“Por que recusou o convite do Ministério da Cultura?”

 
 

[ACIMA: HANGOUT COM JOVEM NERD, ÚNICA ENTREVISTA QUE DEI PARA BRASIL
ABAIXO, ALGUNS TRECHOS DA ENTREVISTA. A MATERIA SAIU NO DOMINGO, DIA DE OUTUBRO, NA ALEMANHA.]

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logo_die_welt>Martin Scholz_Interview with Paulo Coelho for Welt am Sonntag, Sunday 06 October 2013


WELT AM SONNTAG: Na próxima semana, a maior feira literária do mundo abre suas portas em Frankfurt. O Brasil é o país de honra, mas você que é o autor brasileiro de maior sucesso não participará. Por que recusou o convite do Ministério da Cultura?

PAULO COELHO: Estou em constante contato com jovens escritores do meu país. Mas quando o governo chega para apresentar oficialmente a cultura brasileira em outros lugares, infelizmente esses são ignorados e a políticagem interna acaba predominando. O Ministério da Cultura do Brasil convidou 70 pessoas para irem à Frankfurt…

WaS: 70 escritores.
PC: Eu duvido que sejam todos escritores profissionais. Dos 70 escritores convidados (LISTA AQUI) , eu conheço apenas 20, então os outros 50 nunca ouvi falar. Presumo que sejam amigos de amigos de amigos. Nepotismo. O que me incomoda mais: EXISTE uma nova e excitante cena literária brasileira. Mas a maioria desses jovens autores não está nessa lista.

WaS: Por que você não exerceu sua influência como membro da Academia?
PC: Falei publicamente e conversei com muitos colegas escritores que não foram convidados para Frankfurt como Eduardo Spohr, Carolina Munhóz, André Vianco, Felipe Neto e Raphael Draccon, só para mencionar alguns nomes. Eu tentei ao máximo levá-los para a feira, mas sem sucesso. Então, por protesto, eu DECIDI não ir mais para Frankfurt, o que foi uma decisão difícil por diversos motivos. Primeiro porque eu sempre quis ser convidado para um evento como este pelo meu governo, mas também porque tenho fortes laços com a Feira de Frankfurt, especialmente com seu diretor Jürgen Boos, que não só reconheceu o processo de transformação do impresso para o digital, como colocou o tópico até na programação da feira. Ele iniciou vários fóruns e painéis com o assunto. Outras feiras do mesmo molde, como a de Genebra e Paris estão deteriorando porque se prendem a antigos conceitos. Eu NÃO vou para Frankfurt mesmo com a alta estima que tenho por essa feira porque simplesmente não aprovo o modo que está sendo representada a literatura brasileira. Não quero posar de um Robin Hood brasileiro. Nem de Zorro ou Cavaleiro Solitário. Mas não pareceria certo ser parte da delegação oficial brasileira, do qual não conheço a maioria dos escritores e que exclui tantos outros.

WaS: Isso te deixa claramente chateado.

PC: Porque isso é apenas um dos diversos pontos críticos do atual cenário governamental brasileiro. Eu apoiei esse governo e estou muito decepcionado com isso. Existe uma lei que permite grandes empresas como a Volkswagen investirem parte de seus impostos em projetos culturais. Essa lei foi modificada de tal forma que a alta costura brasileira é sustentada por essas taxas – uma indústria que não precisava desse tipo de apoio de forma alguma. Esse é apenas um detalhe, mas é um exemplo do que acontece em larga escala. Para mim, o atual governo brasileiro é um desastre. Onde quer que eu vá, as pessoas sempre me perguntam o que está acontecendo de errado em meu país. O governo fez grandes promessas e não as manteve. Isso é o que está acontecendo de errado.

WaS: Recentemente centenas de milhares de pessoas em mais de 140 cidades protestaram contra a corrupção, má gestão e desigualdade social. O que passa pela sua mente quando vê todas essas imagens de tumultos nos noticiários?
PC: Estou muito preocupado, sobretudo porque não parece ter um fim breve. Tudo começou quando aumentaram as tarifas de ônibus. E quando, após a Copa das Confederações, um país louco por futebol como o Brasil admitiu publicamente que temos problemas mais urgentes que modernizar nossos estádios para o Campeonato Mundial – isso já foi uma grande declaração. No entanto, todo mundo foi pego de surpresa pelo escopo de raiva pública. Porque o Brasil tinha sido cotado como o novo país do momento. O problema é que uma grande parte da população não tem sido capaz de lucrar com esse momento. A violência no Rio de Janeiro é um grande problema. O governador prometeu encontrar uma solução, mas ele não manteve sua promessa. São Paulo não tem uma situação melhor. Não importa onde você olha, o demônio da corrupção está olhando de volta pra você. Em uma situação tão tensa, elevar as tarifas de ônibus parece ter sido a gota d’água para quebrar as costas do camelo. Pessoas respondem coisas desse tipo. Com a minha fundação apoio crianças carentes de favelas durante anos, sem nunca ter recebido apoio financeiro ou até mesmo uma palavra de reconhecimento por parte do governo. Eu me encontro em uma situação semelhante à de muitos colegas brasileiros. Eu votei no governo de esquerda, pelo qual tinha grandes esperanças. Estive cego por muito tempo, não querendo ver o que acontecia de errado. E eu me mantenho pela minha crítica.


WaS: Nestas circunstâncias, o que você espera do campeonato mundial no próximo ano? O ex-craque Ronaldinho mostrou pouca simpatia pelos manifestantes. Ele disse que campeonatos não eram sobre construções de hospitais ou ruas, mas sim de estádios.

PC: Essa foi uma observação muito estúpida. Ronaldinho deveria ter mantido sua boca fechada. Claro que hospitais, escolas e acima de tudo um bom sistema de transporte público são mais importantes para um país como o Brasil que estádios de futebol. O transporte público ainda é um grande problema no Brasil. A infraestrutura não é apenas ruim, mas uma decadência total. No entanto, não perdi por completo a esperança que antes da Copa vamos chegar aos nossos sentidos e usar os investimentos para o campeonato de uma forma que os brasileiros possam lucrar, mesmo após os jogos. Estou em dúvida, no entanto. Mas agora estou falando há um tempo sobre o Brasil e percebi que não pintei um quadro muito positivo do meu país.

WaS: Isso é ruim?
PC: Não, você pode manter isso. Especialmente porque já expresso parte dessa crítica no Facebook e no Twitter, embora em pequenos pedaços e não em um grande bloco como está sendo agora em nossa conversa. Essa é a grande coisa sobre redes sociais. Se eu tenho algo a dizer, digo. Não preciso dar longas entrevistas a jornalistas que predominantemente vão procurar fraquezas e argumentos falhos e focar neles diversas vezes. Hoje em dia, eu prefiro dividir os meus comentários imediatamente com os meus 8,5 milhões de seguidores no twitter, ou com meus 12 milhões de amigos no Facebook. Instantaneamente. Globalmente.

