Give before being asked

Those who are paying attention to others, always give before being asked for. Often our selfishness apologize, saying, “if he was in need, he would have asked.”

And we forget that many people can not – simply can not – ask for help.

I’m not talking just about money: loneliness, often can be worse than hunger.

A man knocked at his Bedouin friend’s door to ask him a favor:

“I want you to lend me four thousand dinars because I have a debt to pay. Can you do that for me?”

The friend asked his wife to gather together everything they had of value, but even so it was not enough. They had to go out and borrow money from the neighbors until they managed to get the full amount.

When the man left, the woman noticed that her husband was crying.

“Why are you sad? Now that we’ve got ourselves in debt with our neighbors, are you afraid we won’t be able to repay them?”

“Nothing of the sort! I’m crying because he is someone I love so much, but even so I had no idea he was in need.

“I only remembered him when he had to knock on my door to ask me for a loan.”

O dia seguinte

Antes de mais nada, quero avisar que já fui petista, fiz campanha, me decepcionei, resisti o quanto pude às constantes desilusões, incompetência, etc. Mas chegou um dia que disse BASTA.
Está aqui o Twitter a respeito, escrito em Novembro 2013 https://twitter.com/paulocoelho/status/372067365149634560

Isso dito, eis o que penso que acontecerá a partir de agora (e que irei atualizando à medida que o cenário político for evoluindo) :

1 – Temer asssume assim que o Senado votar a favor (o que ocorrerá).

2- Cunha passa a ser o vice-presidente. Mas se chegou tão perto, por que não tentar subir mais um degrau? Não é agora que vai mostrar as cartas escondidas na manga – é um dos melhores políticos que o Congresso tem (digo isso com o coração em pedaços). E passa a ser a espada colocada sobre a cabeça de Dâmocles/Temer [ explicação aqui ]

Atualização 20 de Abril: Ameaça a Temer é plano de Cunha para se salvar da cassação

3 – para compensar o excesso de gastos do governo, começam as privatizações. As riquezas do Brasil são vendidas a preço de banana.

Atualização 29 Abril: Programa de Temer prevê privatização de ‘tudo o que for possível’

A corrupção, que agora já aprendeu onde estão as possíveis armadilhas, se disfarça melhor, e exigirá muito tempo para ser descoberta.

4 – o povo, que nada tem de bobo, se dá conta que trocou seis por meia-duzia.

5 – o PT, que tampouco nada tem de bobo, volta ao confortável lugar de oposição ao governo, e começam as manifestações

Atualização 21 de abril Manifestação a favor de Dilma ocupa a Paulista

6 – o Brasil, por mais que se esforce, não consegue vender a legitimidade do novo governo lá fora.
No momento em que escrevo estas linhas, a opinião pública mundial é praticamente unânime em condenar o que aconteceu ontem (mas meu amigo Jorge Pontual tem razão, só quem pode falar do Brasil são os brasileiros)

7 – o dólar cai. as viagens para a Disneylandia sobem. Mas com isso, as exportações caem tambem, de maneira vertiginosa.

Atualização 20 Abril: A expectativa do Tesouro Nacional é de que a dívida pública continuará avançando em 2016 e deverá ultrapassar a barreira dos R$ 3 trilhões no fim deste ano

Aqui não descarto uma (mais uma) intervenção da FIESP de modo a valorizar o dólar de novo.

8 – os 54 milhões que votaram em Dilma, e que simplesmente não se manifestam porque tem medo da opinião pública, enxergam em Lula o salvador da pátria.

9 – as manifestações crescem mais ainda. Temer começa a ter dificuldades em governar. Surgem greves e bloqueios de estada, coisas do tipo.

10 – Lula cresce.

11 – Acredito na sinceridade e na honestidade de Moro. Não acho que prenderá Lula por meros interesses políticos.
Sabe que sua história, e a história de sua família seriam manchadas por gerações, como foi a de todos que apoiaram o golpe militar de 64 (tinha até recentemente amigo na família de um notório torturador, e 30 anos depois ficava me explicando que o seu sobrenome não queria dizer que compactuava com as idéias e ações do tio).

12 – Temer entra em desespero – sorridente e com pose de estadista, mas desesperado. Diz que o país está a beira do caos.
Tem conversas reservadas com as Forças Armadas.
E escuta um sonoro “NÃO” quando pede interferencia.

13 – Aécio tambem entra em desespero. Desde o dia 1 do segundo mandato de Dilma ele fez o possível e o impossível para não deixa-la governar.Agora vê que o maior beneficiado foi o PMDB. Começa a questionar Temer/Cunha.
Mas é tarde. Seu filme já está queimado, como mostram as pesquisas recentes.

