Sobre a arte de escrever

Por Paulo Coelho

 

“Há dois tipos de escritores: aqueles que fazem você pensar e aqueles que fazem você sonhar”, diz Brian Aldiss, que me fez sonhar por um longo tempo com seus livros de ficção científica. Por princípio, eu acredito que cada ser humano neste planeta tem pelo menos uma boa história para contar aos próximos. O que se segue são as minhas reflexões sobre alguns itens importantes no processo de criação de um texto:
Acima de tudo, o escritor tem que ser um bom leitor. Aquele que se aferra aos livros acadêmicos e não lê o que outros escrevem (e aqui eu não estou falando apenas de livros, mas também blogs, colunas de jornal e assim por diante) jamais irá conhecer suas próprias qualidades e defeitos.

Então, antes de começar qualquer coisa, procure pessoas que estão interessadas em partilhar a sua experiência através de palavras. Eu não estou dizendo: “busque outros escritores”. O que estou dizendo é: encontre pessoas com diferentes habilidades, porque escrever não é diferente de qualquer outra atividade que é feita com entusiasmo.

Seus aliados não serão necessariamente aquelas pessoas que todos olham, se deslumbram, e afirmam: “não há ninguém melhor”. É muito pelo contrário: são as pessoas que não têm medo de cometer erros, e ainda assim eles cometem erros. É por isso que o seu trabalho nem sempre é reconhecido. Mas esse é o tipo de pessoa que muda o mundo, e depois de muitos erros elas conseguem acertar algo que fará toda a diferença em sua comunidade.

Estas são pessoas que não conseguem ficar esperando que as coisas aconteçam antes de decidir qual a melhor maneira de narrá-las: elas decidem enquanto agem, mesmo sabendo que isso pode ser muito arriscado.

Conviver com estas pessoas é importante para escritores, porque eles precisam entender que, antes de colocar qualquer coisa no papel, eles devem ter liberdade suficiente para mudar de direção conforme sua imaginação vagueia. Quando uma sentença chega ao fim, o escritor deve dizer a si mesmo: “enquanto eu estava escrevendo eu percorri um longo caminho. Agora termino este parágrafo com a consciência de que arrisquei o bastante e dei o melhor de mim mesmo.”

Os melhores aliados são aqueles que não pensam como os outros. É por isso que, enquanto você estiver procurando seus companheiros, confie em sua intuição e não dê qualquer atenção para os comentários alheios. As pessoas sempre julgam os outros tendo como modelo suas próprias limitações – e às vezes a opinião da comunidade é cheia de preconceitos e medos.

Junte-se aos que jamais disseram: “acabou, eu tenho que parar por aqui”. Porque assim como o inverno é seguido pela primavera, nada chega ao fim: depois de atingir seu objetivo, você tem que começar de novo, sempre usando tudo que aprendeu no caminho.
Junte-se aos que cantam, contam histórias, aproveitam a vida e têm a felicidade em seus olhos. Porque a alegria é contagiosa, e sempre consegue impedir que as pessoas se deixem paralisar pela depressão, solidão e problemas.

E conte a sua história, mesmo que seja apenas para a sua família ler.

DICAS SOBRE ESCREVER

Sobre Segurança Você não pode vender o seu próximo livro menosprezando o seu livro que acabou de ser publicado. Seja orgulhoso do que você tem.
Sobre Confiança Confie no seu leitor, não tente descrever coisas. Dê uma dica e eles vão preencher com sua própria imaginação.
Sobre Experiência Você não pode tirar algo do nada. Ao escrever um livro, use sua experiência.
Sobre Críticos Alguns escritores querem agradar seus pares, eles querem ser “reconhecidos”. Isso mostra insegurança e nada mais, por favor esqueça isso. Você deve se importar em partilhar a sua alma e não agradar a outros escritores.
Sobre Anotações Se você deseja capturar idéias, você está perdido. Você estará desconectado das emoções e se esquecerá de viver a sua vida. Você vai ser um observador e não um ser humano vivendo a sua vida. Esqueça de fazer anotações. O que é importante fica, o que não é importante vai embora.
Sobre Pesquisa Se você sobrecarregar o seu livro com um monte de pesquisa, vai ser muito chato para você e para o seu leitor. Livros não estão aí para mostrar como você é inteligente. Livros estão aí para mostrar a sua alma.
Sobre Escrita Eu escrevo o livro que quer ser escrito. Atrás da primeira frase tem uma corda que leva você até a última.
Sobre Estilo Não tente inovar as narrativas, conte uma boa história e será mágico. Eu vejo pessoas tentando trabalhar tanto no estilo, encontrar diferentes maneiras de dizer a mesma coisa. É como a moda. O estilo é o vestido, mas o vestido não dita o que está dentro do vestido.