WaS: A revista Forbes declarou que você é a segunda personalidade mais influente no twitter depois de Justin Bieber. No Facebook você agora tem mais seguidores do que Madonna. Não se torna assustador ter este número crescente de devotos on-line esperando que você dê um significado a suas vidas?
PC: Nem um pouco. Eu gosto de participar de redes sociais porque é divertido e acho gratificante. Agora estou ligado aos meus leitores de todo o mundo de uma maneira que antes das redes sociais emergirem não era possível. Deixe-me dar-lhe um exemplo: sessões de autógrafos costumavam ser frustrante. 200 ou 300 pessoas ficavam muito felizes, porque conseguiam um autógrafo meu. Muitos outros ficavam irritados porque tinham esperado na fila e foram mandados para casa de mãos vazias, já que não posso assinar livros por oito horas a fio.

WaS: Mas para enviar mensagens no Twitter e no Facebook para seus fãs em todos os cantos do mundo, todos os dias, pode ser cansativo também, certo?

PC: Eu não preciso estar on-line todos os dias e não estou. Você não tem que escrever um livro a cada dia a fim de se considerar um escritor, não é? Eu uso o twitter e posto no Facebook quando quero.

WaS: Você tem vontade de salvar o mundo através das redes sociais?

PC: Eu não quero salvar o mundo, eu meramente construo algumas pontes. E atualmente não sou o único. O novo presidente iraniano abriu sua conta própria no Twitter (ou teve alguém para fazer isso por ele) e escreveu: “Feliz ano novo, meus amigos judeus”. Uma pequena mudança paradigmática, que não deve passar despercebida.

WaS: O que você diz a seus colegas escritores que consideram Blogs e Twitter uma perda de tempo?
PC: Francamente, eu não entendo a recusa. As redes sociais permitem que você experimente novas formas de escrita. Eu escrevo de uma forma diferente para um blog, um romance, tweet ou em um post no Facebook. Nas redes sociais, posso discutir temas que meus leitores ou eu consideramos importantes. Isso não significa que todos esses posts tenha que transformar em um livro. Mas através dessas redes posso chegar a uma comunidade gigantesca. Pessoas que não vão mais a muitas livrarias e são pouco interessadas em livros. Eles pensam que livros são chatos. Minha experiência é a seguinte: se eu publicar textos na internet, posso interessa-los em os meus livros. Não devemos demonizar essas novas formas de comunicação.
Também acho desconcertante quando os meus colegas escrevem: “a internet mata literatura” e em seguida publicam esses textos online. Eles escrevem na internet para reclamar da internet. Isso é como ser casado e só falar com sua esposa a fim de reclamar dela. Isso não funciona.

WaS: Você recentemente chocou o mundo editorial com um experimento altamente incomum. Em seu site incentiva usuários a baixar vários formatos e traduções de seus próprios livros. Gratuitamente. No entanto, as vendas de seus livros impressos continuam a aumentar apesar disso ou por causa desses downloads gratuitos, o que causa curiosidade entre a indústria editorial que está convenientemente ignorada. Por que ninguém lhe imitou ainda?

PC: Eu não tenho resposta para isso. Eu fico me repetindo: se você é um verdadeiro artista, então o seu principal objetivo é ser notado.

WaS: Na verdade, você já era um autor best-seller antes mesmo da chegada de downloads – que acabou sendo uma ferramenta de marketing interessante para impulsionar ainda mais suas vendas.
PC: Isso é o que eu continuo ouvindo: Paulo Coelho pode se dar ao luxo de permitir downloads gratuitos de seus livros, porque ele já é famoso. Eu sempre discordo: “eu sou quem eu sou hoje porque sempre tomo riscos e porque estou aberto a novas ideias”. Muitos colegas dizem: “eu não dou os meus livros gratuitamente na internet”. O que já mostra que eles não entendem o núcleo do mundo digital – que compartilhar termina somando ao invés de dividir.  Não consigo explicar por que meus livros impressos vendem melhor hoje do que antes dos meus compartilhamentos, mas o que parece ser o caso é que a maioria dos leitores que baixa o primeiro livro de graça, depois sentem certa obrigação de comprar o livro impresso. Pelo menos os jovens escritores não parecem pessimistas com as redes sociais. Muitos jovens escritores brasileiros abraçam essas oportunidades. Para eles sou um pouco de modelo. Eles até inventaram um bom apelido para mim: me chamam de Mago dos Nerds.

WaS : Isso é um elogio?
PC: Eu acredito realmente que sim.

A foto e seu autor

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André Barcinski sumiu do Twitter ( WTF??? ) mas continua com seu blog na Folha de São Paulo
Sou leitor do mesmo.

Hoje, vendo um lindissimo post sobre a emoção causada pelo Boss cantando Sociedade Alternativa
(Bruce toca Raul e a gente chora )
resolvi fazer uma coisa que raramente faço: colocar um comentário ali.

Jamais posto comentários anônimos, por sinal.

E eis que descubro o autor da foto abaixo!
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Nas palavras do próprio André:

Andre Barcinski comentou em 21/09/13 at 11:48 Responder

Muito legal te ver por aqui, Paulo, e muito obrigado pelos esclarecimentos. Também tenho um esclarecimento a fazer: sabe aquela foto famosa sua com o Raul, nesse show do Canecão? Acho que é a última foto de vocês dois juntos, certo? Pois é, fui eu que fiz. Eu trabalhava pro Jornal do Brasil e fotografei o show. Essa foto circula muito, mas nunca com o crédito. Tenho um orgulho danado de ter registrado esse momento. Grande abraço pra você e apareça mais vezes aqui no blog, por favor.

Como André não tem Twitter, se algum amigo dele ler este post, favor avisa-lo

Frankfurt I

Neste final de semana, um colunista, uma revista e um jornal entraram em contato comigo para saber se não vou à Feira do Livro de Frankfurt por causa da “desorganização.” Talvez esse interesse tenha ocorrido por causa dos frequentes tuites que postei sobre o Ministério da Costura (antes conhecido por Ministério da Cultura, mas que no momento se dedica a justificar os subsídios da Lei Rouanet à alta costura: Marta Suplicy libera verba para desfiles de luxo )

Preciso esclarecer alguns pontos:

ORGANIZAÇÃO
Embora eu seja convidado da delegação oficial, quem organizou minha ida foi minha editora alemã.
Portanto, tenho hotel (com banheiro no quarto!), carro, etc.
“Banheiro no quarto, o que é isso? “ alguém perguntará.
O fato é que o Brasil, embora já saiba há anos que seria o convidado de honra em 2013, reservou quartos sem banheiro para escritores. Leio na coluna de Ancelmo Gois nesta sexta: A ministra Marta Suplicy reconhece que ainda não foi escolhido o lugar onde vão ficar hospedados os 70 escritores da delegação brasileira na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, dia 8 de outubro:— Mandei fazer uma nova licitação depois que descobri que o hotel dos nossos escritores não tinha banheiro nos quartos.
Vamos torcer para que consigam hotéis na cidade. Ou os escritores terão banheiro no quarto, mas precisarão viajar todos os dias no mínimo por 1:30 hr (40 min para ida + volta) , já que os hotéis – no momento – estão completamente lotados.