Atualização 29 abril: Tchau, Aécio

14 – o povo já não tem mais ilusão a respeito de nada, e não se manifesta mais. A aguerrida militância do PT entra em cena sozinha. Todos começam a achar que “o Brasil inteiro” está contra o governo (assim como ocorreu agora)

Finalmente, usando um pouco de teoria conspiratória: voces não notaram que o PT quase nao fez nada de eficiente para manter Dilma no poder? Por que? Porque ela foi uma aposta errada. Portanto, o que acontece depois do item 14 acima, é a reeleição de Lula, e mais 8 anos de Partido Trabalhista.

 

 

20 SEC READING: The Asylum


 
A story by Kahlil Gibran
 

I was strolling in the gardens of an insane asylum when I met a young man who was reading a philosophy book.

His behavior and his evident good health made him stand out from the other inmates.

I sat down beside him and asked:

‘What are you doing here?’

He looked at me, surprised. But seeing that I was not one of the doctors, he replied:

‘It’s very simple. My father, a brilliant lawyer, wanted me to be like him.
“My uncle, who owns a large emporium, hoped I would follow his example.
“My mother wanted me to be the image of her beloved father.
“My sister always set her husband before me as an example of the successful man.
“My brother tried to train me up to be a fine athlete like himself.

“And the same thing happened at school, with the piano teacher and the English teacher – they were all convinced and determined that they were the best possible example to follow.
“None of them looked at me as one should look at a man, but as if they were looking in a mirror.

“So I decided to enter this asylum. At least here I can be myself.’

O alquimista: o segredo da felicidade

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Certo mercador enviou seu filho para aprender o Segredo da Felicidade com o mais sábio de todos os homens. O rapaz andou durante quarenta dias pelo deserto, até chegar a um belo castelo, no alto de uma montanha. Lá vivia o Sábio que o rapaz buscava.

Ao invés de encontrar um homem santo, o nosso herói entrou numa sala e viu uma atividade imensa; mercadores entravam e saíam, pessoas conversavam pelos cantos, uma pequena orquestra tocava melodias suaves, e havia uma farta mesa com os mais deliciosos pratos daquela regiãoo do mundo.

O Sábio conversava com todos, e o rapaz teve que esperar duas horas até chegar sua vez de ser atendido.

Com muita paciência, escutou atentamente o motivo da visita do rapaz, mas disse-lhe que naquele momento não tinha tempo de explicar-lhe o Segredo da Felicidade.Sugeriu que o desse um passeio por seu palácio, e voltasse daqui a duas horas.

– Entretanto, quero lhe pedir um favor – completou, entregando ao rapaz uma colher de chá, onde pingou duas gotas de óleo. – Enquanto você estiver caminhando, carregue esta colher sem deixar que o óleo seja derramado.

O rapaz comeíçou a subir e descer as escadarias do palácio, mantendo sempre os olhos fixos na colher. Ao final de duas horas, retornou à presença do Sábio.

– Entãoo – perguntou o Sábio – você viu as tapeçarias da Pérsia que estão na minha sala de jantar? Viu o jardim que o Mestre dos Jardineiros demorou dez anos para criar? Reparou nos belos pergaminhos de minha biblioteca?

O rapaz, envergonhado, confessou que nãoo havia visto nada. Sua única preocupação era nãoo derramar as gotas de óleo que o Sábio lhe havia confiado.

– Pois então volte e conheça as maravilhas do meu mundo – disse o Sábio. – Você não pode confiar num homem se não conhece sua casa.

Já mais tranqüilo, o rapaz pegou a colher e voltou a passear pelo palácio, desta vez reparando em todas as obras de arte que pendiam do teto e das paredes. Viu os jardins, as montanhas ao redor, a delicadeza das flores, o requinte com que cada obra de arte estava colocada em seu lugar. De volta , relatou tudo que encontrara.

– Mas onde estãoo as duas gotas de óleo que lhe confiei? – perguntou o Sábio.

Olhando para a colher, o rapaz percebeu que as havia derramado.

– Pois este é o único conselho que eu tenho para lhe dar – disse o mais Sábio dos Sábios. – O segredo da felicidade está em olhar todas as maravilhas do mundo, e nunca se esquecer das duas gotas de óleo na colher

(do livro “O alquimista”, edição comemorativa em todas as livrarias do Brasil, e record mundial de permanecia na lista de mais vendidos do NY Times)

“O Alquimista” é um 20 livros mais vendidos de todos os tempos

 
 

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Sobre a arte de escrever

Por Paulo Coelho

 

“Há dois tipos de escritores: aqueles que fazem você pensar e aqueles que fazem você sonhar”, diz Brian Aldiss, que me fez sonhar por um longo tempo com seus livros de ficção científica. Por princípio, eu acredito que cada ser humano neste planeta tem pelo menos uma boa história para contar aos próximos. O que se segue são as minhas reflexões sobre alguns itens importantes no processo de criação de um texto:
Acima de tudo, o escritor tem que ser um bom leitor. Aquele que se aferra aos livros acadêmicos e não lê o que outros escrevem (e aqui eu não estou falando apenas de livros, mas também blogs, colunas de jornal e assim por diante) jamais irá conhecer suas próprias qualidades e defeitos.