 

(traduçao de Danilo Leonardi – o texto original foi publicado em ingles na  TIME )

O passageiro e o definitivo

Todos os caminhos do mundo levam ao coraí§í£o do guerreiro; ele mergulha sem hesitar no rio de paixíµes que sempre corre por sua vida.
O guerreiro sabe que é livre para escolher o que desejar; suas decisíµes sí£o tomadas com coragem, desprendimento, e – as vezes – com uma certa dose de loucura.

Aceita suas paixíµes, e as desfruta intensamente. Sabe que ní£o é preciso renunciar ao entusiasmo das conquistas; elas fazem parte da vida, e alegra a todos que delas participam.
Mas jamais perde de vista as coisas duradouras, e os laí§os criados com solidez através do tempo.

Um guerreiro sabe distinguir o que é passageiro, e o que é definitivo.

 

(do meu livro “Manual do Guerreiro da Luz”)

Leitura de domingo 15 Fev

Pode uma folha, quando cai da árvore no inverno, sentir-se derrotada pelo frio?
A árvore diz para a folha: ‘Este é o ciclo da vida. Embora vocíª pense que irá morrer, na verdade ainda continua em mim. Graí§as a vocíª estou viva, porque pude respirar. Também graí§as a vocíª senti-me amada, porque pude dar sombra ao viajante cansado. Sua seiva está na minha seiva, somos uma coisa só.’

Pode um homem que se preparou durante anos para subir a montanha mais alta do mundo, sentir-se derrotado quando chega diante do seu objetivo e descobre que a natureza a cobriu com uma tempestade? O homem diz para a montanha: ‘Vocíª ní£o me quer agora, mas o tempo vai mudar e um dia poderei sub
Iir até seu topo. Enquanto isso, vocíª continua aí­ me esperando.’

Pode um jovem, quando é rejeitado por seu primeiro amor, afirmar que o amor ní£o existe? O jovem diz para si mesmo: ‘Encontrarei alguém capaz de entender o que sinto. E serei feliz pelo resto de meus dias.’

Ní£o existe nem vitória nem derrota no ciclo da natureza: existe movimento.

 
em “Manuscrito encontrado em Accra”

O grande silíªncio

Diz a freira Balbas Miguel, do Mosteiro de Huelgas:

“San Juan de La Cruz nos ensina que o silíªncio tem sua própria música; é o silíªncio que nos permite ver a nós mesmos e as coisas que nos cercam.

“Eu gostaria de acrescentar: existem palavras que só podem ser ditas em silíªncio, por mais absurdo que isso possa parecer. Os grandes gíªnios, para compor suas sinfonias, preci­savam de silíªncio – e conseguiam transformá-lo em sons divinos. O filósofo e o cientista precisam do silíªncio.

“No mosteiro, prati­camos de noite o que chamamos de O Grande Silíªncio. Através da ausíªncia de conversas, conseguimos entender o que está além”.

2 min de leitura: o cí­rculo do amor

Certo dia, um camponíªs bateu com forí§a na porta de um convento. Quando o irmí£o porteiro abriu, ele lhe estendeu um magní­fico cacho de uvas.

– Caro irmí£o porteiro, estas sí£o as mais belas produzidas pelo meu vinhedo. E venho aqui para dá-las de presente.

– Obrigado! Vou levá-las imediatamente ao Abade, que ficará alegre com esta oferta.

– Ní£o! Eu as trouxe para vocíª.

– Para mim? Vocíª me deixa ruborizado, porque ní£o mereí§o tí£o belo presente da natureza.

– Sempre que bati na porta, vocíª abriu. Quando precisei de ajuda porque a colheita foi destruí­da pela seca, vocíª me dava um pedaí§o de pí£o e um copo de vinho todos os dias. Eu quero que este cacho de uvas traga-lhe um pouco do amor do sol, da beleza da chuva, e do milagre de Deus, que o fez nascer tí£o belo.

O irmí£o porteiro colocou o cacho diante de si, e passou a manhí£ inteira admirando-o: era realmente lindo. Por causa disso, resolveu entregar o presente ao Abade, que sempre o havia estimulado com palavras de sabedoria.

O Abade ficou muito contente com as uvas, mas lembrou-se que havia no convento um irmí£o que estava doente, e pensou: “vou dar-lhe o cacho. Quem sabe, pode trazer alguma alegria í  sua vida”.

Mas as uvas ní£o ficaram muito tempo no quarto do irmí£o doente, porque este refletiu: “o irmí£o cozinheiro tem cuidado de mim por tanto tempo, alimentando-me com o que há de melhor. Tenho certeza que isso lhe trará muita felicidade. Quando o irmí£o cozinheiro apareceu na hora do almoí§o, trazendo sua refeií§í£o, ele entregou-lhe as uvas”.

