O passageiro e o definitivo

Todos os caminhos do mundo levam ao coração do guerreiro; ele mergulha sem hesitar no rio de paixões que sempre corre por sua vida.
O guerreiro sabe que é livre para escolher o que desejar; suas decisões são tomadas com coragem, desprendimento, e – as vezes – com uma certa dose de loucura.

Aceita suas paixões, e as desfruta intensamente. Sabe que não é preciso renunciar ao entusiasmo das conquistas; elas fazem parte da vida, e alegra a todos que delas participam.
Mas jamais perde de vista as coisas duradouras, e os laços criados com solidez através do tempo.

Um guerreiro sabe distinguir o que é passageiro, e o que é definitivo.

 

(do meu livro “Manual do Guerreiro da Luz”)

Leitura de domingo 15 Fev

Pode uma folha, quando cai da árvore no inverno, sentir-se derrotada pelo frio?
A árvore diz para a folha: ‘Este é o ciclo da vida. Embora você pense que irá morrer, na verdade ainda continua em mim. Graças a você estou viva, porque pude respirar. Também graças a você senti-me amada, porque pude dar sombra ao viajante cansado. Sua seiva está na minha seiva, somos uma coisa só.’

Pode um homem que se preparou durante anos para subir a montanha mais alta do mundo, sentir-se derrotado quando chega diante do seu objetivo e descobre que a natureza a cobriu com uma tempestade? O homem diz para a montanha: ‘Você não me quer agora, mas o tempo vai mudar e um dia poderei sub
Iir até seu topo. Enquanto isso, você continua aí me esperando.’

Pode um jovem, quando é rejeitado por seu primeiro amor, afirmar que o amor não existe? O jovem diz para si mesmo: ‘Encontrarei alguém capaz de entender o que sinto. E serei feliz pelo resto de meus dias.’

Não existe nem vitória nem derrota no ciclo da natureza: existe movimento.

 
em “Manuscrito encontrado em Accra”

O grande silêncio

Diz a freira Balbas Miguel, do Mosteiro de Huelgas:

“San Juan de La Cruz nos ensina que o silêncio tem sua própria música; é o silêncio que nos permite ver a nós mesmos e as coisas que nos cercam.

“Eu gostaria de acrescentar: existem palavras que só podem ser ditas em silêncio, por mais absurdo que isso possa parecer. Os grandes gênios, para compor suas sinfonias, preci­savam de silêncio – e conseguiam transformá-lo em sons divinos. O filósofo e o cientista precisam do silêncio.

“No mosteiro, prati­camos de noite o que chamamos de O Grande Silêncio. Através da ausência de conversas, conseguimos entender o que está além”.

2 min de leitura: o círculo do amor

Certo dia, um camponês bateu com força na porta de um convento. Quando o irmão porteiro abriu, ele lhe estendeu um magnífico cacho de uvas.

– Caro irmão porteiro, estas são as mais belas produzidas pelo meu vinhedo. E venho aqui para dá-las de presente.

– Obrigado! Vou levá-las imediatamente ao Abade, que ficará alegre com esta oferta.

– Não! Eu as trouxe para você.

– Para mim? Você me deixa ruborizado, porque não mereço tão belo presente da natureza.

– Sempre que bati na porta, você abriu. Quando precisei de ajuda porque a colheita foi destruída pela seca, você me dava um pedaço de pão e um copo de vinho todos os dias. Eu quero que este cacho de uvas traga-lhe um pouco do amor do sol, da beleza da chuva, e do milagre de Deus, que o fez nascer tão belo.

O irmão porteiro colocou o cacho diante de si, e passou a manhã inteira admirando-o: era realmente lindo. Por causa disso, resolveu entregar o presente ao Abade, que sempre o havia estimulado com palavras de sabedoria.

O Abade ficou muito contente com as uvas, mas lembrou-se que havia no convento um irmão que estava doente, e pensou: “vou dar-lhe o cacho. Quem sabe, pode trazer alguma alegria à sua vida”.

Mas as uvas não ficaram muito tempo no quarto do irmão doente, porque este refletiu: “o irmão cozinheiro tem cuidado de mim por tanto tempo, alimentando-me com o que há de melhor. Tenho certeza que isso lhe trará muita felicidade. Quando o irmão cozinheiro apareceu na hora do almoço, trazendo sua refeição, ele entregou-lhe as uvas”.