Então, antes de começar qualquer coisa, procure pessoas que estão interessadas em partilhar a sua experiência através de palavras. Eu não estou dizendo: “busque outros escritores”. O que estou dizendo é: encontre pessoas com diferentes habilidades, porque escrever não é diferente de qualquer outra atividade que é feita com entusiasmo.

Seus aliados não serão necessariamente aquelas pessoas que todos olham, se deslumbram, e afirmam: “não há ninguém melhor”. É muito pelo contrário: são as pessoas que não têm medo de cometer erros, e ainda assim eles cometem erros. É por isso que o seu trabalho nem sempre é reconhecido. Mas esse é o tipo de pessoa que muda o mundo, e depois de muitos erros elas conseguem acertar algo que fará toda a diferença em sua comunidade.

Estas são pessoas que não conseguem ficar esperando que as coisas aconteçam antes de decidir qual a melhor maneira de narrá-las: elas decidem enquanto agem, mesmo sabendo que isso pode ser muito arriscado.

Conviver com estas pessoas é importante para escritores, porque eles precisam entender que, antes de colocar qualquer coisa no papel, eles devem ter liberdade suficiente para mudar de direção conforme sua imaginação vagueia. Quando uma sentença chega ao fim, o escritor deve dizer a si mesmo: “enquanto eu estava escrevendo eu percorri um longo caminho. Agora termino este parágrafo com a consciência de que arrisquei o bastante e dei o melhor de mim mesmo.”

Os melhores aliados são aqueles que não pensam como os outros. É por isso que, enquanto você estiver procurando seus companheiros, confie em sua intuição e não dê qualquer atenção para os comentários alheios. As pessoas sempre julgam os outros tendo como modelo suas próprias limitações – e às vezes a opinião da comunidade é cheia de preconceitos e medos.

Junte-se aos que jamais disseram: “acabou, eu tenho que parar por aqui”. Porque assim como o inverno é seguido pela primavera, nada chega ao fim: depois de atingir seu objetivo, você tem que começar de novo, sempre usando tudo que aprendeu no caminho.
Junte-se aos que cantam, contam histórias, aproveitam a vida e têm a felicidade em seus olhos. Porque a alegria é contagiosa, e sempre consegue impedir que as pessoas se deixem paralisar pela depressão, solidão e problemas.

E conte a sua história, mesmo que seja apenas para a sua família ler.

DICAS SOBRE ESCREVER

Sobre Segurança Você não pode vender o seu próximo livro menosprezando o seu livro que acabou de ser publicado. Seja orgulhoso do que você tem.
Sobre Confiança Confie no seu leitor, não tente descrever coisas. Dê uma dica e eles vão preencher com sua própria imaginação.
Sobre Experiência Você não pode tirar algo do nada. Ao escrever um livro, use sua experiência.
Sobre Críticos Alguns escritores querem agradar seus pares, eles querem ser “reconhecidos”. Isso mostra insegurança e nada mais, por favor esqueça isso. Você deve se importar em partilhar a sua alma e não agradar a outros escritores.
Sobre Anotações Se você deseja capturar idéias, você está perdido. Você estará desconectado das emoções e se esquecerá de viver a sua vida. Você vai ser um observador e não um ser humano vivendo a sua vida. Esqueça de fazer anotações. O que é importante fica, o que não é importante vai embora.
Sobre Pesquisa Se você sobrecarregar o seu livro com um monte de pesquisa, vai ser muito chato para você e para o seu leitor. Livros não estão aí para mostrar como você é inteligente. Livros estão aí para mostrar a sua alma.
Sobre Escrita Eu escrevo o livro que quer ser escrito. Atrás da primeira frase tem uma corda que leva você até a última.
Sobre Estilo Não tente inovar as narrativas, conte uma boa história e será mágico. Eu vejo pessoas tentando trabalhar tanto no estilo, encontrar diferentes maneiras de dizer a mesma coisa. É como a moda. O estilo é o vestido, mas o vestido não dita o que está dentro do vestido.

