportunidades. Para eles sou um pouco de modelo. Eles até inventaram um bom apelido para mim: me chamam de Mago dos Nerds.

WaS : Isso é um elogio?
PC: Eu acredito realmente que sim.

A foto e seu autor

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André Barcinski sumiu do Twitter ( WTF??? ) mas continua com seu blog na Folha de São Paulo
Sou leitor do mesmo.

Hoje, vendo um lindissimo post sobre a emoção causada pelo Boss cantando Sociedade Alternativa
(Bruce toca Raul e a gente chora )
resolvi fazer uma coisa que raramente faço: colocar um comentário ali.

Jamais posto comentários anônimos, por sinal.

E eis que descubro o autor da foto abaixo!
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Nas palavras do próprio André:

Andre Barcinski comentou em 21/09/13 at 11:48 Responder

Muito legal te ver por aqui, Paulo, e muito obrigado pelos esclarecimentos. Também tenho um esclarecimento a fazer: sabe aquela foto famosa sua com o Raul, nesse show do Canecão? Acho que é a última foto de vocês dois juntos, certo? Pois é, fui eu que fiz. Eu trabalhava pro Jornal do Brasil e fotografei o show. Essa foto circula muito, mas nunca com o crédito. Tenho um orgulho danado de ter registrado esse momento. Grande abraço pra você e apareça mais vezes aqui no blog, por favor.

Como André não tem Twitter, se algum amigo dele ler este post, favor avisa-lo

Frankfurt I

Neste final de semana, um colunista, uma revista e um jornal entraram em contato comigo para saber se não vou à Feira do Livro de Frankfurt por causa da “desorganização.” Talvez esse interesse tenha ocorrido por causa dos frequentes tuites que postei sobre o Ministério da Costura (antes conhecido por Ministério da Cultura, mas que no momento se dedica a justificar os subsídios da Lei Rouanet à alta costura: Marta Suplicy libera verba para desfiles de luxo )

Preciso esclarecer alguns pontos:

ORGANIZAÇÃO
Embora eu seja convidado da delegação oficial, quem organizou minha ida foi minha editora alemã.
Portanto, tenho hotel (com banheiro no quarto!), carro, etc.
“Banheiro no quarto, o que é isso? “ alguém perguntará.
O fato é que o Brasil, embora já saiba há anos que seria o convidado de honra em 2013, reservou quartos sem banheiro para escritores. Leio na coluna de Ancelmo Gois nesta sexta: A ministra Marta Suplicy reconhece que ainda não foi escolhido o lugar onde vão ficar hospedados os 70 escritores da delegação brasileira na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, dia 8 de outubro:— Mandei fazer uma nova licitação depois que descobri que o hotel dos nossos escritores não tinha banheiro nos quartos.
Vamos torcer para que consigam hotéis na cidade. Ou os escritores terão banheiro no quarto, mas precisarão viajar todos os dias no mínimo por 1:30 hr (40 min para ida + volta) , já que os hotéis – no momento – estão completamente lotados.

A ENTREVISTA
Nesta quinta feira, dia 5, resolvi dar uma única entrevista, para o maior jornal alemão, Die Welt. A entrevista será publicada no domingo, dia 6 de outubro.
O jornalista disse que não conhecia absolutamente ninguém da lista.
Minha editora alemã, Ruth Geiger, presente na entrevista, disse que o comentário em Frankfurt é o seguinte: “ao invés de trazer escritores consagrados, o Brasil optou por trazer desconhecidos e assim mostrar a nova face da literatura brasileira”.

QUEM É QUEM?
Vejam aqui: Lista de escritores brasileiros convidados para a Feira de Frankfurt 2013
Dos 70 nomes, conheço 22, e já li 17 autores – que realmente merecem estar ali. O resto simplesmente não tenho idéia de quem seja.
Mas checando um por um dos 48 que nunca ouvi falar, descobri que estão longe de ser “a nova face da literatura brasileira”.
Pedi a algumas pessoas que me dissessem quais autores conheciam. A contagem variou entre quatro e cinco. E você, quantos conhece?