– Sí£o para vocíª. Como sempre está em contacto com os produtos que a natureza nos oferece, saberá o que fazer com esta obra de Deus.

O irmí£o cozinheiro ficou deslumbrado com a beleza do cacho, e fez com que o seu ajudante reparasse a perfeií§í£o das uvas. Tí£o perfeitas que ninguém para aprecia-las melhor que o irmí£o sacristí£o, responsável pela guarda do Santí­ssimo Sacramento, e muitos no mosteiro o viam como um homem santo.

O sacristí£o, por sua vez, deu as uvas de presente ao novií§o mais jovem, de modo que este pudesse entender que a obra de Deus está nos menores detalhes da Criaí§í£o. Quando o novií§o o recebeu, o seu coraí§í£o encheu-se da Glória do Senhor, porque nunca tinha visto um cacho tí£o lindo. Na mesma hora lembrou-se da primeira vez que chegara ao mosteiro, e da pessoa que lhe tinha aberto a porta; fora este gesto que lhe permitira estar hoje naquela comunidade de pessoas que sabiam valorizar os milagres.

Assim, pouco antes do cair da noite, ele levou o cacho de uvas para o irmí£o porteiro.

– Coma e aproveite. Porque vocíª passa a maior parte do tempo aqui sozinho, e estas uvas lhe farí£o muito feliz.

O irmí£o porteiro entendeu que aquele presente tinha lhe sido realmente destinado, saboreou cada uma das uvas daquele cacho, e dormiu feliz. Desta maneira, o cí­rculo foi fechado; o cí­rculo de felicidade e alegria, que sempre se estende em torno de quem está em contacto com a Energia do Amor.

O profeta, Khalil Gibran

Ní£o podemos esquecer quem somos

Em todas as lí­nguas do mundo existe um mesmo ditado: o que os olhos ní£o víªem, o coraí§í£o ní£o sente.
Pois eu afirmo que ní£o há nada mais falso do que isso; quanto mais longe, mais perto do coraí§í£o estí£o os sentimentos que procuramos sufocar e esquecer.
Se estamos no exí­lio, queremos guardar cada pequena lembraní§a de nossas raí­zes, se estamos distantes da pessoa amada, cada pessoa que passa pela rua nos faz lembrar dela.

Os evangelhos, e todos os textos sagrados de todas as religiíµes foram escritos no exí­lio, em busca da compreensí£o de Deus, da fé que movia os povos adiante, da peregrinaí§í£o das almas errantes pela face da terra.

Ní£o sabiam os nossos antepassados – e tampouco nós sabemos o que a Divindade espera de nossas vidas -, e é nesse momento que os livros sí£o escritos, os quadros pintados, porque ní£o queremos e ní£o podemos esquecer quem somos.

O guerreiro da luz e o novo ano

Sabendo esperar

O guerreiro da luz precisa de tempo para si mesmo. E usa este tempo para o descanso, a contemplaí§í£o, o contacto com a Alma do Mundo. Mesmo no meio de um combate, ele consegue meditar.

Em algumas ocasiíµes o guerreiro senta-se, relaxa, e deixa que tudo que está acontecendo ao seu redor continue acontecendo. Olha tudo a sua volta como se fosse um espectador, ní£o tenta crescer nem diminuir – apenas entregar-se sem resistíªncia ao movimento da vida.

Aos poucos, tudo que parecia complicado comeí§a a tornar-se simples. E o guerreiro se alegra.

Descobrindo o objetivo

Quando se quer uma coisa, o Universo inteiro conspira a favor. O guerreiro da luz sabe disso.

Por esta razí£o, toma muito cuidado com seus pensamentos. Escondidos debaixo de uma série de boas intení§íµes estí£o desejos que ninguém ousa confessar a si mesmo: a vinganí§a, a autodestruií§í£o, a culpa, o medo da vitória, a alegria macabra com a tragédia dos outros.

O Universo ní£o julga: conspira a favor do que desejamos. Por isso, o guerreiro tem coragem de olhar para as sombras de sua alma e procura iluminá-las com a luz do perdí£o.

O guerreiro da luz é senhor dos seus pensamentos.

Entendendo a rotina

Há momentos em que o caminho do guerreiro passa por perí­odos de rotina. Entí£o ele aplica um ensinamento de Nachman de Bratzlav:

“Se vocíª ní£o consegue se concentrar, ou se está aborrecido com o seu dia, deve repetir apenas uma simples palavra, porque isto faz bem a alma. Ní£o diga nada mais, apenas repita esta palavra sem parar, incontáveis vezes. Ela terminará perdendo seu sentido, e depois ganhará um significado novo. Deus abrirá as portas, e vocíª terminará usando esta simples palavra para dizer tudo o que queria”.

Quando é forí§ado a fazer a mesma tarefa várias vezes, o guerreiro utiliza esta tática, e transforma o seu trabalho em oraí§í£o.