A ENTREVISTA
Nesta quinta feira, dia 5, resolvi dar uma única entrevista, para o maior jornal alemão, Die Welt. A entrevista será publicada no domingo, dia 6 de outubro.
O jornalista disse que não conhecia absolutamente ninguém da lista.
Minha editora alemã, Ruth Geiger, presente na entrevista, disse que o comentário em Frankfurt é o seguinte: “ao invés de trazer escritores consagrados, o Brasil optou por trazer desconhecidos e assim mostrar a nova face da literatura brasileira”.

QUEM É QUEM?
Vejam aqui: Lista de escritores brasileiros convidados para a Feira de Frankfurt 2013
Dos 70 nomes, conheço 22, e já li 17 autores – que realmente merecem estar ali. O resto simplesmente não tenho idéia de quem seja.
Mas checando um por um dos 48 que nunca ouvi falar, descobri que estão longe de ser “a nova face da literatura brasileira”.
Pedi a algumas pessoas que me dissessem quais autores conheciam. A contagem variou entre quatro e cinco. E você, quantos conhece?

BIENAL DO LIVRO RIO DE JANEIRO
Encerrada ontem, e merecidamente homenageando o Ziraldo, podemos ler em qualquer jornal os autores nacionais que fizeram sucesso junto ao público: a verdadeira nova literatura brasileira.
Veja o que escreve Raquel Cozer na Folha de São Paulo: A hora dos nacionais
Alguns exemplos: Andre Vianco, Felipe Neto, Carolina Munhoz, Eduardo Sphor, Raphael Draccon, e muitos mais. Além destes, temos Deive Passos e Alexandre Ottoni, autores do Protocolo Bluehand - que não estiveram na Bienal mas escreveram um livro fantástico.
Nenhum deles está na lista.

O MINISTÉRIO DA CULTURA/COSTURA E MEU TRABALHO
EU nunca tive nenhuma tradução subsidiada pelo governo (agora apareceu um chinês que pediu, mas sem minha permissão ou conhecimento). Meus livros estão em 72 linguas, detenho o recorde de autor vivo mais traduzido do mundo. Sou publicado em 155 países.
O Ministério da Cultura nunca me ajudou. Não entrei na lista oficial de Frankfurt 1994 (ainda bem, foi um desastre).
Em 1998, fui vetado pela Biblioteca Nacional para participar do Salon du Livre de Paris, embora tivesse 3 livros na lista dos mais vendidos na França (participei a convite de minha editora francesa, e foi fantástico).
Em 2008, o patético ex-ministro Juca Ferreira desmarcou em cima da hora sua presença na festa organizada por meus editores, celebrando àquela altura 100 milhões de livros vendidos ( por sinal, nunca devolveu o convite).

MUDA BRASIL
Em junho deste ano, assistimos as manifestações que pediam mudanças estruturais. Pelo visto, a mudança até agora foi permitir que a Lei Rouanet apoie desfile de moda.
Na época, postei um tuite dizendo que estou seriamente repensando minha presença em Frankfurt. Ainda não decidi nada, mas se deixar de ir não será por falta de organização.
Será por não compactuar com o que o governo brasileiro quer mostrar ali.

Como diz Reinaldo Azevedo, de quem discordo em genero, número e grau de tudo que posta sobre política, mas concordo com tudo que posta sobre cultura: volto ao assunto mais adiante.

Minha vida em 750 GB

Em 1996 realizei, junto com minha mulher Christina Oticica, um grande sonho. A criação do Instituto Paulo Coelho, uma instituição sem fins lucrativos, financiada exclusivamente por meuss direitos autoraisinst00
Em seguida, veio aquela pergunta de sempre: caso o meu trabalho ainda seja lembrado no futuro, o que fazer com todo o material que tenho, e que pode servir para pesquisas? Costuma-se ver o sucesso como um mar de rosas, e eu queria dar a todos a possibilidade de ver que não é bem assim. Desta maneira, as pessoas lutariam por seus sonhos com mais segurança, sabendo que existem muitas armadilhas no caminho.
A resposta para tal pergunta me pareceu simples:
a] criar uma Fundação com todo o material que tenho, da certidão de nascimento dos meus pais às críticas negativas,
das fotos de infância às fotos da carreira
dos originais digitalizados de todos os meus livros até os recibos de viagem que guardava em minhas prinmeiras andanças pelo mundo.
infancia1[1]Paulo-Coelho--008

b] permitir que pessoas do planeta inteiro tivessem acesso a ela, já que meus livros estão editados em 72 línguas e presentes em mais de 150 países.

A partir de 2001 o arquivo começou a ser digitalizado, e desde então é atualizado sistematicamente.
Tal material é colocado na “nuvem” (ainda com acesso restrito), e poderá no futuro ser visualizado em qualquer canto da Terra.

Mas com dezenas de milhares de documentos, fotos, certidões, etc., de 1947 até hoje, onde chegamos?
750
Até o momento, em 750 GB. O disco em questão cabe no bolso do meu paletó.

Começamos a procurar um lugar para a Fundação física. Mas honestamente, quem se interessaria por isso?
O meu ego. O ego da minha mulher.
E mais ninguém.
E as dores de cabeça resultantes de uma fundaçao física, com funcionários, exposição, programação cultural, etc. não compensam. Resolvemos, portanto, manter apenas a Fundação Virtual, e uma sala de 150 m2 onde todo o material será guardado em papel.
Desistimos da idéia.

Lembrei disso hoje por causa da conferência de Silvio Meira, Professor do Centro de Informação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e cientista-chefe do Centro de Estudos de Sistemas Avançados do Recife. Na excelente matéria de Raquel Cozer, na Folha de São Paulo, Silvio diz:
“Me perguntaram quando vai ter livraria em Taperoá, cidade de 12 mil habitantes onde nasci. Respondi: ‘Nunca. Nem vai precisar. Provavelmente nem de biblioteca vai precisar’.”

Fica o registro.

Publishnews: não seja tão crítico com o gosto dos outros

Na Publishnews, o portal de referencia no mercado editorial brasileiro, uma excelente matéria sobre o mercado editorial, escrita por Pedro Almeida, jornalista e professor de literatura.
Na semana passada, a Folha de São Paulo publicou outro grande artigo sobre as mudanças do mercado editorial.
Pelo visto, vozes sensatas começam a ser a regra, e não a exceção.
Quem lucra são os autores e os leitores.