BIENAL DO LIVRO RIO DE JANEIRO
Encerrada ontem, e merecidamente homenageando o Ziraldo, podemos ler em qualquer jornal os autores nacionais que fizeram sucesso junto ao público: a verdadeira nova literatura brasileira.
Veja o que escreve Raquel Cozer na Folha de São Paulo: A hora dos nacionais
Alguns exemplos: Andre Vianco, Felipe Neto, Carolina Munhoz, Eduardo Sphor, Raphael Draccon, e muitos mais. Além destes, temos Deive Passos e Alexandre Ottoni, autores do Protocolo Bluehand - que não estiveram na Bienal mas escreveram um livro fantástico.
Nenhum deles está na lista.

O MINISTÉRIO DA CULTURA/COSTURA E MEU TRABALHO
EU nunca tive nenhuma tradução subsidiada pelo governo (agora apareceu um chinês que pediu, mas sem minha permissão ou conhecimento). Meus livros estão em 72 linguas, detenho o recorde de autor vivo mais traduzido do mundo. Sou publicado em 155 países.
O Ministério da Cultura nunca me ajudou. Não entrei na lista oficial de Frankfurt 1994 (ainda bem, foi um desastre).
Em 1998, fui vetado pela Biblioteca Nacional para participar do Salon du Livre de Paris, embora tivesse 3 livros na lista dos mais vendidos na França (participei a convite de minha editora francesa, e foi fantástico).
Em 2008, o patético ex-ministro Juca Ferreira desmarcou em cima da hora sua presença na festa organizada por meus editores, celebrando àquela altura 100 milhões de livros vendidos ( por sinal, nunca devolveu o convite).

MUDA BRASIL
Em junho deste ano, assistimos as manifestações que pediam mudanças estruturais. Pelo visto, a mudança até agora foi permitir que a Lei Rouanet apoie desfile de moda.
Na época, postei um tuite dizendo que estou seriamente repensando minha presença em Frankfurt. Ainda não decidi nada, mas se deixar de ir não será por falta de organização.
Será por não compactuar com o que o governo brasileiro quer mostrar ali.

Como diz Reinaldo Azevedo, de quem discordo em genero, número e grau de tudo que posta sobre política, mas concordo com tudo que posta sobre cultura: volto ao assunto mais adiante.

Minha vida em 750 GB

Em 1996 realizei, junto com minha mulher Christina Oticica, um grande sonho. A criação do Instituto Paulo Coelho, uma instituição sem fins lucrativos, financiada exclusivamente por meuss direitos autoraisinst00
Em seguida, veio aquela pergunta de sempre: caso o meu trabalho ainda seja lembrado no futuro, o que fazer com todo o material que tenho, e que pode servir para pesquisas? Costuma-se ver o sucesso como um mar de rosas, e eu queria dar a todos a possibilidade de ver que não é bem assim. Desta maneira, as pessoas lutariam por seus sonhos com mais segurança, sabendo que existem muitas armadilhas no caminho.
A resposta para tal pergunta me pareceu simples:
a] criar uma Fundação com todo o material que tenho, da certidão de nascimento dos meus pais às críticas negativas,
das fotos de infância às fotos da carreira
dos originais digitalizados de todos os meus livros até os recibos de viagem que guardava em minhas prinmeiras andanças pelo mundo.
infancia1[1]Paulo-Coelho--008

b] permitir que pessoas do planeta inteiro tivessem acesso a ela, já que meus livros estão editados em 72 línguas e presentes em mais de 150 países.

A partir de 2001 o arquivo começou a ser digitalizado, e desde então é atualizado sistematicamente.
Tal material é colocado na “nuvem” (ainda com acesso restrito), e poderá no futuro ser visualizado em qualquer canto da Terra.

Mas com dezenas de milhares de documentos, fotos, certidões, etc., de 1947 até hoje, onde chegamos?
750
Até o momento, em 750 GB. O disco em questão cabe no bolso do meu paletó.

Começamos a procurar um lugar para a Fundação física. Mas honestamente, quem se interessaria por isso?
O meu ego. O ego da minha mulher.
E mais ninguém.
E as dores de cabeça resultantes de uma fundaçao física, com funcionários, exposição, programação cultural, etc. não compensam. Resolvemos, portanto, manter apenas a Fundação Virtual, e uma sala de 150 m2 onde todo o material será guardado em papel.
Desistimos da idéia.