Celebrando o ano que termina

O guerreiro viveu todos os dias do ano que passou, e mesmo que tenha perdido grandes batalhas, sobreviveu e está aqui. Isso é uma vitória. Esta vitória custou momentos difí­ceis, noites de dúvidas, intermináveis dias de espera. Desde os tempos antigos, celebrar um triunfo faz parte do próprio ritual da vida.

A comemoraí§í£o é um rito de passagem.

Os companheiros olham a alegria do guerreiro da luz, e pensam: “por que faz isto? Pode decepcionar-se em seu próximo combate. Pode atrair a fúria do inimigo”.

Mas o guerreiro sabe o motivo de seu gesto. Ele se beneficia do melhor presente que a vitória é capaz de trazer: confianí§a.

O guerreiro celebra o ano que passou, para ter mais forí§as nas batalhas de amanhí£.

(em O Manual do Guerreiro da Luz )

Novo escritório em Barcelona

14_10_08-159

Download high resolution photo here.

Paulo Coelho, que este ano publicou um novo livro, “Adultério” – presente em todas as listas de mais vendidos em todos os paí­ses em que foi publicado – estará em Barcelona dia 12 de novembro para a inauguraí§í£o do novo escritório da agencia literária Sant Jordi Asociados.
A agencia é responsável por todos os direitos do autor desde que foi fundada, 20 anos atrás.

Diz Monica Antunes, sua representante exclusiva desde as primeiras traduí§íµes de O Alquimista – atualmente em 140 paí­ses em mais de 80 idiomas: ” as novas oportunidades acarretadas pelas transformaí§íµes profundas que o mercado literário está atravessando, tem nos permitido crescer bastante. ” Antunes se refere basicamente a edií§íµes digitais – a Sant Jordi Asociados agora publica em plataformas eletrí´nicas todos os livros do autor em portugues, frances, alemí£o, italiano, polones e espanhol.

Os novos escritórios da Sant Jordi Asociados tem o dobro de tamanho do escritório anterior, graí§as a constante expansí£o do trabalho de Paulo Coelho no mundo.

Para Coelho, “Barcelona é uma referíªncia para o mundo editorial, e sempre foi generosa comigo em com Mí´nica, quando ainda estavamos dando os primeiros passos”.
Carlos Revés, diretor da área editorial do Grupo Planeta, afirma que a presení§a de Mí´nica Antunes na cidade permite uma aproximaí§í£o especial com o autor e sua representante. “Estamos muito contentes que, durate a inauguraí§í£o, poderemos brindar o sucesso de Adultério no paí­s; desde que foi publicado, ní£o saiu da lista de mais vendidos”.

Para maiores informaí§íµes: + 34 93 224 0107

A critica literaria e o leitor

A critica literária e o leitor

A critica literária e o leitor

A recepí§í£o da obra de Paulo Coelho pela crí­tica

 

(NOTA: a versí£o acima ní£o é a definitiva. Assim que receber a tese já corrigida, substituiremos)

#somostodosmacacos

(abaixo a análise feita pela Loducca a respeito da hashtag. Uma análise pertinente e lúcida)

Como toda manifestaí§í£o, o #somostodosmacacos – mesmo atingindo dimensí£o mundial e provocando uma discussí£o honesta sobre um tema, infelizmente, mais atual do que gostarí­amos – gerou algumas dúvidas sobre ele mesmo, sobre a forma e também sobre a participaí§í£o de uma empresa de comunicaí§í£o nele, nós. Por isso, estamos nos manifestando oficialmente sobre cada um dos principais temas levantados, alguns bastante pertinentes, outros, nem tanto ao nosso ver. Felizmente a maioria compreendeu a importí¢ncia e soube ver a maneira irí´nica e icí´nica (banana) que foi usada e, por isso mesmo, fez sucesso tí£o rápida e espontaneamente.

Como nasceu o #somostodosmacacos. Fatos.

