Fundaí§í£o Paulo Coelho (beta)

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Se meu trabalho resistir ao tempo, sempre haverá curiosidade em saber como vivi meus dias.
Meus manuscritos. Meus diários. Os recortes de imprensa. As crí­ticas. As cartas dos leitores. E por aí­ vai.
Resolvi criar uma Fundaí§í£o Virtual onde todo este material poderá ser acessado – em qualquer lugar do mundo.

Um local fí­sico ní£o basta – a pesquisa seria limitada í queles que podem vir até Genebra, onde estamos instalando a Fundaí§í£o Paulo Coelho (abertura no final de 2014).
Assim, decidimos colocar todo o material na nuvem.
O portal que estí£o vendo é uma versí£o beta. Podem ocorrer muitos erros durante a navegaí§í£o.

Quem puder colaborar conosco, apontando melhoras, por favor enviar um email para Ertz Porfirio
Muito obrigado.

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20 seg leitura: a águia

Um ovo de águia foi colocado, por acaso, no ninho de uma galinha. Quando o filhote nasceu, juntou-se aos pintinhos, e passou a depender da sua mí£e adotiva.

Aos poucos, porém, foi sentindo necessidade de voar.

Um belo dia perguntou para a galinha: “quando irei cruzar os céus?”

A pobre galinha, que ní£o sabia como ajudar fugiu da pergunta: “quando vocíª estiver preparado, eu lhe ensino”.

Passou-se mais um tempo, e a águia desconfiou que a mí£e ní£o sabia voar. Mas ní£o conseguia soltar-se e voar por si mesma.

“Por que ní£o bate as asas e sobe aos céus?” perguntavam seus irmí£os.

“Porque vou ferir minha mí£e, que me deu tanto carinho”, respon­dia a águia.

E por causa disto, jamais saiu do chí£o.

Por que ní£o dou entrevistas?

EN ESPANOL AQUI —> ¿Por qué no doy entrevistas?
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Como já devem ter notado, faz tempo que ní£o dou entrevistas quando publico um novo livro. E isso ní£o se deve, de maneira nenhuma, a uma atitude de arrogancia ou desrespeito com jornalistas. Junto com os livreiros e os leitores, eles colaboraram muito para o meu sucesso.

Entí£o por que decidi parar com entrevistas – exceto para alguns amigos, com quem tenho laí§os de gratidí£o ?
Existem várias razoes para isso.

1] as comunidades sociais hoje me permitem chegar diretamente ao leitor, e dizer: “aqui está meu novo tí­tulo, leiam e recomendem se gostarem”. Portanto, a idéia de promover um livro através da mí­dia termina sendo redundante.

2] sempre precisei lutar com a idéia de explicar o que escrevi. Penso que o texto deve ser claro o suficiente.

3] os cadernos de cultura, que floresciam na minha época, terminaram acabando. A mais recente perda foi a Ilustrí­ssima, da Folha de Sí£o Paulo.

4] em virtude disso, surgem perguntas que ní£o tenho a menor paciíªncia para responder, tais como “Explique o seu sucesso” ou “o que faz com seu dinheiro”. Nada que seja relacionado ao processo criativo em si.

Isso ní£o quer de maneira nenhuma dizer que NUNCA dou entrevistas.
Quando vejo um assunto que julgo importante opinar – como, por exemplo, defender o conteúdo livre na internet (Pirateiem tudo que escrevi) – eu estou sempre acessivel.

O mesmo ocorre quando se trata de promover autores que julgo relevantes – como por exemplo Khalil Gibran ou Malba Tahan, que iluminaram minha juventude. Jamais me furto de fazer com que minha palavra seja ouvida quando vejo alguma barbaridade no terreno polí­tico ou cultural.

Só para vocíªs terem uma idéia, meio bilhí£o de pessoas em todo o planeta leram meu texto contra a guerra no Iraque, Obrigado Presidente Bush.
Outro exemplo: quando Tony Blair foi convidado para ser “consultor” das Olimpí­adas do Rio, eu imediatamente me manifestei, e consegui impedir sua presení§a. ((leia aqui)

Esperam que me entendam. Ní£o vou ficar quieto quando precisar falar em alto e bom tom. Quanto ao mais, o que preciso dizer hoje em dia está nos livros ou nas comunidades sociais, que administro pessoalmente.

Paulo

Decidindo o destino alheio

Malba Tahan conta a história de um homem que encontrou um anjo no deserto, e lhe deu água. “Sou o anjo da morte e vim buscá-lo”, disse o anjo. “Mas como vocíª foi bom, vou lhe emprestar o Livro do Destino por cinco minutos; vocíª pode alterar o que quiser”.

O anjo entregou o livro. Ao folhear suas páginas, o homem foi lendo a vida dos seus vizinhos. Ficou descontente: “estas pessoas ní£o merecem coisas tí£o boas”, pen­sou. De caneta em punho, comeí§ou piorar a vida de cada um.

Finalmente, chegou na página de seu destino. Viu seu final trági­co, mas quando preparava-se para mudá-lo, o livro sumiu. Já se tinham passado cinco minutos.