A seguir, trechos do artigo “Um novo mercado, um novo olhar”:

Penso que as opiniões sobre o mercado, muitas tratadas como regras ou verdades, são frutos de opiniões obsoletas, sensações, frutos do senso comum. Já escrevi aqui algumas vezes sobre nossa mania de tratar a literatura como algo sagrado, complexo, o que a tornou elitista e distante e que nos fez estabelecer valores tão arraigados sobre o que é bom e ruim, o que deve ou não ser publicado.

***

Uma série de autores/artistas hoje tratados como cult, no passado, ou mesmo em sua época, eram tratados como beberrões, filósofos de esquina ou equivalentes. De modo que ou a inteligência de sua época estava toda errada, ou os valores mudaram, ou nosso gosto piorou bastante.

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“Valor cultural dos livros”. Ainda é uma expressão que circula livremente. Cresci ouvindo que ler sempre é bom. Com o tempo elegi meus autores preferidos, sempre pautado por dois aspectos: conhecendo autores/obras e escolhendo aqueles que me diziam algo. Quando a oferta do número de livros e autores aumentou no mercado, começou-se um discurso sobre o que era bom ou ruim. […] Penso que falta ainda respeito pelo gosto dos outros, é como se vivêssemos numa ditadura literária. Livro é como musica, roupa, sapato, comida. Cada um tem uma dialética para defender seu gosto e contar suas vantagens. Para uns é instrução, para outros, prazer, autoconhecimento, evolução pessoal.

***

Essa crítica de valor parece um coro de pessoas que pertencem ao mesmo clube, fazem as mesmas coisas e frequentam os mesmos lugares (ou gostariam de frequentar). Então a crítica acaba sempre se referindo a um tipo de leitor, como se fosse uma defesa dos valores de um grupo. Um erro. Estamos tratando os livros como se fôssemos uma torcida de time de futebol, fingindo ser mais civilizados que as torcidas, quando na verdade somos irônicos, sarcásticos, mais perversos que torcedores, e por isso podemos provocar danos mais profundos, porque são elaborados.

***

Por que, por exemplo, um programa de apoio a traduções no Brasil contempla apenas autores consagrados pela crítica? Porque essa crítica, que representa apenas um grupo de leitores, continua guiando desde premiações, estilos e escolas literárias a oficinas e palestras em bienais. Devemos buscar uma visão mais democrática, pensar mais nos leitores, no público, no incentivo para que o bolo (número de leitores) cresça e não continue pautado pelas mesmas visões de sempre.

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A literatura que você aprova hoje, se não for por afinidade muito pessoal, talvez o fará sentir vergonha no futuro, da mesma forma que ri hoje dos penteados e moda dos anos 80. Comentário: não seja tão crítico com o gosto dos outros.

“O discurso não é esse livro é ruim, é não gostei desse livro'”

critic

criticVivo lendo reclamações de críticos e pseudo-acadêmicos, dizendo as coisas de sempre: a cultura empobreceu, os leitores estão mais burros, a internet é o anticristo, o ivro eletrônico “não tem cheiro”, coisas do tipo.
Na verdade, quem perdeu completamente a sintonia com o mundo foi esse tipo de gente. Desesperados porque já ninguém escuta o que dizem, resta-lhes apenas a “demoníaca” internet para expressarem suas lamentações.
Andei fazendo uma pesquisa nestes portais. Cada artigo tem um ou dois comentários, de gente que escreve em portais semelhantes.

Enfim, nada mais triste – mas também nada mais merecido.
Os arautos da “alta cultura” foram pego de surpresa, à semelhança dos aristocratas que curtiam suas festas em Versailles, França, em 1789: um belo dia, sem qualquer aviso, a população revoltou-se e a grande maioria foi parar na guilhotina.
No caso da “alta cultura”, a revolução foi menos visível, e nem por isso menos contundente.
Há anos ninguém escuta o que dizem, mas como ocorre com todos aqueles que estão trancados em suas torres de marfim, só agora passaram a ser dar conta.

Isso quer dizer que não existe mais crítica literária? Claro que existe.
Mas o objetivo não é demolir o trabalho alheio, nem arrotar cultura com dezenas de citações.
O objetivo é muito simples: dizer se gostou ou não gostou de um livro.

Neste sábado, as jornalistas Raquel Cozer e Fernanda Ezabella publicaram uma interessante matéria na Folha de São Paulo, dividida
em duas partes
Resenhas literárias de amadores na internet atraem leitores e abrem filão para editoras e Blogueiros resenhistas dizem que chegam a ler 70 livros em um só ano

Como não poderia deixar de ser, existe ainda uma terceira parte, uma “análise” feita por alguém do sistema acadêmico, colocando tudo sob suspeita, aventando a hipótese que que a revolução da crítica é algo manipulado pelas editoras. Enfim, a “análise”que confirma tudo que disse acima.

A matéria vem em um momento bastante oportuno. Postei um dos links acima do meu Twitter, e fiquei supreso com a receptividade, embora tenha sido “insultado” porque o link levava para um portal pago (“vc está querendo nos convencer a assinar a Folha?” disse um. “Só pode ler quem é rico” disse outro). Resolvi cortar algumas partes e coloca-las aqui.

Abaixo alguns pontos da matéria de Cozer e Ezabella:

Todo mês, 75 mil pessoas acessam os vídeos em que o paulista Danilo Leonardi, 26, comenta livros. A carioca Ana Grilo, 37, diz ler até 150 títulos por ano para seu blog de resenhas, escrito em inglês. O americano Donald Mitchell, 66, já publicou 4.475 resenhas na Amazon -por parte delas, levantou R$ 70 mil, doados para uma ONG beneficente.

Os três são personagens de um movimento que, nos últimos anos, chamou a atenção de editoras e virou negócio: o de críticas de livros feitas na internet por amadores, que, com linguagem mais simples, atraem milhares de leitores.

Com o aumento na venda de e-books, a expansão da autopublicação e a concorrência ferrenha entre editoras, textos escritos por hobby ou por até R$ 1.000 tornaram-se uma alternativa de divulgação capaz de atingir nichos e multiplicar vendas de livros.

Nos EUA, páginas como o Hollywood Book Reviews e o Pacific Book Review cobram de autores e editoras de R$ 250 a R$ 800 por textos a serem publicados em até 26 sites, incluindo seções de comentários de lojas virtuais.
O “pagamento”, ressaltam editoras e blogueiros, são apenas os livros a serem avaliados, nunca dinheiro.

Enquanto críticas feitas por especialistas em jornais fazem livreiros dar destaque aos títulos nas lojas, blogueiros atraem leitores de gosto similar e alimentam o boca a boca. (meu comentário: será mesmo? Duas séries, “Crespúsculo” e “50 Tons” tiveram todo o destaque necessário nas lojas. O livreiro está sempre muito antenado, e notou que caderno de cultura já perdeu por completo a relevância)

“É bem pessoal. Eles deixam claro que é o canto deles”, diz a gerente de marketing da Intrínseca, Heloiza Daou.