Segundo o Daniel Alves em entrevista para a revista Placar após o incidente no jogo de 29/3, no jogo contra o Espanyol, onde alguns “torcedores” jogaram bananas no campo para os jogadores brasileiros do Barcelona, mas que tanto o Neymar Jr. quanto o Daniel Alves, ní£o viram na hora só tendo conhecimento do que aconteceu, mais tarde, pela imprensa. Quando souberam, ainda segundo Daniel Alves, Neymar teria comentado em tom de brincadeira que, “se tivesse visto a banana, teria comido”. Na volta para Barcelona, depois da derrota para o Granada, torcedores imitaram macacos quando Neymar Jr. estava chegando ao Camp Nou. Nesse momento, Neymar Jr., sabendo da responsabilidade mundial que tem, quis se manifestar contra o racismo e nos pediu, junto com Sr. Neymar e Eduardo Musa, que pensássemos em algo que pudesse ser feito nas redes sociais.
Por que nós? Há anos a Loducca orienta parte das aí§íµes de comunicaí§í£o do Neymar Jr., do Instituto etc. O natural seria conversar conosco.
Nos pareceu (e ainda nos parece) que fazer algo bem-humorado, irí´nico e que ridicularizasse as atitudes racistas teria maior capacidade de levantar a discussí£o, seria mais eficiente em tocar o coraí§í£o das pessoas do que algo que reclamasse, chorasse ou ficasse tentando reforí§ar um papel de ví­tima (caminhos que já foram seguidos em momentos diferentes, tíªm seus méritos, mas que ní£o tiveram a mesma repercussí£o). Ainda mais para uma pessoa com a personalidade alegre, brilhante e divertida como a do Neymar Jr. Tinha que ser algo como ele.
O que fizemos?
Criamos a hashtag “somos todos macacos” e a ideia de “mandar uma banana” para todos os racistas através de uma foto do Neymar comendo uma banana. E também um ví­deo onde explicamos a manifestaí§í£o do Neymar Jr.
Entí£o aconteceu de jogarem a banana para o Daniel Alves no jogo do Barcelona contra o Villareal, dia 27/4 , que imediatamente ” traí§ou a banana”.
Poucos devem duvidar que era o momento correto para iniciarmos o movimento que o Neymar Jr. queria, independentemente de ter acontecido com ele ou com o Daniel Alves.
Imediatamente Neymar Jr., que estava com seu filho naquele momento, bateu a foto (a que ficou conhecida mundialmente) e postou no twitter . Logo após o ví­deo.
Qual seria o erro do Neymar Jr. fazer uma manifestaí§í£o pública pensada e de maneira profissional? Ainda ní£o conseguimos descobrir.
Saber colocar um pensamento, uma ideia, no momento mais adequado e propí­cio para que ele tenha um impacto maior e melhor é oportunismo? Desde quando?

#somostodosmacacos é racista

Colocado como foi, ironicamente, na situaí§í£o (logo após a maravilhosa atitude do Daniel Alves), a hashtag, mais a imagem de Neymar com seu filho, ní£o chama os negros de macacos, mas LEMBRA OU ALERTA AOS BRANCOS que somos todos iguais, vindos “do mesmo macaco”. Este é um fato cientí­fico provado e comprovado (salvo alguns fanáticos que ainda questionam Darwin), ní£o uma opinií£o. Achamos que isso fica bastante claro no post do Neymar Jr. com o seu filho e no ví­deo que fizemos para esclarecer as motivaí§íµes e intení§íµes do movimento. Achamos 100% válido quem questiona se a hashtag do movimento é a melhor ou ní£o para alertar as pessoas contra o racismo (alguns acham que deveria ser #somostodoshumanos). Respeitamos e estamos abertos a discutir, ouvir e aprender. Mas nos parece desinformaí§í£o, má-fé ou algo pior quando alguns querem tentar dizer que estamos chamando exclusivamente os negros de macacos: somos todos macacos!

Se tem agíªncia de propaganda, ní£o deve ser coisa boa, ní£o vale.

O que é isso além de puro preconceito? O que é isso além de “atirar” bananas nos profissionais de comunicaí§í£o, em sua esmagadora maioria sí£o sérios, engajados pessoal ou profissionalmente em causas importantes. Engenheiros, médicos, jornalistas, TODOS podem querer usar seu expertise por um mundo melhor, menos os publicitários?! Faz sentido isso?

A agíªncia se aproveitou para aparecer ou, ao contrário, estava escondendo que tinha participaí§í£o

A agíªncia ní£o tinha nenhuma intení§í£o de assumir a paternidade da aí§í£o, já que a causa era é infinitamente maior do que isso. E também ní£o tivemos nenhuma restrií§í£o em assumir nossa participaí§í£o quando o repórter do Meio & Mensagem nos procurou dizendo que tinha informaí§íµes de que nós haví­amos participado. Ní£o havia do que se aproveitar, nem a esconder.

Celso Loducca

Fundaí§í£o Paulo Coelho (beta)

CLICQUE AQUI IR AO SITE DA FUNDAçíƒO PAULO COELHO

Se meu trabalho resistir ao tempo, sempre haverá curiosidade em saber como vivi meus dias.
Meus manuscritos. Meus diários. Os recortes de imprensa. As crí­ticas. As cartas dos leitores. E por aí­ vai.
Resolvi criar uma Fundaí§í£o Virtual onde todo este material poderá ser acessado – em qualquer lugar do mundo.