 

(traduçao de Danilo Leonardi – o texto original foi publicado em ingles na  TIME )

O passageiro e o definitivo

Todos os caminhos do mundo levam ao coraí§í£o do guerreiro; ele mergulha sem hesitar no rio de paixíµes que sempre corre por sua vida.
O guerreiro sabe que é livre para escolher o que desejar; suas decisíµes sí£o tomadas com coragem, desprendimento, e – as vezes – com uma certa dose de loucura.

Aceita suas paixíµes, e as desfruta intensamente. Sabe que ní£o é preciso renunciar ao entusiasmo das conquistas; elas fazem parte da vida, e alegra a todos que delas participam.
Mas jamais perde de vista as coisas duradouras, e os laí§os criados com solidez através do tempo.

Um guerreiro sabe distinguir o que é passageiro, e o que é definitivo.

 

(do meu livro “Manual do Guerreiro da Luz”)

Leitura de domingo 15 Fev

Pode uma folha, quando cai da árvore no inverno, sentir-se derrotada pelo frio?
A árvore diz para a folha: ‘Este é o ciclo da vida. Embora vocíª pense que irá morrer, na verdade ainda continua em mim. Graí§as a vocíª estou viva, porque pude respirar. Também graí§as a vocíª senti-me amada, porque pude dar sombra ao viajante cansado. Sua seiva está na minha seiva, somos uma coisa só.’

Pode um homem que se preparou durante anos para subir a montanha mais alta do mundo, sentir-se derrotado quando chega diante do seu objetivo e descobre que a natureza a cobriu com uma tempestade? O homem diz para a montanha: ‘Vocíª ní£o me quer agora, mas o tempo vai mudar e um dia poderei sub
Iir até seu topo. Enquanto isso, vocíª continua aí­ me esperando.’

Pode um jovem, quando é rejeitado por seu primeiro amor, afirmar que o amor ní£o existe? O jovem diz para si mesmo: ‘Encontrarei alguém capaz de entender o que sinto. E serei feliz pelo resto de meus dias.’

Ní£o existe nem vitória nem derrota no ciclo da natureza: existe movimento.

 
em “Manuscrito encontrado em Accra”

O grande silíªncio

Diz a freira Balbas Miguel, do Mosteiro de Huelgas:

“San Juan de La Cruz nos ensina que o silíªncio tem sua própria música; é o silíªncio que nos permite ver a nós mesmos e as coisas que nos cercam.

“Eu gostaria de acrescentar: existem palavras que só podem ser ditas em silíªncio, por mais absurdo que isso possa parecer. Os grandes gíªnios, para compor suas sinfonias, preci­savam de silíªncio – e conseguiam transformá-lo em sons divinos. O filósofo e o cientista precisam do silíªncio.

“No mosteiro, prati­camos de noite o que chamamos de O Grande Silíªncio. Através da ausíªncia de conversas, conseguimos entender o que está além”.

2 min de leitura: o cí­rculo do amor

Certo dia, um camponíªs bateu com forí§a na porta de um convento. Quando o irmí£o porteiro abriu, ele lhe estendeu um magní­fico cacho de uvas.

– Caro irmí£o porteiro, estas sí£o as mais belas produzidas pelo meu vinhedo. E venho aqui para dá-las de presente.

– Obrigado! Vou levá-las imediatamente ao Abade, que ficará alegre com esta oferta.

– Ní£o! Eu as trouxe para vocíª.

– Para mim? Vocíª me deixa ruborizado, porque ní£o mereí§o tí£o belo presente da natureza.

– Sempre que bati na porta, vocíª abriu. Quando precisei de ajuda porque a colheita foi destruí­da pela seca, vocíª me dava um pedaí§o de pí£o e um copo de vinho todos os dias. Eu quero que este cacho de uvas traga-lhe um pouco do amor do sol, da beleza da chuva, e do milagre de Deus, que o fez nascer tí£o belo.

O irmí£o porteiro colocou o cacho diante de si, e passou a manhí£ inteira admirando-o: era realmente lindo. Por causa disso, resolveu entregar o presente ao Abade, que sempre o havia estimulado com palavras de sabedoria.

O Abade ficou muito contente com as uvas, mas lembrou-se que havia no convento um irmí£o que estava doente, e pensou: “vou dar-lhe o cacho. Quem sabe, pode trazer alguma alegria í  sua vida”.

Mas as uvas ní£o ficaram muito tempo no quarto do irmí£o doente, porque este refletiu: “o irmí£o cozinheiro tem cuidado de mim por tanto tempo, alimentando-me com o que há de melhor. Tenho certeza que isso lhe trará muita felicidade. Quando o irmí£o cozinheiro apareceu na hora do almoí§o, trazendo sua refeií§í£o, ele entregou-lhe as uvas”.

– Sí£o para vocíª. Como sempre está em contacto com os produtos que a natureza nos oferece, saberá o que fazer com esta obra de Deus.