– São para você. Como sempre está em contacto com os produtos que a natureza nos oferece, saberá o que fazer com esta obra de Deus.

O irmão cozinheiro ficou deslumbrado com a beleza do cacho, e fez com que o seu ajudante reparasse a perfeição das uvas. Tão perfeitas que ninguém para aprecia-las melhor que o irmão sacristão, responsável pela guarda do Santíssimo Sacramento, e muitos no mosteiro o viam como um homem santo.

O sacristão, por sua vez, deu as uvas de presente ao noviço mais jovem, de modo que este pudesse entender que a obra de Deus está nos menores detalhes da Criação. Quando o noviço o recebeu, o seu coração encheu-se da Glória do Senhor, porque nunca tinha visto um cacho tão lindo. Na mesma hora lembrou-se da primeira vez que chegara ao mosteiro, e da pessoa que lhe tinha aberto a porta; fora este gesto que lhe permitira estar hoje naquela comunidade de pessoas que sabiam valorizar os milagres.

Assim, pouco antes do cair da noite, ele levou o cacho de uvas para o irmão porteiro.

– Coma e aproveite. Porque você passa a maior parte do tempo aqui sozinho, e estas uvas lhe farão muito feliz.

O irmão porteiro entendeu que aquele presente tinha lhe sido realmente destinado, saboreou cada uma das uvas daquele cacho, e dormiu feliz. Desta maneira, o círculo foi fechado; o círculo de felicidade e alegria, que sempre se estende em torno de quem está em contacto com a Energia do Amor.

O profeta, Khalil Gibran

Não podemos esquecer quem somos

Em todas as línguas do mundo existe um mesmo ditado: o que os olhos não vêem, o coração não sente.
Pois eu afirmo que não há nada mais falso do que isso; quanto mais longe, mais perto do coração estão os sentimentos que procuramos sufocar e esquecer.
Se estamos no exílio, queremos guardar cada pequena lembrança de nossas raízes, se estamos distantes da pessoa amada, cada pessoa que passa pela rua nos faz lembrar dela.

Os evangelhos, e todos os textos sagrados de todas as religiões foram escritos no exílio, em busca da compreensão de Deus, da fé que movia os povos adiante, da peregrinação das almas errantes pela face da terra.

Não sabiam os nossos antepassados – e tampouco nós sabemos o que a Divindade espera de nossas vidas -, e é nesse momento que os livros são escritos, os quadros pintados, porque não queremos e não podemos esquecer quem somos.

O guerreiro da luz e o novo ano

Sabendo esperar

O guerreiro da luz precisa de tempo para si mesmo. E usa este tempo para o descanso, a contemplação, o contacto com a Alma do Mundo. Mesmo no meio de um combate, ele consegue meditar.

Em algumas ocasiões o guerreiro senta-se, relaxa, e deixa que tudo que está acontecendo ao seu redor continue acontecendo. Olha tudo a sua volta como se fosse um espectador, não tenta crescer nem diminuir – apenas entregar-se sem resistência ao movimento da vida.

Aos poucos, tudo que parecia complicado começa a tornar-se simples. E o guerreiro se alegra.

Descobrindo o objetivo

Quando se quer uma coisa, o Universo inteiro conspira a favor. O guerreiro da luz sabe disso.

Por esta razão, toma muito cuidado com seus pensamentos. Escondidos debaixo de uma série de boas intenções estão desejos que ninguém ousa confessar a si mesmo: a vingança, a autodestruição, a culpa, o medo da vitória, a alegria macabra com a tragédia dos outros.

O Universo não julga: conspira a favor do que desejamos. Por isso, o guerreiro tem coragem de olhar para as sombras de sua alma e procura iluminá-las com a luz do perdão.

O guerreiro da luz é senhor dos seus pensamentos.

Entendendo a rotina

Há momentos em que o caminho do guerreiro passa por períodos de rotina. Então ele aplica um ensinamento de Nachman de Bratzlav:

“Se você não consegue se concentrar, ou se está aborrecido com o seu dia, deve repetir apenas uma simples palavra, porque isto faz bem a alma. Não diga nada mais, apenas repita esta palavra sem parar, incontáveis vezes. Ela terminará perdendo seu sentido, e depois ganhará um significado novo. Deus abrirá as portas, e você terminará usando esta simples palavra para dizer tudo o que queria”.