Um local fí­sico ní£o basta – a pesquisa seria limitada í queles que podem vir até Genebra, onde estamos instalando a Fundaí§í£o Paulo Coelho (abertura no final de 2014).
Assim, decidimos colocar todo o material na nuvem.
O portal que estí£o vendo é uma versí£o beta. Podem ocorrer muitos erros durante a navegaí§í£o.

Quem puder colaborar conosco, apontando melhoras, por favor enviar um email para Ertz Porfirio
Muito obrigado.

CLICQUE AQUI IR AO SITE DA FUNDAçíƒO PAULO COELHO

 
 

20 seg leitura: a águia

Um ovo de águia foi colocado, por acaso, no ninho de uma galinha. Quando o filhote nasceu, juntou-se aos pintinhos, e passou a depender da sua mí£e adotiva.

Aos poucos, porém, foi sentindo necessidade de voar.

Um belo dia perguntou para a galinha: “quando irei cruzar os céus?”

A pobre galinha, que ní£o sabia como ajudar fugiu da pergunta: “quando vocíª estiver preparado, eu lhe ensino”.

Passou-se mais um tempo, e a águia desconfiou que a mí£e ní£o sabia voar. Mas ní£o conseguia soltar-se e voar por si mesma.

“Por que ní£o bate as asas e sobe aos céus?” perguntavam seus irmí£os.

“Porque vou ferir minha mí£e, que me deu tanto carinho”, respon­dia a águia.

E por causa disto, jamais saiu do chí£o.

Por que ní£o dou entrevistas?

EN ESPANOL AQUI —> ¿Por qué no doy entrevistas?
_________________________________

Como já devem ter notado, faz tempo que ní£o dou entrevistas quando publico um novo livro. E isso ní£o se deve, de maneira nenhuma, a uma atitude de arrogancia ou desrespeito com jornalistas. Junto com os livreiros e os leitores, eles colaboraram muito para o meu sucesso.

Entí£o por que decidi parar com entrevistas – exceto para alguns amigos, com quem tenho laí§os de gratidí£o ?
Existem várias razoes para isso.

1] as comunidades sociais hoje me permitem chegar diretamente ao leitor, e dizer: “aqui está meu novo tí­tulo, leiam e recomendem se gostarem”. Portanto, a idéia de promover um livro através da mí­dia termina sendo redundante.

2] sempre precisei lutar com a idéia de explicar o que escrevi. Penso que o texto deve ser claro o suficiente.

3] os cadernos de cultura, que floresciam na minha época, terminaram acabando. A mais recente perda foi a Ilustrí­ssima, da Folha de Sí£o Paulo.

4] em virtude disso, surgem perguntas que ní£o tenho a menor paciíªncia para responder, tais como “Explique o seu sucesso” ou “o que faz com seu dinheiro”. Nada que seja relacionado ao processo criativo em si.

Isso ní£o quer de maneira nenhuma dizer que NUNCA dou entrevistas.
Quando vejo um assunto que julgo importante opinar – como, por exemplo, defender o conteúdo livre na internet (Pirateiem tudo que escrevi) – eu estou sempre acessivel.

O mesmo ocorre quando se trata de promover autores que julgo relevantes – como por exemplo Khalil Gibran ou Malba Tahan, que iluminaram minha juventude. Jamais me furto de fazer com que minha palavra seja ouvida quando vejo alguma barbaridade no terreno polí­tico ou cultural.

Só para vocíªs terem uma idéia, meio bilhí£o de pessoas em todo o planeta leram meu texto contra a guerra no Iraque, Obrigado Presidente Bush.
Outro exemplo: quando Tony Blair foi convidado para ser “consultor” das Olimpí­adas do Rio, eu imediatamente me manifestei, e consegui impedir sua presení§a. ((leia aqui)

Esperam que me entendam. Ní£o vou ficar quieto quando precisar falar em alto e bom tom. Quanto ao mais, o que preciso dizer hoje em dia está nos livros ou nas comunidades sociais, que administro pessoalmente.

Paulo

Decidindo o destino alheio

Malba Tahan conta a história de um homem que encontrou um anjo no deserto, e lhe deu água. “Sou o anjo da morte e vim buscá-lo”, disse o anjo. “Mas como vocíª foi bom, vou lhe emprestar o Livro do Destino por cinco minutos; vocíª pode alterar o que quiser”.

O anjo entregou o livro. Ao folhear suas páginas, o homem foi lendo a vida dos seus vizinhos. Ficou descontente: “estas pessoas ní£o merecem coisas tí£o boas”, pen­sou. De caneta em punho, comeí§ou piorar a vida de cada um.

Finalmente, chegou na página de seu destino. Viu seu final trági­co, mas quando preparava-se para mudá-lo, o livro sumiu. Já se tinham passado cinco minutos.

E o anjo, ali mesmo, levou a alma do homem.