E o anjo, ali mesmo, levou a alma do homem.

Culpar os outros é fácil

Hoje sou surpreendido com uma matéria no Valor Economico, que coloca em Luis Ruffato toda a culpa pelo fiasco que foi Frankfurt. O injusto tí­tulo é “O efeito Luis Ruffato nas letras”. Como o portal é fechado, aqui vai um trecho

Seja pelo alto orí§amento, pela seleí§í£o dos 70 escritores que faziam parte da delegaí§í£o oficial, pela ausíªncia-presení§a de Paulo Coelho ou pelo politizado e franco discurso de abertura que proferiu Luiz Ruffato, as crí­ticas marcaram a presení§a brasileira, pelo menos no que diz respeito í  imprensa nacional e também í  alemí£. O já batizado “Efeito Ruffato” pode ser traduzido nas palavras que o diretor da feira, Juergen Boos, laní§ou durante uma coletiva de imprensa: “A participaí§í£o brasileira destruiu a imagem que se fazia aqui na Alemanha de um paí­s colorido no qual ninguém trabalha, que é como 90% dos alemí£es viam o Brasil”.
Tantos poréns í  participaí§í£o brasileira em Frankfurt – e aí­ aparece outro desdobramento do efeito Ruffato – parece ter provocado medo a mais crí­ticas e, portanto, certa retraí§í£o que ameaí§a as novas homenagens que víªm aí­. A 50ª Feira do Livro Infantil de Bolonha (24 a 27 de marí§o) é o primeiro exemplo, com um orí§amento inicialmente de R$ 2,5 milhíµes anunciado pela Biblioteca Nacional para as atividades do Brasil, que foi reduzido a R$ 1,3 milhí£o e agora segue indefinido.

Isso é um absurdo. Nao estava lá, mas uma coisa sei: o discurso de Ruffato, muito bem feito, nao teve absolutamente nenhuma repercussí£o fora do Brasil. Alias, nenhum discurso de abertura da Feira de Frankfurt jamais teve – o interesse é zero. Sei disso porque em 2008 fui um dos convidados para a entrevista coletiva de abertura, e meus comentários tiveram repercussí£o apenas na Turquia, que era o paí­s homenageado.

Coloquemos os pingos nos “ii”: Por que eu me recusei a ir í  Feira?
Aqui está a razí£o: “Porque recusei o convite do Ministério da Cultura”
E, sem querer dar uma de profeta, acabei tomando uma das decisíµes mais acertadas de meu 2013.

O que listei foi o que fez com que a presení§a do Brasil ní£o tivesse nenhuma repercussí£o: falta de representatividade da delegaí§í£o convidada.
Hoje o ufanismo diz que “existem agora mais de 200 tí­tulos traduzidos para o alemí£o”, mas onde estí£o estes livros?
Em recente viagem í  Alemanha, NENHUMA das livrarias que visitei os tem em estoque.
Acompanhei tudo que saiu sobre a Feira durante o mes de outubro, e além da doení§a de nossos queridos Ziraldo e Cony, até mesmo a imprensa brasileira se esforí§ava para descobrir notí­cias inexistentes.
Pobres dos escritores que passaram o ano inteiro esperando por este momento, e que nem em jornais brasileiros tiveram seus nomes mencionados.

A imagem que saia nos poucos jornais estrangeiros que publicaram algo a respeito da presení§a brasileira era de gente deitada em uma rede, lendo um livro. Pode?

De quem é a culpa?
A curadoria listou 20 escritores representativos e outros 50 que praticamente ninguém tinha ouvido falar – uma visí£o sem visí£o, ultrapassada, regida pelas leis da pseudo-intelectualidade, totalmente obscurantista. A literatura brasileira ní£o estava representada ali. E seguramente a culpa NíƒO é de Luis Ruffato, que – pelo que li no jornal O Globo na semana passada – terminou com medo de ser agredido por outros participantes brasileiros.
(Nota: ní£o conheí§o Manuel da Costa Pinto, o curador da feira e crí­tico da Folha de Sí£o Paulo. O vi apenas uma vez, durante uma entrevista que dei para o progrma “Roda Viva”. Ní£o tenho absolutamente nada contra a pessoa, mas questiono seus critérios, assim como ele tem o direito de questionar meus critérios literários)

Ou seja: o Brasil perdeu uma excelente oportunidade de mostrar a forí§a de sua literatura jovem, diní¢mica, que atrai leitores para as livrarias.
O autor Nassim Nicholas Taleb, em seu livro “Black Swan”, usa um termo muito próprio: a falácia da narrativa. As pessoas desenvolvem toda uma teoria, comeí§am a repetir umas as outras a mesma história, terminam se convencendo que estí£o certas, e assim vivem felizes por algum tempo até que essa narrativa, totalmente falsa, cai por terra quando a teoria é aplicada.

A presení§a do Brasil na Feira de Frankfurt foi uma demonstraí§í£o clássica desta “falácia da narrativa”. Deu no que deu, e custou 19 milhíµes de reais.