“O discurso não é ‘esse livro é ruim’, é ‘não gostei desse livro'”, diz Diana Passy, gerente de mídias sociais da Companhia das Letras.

Nhá Chica de Baependi (beatificada em 4 maio 2013)

nhachica


O que é um milagre?
Existem definições de todos os tipos: algo que vai contra as leis da natureza, intercessões em momentos de crise profunda, coisas cientificamente impossíveis, etc.
Eu tenho minha própria definição: milagre é aquilo que enche o nosso coração de paz. Ás vezes se manifesta sob forma de uma cura, de um desejo atendido, não importa – o resultado é que, quando o milagre acontece, sentimos uma profunda reverência pela graça que Deus nos concedeu.

Há vinte e tantos anos atrás, quando eu vivia meu período hippie, minha irmã me convidou para ser padrinho de sua primeira filha. Adorei o convite, fiquei contente que ela não me pediu para que cortasse os cabelos (naquela época, chegavam até a cintura), nem me exigiu um presente caro para a afilhada (eu não teria como comprar).
A filha nasceu, o primeiro ano se passou, e o batizado não acontecia nunca. Achei que minha irmã tinha mudado de idéia, fui perguntar o que havia acontecido, e ela respondeu: “Você continua padrinho. Acontece que eu fiz uma promessa para Nhá Chica, e quero batizá-la em Baependi, porque ela me concedeu uma graça”.

Não sabia onde era Baependi, e jamais tinha escutado falar de Nhá Chica. O período hippie passou, eu me tornei executivo de gravadora, minha irmã teve uma outra filha, e nada de batizado. Finalmente, em 1978, a decisão foi tomada, e as duas famílias – dela e de seu ex-marido – foram a Baependi. Ali eu descobri que a tal Nhá Chica, que não tinha dinheiro nem para seu próprio sustento, havia passado 30 anos construindo uma igreja e ajudando os pobres.

Eu vinha de um período muito turbulento em minha vida, e já não acreditava mais em Deus. Ou melhor, dizendo, já não achava que procurar o mundo espiritual tinha muita importância: o que contava eram as coisas deste mundo, e os resultados que pudesse conseguir. Tinha abandonado meus sonhos loucos da juventude – entre os quais, ser escritor – e não pretendia voltar a ter ilusões.
Estava ali naquela igreja para apenas cumprir um dever social; enquanto esperava a hora do batizado, comecei a passear pelos arredores, e terminei entrando na humilde casa de Nhá Chica, ao lado da igreja. Dois cômodos, e um pequeno altar, com algumas imagens de santos, e um vaso com duas rosas vermelhas e uma branca.

Num impulso, diferente de tudo o que eu pensava na época, fiz um pedido: se, algum dia, eu conseguir ser o escritor que queria ser e já não quero mais, voltarei aqui quando tiver 50 anos, e trarei duas rosas vermelhas e uma branca.

Apenas para me lembrar do batizado, comprei um retrato de Nhá Chica. Na volta para o Rio, o desastre: um ônibus pára subitamente na minha frente, eu desvio o carro numa fração de segundo, o meu cunhado também consegue desviar, o carro que vem atrás se choca, há uma explosão, vários mortos. Estacionamos na beira da estrada, sem saber o que fazer. Eu procuro no bolso um cigarro, e vem o retrato de Nhá Chica. Silencioso em sua mensagem de proteção.

Ali começava minha jornada de volta aos sonhos, à busca espiritual, à literatura, e um dia eu me vi de novo no Bom Combate, aquele que você trava com o coração cheio de paz, porque é resultado de um milagre. Nunca me esqueci das três rosas. Finalmente, os cinqüenta anos – que naquela época pareciam tão distantes – terminaram chegando.

E quase passam. Durante a Copa do Mundo, fui a Baependi pagar minha promessa. Alguém me viu chegando em Caxambu (onde pernoitei), e um jornalista veio me entrevistar. Quando eu contei o que estava fazendo ali, ele pediu:
– Fale sobre Nhá Chica. O corpo dela foi exumado esta semana, e o processo de beatificação está no Vaticano. As pessoas precisam dar seu testemunho.
– Não – disse eu. – É uma história muito íntima. Só falaria se recebesse um sinal.
E pensei comigo mesmo: “O que seria um sinal? Só mesmo se alguém falasse em nome dela!”

No dia seguinte, peguei o carro, as flores, e fui a Baependi. Parei um pouco distante da igreja, lembrando o executivo de gravadora que estivera ali tanto tempo antes, e as muitas coisas que tinham me conduzido de volta. Quando ia entrando na casa, uma mulher jovem saiu de uma loja de roupas:
– Vi que seu livro “Maktub” é dedicado a Nhá Chica – disse ela. – Garanto que ela ficou contente.

E não me pediu nada. Mas aquele era o sinal que eu estava esperando. E este é o depoimento público que eu precisava dar.

O problema continua?

Consulado do Brasil, manifeste-se por favor

Date: Fri, 15 Mar 2013 22:46:43 +0100
Subject: AJUDA/ AYUDA URGENTE- INDIGNANTE

Caros amigos

Os pido ayuda. La esposa del portero de mi urbanización, una brasileña casada con un español, Telma de Souza Lima, tiene a su madre, Equitéria de Souza Lima, detenida en el aeropuerto de Barajas por no llevar con ella la carta de invitación y Euros suficientes para su estancia.

Resulta que Telma está casada con un ciudadano español, Diego Viedna Artero, y su madre ha venido a España ayudarla porque Diego se encuentra ahora mismo ingresado en el hospital Infanta Sofia, en fase terminal de cáncer. Le quedan pocos dias o semanas. Por eso, la señora Equitéria, ha salido desde Brasil sin esos documentos; porque Telma, ocupandose de su marido, no ha pensado en esa posibilidad. Detalle: no es la primera entrada de Equiteria en España.

Telma tiene ahora mismo a una abogada con ella en el aeropuerto, pero la policia de fronteras ha emitido sentencia de deportación para mañana a las 15 horas y hay poco que se pueda hacer. A no ser que los medios de comunicación, tanto en Brasil cuanto en España se muevan, o algun contacto en Ministerio de Exterior en España, o el Consulado de Brasil, o algún Juez de peso que se pueda pronunciar o intervenir contra esa injusticia profundamente indignante y deshumana, Equiteria volvera a Brasil mañana a las 15 horas, y Telma se quedará sin el apoyo de su madre en esos momentos dificiles.