O irmí£o cozinheiro ficou deslumbrado com a beleza do cacho, e fez com que o seu ajudante reparasse a perfeií§í£o das uvas. Tí£o perfeitas que ninguém para aprecia-las melhor que o irmí£o sacristí£o, responsável pela guarda do Santí­ssimo Sacramento, e muitos no mosteiro o viam como um homem santo.

O sacristí£o, por sua vez, deu as uvas de presente ao novií§o mais jovem, de modo que este pudesse entender que a obra de Deus está nos menores detalhes da Criaí§í£o. Quando o novií§o o recebeu, o seu coraí§í£o encheu-se da Glória do Senhor, porque nunca tinha visto um cacho tí£o lindo. Na mesma hora lembrou-se da primeira vez que chegara ao mosteiro, e da pessoa que lhe tinha aberto a porta; fora este gesto que lhe permitira estar hoje naquela comunidade de pessoas que sabiam valorizar os milagres.

Assim, pouco antes do cair da noite, ele levou o cacho de uvas para o irmí£o porteiro.

– Coma e aproveite. Porque vocíª passa a maior parte do tempo aqui sozinho, e estas uvas lhe farí£o muito feliz.

O irmí£o porteiro entendeu que aquele presente tinha lhe sido realmente destinado, saboreou cada uma das uvas daquele cacho, e dormiu feliz. Desta maneira, o cí­rculo foi fechado; o cí­rculo de felicidade e alegria, que sempre se estende em torno de quem está em contacto com a Energia do Amor.

O profeta, Khalil Gibran

Ní£o podemos esquecer quem somos

Em todas as lí­nguas do mundo existe um mesmo ditado: o que os olhos ní£o víªem, o coraí§í£o ní£o sente.
Pois eu afirmo que ní£o há nada mais falso do que isso; quanto mais longe, mais perto do coraí§í£o estí£o os sentimentos que procuramos sufocar e esquecer.
Se estamos no exí­lio, queremos guardar cada pequena lembraní§a de nossas raí­zes, se estamos distantes da pessoa amada, cada pessoa que passa pela rua nos faz lembrar dela.

Os evangelhos, e todos os textos sagrados de todas as religiíµes foram escritos no exí­lio, em busca da compreensí£o de Deus, da fé que movia os povos adiante, da peregrinaí§í£o das almas errantes pela face da terra.

Ní£o sabiam os nossos antepassados – e tampouco nós sabemos o que a Divindade espera de nossas vidas -, e é nesse momento que os livros sí£o escritos, os quadros pintados, porque ní£o queremos e ní£o podemos esquecer quem somos.

O guerreiro da luz e o novo ano

Sabendo esperar

O guerreiro da luz precisa de tempo para si mesmo. E usa este tempo para o descanso, a contemplaí§í£o, o contacto com a Alma do Mundo. Mesmo no meio de um combate, ele consegue meditar.

Em algumas ocasiíµes o guerreiro senta-se, relaxa, e deixa que tudo que está acontecendo ao seu redor continue acontecendo. Olha tudo a sua volta como se fosse um espectador, ní£o tenta crescer nem diminuir – apenas entregar-se sem resistíªncia ao movimento da vida.

Aos poucos, tudo que parecia complicado comeí§a a tornar-se simples. E o guerreiro se alegra.

Descobrindo o objetivo

Quando se quer uma coisa, o Universo inteiro conspira a favor. O guerreiro da luz sabe disso.

Por esta razí£o, toma muito cuidado com seus pensamentos. Escondidos debaixo de uma série de boas intení§íµes estí£o desejos que ninguém ousa confessar a si mesmo: a vinganí§a, a autodestruií§í£o, a culpa, o medo da vitória, a alegria macabra com a tragédia dos outros.

O Universo ní£o julga: conspira a favor do que desejamos. Por isso, o guerreiro tem coragem de olhar para as sombras de sua alma e procura iluminá-las com a luz do perdí£o.

O guerreiro da luz é senhor dos seus pensamentos.

Entendendo a rotina

Há momentos em que o caminho do guerreiro passa por perí­odos de rotina. Entí£o ele aplica um ensinamento de Nachman de Bratzlav:

“Se vocíª ní£o consegue se concentrar, ou se está aborrecido com o seu dia, deve repetir apenas uma simples palavra, porque isto faz bem a alma. Ní£o diga nada mais, apenas repita esta palavra sem parar, incontáveis vezes. Ela terminará perdendo seu sentido, e depois ganhará um significado novo. Deus abrirá as portas, e vocíª terminará usando esta simples palavra para dizer tudo o que queria”.