Quando é forçado a fazer a mesma tarefa várias vezes, o guerreiro utiliza esta tática, e transforma o seu trabalho em oração.

Celebrando o ano que termina

O guerreiro viveu todos os dias do ano que passou, e mesmo que tenha perdido grandes batalhas, sobreviveu e está aqui. Isso é uma vitória. Esta vitória custou momentos difíceis, noites de dúvidas, intermináveis dias de espera. Desde os tempos antigos, celebrar um triunfo faz parte do próprio ritual da vida.

A comemoração é um rito de passagem.

Os companheiros olham a alegria do guerreiro da luz, e pensam: “por que faz isto? Pode decepcionar-se em seu próximo combate. Pode atrair a fúria do inimigo”.

Mas o guerreiro sabe o motivo de seu gesto. Ele se beneficia do melhor presente que a vitória é capaz de trazer: confiança.

O guerreiro celebra o ano que passou, para ter mais forças nas batalhas de amanhã.

(em O Manual do Guerreiro da Luz )

Novo escritório em Barcelona

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Paulo Coelho, que este ano publicou um novo livro, “Adultério” – presente em todas as listas de mais vendidos em todos os países em que foi publicado – estará em Barcelona dia 12 de novembro para a inauguração do novo escritório da agencia literária Sant Jordi Asociados.
A agencia é responsável por todos os direitos do autor desde que foi fundada, 20 anos atrás.

Diz Monica Antunes, sua representante exclusiva desde as primeiras traduções de O Alquimista – atualmente em 140 países em mais de 80 idiomas: “ as novas oportunidades acarretadas pelas transformações profundas que o mercado literário está atravessando, tem nos permitido crescer bastante. “ Antunes se refere basicamente a edições digitais – a Sant Jordi Asociados agora publica em plataformas eletrônicas todos os livros do autor em portugues, frances, alemão, italiano, polones e espanhol.

Os novos escritórios da Sant Jordi Asociados tem o dobro de tamanho do escritório anterior, graças a constante expansão do trabalho de Paulo Coelho no mundo.

Para Coelho, “Barcelona é uma referência para o mundo editorial, e sempre foi generosa comigo em com Mônica, quando ainda estavamos dando os primeiros passos”.
Carlos Revés, diretor da área editorial do Grupo Planeta, afirma que a presença de Mônica Antunes na cidade permite uma aproximação especial com o autor e sua representante. “Estamos muito contentes que, durate a inauguração, poderemos brindar o sucesso de Adultério no país; desde que foi publicado, não saiu da lista de mais vendidos”.

Para maiores informações: + 34 93 224 0107

A critica literaria e o leitor

A critica literária e o leitor

A critica literária e o leitor

A recepção da obra de Paulo Coelho pela crítica

 

(NOTA: a versão acima não é a definitiva. Assim que receber a tese já corrigida, substituiremos)

#somostodosmacacos

(abaixo a análise feita pela Loducca a respeito da hashtag. Uma análise pertinente e lúcida)

Como toda manifestação, o #somostodosmacacos – mesmo atingindo dimensão mundial e provocando uma discussão honesta sobre um tema, infelizmente, mais atual do que gostaríamos – gerou algumas dúvidas sobre ele mesmo, sobre a forma e também sobre a participação de uma empresa de comunicação nele, nós. Por isso, estamos nos manifestando oficialmente sobre cada um dos principais temas levantados, alguns bastante pertinentes, outros, nem tanto ao nosso ver. Felizmente a maioria compreendeu a importância e soube ver a maneira irônica e icônica (banana) que foi usada e, por isso mesmo, fez sucesso tão rápida e espontaneamente.

Como nasceu o #somostodosmacacos. Fatos.