30 sec leitura: a brasa solitária

Juan ia sempre aos servií§os dominicais de sua congregaí§í£o. Mas comeí§ou a achar que o pastor dizia sempre as mesmas coisas, e parou de frequentar a igreja.

Dois meses depois, em uma fria noite de inverno, o pastor foi visitá-lo.
“Deve ter vindo para tentar convencer-me a voltar”, pensou Juan consigo mesmo. Imaginou que ní£o podia dizer a verdadeira razí£o: os sermíµes repetitivos.
Precisava encontrar uma desculpa, e enquanto pensava colocou duas cadeiras diante da lareira, e comeí§ou a falar sobre o tempo.

O pastor ní£o disse nada.

Juan, depois de tentar inutilmente puxar conversa por algum tempo, também calou-se.
Os dois ficaram em silíªncio, contemplando o fogo por quase meia-hora.

Foi entí£o que o pastor levantou-se, e com a ajuda de um galho que ainda ní£o tinha queimado, afastou uma brasa, colocando-a longe do fogo.
A brasa, como ní£o tinha suficiente calor para continuar queimando, comeí§ou a apagar. Juan, mais que depressa, atirou-a de volta ao centro da lareira.

“Boa noite”, disse o pastor, levantando-se para sair.

“Boa noite e muito obrigado”, respondeu Juan. “A brasa longe do fogo, por mais brilhante que seja, terminará extinguindo rapidamente.
“O homem longe dos seus semelhantes, por mais inteligente que seja, ní£o conseguirá conservar seu calor e sua chama. Voltarei í  igreja no próximo domingo.”

Hangout com Jovem Nerd 09/10/2013

Mentiras, Morais, Marta e Mimimi que ní£o acaba

From: Paulo Coelho
Date: Sun, 06 Oct 2013 18:37:29 +0200
To: Fernando Morais

Que interessante link , Fernando.
Agora espero sinceramente que voce faí§a um post ali (ní£o um comentário, porque ninguem le comentário ali) contando em detalhes nossa conversa de segunda-feira
a] que a Marta te procurou duas vezes na segunda. Já havia te procurado antes [quereudo falar comigo], tenho email dela que voce me repassou
b] que o objetivo do seu telefonema era dizer que eu teria meu auditório de mil lugares, que ela tinha conseguido isso
dc] que eu demonstrei nao apenas espanto, mas irritaí§ao. EU NUNCA pedi isso, tinha um auditorio de 600 lugares na Feira, e um auditorio de 2.000 lugares no Maritm Frankfurt
d] enviei um email para voce, como pediu, para que repassasse para Marta. Ali mostrava minha surpresa e indignidade.

Ontem o escritor e biógrafo Fernando Morais (escreveu “O Mago”) me enviou um link de um portal, aparentemente ligado ao PT, com um post cheio de mentiras. Mentiras que podem ser comprovadas.

Fernando MOrais sabia que tudo era invení§í£o. Conversamos na segunda-feira, com testemunhas de ambos os lados, mas resumindo:

1 -há dias me informa que Marta Suplicy quer conversar comigo. Perguntou se podia dar meu email privado, eu disse que tudo bem.
2= Recebi um email de alguem do Gabinete de Marta, pedindo que entrasse em contato com ela urgente. Ní£o respondi.

Na segunda dia 30 de setembro, Fernando me enviou mais de uma mensagem via email. Disse que quando chegasse em casa telefonaria, e foi o que fiz. Fiquei horrorizado com o que me disse.
Ou
a] mentem para a ministra descaradamente
b] ela ní£o acompanha de perto o que está acontecendo.

c] Fernando me pediu que enviasse um email, que ele repassaria para Marta. Fiz isso

Tenho provas (minha agente em fevereiro pediu para que eu abrisse a Feira, e rebati na hora). Tanto o diretor da Feira, Juergen Boss, como a minha editora local, Diogenes, podem confirmar facilmente as mentiras.

Enviei o email que abre este post.
Pedi a Fernando para escrever ali (conhece os admins) e desmentir. Eu na verdade ní£o tinha a menor idéia do que estavam armando (embora deduzisse que estavam armando algo).

Pois bem: Fernando disse que podia escrever ali um comentário ali dizendo que o Brasil ní£o me valoriza (o que ní£o é verdade, mas isso é um outro tema).
Mas que ní£o ia se meter em “picuí­nhas”.
Eu disse que um comentário ali daria credibilidade ao que o post acusava.
Fernando, sempre tí£o correto, de repente mostrou que ní£o quer se envolver em “picuí­nhas”, quando o que está em jogo é um post mentiroso – mas de um blog ligado ao PT.