Culpar os outros é fácil

Hoje sou surpreendido com uma matéria no Valor Economico, que coloca em Luis Ruffato toda a culpa pelo fiasco que foi Frankfurt. O injusto tí­tulo é “O efeito Luis Ruffato nas letras”. Como o portal é fechado, aqui vai um trecho

Seja pelo alto orí§amento, pela seleí§í£o dos 70 escritores que faziam parte da delegaí§í£o oficial, pela ausíªncia-presení§a de Paulo Coelho ou pelo politizado e franco discurso de abertura que proferiu Luiz Ruffato, as crí­ticas marcaram a presení§a brasileira, pelo menos no que diz respeito í  imprensa nacional e também í  alemí£. O já batizado “Efeito Ruffato” pode ser traduzido nas palavras que o diretor da feira, Juergen Boos, laní§ou durante uma coletiva de imprensa: “A participaí§í£o brasileira destruiu a imagem que se fazia aqui na Alemanha de um paí­s colorido no qual ninguém trabalha, que é como 90% dos alemí£es viam o Brasil”.
Tantos poréns í  participaí§í£o brasileira em Frankfurt – e aí­ aparece outro desdobramento do efeito Ruffato – parece ter provocado medo a mais crí­ticas e, portanto, certa retraí§í£o que ameaí§a as novas homenagens que víªm aí­. A 50ª Feira do Livro Infantil de Bolonha (24 a 27 de marí§o) é o primeiro exemplo, com um orí§amento inicialmente de R$ 2,5 milhíµes anunciado pela Biblioteca Nacional para as atividades do Brasil, que foi reduzido a R$ 1,3 milhí£o e agora segue indefinido.

Isso é um absurdo. Nao estava lá, mas uma coisa sei: o discurso de Ruffato, muito bem feito, nao teve absolutamente nenhuma repercussí£o fora do Brasil. Alias, nenhum discurso de abertura da Feira de Frankfurt jamais teve – o interesse é zero. Sei disso porque em 2008 fui um dos convidados para a entrevista coletiva de abertura, e meus comentários tiveram repercussí£o apenas na Turquia, que era o paí­s homenageado.

Coloquemos os pingos nos “ii”: Por que eu me recusei a ir í  Feira?
Aqui está a razí£o: “Porque recusei o convite do Ministério da Cultura”
E, sem querer dar uma de profeta, acabei tomando uma das decisíµes mais acertadas de meu 2013.

O que listei foi o que fez com que a presení§a do Brasil ní£o tivesse nenhuma repercussí£o: falta de representatividade da delegaí§í£o convidada.
Hoje o ufanismo diz que “existem agora mais de 200 tí­tulos traduzidos para o alemí£o”, mas onde estí£o estes livros?
Em recente viagem í  Alemanha, NENHUMA das livrarias que visitei os tem em estoque.
Acompanhei tudo que saiu sobre a Feira durante o mes de outubro, e além da doení§a de nossos queridos Ziraldo e Cony, até mesmo a imprensa brasileira se esforí§ava para descobrir notí­cias inexistentes.
Pobres dos escritores que passaram o ano inteiro esperando por este momento, e que nem em jornais brasileiros tiveram seus nomes mencionados.

A imagem que saia nos poucos jornais estrangeiros que publicaram algo a respeito da presení§a brasileira era de gente deitada em uma rede, lendo um livro. Pode?

De quem é a culpa?
A curadoria listou 20 escritores representativos e outros 50 que praticamente ninguém tinha ouvido falar – uma visí£o sem visí£o, ultrapassada, regida pelas leis da pseudo-intelectualidade, totalmente obscurantista. A literatura brasileira ní£o estava representada ali. E seguramente a culpa NíƒO é de Luis Ruffato, que – pelo que li no jornal O Globo na semana passada – terminou com medo de ser agredido por outros participantes brasileiros.
(Nota: ní£o conheí§o Manuel da Costa Pinto, o curador da feira e crí­tico da Folha de Sí£o Paulo. O vi apenas uma vez, durante uma entrevista que dei para o progrma “Roda Viva”. Ní£o tenho absolutamente nada contra a pessoa, mas questiono seus critérios, assim como ele tem o direito de questionar meus critérios literários)

Ou seja: o Brasil perdeu uma excelente oportunidade de mostrar a forí§a de sua literatura jovem, diní¢mica, que atrai leitores para as livrarias.
O autor Nassim Nicholas Taleb, em seu livro “Black Swan”, usa um termo muito próprio: a falácia da narrativa. As pessoas desenvolvem toda uma teoria, comeí§am a repetir umas as outras a mesma história, terminam se convencendo que estí£o certas, e assim vivem felizes por algum tempo até que essa narrativa, totalmente falsa, cai por terra quando a teoria é aplicada.

A presení§a do Brasil na Feira de Frankfurt foi uma demonstraí§í£o clássica desta “falácia da narrativa”. Deu no que deu, e custou 19 milhíµes de reais.