Segundo o Daniel Alves em entrevista para a revista Placar após o incidente no jogo de 29/3, no jogo contra o Espanyol, onde alguns “torcedores” jogaram bananas no campo para os jogadores brasileiros do Barcelona, mas que tanto o Neymar Jr. quanto o Daniel Alves, não viram na hora só tendo conhecimento do que aconteceu, mais tarde, pela imprensa. Quando souberam, ainda segundo Daniel Alves, Neymar teria comentado em tom de brincadeira que, “se tivesse visto a banana, teria comido”. Na volta para Barcelona, depois da derrota para o Granada, torcedores imitaram macacos quando Neymar Jr. estava chegando ao Camp Nou. Nesse momento, Neymar Jr., sabendo da responsabilidade mundial que tem, quis se manifestar contra o racismo e nos pediu, junto com Sr. Neymar e Eduardo Musa, que pensássemos em algo que pudesse ser feito nas redes sociais.
Por que nós? Há anos a Loducca orienta parte das ações de comunicação do Neymar Jr., do Instituto etc. O natural seria conversar conosco.
Nos pareceu (e ainda nos parece) que fazer algo bem-humorado, irônico e que ridicularizasse as atitudes racistas teria maior capacidade de levantar a discussão, seria mais eficiente em tocar o coração das pessoas do que algo que reclamasse, chorasse ou ficasse tentando reforçar um papel de vítima (caminhos que já foram seguidos em momentos diferentes, têm seus méritos, mas que não tiveram a mesma repercussão). Ainda mais para uma pessoa com a personalidade alegre, brilhante e divertida como a do Neymar Jr. Tinha que ser algo como ele.
O que fizemos?
Criamos a hashtag “somos todos macacos” e a ideia de “mandar uma banana” para todos os racistas através de uma foto do Neymar comendo uma banana. E também um vídeo onde explicamos a manifestação do Neymar Jr.
Então aconteceu de jogarem a banana para o Daniel Alves no jogo do Barcelona contra o Villareal, dia 27/4 , que imediatamente “ traçou a banana”.
Poucos devem duvidar que era o momento correto para iniciarmos o movimento que o Neymar Jr. queria, independentemente de ter acontecido com ele ou com o Daniel Alves.
Imediatamente Neymar Jr., que estava com seu filho naquele momento, bateu a foto (a que ficou conhecida mundialmente) e postou no twitter . Logo após o vídeo.
Qual seria o erro do Neymar Jr. fazer uma manifestação pública pensada e de maneira profissional? Ainda não conseguimos descobrir.
Saber colocar um pensamento, uma ideia, no momento mais adequado e propício para que ele tenha um impacto maior e melhor é oportunismo? Desde quando?

#somostodosmacacos é racista

Colocado como foi, ironicamente, na situação (logo após a maravilhosa atitude do Daniel Alves), a hashtag, mais a imagem de Neymar com seu filho, não chama os negros de macacos, mas LEMBRA OU ALERTA AOS BRANCOS que somos todos iguais, vindos “do mesmo macaco”. Este é um fato científico provado e comprovado (salvo alguns fanáticos que ainda questionam Darwin), não uma opinião. Achamos que isso fica bastante claro no post do Neymar Jr. com o seu filho e no vídeo que fizemos para esclarecer as motivações e intenções do movimento. Achamos 100% válido quem questiona se a hashtag do movimento é a melhor ou não para alertar as pessoas contra o racismo (alguns acham que deveria ser #somostodoshumanos). Respeitamos e estamos abertos a discutir, ouvir e aprender. Mas nos parece desinformação, má-fé ou algo pior quando alguns querem tentar dizer que estamos chamando exclusivamente os negros de macacos: somos todos macacos!

Se tem agência de propaganda, não deve ser coisa boa, não vale.

O que é isso além de puro preconceito? O que é isso além de “atirar” bananas nos profissionais de comunicação, em sua esmagadora maioria são sérios, engajados pessoal ou profissionalmente em causas importantes. Engenheiros, médicos, jornalistas, TODOS podem querer usar seu expertise por um mundo melhor, menos os publicitários?! Faz sentido isso?

A agência se aproveitou para aparecer ou, ao contrário, estava escondendo que tinha participação

A agência não tinha nenhuma intenção de assumir a paternidade da ação, já que a causa era é infinitamente maior do que isso. E também não tivemos nenhuma restrição em assumir nossa participação quando o repórter do Meio & Mensagem nos procurou dizendo que tinha informações de que nós havíamos participado. Não havia do que se aproveitar, nem a esconder.

Celso Loducca

Fundação Paulo Coelho (beta)

CLICQUE AQUI IR AO SITE DA FUNDAÇÃO PAULO COELHO

Se meu trabalho resistir ao tempo, sempre haverá curiosidade em saber como vivi meus dias.
Meus manuscritos. Meus diários. Os recortes de imprensa. As críticas. As cartas dos leitores. E por aí vai.
Resolvi criar uma Fundação Virtual onde todo este material poderá ser acessado – em qualquer lugar do mundo.