Fica o registro: minha biografia é absolutamente correta. Ní£o tem os erros do post

Escritores convidados Frankfurt 2013

Aqui está a delegaí§í£o de escritores da Feira do Livro de Frankfurt (fonte: Biblioteca Nacional )

Adélia Prado (Minas Gerais)

Adriana Lisboa (Rio de Janeiro)

Affonso Romano de Sant’Anna (Minas Gerais)

Age de Carvalho (Pará)

Alice Ruiz (Paraná)

Ana Maria Machado (Rio de Janeiro)

Ana Miranda (Ceará)

André Sant’Anna (Minas Gerais)

Andrea del Fuego (Sí£o Paulo)

Angela Lago (Minas Gerais)

Antonio Carlos Viana (Sergipe)

Beatriz Bracher (Sí£o Paulo)

Bernardo Ajzenberg (Sí£o Paulo)

Bernardo Carvalho (Rio de Janeiro)

Carlos Heitor Cony (Rio de Janeiro)

Carola Saavedra (Rio de Janeiro)

Chacal (Rio de Janeiro)

Cí­ntia Moscovich (Rio Grande do Sul)

Cristoví£o Tezza (Santa Catarina)

Daniel Galera (Rio Grande do Sul)

Daniel Munduruku (Pará)

Eva Furnari (Sí£o Paulo)

Fábio Moon e Gabriel Bá (Sí£o Paulo)

Fernando Gonsales (Sí£o Paulo)

Fernando Morais (Minas Gerais)

Fernando Vilela (Sí£o Paulo)

Ferréz (Sí£o Paulo)

Flora Süssekind (Rio de Janeiro)

Francisco Alvim (Minas Gerais)

Ignácio de Loyola Brandí£o (Sí£o Paulo)

Joí£o Almino (Rio Grande do Norte)

Joí£o Gilberto Noll (Rio Grande do Sul)

Joí£o Ubaldo Ribeiro (Bahia)

Joca Reiners Terron (Mato Grosso)

José Miguel Wisnik (Sí£o Paulo)

José Murilo de Carvalho (Minas Gerais)

Laurentino Gomes (Paraná)

Lelis (Minas Gerais)

Lilia Moritz Schwarcz (Sí£o Paulo)

Lourení§o Mutarelli (Sí£o Paulo)

Luiz Costa Lima (Maranhí£o)

Luiz Ruffato (Minas Gerais)

Manuela Carneiro da Cunha (Portugal – Sí£o Paulo)

Marí§al Aquino (Sí£o Paulo)

Marcelino Freire (Pernambuco)

Maria Esther Maciel (Minas Gerais)

Maria Rita Kehl (Sí£o Paulo)

Marina Colasanti (Rio de Janeiro)

Mauricio de Sousa (Sí£o Paulo)

Michel Laub (Rio Grande do Sul)

Miguel Nicolelis (Sí£o Paulo)

Nélida Piñón (Rio de Janeiro)

Nicolas Behr (Mato Grosso)

Nuno Ramos (Sí£o Paulo)

Patricia Melo (Sí£o Paulo)

Paulo Coelho (Rio de Janeiro)

Paulo Henriques Britto (Rio de Janeiro)

Paulo Lins (Rio de Janeiro)

Pedro Bandeira (Sí£o Paulo)

Roger Mello (Distrito Federal – Brasí­lia)

Ronaldo Correia de Brito (Ceará)

Ruth Rocha (Sí£o Paulo)

Ruy Castro (Minas Gerais)

Sérgio Sant’Anna (Rio de Janeiro)

Silviano Santiago (Minas Gerais)

Teixeira Coelho (Sí£o Paulo)

Veronica Stigger (Rio Grande do Sul)

Walnice Nogueira Galví£o (Sí£o Paulo)

Ziraldo (Minas Gerais)

“Por que recusou o convite do Ministério da Cultura?”

 
 

[ACIMA: HANGOUT COM JOVEM NERD, íšNICA ENTREVISTA QUE DEI PARA BRASIL
ABAIXO, ALGUNS TRECHOS DA ENTREVISTA. A MATERIA SAIU NO DOMINGO, DIA DE OUTUBRO, NA ALEMANHA.]

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logo_die_welt>Martin Scholz_Interview with Paulo Coelho for Welt am Sonntag, Sunday 06 October 2013


WELT AM SONNTAG: Na próxima semana, a maior feira literária do mundo abre suas portas em Frankfurt. O Brasil é o paí­s de honra, mas vocíª que é o autor brasileiro de maior sucesso ní£o participará. Por que recusou o convite do Ministério da Cultura?

PAULO COELHO: Estou em constante contato com jovens escritores do meu paí­s. Mas quando o governo chega para apresentar oficialmente a cultura brasileira em outros lugares, infelizmente esses sí£o ignorados e a polí­ticagem interna acaba predominando. O Ministério da Cultura do Brasil convidou 70 pessoas para irem í  Frankfurt…

WaS: 70 escritores.
PC: Eu duvido que sejam todos escritores profissionais. Dos 70 escritores convidados (LISTA AQUI) , eu conheí§o apenas 20, entí£o os outros 50 nunca ouvi falar. Presumo que sejam amigos de amigos de amigos. Nepotismo. O que me incomoda mais: EXISTE uma nova e excitante cena literária brasileira. Mas a maioria desses jovens autores ní£o está nessa lista.