Quando é forí§ado a fazer a mesma tarefa várias vezes, o guerreiro utiliza esta tática, e transforma o seu trabalho em oraí§í£o.

Celebrando o ano que termina

O guerreiro viveu todos os dias do ano que passou, e mesmo que tenha perdido grandes batalhas, sobreviveu e está aqui. Isso é uma vitória. Esta vitória custou momentos difí­ceis, noites de dúvidas, intermináveis dias de espera. Desde os tempos antigos, celebrar um triunfo faz parte do próprio ritual da vida.

A comemoraí§í£o é um rito de passagem.

Os companheiros olham a alegria do guerreiro da luz, e pensam: “por que faz isto? Pode decepcionar-se em seu próximo combate. Pode atrair a fúria do inimigo”.

Mas o guerreiro sabe o motivo de seu gesto. Ele se beneficia do melhor presente que a vitória é capaz de trazer: confianí§a.

O guerreiro celebra o ano que passou, para ter mais forí§as nas batalhas de amanhí£.

(em O Manual do Guerreiro da Luz )

Novo escritório em Barcelona

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Paulo Coelho, que este ano publicou um novo livro, “Adultério” – presente em todas as listas de mais vendidos em todos os paí­ses em que foi publicado – estará em Barcelona dia 12 de novembro para a inauguraí§í£o do novo escritório da agencia literária Sant Jordi Asociados.
A agencia é responsável por todos os direitos do autor desde que foi fundada, 20 anos atrás.

Diz Monica Antunes, sua representante exclusiva desde as primeiras traduí§íµes de O Alquimista – atualmente em 140 paí­ses em mais de 80 idiomas: ” as novas oportunidades acarretadas pelas transformaí§íµes profundas que o mercado literário está atravessando, tem nos permitido crescer bastante. ” Antunes se refere basicamente a edií§íµes digitais – a Sant Jordi Asociados agora publica em plataformas eletrí´nicas todos os livros do autor em portugues, frances, alemí£o, italiano, polones e espanhol.

Os novos escritórios da Sant Jordi Asociados tem o dobro de tamanho do escritório anterior, graí§as a constante expansí£o do trabalho de Paulo Coelho no mundo.

Para Coelho, “Barcelona é uma referíªncia para o mundo editorial, e sempre foi generosa comigo em com Mí´nica, quando ainda estavamos dando os primeiros passos”.
Carlos Revés, diretor da área editorial do Grupo Planeta, afirma que a presení§a de Mí´nica Antunes na cidade permite uma aproximaí§í£o especial com o autor e sua representante. “Estamos muito contentes que, durate a inauguraí§í£o, poderemos brindar o sucesso de Adultério no paí­s; desde que foi publicado, ní£o saiu da lista de mais vendidos”.

Para maiores informaí§íµes: + 34 93 224 0107

A critica literaria e o leitor

A critica literária e o leitor

A critica literária e o leitor

A recepí§í£o da obra de Paulo Coelho pela crí­tica

 

(NOTA: a versí£o acima ní£o é a definitiva. Assim que receber a tese já corrigida, substituiremos)

#somostodosmacacos

(abaixo a análise feita pela Loducca a respeito da hashtag. Uma análise pertinente e lúcida)

Como toda manifestaí§í£o, o #somostodosmacacos – mesmo atingindo dimensí£o mundial e provocando uma discussí£o honesta sobre um tema, infelizmente, mais atual do que gostarí­amos – gerou algumas dúvidas sobre ele mesmo, sobre a forma e também sobre a participaí§í£o de uma empresa de comunicaí§í£o nele, nós. Por isso, estamos nos manifestando oficialmente sobre cada um dos principais temas levantados, alguns bastante pertinentes, outros, nem tanto ao nosso ver. Felizmente a maioria compreendeu a importí¢ncia e soube ver a maneira irí´nica e icí´nica (banana) que foi usada e, por isso mesmo, fez sucesso tí£o rápida e espontaneamente.

Como nasceu o #somostodosmacacos. Fatos.