Os agradezco de corazón a los copiados en BCC, si podeís enviar ese mensaje a los medios a los cuales tienen aceso en los dos lados del Atlantico, o personas de influencia política que sé que conocen, para que una decisión absolutamente arbitraria un policia de fronteras impida a una persona humilde de apoyar a su hija en ese momento de perdida y dolor.

Muchas gracias por qualquier ayuda,

Iona de Macedo TEL: +34 639 185121

Manual de matar trolls

troll

“E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora”(João, 2:15)

1] Bullying (trolagem) só ocorre com quem tem alguma relevância. Se voce está sendo trolado, é porque está acima da média.
Não concorda? Basta ir para algum portal, abrir uma noticia de celebridade, e olhar os comentários. Qualquer celebridade – seja ela artista, política, esportista.
2] A anonimidade na internet é covarde. Os trolls são pessoas com um comportamento doentio, mas que podem causar mal aos mais fracos.
3] Só existe uma maneira de reagir: deixando bem claro que qualquer coisa que escreverem sobre você terá consequências no futuro. Talvez não no próximo mês, nem no próximo ano, mas um dia eles vão precisar de sua ajuda.
4] E você, claro, não vai ajudar. Porque tem um a lista com o nome de todos os que pertencem às trevas.
5] crie esta lista agora. Mantenha-a atualizada. E desta maneira voce sempre terá a última palavra.
Os trolls não merecem respeito, porque não respeitam ninguem, e se acham o máximo porque ingenuamente pensam que estão atuando de maneira anônima.

NOTAS
Muita gente pode dizer: “isso é vingança!”. Nada mais errado. Você merece respeito – e respeito é uma conquista, não uma coisa que deve tomar como garantida.
Cabe a você lutar contra aqueles que querem cobrir o mundo de negatividade e de trevas.
Quando eu era jovem fui muito trolado na escola. Os outros me atacavam para poder brilhar. Eu não tinha como me defender, e tudo que pude fazer foi esperar o momento do contra-ataque, qeu sempre surge.
Podia também me dar por vencido, acreditar que não valia nada. Mas desde sempre tive essa idéia do “guerreiro da luz”, aquele que está sempre sendo testado, e precisa aceitar desafios.
Nesta altura (devia ter uns 16 anos) resolvi criar duas listas. A de pessoas que me apoiavam e me ajudavam (Lista da Luz) e a dos que insistiam em me colocar para baixo ( Lista Negra)

Hoje em dia já não me ocupo mais disso, mas meu escritório varre sistematicamente a internet, e anota os nomes da lista negra.
Nestes dez anos passados, por exemplo, pelo menos umas 150 pessoas que me atacaram vieram me pedir favores.
Achavam que eu tinha esquecido. Um deles inclusive veio me pedir voto para uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, da qual sou membro.
Outros, escritores e musicos aspirantes, que pediam um apoio para seus trabalhos mas que não hesitavam em falar mal em comunidades sociais.
Claro que nunca me lembro de quem fala mal, e raramente leio o que escrevem. Mas antes de fazer qualquer favor eu consulto meu escritório.
ee o nome estiver ali, serei muito gentil mas farei questão de lembrar à pessoa o que ela disse, e por essa razão não me julgo “à altura” de fazer qualquer coisa.

ANEXOS
A Lei de Jante (Portugues)
11 Facts about Bullying
A few real life cases young kids committing suicide as a consequence of cyberbullying
 
 

Os dois meninos

black-outline-two-boys

black-outline-two-boysUma velha história árabe conta que dois meninos – um rico e um pobre – voltavam do mercado. O rico trazia biscoitos untados com mel, e o pobre trazia um pedaço de pão velho.

– Deixo você comer meu biscoito, se bancar o cão para mim – disse o rico.

O menino pobre aceitou e, de quatro na calçada, começou a comer as guloseimas do menino rico.

O sábio Fath, que assistia a cena, comentou:

– Se este menino pobre tivesse um pouco de dignidade, ia terminar descobrindo uma maneira de ganhar dinheiro. Mas ele prefere tornar-se o cão do menino rico, para comer seu biscoito.

“Amanhã, quando for grande, fará o mesmo por um cargo público, e será capaz de trair seu país por uma bolsa de ouro.”

2013 Encerrando ciclos


Illustration by Ken Crane

Não consegui comprovar o autor deste texto, que circula na internet como se eu o tivesse escrito – até o momento pelo menos dez pessoas clamam sua autoria. Resolvi transcreve-lo aqui com modificações que fiz
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Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos.
Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu….
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor a fazer é deixar que elas realmente possam ir embora…

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração… e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Esqueça quem você era, e passe a ser quem é.

FELIZ 2011!

Por que Deus não nos ajudou

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Mestre e discípulo caminham pelos desertos da Arábia. O Mestre aproveita cada momento da viagem para ensinar ao discípulo sobre a fé.

– Confie suas coisas a Deus – dizia.

– Porque Ele jamais abandona seus filhos.

De noite, ao acamparem, o Mestre pediu que o discípulo amarrasse os cavalos numa rocha próxima. O discípulo foi até a rocha, mas se lembrou do que aprendera durante aquela tarde. “O Mestre deve estar me testando. Na verdade, devo confiar os cavalos a Deus”. E deixou os cavalos soltos.

De manhã, descobriu que os animais haviam fugido. Revoltado, procurou o Mestre.
– O senhor não entende nada sobre Deus! Ontem aprendi que devia confiar cegamente na Providência, entreguei a Ele a guarda dos cavalos, e os animais desapareceram!

Deus queria cuidar dos cavalos – respondeu o Mestre.

– Mas, naquele momento, Ele precisava de suas mãos para amarrá-los, e você não as emprestou.

Voce vai morrer em 30 dias

#FAIL

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O leilão da virgindade da brasileira Catarina Migliorini, 20, foi encerrado nesta quarta-feira com o lance de US$ 780 mil (o que equivale a cerca de R$ 1,5 milhão). O último lance computado pela virgindade da brasileira foi dado hoje por um japonês identificado apenas como Natsu.

Catarina disse que era virgem e que tem exames para provar essa condição. Ela se dispôs a ir a um médico de confiança do ganhador do leilão para ser examinada. A catarinense se disse preocupada com o final do leilão.

O russo Alexander Stepanov, que também leiloava a virgindade, encerrou com o lance de US$ 3.000 (cerca de R$ 6.000) vindo do Brasil. O comprador é identificado no site apenas como Nene B., mas não é informado o sexo da pessoa.

A “experiência” dos dois jovens faz parte do documentário “Virgins Wanted”, que conta a história de dois jovens antes e depois da primeira vez.

Segundo os produtores do filme, Catarina se entregará a um estranho a bordo de um avião entre a Austrália e os Estados Unidos. Serão feitas muitas entrevistas antes e depois do ato sexual, mas quem vencer o leilão terá a opção de permanecer anônimo. O ato sexual não será filmado.