Um local físico não basta – a pesquisa seria limitada àqueles que podem vir até Genebra, onde estamos instalando a Fundação Paulo Coelho (abertura no final de 2014).
Assim, decidimos colocar todo o material na nuvem.
O portal que estão vendo é uma versão beta. Podem ocorrer muitos erros durante a navegação.

Quem puder colaborar conosco, apontando melhoras, por favor enviar um email para Ertz Porfirio
Muito obrigado.

CLICQUE AQUI IR AO SITE DA FUNDAÇÃO PAULO COELHO

 
 

20 seg leitura: a águia

Um ovo de águia foi colocado, por acaso, no ninho de uma galinha. Quando o filhote nasceu, juntou-se aos pintinhos, e passou a depender da sua mãe adotiva.

Aos poucos, porém, foi sentindo necessidade de voar.

Um belo dia perguntou para a galinha: “quando irei cruzar os céus?”

A pobre galinha, que não sabia como ajudar fugiu da pergunta: “quando você estiver preparado, eu lhe ensino”.

Passou-se mais um tempo, e a águia desconfiou que a mãe não sabia voar. Mas não conseguia soltar-se e voar por si mesma.

“Por que não bate as asas e sobe aos céus?” perguntavam seus irmãos.

“Porque vou ferir minha mãe, que me deu tanto carinho”, respon­dia a águia.

E por causa disto, jamais saiu do chão.

Por que não dou entrevistas?

EN ESPANOL AQUI —> ¿Por qué no doy entrevistas?
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Como já devem ter notado, faz tempo que não dou entrevistas quando publico um novo livro. E isso não se deve, de maneira nenhuma, a uma atitude de arrogancia ou desrespeito com jornalistas. Junto com os livreiros e os leitores, eles colaboraram muito para o meu sucesso.

Então por que decidi parar com entrevistas – exceto para alguns amigos, com quem tenho laços de gratidão ?
Existem várias razoes para isso.

1] as comunidades sociais hoje me permitem chegar diretamente ao leitor, e dizer: “aqui está meu novo título, leiam e recomendem se gostarem”. Portanto, a idéia de promover um livro através da mídia termina sendo redundante.

2] sempre precisei lutar com a idéia de explicar o que escrevi. Penso que o texto deve ser claro o suficiente.

3] os cadernos de cultura, que floresciam na minha época, terminaram acabando. A mais recente perda foi a Ilustríssima, da Folha de São Paulo.

4] em virtude disso, surgem perguntas que não tenho a menor paciência para responder, tais como “Explique o seu sucesso” ou “o que faz com seu dinheiro”. Nada que seja relacionado ao processo criativo em si.

Isso não quer de maneira nenhuma dizer que NUNCA dou entrevistas.
Quando vejo um assunto que julgo importante opinar – como, por exemplo, defender o conteúdo livre na internet (Pirateiem tudo que escrevi) – eu estou sempre acessivel.

O mesmo ocorre quando se trata de promover autores que julgo relevantes – como por exemplo Khalil Gibran ou Malba Tahan, que iluminaram minha juventude. Jamais me furto de fazer com que minha palavra seja ouvida quando vejo alguma barbaridade no terreno político ou cultural.

Só para vocês terem uma idéia, meio bilhão de pessoas em todo o planeta leram meu texto contra a guerra no Iraque, Obrigado Presidente Bush.
Outro exemplo: quando Tony Blair foi convidado para ser “consultor” das Olimpíadas do Rio, eu imediatamente me manifestei, e consegui impedir sua presença. ((leia aqui)

Esperam que me entendam. Não vou ficar quieto quando precisar falar em alto e bom tom. Quanto ao mais, o que preciso dizer hoje em dia está nos livros ou nas comunidades sociais, que administro pessoalmente.

Paulo

Decidindo o destino alheio

Malba Tahan conta a história de um homem que encontrou um anjo no deserto, e lhe deu água. “Sou o anjo da morte e vim buscá-lo”, disse o anjo. “Mas como você foi bom, vou lhe emprestar o Livro do Destino por cinco minutos; você pode alterar o que quiser”.