Segundo o Daniel Alves em entrevista para a revista Placar após o incidente no jogo de 29/3, no jogo contra o Espanyol, onde alguns “torcedores” jogaram bananas no campo para os jogadores brasileiros do Barcelona, mas que tanto o Neymar Jr. quanto o Daniel Alves, ní£o viram na hora só tendo conhecimento do que aconteceu, mais tarde, pela imprensa. Quando souberam, ainda segundo Daniel Alves, Neymar teria comentado em tom de brincadeira que, “se tivesse visto a banana, teria comido”. Na volta para Barcelona, depois da derrota para o Granada, torcedores imitaram macacos quando Neymar Jr. estava chegando ao Camp Nou. Nesse momento, Neymar Jr., sabendo da responsabilidade mundial que tem, quis se manifestar contra o racismo e nos pediu, junto com Sr. Neymar e Eduardo Musa, que pensássemos em algo que pudesse ser feito nas redes sociais.
Por que nós? Há anos a Loducca orienta parte das aí§íµes de comunicaí§í£o do Neymar Jr., do Instituto etc. O natural seria conversar conosco.
Nos pareceu (e ainda nos parece) que fazer algo bem-humorado, irí´nico e que ridicularizasse as atitudes racistas teria maior capacidade de levantar a discussí£o, seria mais eficiente em tocar o coraí§í£o das pessoas do que algo que reclamasse, chorasse ou ficasse tentando reforí§ar um papel de ví­tima (caminhos que já foram seguidos em momentos diferentes, tíªm seus méritos, mas que ní£o tiveram a mesma repercussí£o). Ainda mais para uma pessoa com a personalidade alegre, brilhante e divertida como a do Neymar Jr. Tinha que ser algo como ele.
O que fizemos?
Criamos a hashtag “somos todos macacos” e a ideia de “mandar uma banana” para todos os racistas através de uma foto do Neymar comendo uma banana. E também um ví­deo onde explicamos a manifestaí§í£o do Neymar Jr.
Entí£o aconteceu de jogarem a banana para o Daniel Alves no jogo do Barcelona contra o Villareal, dia 27/4 , que imediatamente ” traí§ou a banana”.
Poucos devem duvidar que era o momento correto para iniciarmos o movimento que o Neymar Jr. queria, independentemente de ter acontecido com ele ou com o Daniel Alves.
Imediatamente Neymar Jr., que estava com seu filho naquele momento, bateu a foto (a que ficou conhecida mundialmente) e postou no twitter . Logo após o ví­deo.
Qual seria o erro do Neymar Jr. fazer uma manifestaí§í£o pública pensada e de maneira profissional? Ainda ní£o conseguimos descobrir.
Saber colocar um pensamento, uma ideia, no momento mais adequado e propí­cio para que ele tenha um impacto maior e melhor é oportunismo? Desde quando?

#somostodosmacacos é racista

Colocado como foi, ironicamente, na situaí§í£o (logo após a maravilhosa atitude do Daniel Alves), a hashtag, mais a imagem de Neymar com seu filho, ní£o chama os negros de macacos, mas LEMBRA OU ALERTA AOS BRANCOS que somos todos iguais, vindos “do mesmo macaco”. Este é um fato cientí­fico provado e comprovado (salvo alguns fanáticos que ainda questionam Darwin), ní£o uma opinií£o. Achamos que isso fica bastante claro no post do Neymar Jr. com o seu filho e no ví­deo que fizemos para esclarecer as motivaí§íµes e intení§íµes do movimento. Achamos 100% válido quem questiona se a hashtag do movimento é a melhor ou ní£o para alertar as pessoas contra o racismo (alguns acham que deveria ser #somostodoshumanos). Respeitamos e estamos abertos a discutir, ouvir e aprender. Mas nos parece desinformaí§í£o, má-fé ou algo pior quando alguns querem tentar dizer que estamos chamando exclusivamente os negros de macacos: somos todos macacos!

Se tem agíªncia de propaganda, ní£o deve ser coisa boa, ní£o vale.

O que é isso além de puro preconceito? O que é isso além de “atirar” bananas nos profissionais de comunicaí§í£o, em sua esmagadora maioria sí£o sérios, engajados pessoal ou profissionalmente em causas importantes. Engenheiros, médicos, jornalistas, TODOS podem querer usar seu expertise por um mundo melhor, menos os publicitários?! Faz sentido isso?

A agíªncia se aproveitou para aparecer ou, ao contrário, estava escondendo que tinha participaí§í£o

A agíªncia ní£o tinha nenhuma intení§í£o de assumir a paternidade da aí§í£o, já que a causa era é infinitamente maior do que isso. E também ní£o tivemos nenhuma restrií§í£o em assumir nossa participaí§í£o quando o repórter do Meio & Mensagem nos procurou dizendo que tinha informaí§íµes de que nós haví­amos participado. Ní£o havia do que se aproveitar, nem a esconder.

Celso Loducca

Fundaí§í£o Paulo Coelho (beta)

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Se meu trabalho resistir ao tempo, sempre haverá curiosidade em saber como vivi meus dias.
Meus manuscritos. Meus diários. Os recortes de imprensa. As crí­ticas. As cartas dos leitores. E por aí­ vai.
Resolvi criar uma Fundaí§í£o Virtual onde todo este material poderá ser acessado – em qualquer lugar do mundo.