A garota também pretende usar o dinheiro para estudar medicina na Argentina. “Já estava até matriculada, mas decidi adiar e vou em 2013. Tenho 20 anos, sou responsável pelo meu corpo e não estou prejudicando ninguém”, disse em entrevista à Folha.

SOURCE: FOLHA DE SÃO PAULO

É permitido trollar

Voltemos um pouco ao passado.

Mais precisamente, para uma pequena cidade perto de Estrasburgo, onde possivelmente existe um mosteiro. Uma grande peste ameaça destruir a cultura. Os monges já detectaram o perigo, e estão fazendo um esforço gigantesco para acabar com ela antes que se espalhe pelo mundo inteiro.

Quem é o responsável por tudo isso? Um charlatão, um polidor de espelhos que prometia “captar a luz sagrada das relíquias de santos”. Um expatriado, sempre devendo dinheiro aos seus vizinhos. Mas não basta atacar sua honra; é preciso também destruir a máquina infernal que inventou, e onde reproduziu, sem muito esforço, cópias em série de um poema. E se resolver fazer a mesma coisa com a Biblia, tratada com respeito e dignidade por homens que dedicaram a vida inteira a copiar exemplares únicos? O livro sagrado já poderá ser lido por todos – e isso fará com que surjam outras opiniões a respeito do que está escrito ali.

O polidor de espelhos, com sua infernal máquina onde as letras podem ser utilizadas mais de uma vez e em ordem diferente, continua seu trabalho apesar de toda a oposição. E decide que a Bíblia deverá ser o primeiro livro a ser impresso, desta maneira preservando o saber ali contido. Em meados do século XV, saem os primeiros exemplares. O polidor de espelhos – hoje em dia conhecido apenas pelo seu nome de família, Gutenberg – morre na miséria. Mas seu invento chama a atenção dos ricos mercadores de Veneza, que o disseminam rapidamente. Pouco tempo depois, estão sendo impressos livros de todos os tipos; o pensamento começa a viajar, as heresias se multiplicam, a sabedoria se espalha e a poderosa Igreja – que mantinha a cultura debaixo de seu jugo – assiste impotente o que a história chamaria mais tarde de Renascimento.

Essa historia todo mundo conhece.

A cultura foi democratizada não porque apareceu um escritor capaz de inventar um estilo diferente – mas porque apareceu uma tecnologia nova. Cada mudança de tecnologia provoca gigantescas comoções sociais, que podem atrasar um pouco sua disseminação, mas que termina se impondo. Lembrem-se dos quebra-quebras da revolução industrial. Ou das greves de camponeses provocadas pelo advento da máquina de colher grãos.

Ou então, dando um salto para o momento presente, do surgimento da internet. A industria cultural é pega de surpresa. Em vez de procurar entender o que está acontecendo, chama um batalhão de advogados para resolver o problema. Os advogados proíbem um site de distribuição de música, e surgem vários para substitui-lo.

A massa “anárquica” de internautas se une em nome de uma causa única e faz com que congressistas americanos mudem da noite para o dia seus votos que aprovavam a lei que Hollywood tentava impor – conhecida pelo acrônimo de SOPA (Stop Online Piracy Act).

Essa história quase todo mundo conhece.

Mas será que conhecem o que está acontecendo no Brasil neste momento? O histórico do caso é simples e uso as palavras de um amigo meu para descreve-lo.

O blog “Livros de Humanas”, mantido por um estudante da USP, Thiago Candido, ( @_tcandido ) compartilhava PDFs de livros adotados em cursos de ciências humanas. Muitos autores testemunharam que o compartilhamento aumentava as vendas dos livros (o que eu já sabia, como podem LER AQUI ). O responsável pelo blog recebeu agradecimentos em teses e dissertações, porque possibilitava que muita gente lesse o que jamais teria condições se tivesse que comprar tudo. A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) entrou com uma ação em nome de duas editoras, mas exigiu a retirada de todo o site do ar. Desde então, a Editora Contexto, uma das supostamente representadas na ação, já se desfiliou da ABDR.

Os autores que tinham livros pirateados lá e que já declararam apoio ao Livros de Humanas incluem: o maior antropólogo brasileiro, Eduardo Viveiros de Castro, o poeta Eduardo Sterzi, o poeta e jurista Pádua Fernandes, a ficcionista Veronica Stigger, o premiado escritor inglês Neil Gaiman, o designer gráfico e poeta André Vallias, a tradutora Denise Bottmann, o ensaísta e Doutor em Literatura Alexandre Nodari, a editora Cultura e Barbárie, a Azougue Editorial, o professor Pablo Ortellado, da USP, o professor de literatura latino-americana na Universidade de Tulane, Idelber Avelar etc. etc.

É uma lista imensa onde faltava o meu nome – simplesmente porque não sabia que isso estava acontecendo. Agora que sei, estou assinando embaixo.

Não embaixo de petições, que julgo absolutamente ineficientes; é muito fácil assinar e depois esquecer o assunto.

Estou assinando embaixo deste post, pedindo que enviem à ABDR uma cópia do mesmo, ou algo que você mesmo(a) escreveu a respeito.

Aqui está o site deles: http://www.abdr.org.br/site/ e o telefone: (011) 5052 5965

Neste caso, é permitido trollar.

Porque quebrar um copo significa sorte

Numa reunião em minha casa, alguém quebrou um copo. “Isto é sinal de boa sorte”, disse minha mulher.

Todos os presentes conheciam esta tradição. Quebrar copo, derramar açúcar sem querer, entornar vinho, são sinais de boa sorte.

“Por que isto é sinal de boa sorte?”, perguntou um rabino que fazia parte de nosso grupo.

“Não sei”, disse minha mulher. “Talvez seja um antigo costume, de deixar sempre o hóspede à vontade”.

“Não é a explicação correta”, disse o rabino. “Certas tradições judaicas dizem que cada homem tem uma cota de sorte, que vai usando no decorrer de sua vida. Pode fazer com que esta sorte renda juros, se usá-la apenas para coisas que realmente necessita – ou pode desperdiçá-la à toa.

“Também nós, judeus, dizemos ‘boa sorte quando alguém quebra um copo. Mas isto significa: “que bom, você não desperdiçou sua sorte tentando evitar que este copo quebrasse. Então, vai poder usá-la em coisas mais importantes”.

Você

Você não é o que aparenta ser nos momentos de tristeza. É muito mais que isso.

Ouça seu coração.

Lembre-se das pequenas lutas travadas em todos os dias de sua vida: você sobreviveu a elas. Só isto já é motivo de orgulho.

Enquanto muitos já se foram, por razões que nunca com¬preendamos, você continua aqui. Por que Deus levou pessoas tão incríveis, e deixou você? Porque sua vida ainda tem um sentido. Mesmo que não lhe seja claro.

Neste momento, milhões de pessoas já desistiram: não se aborrecem, não choram, não fazem mais nada. Apenas esperam o tempo passar.