WaS: Por que vocíª ní£o exerceu sua influíªncia como membro da Academia?
PC: Falei publicamente e conversei com muitos colegas escritores que ní£o foram convidados para Frankfurt como Eduardo Spohr, Carolina Munhóz, André Vianco, Felipe Neto e Raphael Draccon, só para mencionar alguns nomes. Eu tentei ao máximo levá-los para a feira, mas sem sucesso. Entí£o, por protesto, eu DECIDI ní£o ir mais para Frankfurt, o que foi uma decisí£o difí­cil por diversos motivos. Primeiro porque eu sempre quis ser convidado para um evento como este pelo meu governo, mas também porque tenho fortes laí§os com a Feira de Frankfurt, especialmente com seu diretor Jürgen Boos, que ní£o só reconheceu o processo de transformaí§í£o do impresso para o digital, como colocou o tópico até na programaí§í£o da feira. Ele iniciou vários fóruns e painéis com o assunto. Outras feiras do mesmo molde, como a de Genebra e Paris estí£o deteriorando porque se prendem a antigos conceitos. Eu NíƒO vou para Frankfurt mesmo com a alta estima que tenho por essa feira porque simplesmente ní£o aprovo o modo que está sendo representada a literatura brasileira. Ní£o quero posar de um Robin Hood brasileiro. Nem de Zorro ou Cavaleiro Solitário. Mas ní£o pareceria certo ser parte da delegaí§í£o oficial brasileira, do qual ní£o conheí§o a maioria dos escritores e que exclui tantos outros.

WaS: Isso te deixa claramente chateado.

PC: Porque isso é apenas um dos diversos pontos crí­ticos do atual cenário governamental brasileiro. Eu apoiei esse governo e estou muito decepcionado com isso. Existe uma lei que permite grandes empresas como a Volkswagen investirem parte de seus impostos em projetos culturais. Essa lei foi modificada de tal forma que a alta costura brasileira é sustentada por essas taxas – uma indústria que ní£o precisava desse tipo de apoio de forma alguma. Esse é apenas um detalhe, mas é um exemplo do que acontece em larga escala. Para mim, o atual governo brasileiro é um desastre. Onde quer que eu vá, as pessoas sempre me perguntam o que está acontecendo de errado em meu paí­s. O governo fez grandes promessas e ní£o as manteve. Isso é o que está acontecendo de errado.

WaS: Recentemente centenas de milhares de pessoas em mais de 140 cidades protestaram contra a corrupí§í£o, má gestí£o e desigualdade social. O que passa pela sua mente quando víª todas essas imagens de tumultos nos noticiários?
PC: Estou muito preocupado, sobretudo porque ní£o parece ter um fim breve. Tudo comeí§ou quando aumentaram as tarifas de í´nibus. E quando, após a Copa das Confederaí§íµes, um paí­s louco por futebol como o Brasil admitiu publicamente que temos problemas mais urgentes que modernizar nossos estádios para o Campeonato Mundial – isso já foi uma grande declaraí§í£o. No entanto, todo mundo foi pego de surpresa pelo escopo de raiva pública. Porque o Brasil tinha sido cotado como o novo paí­s do momento. O problema é que uma grande parte da populaí§í£o ní£o tem sido capaz de lucrar com esse momento. A violíªncia no Rio de Janeiro é um grande problema. O governador prometeu encontrar uma soluí§í£o, mas ele ní£o manteve sua promessa. Sí£o Paulo ní£o tem uma situaí§í£o melhor. Ní£o importa onde vocíª olha, o demí´nio da corrupí§í£o está olhando de volta pra vocíª. Em uma situaí§í£o tí£o tensa, elevar as tarifas de í´nibus parece ter sido a gota d’água para quebrar as costas do camelo. Pessoas respondem coisas desse tipo. Com a minha fundaí§í£o apoio crianí§as carentes de favelas durante anos, sem nunca ter recebido apoio financeiro ou até mesmo uma palavra de reconhecimento por parte do governo. Eu me encontro em uma situaí§í£o semelhante í  de muitos colegas brasileiros. Eu votei no governo de esquerda, pelo qual tinha grandes esperaní§as. Estive cego por muito tempo, ní£o querendo ver o que acontecia de errado. E eu me mantenho pela minha crí­tica.


WaS: Nestas circunstí¢ncias, o que vocíª espera do campeonato mundial no próximo ano? O ex-craque Ronaldinho mostrou pouca simpatia pelos manifestantes. Ele disse que campeonatos ní£o eram sobre construí§íµes de hospitais ou ruas, mas sim de estádios.

PC: Essa foi uma observaí§í£o muito estúpida. Ronaldinho deveria ter mantido sua boca fechada. Claro que hospitais, escolas e acima de tudo um bom sistema de transporte público sí£o mais importantes para um paí­s como o Brasil que estádios de futebol. O transporte público ainda é um grande problema no Brasil. A infraestrutura ní£o é apenas ruim, mas uma decadíªncia total. No entanto, ní£o perdi por completo a esperaní§a que antes da Copa vamos chegar aos nossos sentidos e usar os investimentos para o campeonato de uma forma que os brasileiros possam lucrar, mesmo após os jogos. Estou em dúvida, no entanto. Mas agora estou falando há um tempo sobre o Brasil e percebi que ní£o pintei um quadro muito positivo do meu paí­s.