O anjo entregou o livro. Ao folhear suas páginas, o homem foi lendo a vida dos seus vizinhos. Ficou descontente: “estas pessoas não merecem coisas tão boas”, pen­sou. De caneta em punho, começou piorar a vida de cada um.

Finalmente, chegou na página de seu destino. Viu seu final trági­co, mas quando preparava-se para mudá-lo, o livro sumiu. Já se tinham passado cinco minutos.

E o anjo, ali mesmo, levou a alma do homem.

Culpar os outros é fácil

Hoje sou surpreendido com uma matéria no Valor Economico, que coloca em Luis Ruffato toda a culpa pelo fiasco que foi Frankfurt. O injusto título é “O efeito Luis Ruffato nas letras”. Como o portal é fechado, aqui vai um trecho

Seja pelo alto orçamento, pela seleção dos 70 escritores que faziam parte da delegação oficial, pela ausência-presença de Paulo Coelho ou pelo politizado e franco discurso de abertura que proferiu Luiz Ruffato, as críticas marcaram a presença brasileira, pelo menos no que diz respeito à imprensa nacional e também à alemã. O já batizado “Efeito Ruffato” pode ser traduzido nas palavras que o diretor da feira, Juergen Boos, lançou durante uma coletiva de imprensa: “A participação brasileira destruiu a imagem que se fazia aqui na Alemanha de um país colorido no qual ninguém trabalha, que é como 90% dos alemães viam o Brasil”.
Tantos poréns à participação brasileira em Frankfurt – e aí aparece outro desdobramento do efeito Ruffato – parece ter provocado medo a mais críticas e, portanto, certa retração que ameaça as novas homenagens que vêm aí. A 50ª Feira do Livro Infantil de Bolonha (24 a 27 de março) é o primeiro exemplo, com um orçamento inicialmente de R$ 2,5 milhões anunciado pela Biblioteca Nacional para as atividades do Brasil, que foi reduzido a R$ 1,3 milhão e agora segue indefinido.

Isso é um absurdo. Nao estava lá, mas uma coisa sei: o discurso de Ruffato, muito bem feito, nao teve absolutamente nenhuma repercussão fora do Brasil. Alias, nenhum discurso de abertura da Feira de Frankfurt jamais teve – o interesse é zero. Sei disso porque em 2008 fui um dos convidados para a entrevista coletiva de abertura, e meus comentários tiveram repercussão apenas na Turquia, que era o país homenageado.

Coloquemos os pingos nos “ii”: Por que eu me recusei a ir à Feira?
Aqui está a razão: “Porque recusei o convite do Ministério da Cultura”
E, sem querer dar uma de profeta, acabei tomando uma das decisões mais acertadas de meu 2013.

O que listei foi o que fez com que a presença do Brasil não tivesse nenhuma repercussão: falta de representatividade da delegação convidada.
Hoje o ufanismo diz que “existem agora mais de 200 títulos traduzidos para o alemão”, mas onde estão estes livros?
Em recente viagem à Alemanha, NENHUMA das livrarias que visitei os tem em estoque.
Acompanhei tudo que saiu sobre a Feira durante o mes de outubro, e além da doença de nossos queridos Ziraldo e Cony, até mesmo a imprensa brasileira se esforçava para descobrir notícias inexistentes.
Pobres dos escritores que passaram o ano inteiro esperando por este momento, e que nem em jornais brasileiros tiveram seus nomes mencionados.

A imagem que saia nos poucos jornais estrangeiros que publicaram algo a respeito da presença brasileira era de gente deitada em uma rede, lendo um livro. Pode?

De quem é a culpa?
A curadoria listou 20 escritores representativos e outros 50 que praticamente ninguém tinha ouvido falar – uma visão sem visão, ultrapassada, regida pelas leis da pseudo-intelectualidade, totalmente obscurantista. A literatura brasileira não estava representada ali. E seguramente a culpa NÃO é de Luis Ruffato, que – pelo que li no jornal O Globo na semana passada – terminou com medo de ser agredido por outros participantes brasileiros.
(Nota: não conheço Manuel da Costa Pinto, o curador da feira e crítico da Folha de São Paulo. O vi apenas uma vez, durante uma entrevista que dei para o progrma “Roda Viva”. Não tenho absolutamente nada contra a pessoa, mas questiono seus critérios, assim como ele tem o direito de questionar meus critérios literários)

Ou seja: o Brasil perdeu uma excelente oportunidade de mostrar a força de sua literatura jovem, dinâmica, que atrai leitores para as livrarias.
O autor Nassim Nicholas Taleb, em seu livro “Black Swan”, usa um termo muito próprio: a falácia da narrativa. As pessoas desenvolvem toda uma teoria, começam a repetir umas as outras a mesma história, terminam se convencendo que estão certas, e assim vivem felizes por algum tempo até que essa narrativa, totalmente falsa, cai por terra quando a teoria é aplicada.