30 sec leitura: a brasa solitária

Juan ia sempre aos servií§os dominicais de sua congregaí§í£o. Mas comeí§ou a achar que o pastor dizia sempre as mesmas coisas, e parou de frequentar a igreja.

Dois meses depois, em uma fria noite de inverno, o pastor foi visitá-lo.
“Deve ter vindo para tentar convencer-me a voltar”, pensou Juan consigo mesmo. Imaginou que ní£o podia dizer a verdadeira razí£o: os sermíµes repetitivos.
Precisava encontrar uma desculpa, e enquanto pensava colocou duas cadeiras diante da lareira, e comeí§ou a falar sobre o tempo.

O pastor ní£o disse nada.

Juan, depois de tentar inutilmente puxar conversa por algum tempo, também calou-se.
Os dois ficaram em silíªncio, contemplando o fogo por quase meia-hora.

Foi entí£o que o pastor levantou-se, e com a ajuda de um galho que ainda ní£o tinha queimado, afastou uma brasa, colocando-a longe do fogo.
A brasa, como ní£o tinha suficiente calor para continuar queimando, comeí§ou a apagar. Juan, mais que depressa, atirou-a de volta ao centro da lareira.

“Boa noite”, disse o pastor, levantando-se para sair.

“Boa noite e muito obrigado”, respondeu Juan. “A brasa longe do fogo, por mais brilhante que seja, terminará extinguindo rapidamente.
“O homem longe dos seus semelhantes, por mais inteligente que seja, ní£o conseguirá conservar seu calor e sua chama. Voltarei í  igreja no próximo domingo.”

Hangout com Jovem Nerd 09/10/2013

Mentiras, Morais, Marta e Mimimi que ní£o acaba

From: Paulo Coelho
Date: Sun, 06 Oct 2013 18:37:29 +0200
To: Fernando Morais

Que interessante link , Fernando.
Agora espero sinceramente que voce faí§a um post ali (ní£o um comentário, porque ninguem le comentário ali) contando em detalhes nossa conversa de segunda-feira
a] que a Marta te procurou duas vezes na segunda. Já havia te procurado antes [quereudo falar comigo], tenho email dela que voce me repassou
b] que o objetivo do seu telefonema era dizer que eu teria meu auditório de mil lugares, que ela tinha conseguido isso
dc] que eu demonstrei nao apenas espanto, mas irritaí§ao. EU NUNCA pedi isso, tinha um auditorio de 600 lugares na Feira, e um auditorio de 2.000 lugares no Maritm Frankfurt
d] enviei um email para voce, como pediu, para que repassasse para Marta. Ali mostrava minha surpresa e indignidade.

Ontem o escritor e biógrafo Fernando Morais (escreveu “O Mago”) me enviou um link de um portal, aparentemente ligado ao PT, com um post cheio de mentiras. Mentiras que podem ser comprovadas.

Fernando MOrais sabia que tudo era invení§í£o. Conversamos na segunda-feira, com testemunhas de ambos os lados, mas resumindo:

1 -há dias me informa que Marta Suplicy quer conversar comigo. Perguntou se podia dar meu email privado, eu disse que tudo bem.
2= Recebi um email de alguem do Gabinete de Marta, pedindo que entrasse em contato com ela urgente. Ní£o respondi.

Na segunda dia 30 de setembro, Fernando me enviou mais de uma mensagem via email. Disse que quando chegasse em casa telefonaria, e foi o que fiz. Fiquei horrorizado com o que me disse.
Ou
a] mentem para a ministra descaradamente
b] ela ní£o acompanha de perto o que está acontecendo.

c] Fernando me pediu que enviasse um email, que ele repassaria para Marta. Fiz isso

Tenho provas (minha agente em fevereiro pediu para que eu abrisse a Feira, e rebati na hora). Tanto o diretor da Feira, Juergen Boss, como a minha editora local, Diogenes, podem confirmar facilmente as mentiras.

Enviei o email que abre este post.
Pedi a Fernando para escrever ali (conhece os admins) e desmentir. Eu na verdade ní£o tinha a menor idéia do que estavam armando (embora deduzisse que estavam armando algo).

Pois bem: Fernando disse que podia escrever ali um comentário ali dizendo que o Brasil ní£o me valoriza (o que ní£o é verdade, mas isso é um outro tema).
Mas que ní£o ia se meter em “picuí­nhas”.
Eu disse que um comentário ali daria credibilidade ao que o post acusava.
Fernando, sempre tí£o correto, de repente mostrou que ní£o quer se envolver em “picuí­nhas”, quando o que está em jogo é um post mentiroso – mas de um blog ligado ao PT.

Fica o registro: minha biografia é absolutamente correta. Ní£o tem os erros do post