WaS: Isso é ruim?
PC: Ní£o, vocíª pode manter isso. Especialmente porque já expresso parte dessa crí­tica no Facebook e no Twitter, embora em pequenos pedaí§os e ní£o em um grande bloco como está sendo agora em nossa conversa. Essa é a grande coisa sobre redes sociais. Se eu tenho algo a dizer, digo. Ní£o preciso dar longas entrevistas a jornalistas que predominantemente ví£o procurar fraquezas e argumentos falhos e focar neles diversas vezes. Hoje em dia, eu prefiro dividir os meus comentários imediatamente com os meus 8,5 milhíµes de seguidores no twitter, ou com meus 12 milhíµes de amigos no Facebook. Instantaneamente. Globalmente.

WaS: A revista Forbes declarou que vocíª é a segunda personalidade mais influente no twitter depois de Justin Bieber. No Facebook vocíª agora tem mais seguidores do que Madonna. Ní£o se torna assustador ter este número crescente de devotos on-line esperando que vocíª díª um significado a suas vidas?
PC: Nem um pouco. Eu gosto de participar de redes sociais porque é divertido e acho gratificante. Agora estou ligado aos meus leitores de todo o mundo de uma maneira que antes das redes sociais emergirem ní£o era possí­vel. Deixe-me dar-lhe um exemplo: sessíµes de autógrafos costumavam ser frustrante. 200 ou 300 pessoas ficavam muito felizes, porque conseguiam um autógrafo meu. Muitos outros ficavam irritados porque tinham esperado na fila e foram mandados para casa de mí£os vazias, já que ní£o posso assinar livros por oito horas a fio.

WaS: Mas para enviar mensagens no Twitter e no Facebook para seus fí£s em todos os cantos do mundo, todos os dias, pode ser cansativo também, certo?

PC: Eu ní£o preciso estar on-line todos os dias e ní£o estou. Vocíª ní£o tem que escrever um livro a cada dia a fim de se considerar um escritor, ní£o é? Eu uso o twitter e posto no Facebook quando quero.

WaS: Vocíª tem vontade de salvar o mundo através das redes sociais?

PC: Eu ní£o quero salvar o mundo, eu meramente construo algumas pontes. E atualmente ní£o sou o único. O novo presidente iraniano abriu sua conta própria no Twitter (ou teve alguém para fazer isso por ele) e escreveu: “Feliz ano novo, meus amigos judeus”. Uma pequena mudaní§a paradigmática, que ní£o deve passar despercebida.

WaS: O que vocíª diz a seus colegas escritores que consideram Blogs e Twitter uma perda de tempo?
PC: Francamente, eu ní£o entendo a recusa. As redes sociais permitem que vocíª experimente novas formas de escrita. Eu escrevo de uma forma diferente para um blog, um romance, tweet ou em um post no Facebook. Nas redes sociais, posso discutir temas que meus leitores ou eu consideramos importantes. Isso ní£o significa que todos esses posts tenha que transformar em um livro. Mas através dessas redes posso chegar a uma comunidade gigantesca. Pessoas que ní£o ví£o mais a muitas livrarias e sí£o pouco interessadas em livros. Eles pensam que livros sí£o chatos. Minha experiíªncia é a seguinte: se eu publicar textos na internet, posso interessa-los em os meus livros. Ní£o devemos demonizar essas novas formas de comunicaí§í£o.
Também acho desconcertante quando os meus colegas escrevem: “a internet mata literatura” e em seguida publicam esses textos online. Eles escrevem na internet para reclamar da internet. Isso é como ser casado e só falar com sua esposa a fim de reclamar dela. Isso ní£o funciona.

WaS: Vocíª recentemente chocou o mundo editorial com um experimento altamente incomum. Em seu site incentiva usuários a baixar vários formatos e traduí§íµes de seus próprios livros. Gratuitamente. No entanto, as vendas de seus livros impressos continuam a aumentar apesar disso ou por causa desses downloads gratuitos, o que causa curiosidade entre a indústria editorial que está convenientemente ignorada. Por que ninguém lhe imitou ainda?

PC: Eu ní£o tenho resposta para isso. Eu fico me repetindo: se vocíª é um verdadeiro artista, entí£o o seu principal objetivo é ser notado.