A presença do Brasil na Feira de Frankfurt foi uma demonstração clássica desta “falácia da narrativa”. Deu no que deu, e custou 19 milhões de reais.

30 sec leitura: a brasa solitária

Juan ia sempre aos serviços dominicais de sua congregação. Mas começou a achar que o pastor dizia sempre as mesmas coisas, e parou de frequentar a igreja.

Dois meses depois, em uma fria noite de inverno, o pastor foi visitá-lo.
“Deve ter vindo para tentar convencer-me a voltar”, pensou Juan consigo mesmo. Imaginou que não podia dizer a verdadeira razão: os sermões repetitivos.
Precisava encontrar uma desculpa, e enquanto pensava colocou duas cadeiras diante da lareira, e começou a falar sobre o tempo.

O pastor não disse nada.

Juan, depois de tentar inutilmente puxar conversa por algum tempo, também calou-se.
Os dois ficaram em silêncio, contemplando o fogo por quase meia-hora.

Foi então que o pastor levantou-se, e com a ajuda de um galho que ainda não tinha queimado, afastou uma brasa, colocando-a longe do fogo.
A brasa, como não tinha suficiente calor para continuar queimando, começou a apagar. Juan, mais que depressa, atirou-a de volta ao centro da lareira.

“Boa noite”, disse o pastor, levantando-se para sair.

“Boa noite e muito obrigado”, respondeu Juan. “A brasa longe do fogo, por mais brilhante que seja, terminará extinguindo rapidamente.
“O homem longe dos seus semelhantes, por mais inteligente que seja, não conseguirá conservar seu calor e sua chama. Voltarei à igreja no próximo domingo.”

Hangout com Jovem Nerd 09/10/2013

Mentiras, Morais, Marta e Mimimi que não acaba

From: Paulo Coelho
Date: Sun, 06 Oct 2013 18:37:29 +0200
To: Fernando Morais

Que interessante link , Fernando.
Agora espero sinceramente que voce faça um post ali (não um comentário, porque ninguem le comentário ali) contando em detalhes nossa conversa de segunda-feira
a] que a Marta te procurou duas vezes na segunda. Já havia te procurado antes [quereudo falar comigo], tenho email dela que voce me repassou
b] que o objetivo do seu telefonema era dizer que eu teria meu auditório de mil lugares, que ela tinha conseguido isso
dc] que eu demonstrei nao apenas espanto, mas irritaçao. EU NUNCA pedi isso, tinha um auditorio de 600 lugares na Feira, e um auditorio de 2.000 lugares no Maritm Frankfurt
d] enviei um email para voce, como pediu, para que repassasse para Marta. Ali mostrava minha surpresa e indignidade.

Ontem o escritor e biógrafo Fernando Morais (escreveu “O Mago”) me enviou um link de um portal, aparentemente ligado ao PT, com um post cheio de mentiras. Mentiras que podem ser comprovadas.

Fernando MOrais sabia que tudo era invenção. Conversamos na segunda-feira, com testemunhas de ambos os lados, mas resumindo:

1 -há dias me informa que Marta Suplicy quer conversar comigo. Perguntou se podia dar meu email privado, eu disse que tudo bem.
2= Recebi um email de alguem do Gabinete de Marta, pedindo que entrasse em contato com ela urgente. Não respondi.

Na segunda dia 30 de setembro, Fernando me enviou mais de uma mensagem via email. Disse que quando chegasse em casa telefonaria, e foi o que fiz. Fiquei horrorizado com o que me disse.
Ou
a] mentem para a ministra descaradamente
b] ela não acompanha de perto o que está acontecendo.

c] Fernando me pediu que enviasse um email, que ele repassaria para Marta. Fiz isso

Tenho provas (minha agente em fevereiro pediu para que eu abrisse a Feira, e rebati na hora). Tanto o diretor da Feira, Juergen Boss, como a minha editora local, Diogenes, podem confirmar facilmente as mentiras.