Lembrei disso hoje por causa da conferência de Silvio Meira, Professor do Centro de Informação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e cientista-chefe do Centro de Estudos de Sistemas Avançados do Recife. Na excelente matéria de Raquel Cozer, na Folha de São Paulo, Silvio diz:
“Me perguntaram quando vai ter livraria em Taperoá, cidade de 12 mil habitantes onde nasci. Respondi: ‘Nunca. Nem vai precisar. Provavelmente nem de biblioteca vai precisar’.”

Fica o registro.

Publishnews: não seja tão crítico com o gosto dos outros

Na Publishnews, o portal de referencia no mercado editorial brasileiro, uma excelente matéria sobre o mercado editorial, escrita por Pedro Almeida, jornalista e professor de literatura.
Na semana passada, a Folha de São Paulo publicou outro grande artigo sobre as mudanças do mercado editorial.
Pelo visto, vozes sensatas começam a ser a regra, e não a exceção.
Quem lucra são os autores e os leitores.

A seguir, trechos do artigo “Um novo mercado, um novo olhar”:

Penso que as opiniões sobre o mercado, muitas tratadas como regras ou verdades, são frutos de opiniões obsoletas, sensações, frutos do senso comum. Já escrevi aqui algumas vezes sobre nossa mania de tratar a literatura como algo sagrado, complexo, o que a tornou elitista e distante e que nos fez estabelecer valores tão arraigados sobre o que é bom e ruim, o que deve ou não ser publicado.

***

Uma série de autores/artistas hoje tratados como cult, no passado, ou mesmo em sua época, eram tratados como beberrões, filósofos de esquina ou equivalentes. De modo que ou a inteligência de sua época estava toda errada, ou os valores mudaram, ou nosso gosto piorou bastante.

***

“Valor cultural dos livros”. Ainda é uma expressão que circula livremente. Cresci ouvindo que ler sempre é bom. Com o tempo elegi meus autores preferidos, sempre pautado por dois aspectos: conhecendo autores/obras e escolhendo aqueles que me diziam algo. Quando a oferta do número de livros e autores aumentou no mercado, começou-se um discurso sobre o que era bom ou ruim. […] Penso que falta ainda respeito pelo gosto dos outros, é como se vivêssemos numa ditadura literária. Livro é como musica, roupa, sapato, comida. Cada um tem uma dialética para defender seu gosto e contar suas vantagens. Para uns é instrução, para outros, prazer, autoconhecimento, evolução pessoal.

***

Essa crítica de valor parece um coro de pessoas que pertencem ao mesmo clube, fazem as mesmas coisas e frequentam os mesmos lugares (ou gostariam de frequentar). Então a crítica acaba sempre se referindo a um tipo de leitor, como se fosse uma defesa dos valores de um grupo. Um erro. Estamos tratando os livros como se fôssemos uma torcida de time de futebol, fingindo ser mais civilizados que as torcidas, quando na verdade somos irônicos, sarcásticos, mais perversos que torcedores, e por isso podemos provocar danos mais profundos, porque são elaborados.

***

Por que, por exemplo, um programa de apoio a traduções no Brasil contempla apenas autores consagrados pela crítica? Porque essa crítica, que representa apenas um grupo de leitores, continua guiando desde premiações, estilos e escolas literárias a oficinas e palestras em bienais. Devemos buscar uma visão mais democrática, pensar mais nos leitores, no público, no incentivo para que o bolo (número de leitores) cresça e não continue pautado pelas mesmas visões de sempre.

***

A literatura que você aprova hoje, se não for por afinidade muito pessoal, talvez o fará sentir vergonha no futuro, da mesma forma que ri hoje dos penteados e moda dos anos 80. Comentário: não seja tão crítico com o gosto dos outros.

“O discurso não é esse livro é ruim, é não gostei desse livro'”

critic

criticVivo lendo reclamações de críticos e pseudo-acadêmicos, dizendo as coisas de sempre: a cultura empobreceu, os leitores estão mais burros, a internet é o anticristo, o ivro eletrônico “não tem cheiro”, coisas do tipo.
Na verdade, quem perdeu completamente a sintonia com o mundo foi esse tipo de gente. Desesperados porque já ninguém escuta o que dizem, resta-lhes apenas a “demoníaca” internet para expressarem suas lamentações.
Andei fazendo uma pesquisa nestes portais. Cada artigo tem um ou dois comentários, de gente que escreve em portais semelhantes.