WaS: Na verdade, vocíª já era um autor best-seller antes mesmo da chegada de downloads – que acabou sendo uma ferramenta de marketing interessante para impulsionar ainda mais suas vendas.
PC: Isso é o que eu continuo ouvindo: Paulo Coelho pode se dar ao luxo de permitir downloads gratuitos de seus livros, porque ele já é famoso. Eu sempre discordo: “eu sou quem eu sou hoje porque sempre tomo riscos e porque estou aberto a novas ideias”. Muitos colegas dizem: “eu ní£o dou os meus livros gratuitamente na internet”. O que já mostra que eles ní£o entendem o núcleo do mundo digital – que compartilhar termina somando ao invés de dividir.  Ní£o consigo explicar por que meus livros impressos vendem melhor hoje do que antes dos meus compartilhamentos, mas o que parece ser o caso é que a maioria dos leitores que baixa o primeiro livro de graí§a, depois sentem certa obrigaí§í£o de comprar o livro impresso. Pelo menos os jovens escritores ní£o parecem pessimistas com as redes sociais. Muitos jovens escritores brasileiros abraí§am essas oportunidades. Para eles sou um pouco de modelo. Eles até inventaram um bom apelido para mim: me chamam de Mago dos Nerds.

WaS : Isso é um elogio?
PC: Eu acredito realmente que sim.

A foto e seu autor

André Barcinski sumiu do Twitter ( WTF??? ) mas continua com seu blog na Folha de Sí£o Paulo
Sou leitor do mesmo.

Hoje, vendo um lindissimo post sobre a emoí§í£o causada pelo Boss cantando Sociedade Alternativa
(Bruce toca Raul e a gente chora )
resolvi fazer uma coisa que raramente faí§o: colocar um comentário ali.

Jamais posto comentários aní´nimos, por sinal.

E eis que descubro o autor da foto abaixo!
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Nas palavras do próprio André:

Andre Barcinski comentou em 21/09/13 at 11:48 Responder

Muito legal te ver por aqui, Paulo, e muito obrigado pelos esclarecimentos. Também tenho um esclarecimento a fazer: sabe aquela foto famosa sua com o Raul, nesse show do Canecí£o? Acho que é a última foto de vocíªs dois juntos, certo? Pois é, fui eu que fiz. Eu trabalhava pro Jornal do Brasil e fotografei o show. Essa foto circula muito, mas nunca com o crédito. Tenho um orgulho danado de ter registrado esse momento. Grande abraí§o pra vocíª e apareí§a mais vezes aqui no blog, por favor.

Como André ní£o tem Twitter, se algum amigo dele ler este post, favor avisa-lo

Frankfurt I

Neste final de semana, um colunista, uma revista e um jornal entraram em contato comigo para saber se ní£o vou í  Feira do Livro de Frankfurt por causa da “desorganizaí§í£o.” Talvez esse interesse tenha ocorrido por causa dos frequentes tuites que postei sobre o Ministério da Costura (antes conhecido por Ministério da Cultura, mas que no momento se dedica a justificar os subsí­dios da Lei Rouanet í  alta costura: Marta Suplicy libera verba para desfiles de luxo )

Preciso esclarecer alguns pontos:

ORGANIZAçíƒO
Embora eu seja convidado da delegaí§í£o oficial, quem organizou minha ida foi minha editora alemí£.
Portanto, tenho hotel (com banheiro no quarto!), carro, etc.
“Banheiro no quarto, o que é isso? ” alguém perguntará.
O fato é que o Brasil, embora já saiba há anos que seria o convidado de honra em 2013, reservou quartos sem banheiro para escritores. Leio na coluna de Ancelmo Gois nesta sexta: A ministra Marta Suplicy reconhece que ainda ní£o foi escolhido o lugar onde ví£o ficar hospedados os 70 escritores da delegaí§í£o brasileira na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, dia 8 de outubro:”” Mandei fazer uma nova licitaí§í£o depois que descobri que o hotel dos nossos escritores ní£o tinha banheiro nos quartos.
Vamos torcer para que consigam hotéis na cidade. Ou os escritores terí£o banheiro no quarto, mas precisarí£o viajar todos os dias no mí­nimo por 1:30 hr (40 min para ida + volta) , já que os hotéis – no momento – estí£o completamente lotados.

A ENTREVISTA
Nesta quinta feira, dia 5, resolvi dar uma única entrevista, para o maior jornal alemí£o, Die Welt. A entrevista será publicada no domingo, dia 6 de outubro.
O jornalista disse que ní£o conhecia absolutamente ninguém da lista.
Minha editora alemí£, Ruth Geiger, presente na entrevista, disse que o comentário em Frankfurt é o seguinte: “ao invés de trazer escritores consagrados, o Brasil optou por trazer desconhecidos e assim mostrar a nova face da literatura brasileira”.

QUEM É QUEM?
Vejam aqui: Lista de escritores brasileiros convidados para a Feira de Frankfurt 2013
Dos 70 nomes, conheí§o 22, e já li 17 autores – que realmente merecem estar ali. O resto simplesmente ní£o tenho idéia de quem seja.
Mas checando um por um dos 48 que nunca ouvi falar, descobri que estí£o longe de ser “a nova face da literatura brasileira”.
Pedi a algumas pessoas que me dissessem quais autores conheciam. A contagem variou entre quatro e cinco. E vocíª, quantos conhece?