Enviei o email que abre este post.
Pedi a Fernando para escrever ali (conhece os admins) e desmentir. Eu na verdade não tinha a menor idéia do que estavam armando (embora deduzisse que estavam armando algo).

Pois bem: Fernando disse que podia escrever ali um comentário ali dizendo que o Brasil não me valoriza (o que não é verdade, mas isso é um outro tema).
Mas que não ia se meter em “picuínhas”.
Eu disse que um comentário ali daria credibilidade ao que o post acusava.
Fernando, sempre tão correto, de repente mostrou que não quer se envolver em “picuínhas”, quando o que está em jogo é um post mentiroso – mas de um blog ligado ao PT.

Fica o registro: minha biografia é absolutamente correta. Não tem os erros do post

Escritores convidados Frankfurt 2013

Aqui está a delegação de escritores da Feira do Livro de Frankfurt (fonte: Biblioteca Nacional )

Adélia Prado (Minas Gerais)

Adriana Lisboa (Rio de Janeiro)

Affonso Romano de Sant’Anna (Minas Gerais)

Age de Carvalho (Pará)

Alice Ruiz (Paraná)

Ana Maria Machado (Rio de Janeiro)

Ana Miranda (Ceará)

André Sant’Anna (Minas Gerais)

Andrea del Fuego (São Paulo)

Angela Lago (Minas Gerais)

Antonio Carlos Viana (Sergipe)

Beatriz Bracher (São Paulo)

Bernardo Ajzenberg (São Paulo)

Bernardo Carvalho (Rio de Janeiro)

Carlos Heitor Cony (Rio de Janeiro)

Carola Saavedra (Rio de Janeiro)

Chacal (Rio de Janeiro)

Cíntia Moscovich (Rio Grande do Sul)

Cristovão Tezza (Santa Catarina)

Daniel Galera (Rio Grande do Sul)

Daniel Munduruku (Pará)

Eva Furnari (São Paulo)

Fábio Moon e Gabriel Bá (São Paulo)

Fernando Gonsales (São Paulo)

Fernando Morais (Minas Gerais)

Fernando Vilela (São Paulo)

Ferréz (São Paulo)

Flora Süssekind (Rio de Janeiro)

Francisco Alvim (Minas Gerais)

Ignácio de Loyola Brandão (São Paulo)

João Almino (Rio Grande do Norte)

João Gilberto Noll (Rio Grande do Sul)

João Ubaldo Ribeiro (Bahia)

Joca Reiners Terron (Mato Grosso)

José Miguel Wisnik (São Paulo)

José Murilo de Carvalho (Minas Gerais)

Laurentino Gomes (Paraná)

Lelis (Minas Gerais)

Lilia Moritz Schwarcz (São Paulo)

Lourenço Mutarelli (São Paulo)

Luiz Costa Lima (Maranhão)

Luiz Ruffato (Minas Gerais)

Manuela Carneiro da Cunha (Portugal – São Paulo)

Marçal Aquino (São Paulo)

Marcelino Freire (Pernambuco)

Maria Esther Maciel (Minas Gerais)

Maria Rita Kehl (São Paulo)

Marina Colasanti (Rio de Janeiro)

Mauricio de Sousa (São Paulo)

Michel Laub (Rio Grande do Sul)

Miguel Nicolelis (São Paulo)

Nélida Piñón (Rio de Janeiro)

Nicolas Behr (Mato Grosso)

Nuno Ramos (São Paulo)

Patricia Melo (São Paulo)

Paulo Coelho (Rio de Janeiro)

Paulo Henriques Britto (Rio de Janeiro)

Paulo Lins (Rio de Janeiro)

Pedro Bandeira (São Paulo)

Roger Mello (Distrito Federal – Brasília)

Ronaldo Correia de Brito (Ceará)

Ruth Rocha (São Paulo)

Ruy Castro (Minas Gerais)

Sérgio Sant’Anna (Rio de Janeiro)

Silviano Santiago (Minas Gerais)

Teixeira Coelho (São Paulo)

Veronica Stigger (Rio Grande do Sul)

Walnice Nogueira Galvão (São Paulo)

Ziraldo (Minas Gerais)