Enfim, nada mais triste – mas também nada mais merecido.
Os arautos da “alta cultura” foram pego de surpresa, à semelhança dos aristocratas que curtiam suas festas em Versailles, França, em 1789: um belo dia, sem qualquer aviso, a população revoltou-se e a grande maioria foi parar na guilhotina.
No caso da “alta cultura”, a revolução foi menos visível, e nem por isso menos contundente.
Há anos ninguém escuta o que dizem, mas como ocorre com todos aqueles que estão trancados em suas torres de marfim, só agora passaram a ser dar conta.

Isso quer dizer que não existe mais crítica literária? Claro que existe.
Mas o objetivo não é demolir o trabalho alheio, nem arrotar cultura com dezenas de citações.
O objetivo é muito simples: dizer se gostou ou não gostou de um livro.

Neste sábado, as jornalistas Raquel Cozer e Fernanda Ezabella publicaram uma interessante matéria na Folha de São Paulo, dividida
em duas partes
Resenhas literárias de amadores na internet atraem leitores e abrem filão para editoras e Blogueiros resenhistas dizem que chegam a ler 70 livros em um só ano

Como não poderia deixar de ser, existe ainda uma terceira parte, uma “análise” feita por alguém do sistema acadêmico, colocando tudo sob suspeita, aventando a hipótese que que a revolução da crítica é algo manipulado pelas editoras. Enfim, a “análise”que confirma tudo que disse acima.

A matéria vem em um momento bastante oportuno. Postei um dos links acima do meu Twitter, e fiquei supreso com a receptividade, embora tenha sido “insultado” porque o link levava para um portal pago (“vc está querendo nos convencer a assinar a Folha?” disse um. “Só pode ler quem é rico” disse outro). Resolvi cortar algumas partes e coloca-las aqui.

Abaixo alguns pontos da matéria de Cozer e Ezabella:

Todo mês, 75 mil pessoas acessam os vídeos em que o paulista Danilo Leonardi, 26, comenta livros. A carioca Ana Grilo, 37, diz ler até 150 títulos por ano para seu blog de resenhas, escrito em inglês. O americano Donald Mitchell, 66, já publicou 4.475 resenhas na Amazon -por parte delas, levantou R$ 70 mil, doados para uma ONG beneficente.

Os três são personagens de um movimento que, nos últimos anos, chamou a atenção de editoras e virou negócio: o de críticas de livros feitas na internet por amadores, que, com linguagem mais simples, atraem milhares de leitores.

Com o aumento na venda de e-books, a expansão da autopublicação e a concorrência ferrenha entre editoras, textos escritos por hobby ou por até R$ 1.000 tornaram-se uma alternativa de divulgação capaz de atingir nichos e multiplicar vendas de livros.

Nos EUA, páginas como o Hollywood Book Reviews e o Pacific Book Review cobram de autores e editoras de R$ 250 a R$ 800 por textos a serem publicados em até 26 sites, incluindo seções de comentários de lojas virtuais.
O “pagamento”, ressaltam editoras e blogueiros, são apenas os livros a serem avaliados, nunca dinheiro.

Enquanto críticas feitas por especialistas em jornais fazem livreiros dar destaque aos títulos nas lojas, blogueiros atraem leitores de gosto similar e alimentam o boca a boca. (meu comentário: será mesmo? Duas séries, “Crespúsculo” e “50 Tons” tiveram todo o destaque necessário nas lojas. O livreiro está sempre muito antenado, e notou que caderno de cultura já perdeu por completo a relevância)

“É bem pessoal. Eles deixam claro que é o canto deles”, diz a gerente de marketing da Intrínseca, Heloiza Daou.

“O discurso não é ‘esse livro é ruim’, é ‘não gostei desse livro'”, diz Diana Passy, gerente de mídias sociais da Companhia das Letras.

Nhá Chica de Baependi (beatificada em 4 maio 2013)

nhachica


O que é um milagre?
Existem definições de todos os tipos: algo que vai contra as leis da natureza, intercessões em momentos de crise profunda, coisas cientificamente impossíveis, etc.
Eu tenho minha própria definição: milagre é aquilo que enche o nosso coração de paz. Ás vezes se manifesta sob forma de uma cura, de um desejo atendido, não importa – o resultado é que, quando o milagre acontece, sentimos uma profunda reverência pela graça que Deus nos concedeu.