Perderam toda e qualquer capacidade de reação.

Você, porém, está triste. Se ainda tem esta capacidade, é porque sua alma continua viva. E se sua alma continua viva, o Paraíso é possível.

O intelectual está morto. Viva o internectual

Paulo Coelho, especial para Revista Época

As notícias do chamado “mundo literário” parecem retiradas do livro das lamentações de Jó: já não há mais espaço nos grandes veículos de mídia para discussões sérias, a lista dos mais vendidos só publica coisas para a garotada, os brasileiros não são lidos no exterior porque ninguém se interessa em traduzi-los. O Ministério da Cultura gastou uma fortuna na Europalia, um dos mais importantes eventos culturais do Velho Continente, sem conseguir absolutamente qualquer resultado além de dilapidar seu orçamento. Eventos como a Flip chamam atenção provisória, mas os autores que ali se apresentam, depois que tudo é dito e discutido, não ganham outra projeção além da que já tinham junto aos seus pares.

Mas quem são esses pares?

Para detectar intelectuais, pergunte o que é um “efeito viral”: dirão que trata-se de uma epidemia (possivelmente de dengue). Vá mais adiante e procure saber o que é uma “campus party”: respondem que são festas organizadas em campi de universidades americanas na formatura de alunos. Finalmente, para tirar qualquer dúvida, peça que digam o que pensam dos livros eletrônicos. A resposta inevitável será: “gosto do cheiro do papel”, como se odor interferisse na leitura ou nas idéias expostas no texto.
Não vou sequer sugerir que procurem saber com eles o que é “nerd”, pois será olhado de alto a baixo com desprezo, e retirado a força do recinto onde estão discutindo a morte da leitura, a atualidade de Gilles Deleuze, ou as teorias de Ludwig Wittgenstein. Para eles, suas perguntas são irrelevantes.

Pois bem, vamos esclarecer os termos citados acima usando um exemplo. O efeito viral ( comentários na internet sobre determinada obra, que se propaga independente da crítica especializada) fez com que Eduardo Spohr colocasse seu livro “A Batalha do Apocalipse” em todas as listas dos mais vendidos, com a ajuda de uma gigantesca e espontânea máquina de divulgação surgida nas campus parties (mega-eventos de blogueiros que acampam durante alguns dias em diversas partes do planeta para discutir idéias). Os “nerds”, termo até entao depreciativo e cuja tradução mais próxima seria nosso famoso CDF, organizam os encontros, criam vasos comunicantes, e ocupam de maneira avassaladora – sem pedir licença – o espaço então reservado para os pseudo-eruditos, que sempre julgaram conhecer melhor o que o povo deve ou não deve ler (embora em quase sua totalidade se digam democratas).

Então, o que está acontecendo?

Pela primeira vez na história temos acesso irrestrito aos bens culturais. Com o advento da internet, todos puderam expressar o que pensam a respeito de qualquer tema – incluindo aí as obras literárias. Quando alguém deseja comprar um livro não vai procurar os comentários da crítica especializada, mas daqueles que já leram. Isso pode determinar o sucesso global ou a morte súbita de um texto.
Sempre foi assim?
Claro, pois não há melhor propaganda que o boca-a-boca. Entretanto, por causa da velocidade da propagação viral (repito, não estou falando de gripe asiática), o autor desconhecido começa a ter a possibilidade de encontrar seu lugar ao sol de maneira rápida e efetiva, independente do apoio tradicional da mídia (a revista Época foi uma exceção, ao colocar antes de todo mundo o escritor Eduardo Sphor como uma das personalidades de 2011).

Mas o que é necessário para que isso aconteça? Em primeiro lugar, saber que a internet não é uma ameaça para a leitura – sobretudo porque ainda é um meio escrito, e para que se escreva é preciso ler. Em seguida, entender que da mesma maneira que o mercado está mudando, o estilo de escrever também se transforma.
Dirão os puristas: “estão matando a qualidade”. Será que é isso mesmo? Voltemos um pouco ao passado para ver o que pensavam:
“Seu nome é super-valorizado; logo será esquecido” ( 1814,Lord Byron falando de Shakespeare). “Flaubert não é um escritor”( 1857, jornal Le Figaro, França). “Esse livro dura apenas uma temporada”( NY Herald Tribune comentando ‘O Grande Gatsby’de F.S. Fitzgerald)
Os três autores criticados acima – que hoje podem ser encontrados em qualquer livraria brasileira – romperam radicalmente com o estilo em vigor na época em que viviam. Escolheram contar uma boa história, ao invés do exercício inútil da meta-linguagem. Seus críticos pertenciam a respeitáveis jornais, e um deles, Byron, continua sendo uma referencia da literatura mundial. Mesmo assim, o poder do leitor foi mais forte.

E eu com isso? Devo dizer: sou parte interessada.

Não tenho nada a reclamar. Embora a crítica nem sempre tenha sido gentil comigo, nunca me faltou espaço na imprensa. Celebrei neste abril de 2012 o Jubileu de Prata da publicação do meu primeiro livro, “O diário de um mago”, apesar das previsões, muito comuns no final da década de 80, de que eu era apenas um fenômeno de moda. Com o advento da internet, passei a escrever para blogs e comunidades sociais, ampliando assim o alcance daquilo que julgo importante dizer.
Mas sou parte interessada quando vejo que toda uma nova geração de escritores brasileiros não está prestando a devida atenção à todas as possiblidades que tem diante de si. Ainda sofrem daquilo que chamo de “Sindrome de Van Gogh”( ser reconhecido apenas após a morte). Tentam agradar o sistema falido da cultura construída com verbas de ministérios e cimentada com resenhas misteriosas e ilegíveis. Gastam uma imensa energia em busca de reconhecimento que já não está nas mãos daqueles que pensam dete-lo.
A esses eu digo: os meios de produção e divulgação estão ao seu alcance – e isso nunca aconteceu antes. Se ninguém presta atenção ao que estão fazendo, não se preocupem: continuem adiante, porque cedo ou tarde (mais cedo que tarde) alguém entenderá o que dizem.
Aproveitem esse momento único. E mãos à obra, porque qualquer sonho dá muito trabalho.
No ano de 2001, quando Jimmy Wales criou a Wikipedia (uma enciclopédia online, administrada por 100 mil voluntários em diversas línguas e em diversos países), escutei de um editor: “não tem credibilidade, e nada substituirá a Encyclopædia Britannica”. Em março deste ano a vetusta enciclopédia anunciou que já não mais publicará edições impressas – depois de quase 250 anos reluzindo nas estantes de nossos pais, avós, e antepassados distantes (aqui volto a pensar nos viciados em “cheiro de papel”, coisa que devo confessar jamais ter sentido).
O intelectual está morto. Longa vida ao internectual.

Hangout G+ 15/05/2012 (Portugues)

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