Um local fí­sico ní£o basta – a pesquisa seria limitada í queles que podem vir até Genebra, onde estamos instalando a Fundaí§í£o Paulo Coelho (abertura no final de 2014).
Assim, decidimos colocar todo o material na nuvem.
O portal que estí£o vendo é uma versí£o beta. Podem ocorrer muitos erros durante a navegaí§í£o.

Quem puder colaborar conosco, apontando melhoras, por favor enviar um email para Ertz Porfirio
Muito obrigado.

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20 seg leitura: a águia

Um ovo de águia foi colocado, por acaso, no ninho de uma galinha. Quando o filhote nasceu, juntou-se aos pintinhos, e passou a depender da sua mí£e adotiva.

Aos poucos, porém, foi sentindo necessidade de voar.

Um belo dia perguntou para a galinha: “quando irei cruzar os céus?”

A pobre galinha, que ní£o sabia como ajudar fugiu da pergunta: “quando vocíª estiver preparado, eu lhe ensino”.

Passou-se mais um tempo, e a águia desconfiou que a mí£e ní£o sabia voar. Mas ní£o conseguia soltar-se e voar por si mesma.

“Por que ní£o bate as asas e sobe aos céus?” perguntavam seus irmí£os.

“Porque vou ferir minha mí£e, que me deu tanto carinho”, respon­dia a águia.

E por causa disto, jamais saiu do chí£o.

Por que ní£o dou entrevistas?

EN ESPANOL AQUI —> ¿Por qué no doy entrevistas?
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Como já devem ter notado, faz tempo que ní£o dou entrevistas quando publico um novo livro. E isso ní£o se deve, de maneira nenhuma, a uma atitude de arrogancia ou desrespeito com jornalistas. Junto com os livreiros e os leitores, eles colaboraram muito para o meu sucesso.

Entí£o por que decidi parar com entrevistas – exceto para alguns amigos, com quem tenho laí§os de gratidí£o ?
Existem várias razoes para isso.

1] as comunidades sociais hoje me permitem chegar diretamente ao leitor, e dizer: “aqui está meu novo tí­tulo, leiam e recomendem se gostarem”. Portanto, a idéia de promover um livro através da mí­dia termina sendo redundante.

2] sempre precisei lutar com a idéia de explicar o que escrevi. Penso que o texto deve ser claro o suficiente.

3] os cadernos de cultura, que floresciam na minha época, terminaram acabando. A mais recente perda foi a Ilustrí­ssima, da Folha de Sí£o Paulo.

4] em virtude disso, surgem perguntas que ní£o tenho a menor paciíªncia para responder, tais como “Explique o seu sucesso” ou “o que faz com seu dinheiro”. Nada que seja relacionado ao processo criativo em si.

Isso ní£o quer de maneira nenhuma dizer que NUNCA dou entrevistas.
Quando vejo um assunto que julgo importante opinar – como, por exemplo, defender o conteúdo livre na internet (Pirateiem tudo que escrevi) – eu estou sempre acessivel.

O mesmo ocorre quando se trata de promover autores que julgo relevantes – como por exemplo Khalil Gibran ou Malba Tahan, que iluminaram minha juventude. Jamais me furto de fazer com que minha palavra seja ouvida quando vejo alguma barbaridade no terreno polí­tico ou cultural.

Só para vocíªs terem uma idéia, meio bilhí£o de pessoas em todo o planeta leram meu texto contra a guerra no Iraque, Obrigado Presidente Bush.
Outro exemplo: quando Tony Blair foi convidado para ser “consultor” das Olimpí­adas do Rio, eu imediatamente me manifestei, e consegui impedir sua presení§a. ((leia aqui)

Esperam que me entendam. Ní£o vou ficar quieto quando precisar falar em alto e bom tom. Quanto ao mais, o que preciso dizer hoje em dia está nos livros ou nas comunidades sociais, que administro pessoalmente.

Paulo

Decidindo o destino alheio

Malba Tahan conta a história de um homem que encontrou um anjo no deserto, e lhe deu água. “Sou o anjo da morte e vim buscá-lo”, disse o anjo. “Mas como vocíª foi bom, vou lhe emprestar o Livro do Destino por cinco minutos; vocíª pode alterar o que quiser”.

O anjo entregou o livro. Ao folhear suas páginas, o homem foi lendo a vida dos seus vizinhos. Ficou descontente: “estas pessoas ní£o merecem coisas tí£o boas”, pen­sou. De caneta em punho, comeí§ou piorar a vida de cada um.

Finalmente, chegou na página de seu destino. Viu seu final trági­co, mas quando preparava-se para mudá-lo, o livro sumiu. Já se tinham passado cinco minutos.

E o anjo, ali mesmo, levou a alma do homem.