Há vinte e tantos anos atrás, quando eu vivia meu período hippie, minha irmã me convidou para ser padrinho de sua primeira filha. Adorei o convite, fiquei contente que ela não me pediu para que cortasse os cabelos (naquela época, chegavam até a cintura), nem me exigiu um presente caro para a afilhada (eu não teria como comprar).
A filha nasceu, o primeiro ano se passou, e o batizado não acontecia nunca. Achei que minha irmã tinha mudado de idéia, fui perguntar o que havia acontecido, e ela respondeu: “Você continua padrinho. Acontece que eu fiz uma promessa para Nhá Chica, e quero batizá-la em Baependi, porque ela me concedeu uma graça”.

Não sabia onde era Baependi, e jamais tinha escutado falar de Nhá Chica. O período hippie passou, eu me tornei executivo de gravadora, minha irmã teve uma outra filha, e nada de batizado. Finalmente, em 1978, a decisão foi tomada, e as duas famílias – dela e de seu ex-marido – foram a Baependi. Ali eu descobri que a tal Nhá Chica, que não tinha dinheiro nem para seu próprio sustento, havia passado 30 anos construindo uma igreja e ajudando os pobres.

Eu vinha de um período muito turbulento em minha vida, e já não acreditava mais em Deus. Ou melhor, dizendo, já não achava que procurar o mundo espiritual tinha muita importância: o que contava eram as coisas deste mundo, e os resultados que pudesse conseguir. Tinha abandonado meus sonhos loucos da juventude – entre os quais, ser escritor – e não pretendia voltar a ter ilusões.
Estava ali naquela igreja para apenas cumprir um dever social; enquanto esperava a hora do batizado, comecei a passear pelos arredores, e terminei entrando na humilde casa de Nhá Chica, ao lado da igreja. Dois cômodos, e um pequeno altar, com algumas imagens de santos, e um vaso com duas rosas vermelhas e uma branca.

Num impulso, diferente de tudo o que eu pensava na época, fiz um pedido: se, algum dia, eu conseguir ser o escritor que queria ser e já não quero mais, voltarei aqui quando tiver 50 anos, e trarei duas rosas vermelhas e uma branca.

Apenas para me lembrar do batizado, comprei um retrato de Nhá Chica. Na volta para o Rio, o desastre: um ônibus pára subitamente na minha frente, eu desvio o carro numa fração de segundo, o meu cunhado também consegue desviar, o carro que vem atrás se choca, há uma explosão, vários mortos. Estacionamos na beira da estrada, sem saber o que fazer. Eu procuro no bolso um cigarro, e vem o retrato de Nhá Chica. Silencioso em sua mensagem de proteção.

Ali começava minha jornada de volta aos sonhos, à busca espiritual, à literatura, e um dia eu me vi de novo no Bom Combate, aquele que você trava com o coração cheio de paz, porque é resultado de um milagre. Nunca me esqueci das três rosas. Finalmente, os cinqüenta anos – que naquela época pareciam tão distantes – terminaram chegando.

E quase passam. Durante a Copa do Mundo, fui a Baependi pagar minha promessa. Alguém me viu chegando em Caxambu (onde pernoitei), e um jornalista veio me entrevistar. Quando eu contei o que estava fazendo ali, ele pediu:
– Fale sobre Nhá Chica. O corpo dela foi exumado esta semana, e o processo de beatificação está no Vaticano. As pessoas precisam dar seu testemunho.
– Não – disse eu. – É uma história muito íntima. Só falaria se recebesse um sinal.
E pensei comigo mesmo: “O que seria um sinal? Só mesmo se alguém falasse em nome dela!”

No dia seguinte, peguei o carro, as flores, e fui a Baependi. Parei um pouco distante da igreja, lembrando o executivo de gravadora que estivera ali tanto tempo antes, e as muitas coisas que tinham me conduzido de volta. Quando ia entrando na casa, uma mulher jovem saiu de uma loja de roupas:
– Vi que seu livro “Maktub” é dedicado a Nhá Chica – disse ela. – Garanto que ela ficou contente.

E não me pediu nada. Mas aquele era o sinal que eu estava esperando. E este é o depoimento público que eu precisava dar.