BIENAL DO LIVRO RIO DE JANEIRO
Encerrada ontem, e merecidamente homenageando o Ziraldo, podemos ler em qualquer jornal os autores nacionais que fizeram sucesso junto ao público: a verdadeira nova literatura brasileira.
Veja o que escreve Raquel Cozer na Folha de Sí£o Paulo: A hora dos nacionais
Alguns exemplos: Andre Vianco, Felipe Neto, Carolina Munhoz, Eduardo Sphor, Raphael Draccon, e muitos mais. Além destes, temos Deive Passos e Alexandre Ottoni, autores do Protocolo Bluehand – que ní£o estiveram na Bienal mas escreveram um livro fantástico.
Nenhum deles está na lista.

O MINISTÉRIO DA CULTURA/COSTURA E MEU TRABALHO
EU nunca tive nenhuma traduí§í£o subsidiada pelo governo (agora apareceu um chiníªs que pediu, mas sem minha permissí£o ou conhecimento). Meus livros estí£o em 72 linguas, detenho o recorde de autor vivo mais traduzido do mundo. Sou publicado em 155 paí­ses.
O Ministério da Cultura nunca me ajudou. Ní£o entrei na lista oficial de Frankfurt 1994 (ainda bem, foi um desastre).
Em 1998, fui vetado pela Biblioteca Nacional para participar do Salon du Livre de Paris, embora tivesse 3 livros na lista dos mais vendidos na Franí§a (participei a convite de minha editora francesa, e foi fantástico).
Em 2008, o patético ex-ministro Juca Ferreira desmarcou em cima da hora sua presení§a na festa organizada por meus editores, celebrando í quela altura 100 milhíµes de livros vendidos ( por sinal, nunca devolveu o convite).

MUDA BRASIL
Em junho deste ano, assistimos as manifestaí§íµes que pediam mudaní§as estruturais. Pelo visto, a mudaní§a até agora foi permitir que a Lei Rouanet apoie desfile de moda.
Na época, postei um tuite dizendo que estou seriamente repensando minha presení§a em Frankfurt. Ainda ní£o decidi nada, mas se deixar de ir ní£o será por falta de organizaí§í£o.
Será por ní£o compactuar com o que o governo brasileiro quer mostrar ali.

Como diz Reinaldo Azevedo, de quem discordo em genero, número e grau de tudo que posta sobre polí­tica, mas concordo com tudo que posta sobre cultura: volto ao assunto mais adiante.

Minha vida em 750 GB

Em 1996 realizei, junto com minha mulher Christina Oticica, um grande sonho. A criaí§í£o do Instituto Paulo Coelho, uma instituií§í£o sem fins lucrativos, financiada exclusivamente por meuss direitos autoraisinst00
Em seguida, veio aquela pergunta de sempre: caso o meu trabalho ainda seja lembrado no futuro, o que fazer com todo o material que tenho, e que pode servir para pesquisas? Costuma-se ver o sucesso como um mar de rosas, e eu queria dar a todos a possibilidade de ver que ní£o é bem assim. Desta maneira, as pessoas lutariam por seus sonhos com mais seguraní§a, sabendo que existem muitas armadilhas no caminho.
A resposta para tal pergunta me pareceu simples:
a] criar uma Fundaí§í£o com todo o material que tenho, da certidí£o de nascimento dos meus pais í s crí­ticas negativas,
das fotos de infí¢ncia í s fotos da carreira
dos originais digitalizados de todos os meus livros até os recibos de viagem que guardava em minhas prinmeiras andaní§as pelo mundo.
infancia1[1]Paulo-Coelho--008

b] permitir que pessoas do planeta inteiro tivessem acesso a ela, já que meus livros estí£o editados em 72 lí­nguas e presentes em mais de 150 paí­ses.

A partir de 2001 o arquivo comeí§ou a ser digitalizado, e desde entí£o é atualizado sistematicamente.
Tal material é colocado na “nuvem” (ainda com acesso restrito), e poderá no futuro ser visualizado em qualquer canto da Terra.

Mas com dezenas de milhares de documentos, fotos, certidíµes, etc., de 1947 até hoje, onde chegamos?
750
Até o momento, em 750 GB. O disco em questí£o cabe no bolso do meu paletó.

Comeí§amos a procurar um lugar para a Fundaí§í£o fí­sica. Mas honestamente, quem se interessaria por isso?
O meu ego. O ego da minha mulher.
E mais ninguém.
E as dores de cabeí§a resultantes de uma fundaí§ao fí­sica, com funcionários, exposií§í£o, programaí§í£o cultural, etc. ní£o compensam. Resolvemos, portanto, manter apenas a Fundaí§í£o Virtual, e uma sala de 150 m2 onde todo o material será guardado em papel.
Desistimos da idéia.

Lembrei disso hoje por causa da conferíªncia de Silvio Meira, Professor do Centro de Informaí§í£o da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e cientista-chefe do Centro de Estudos de Sistemas Avaní§ados do Recife. Na excelente matéria de Raquel Cozer, na Folha de Sí£o Paulo, Silvio diz:
“Me perguntaram quando vai ter livraria em Taperoá, cidade de 12 mil habitantes onde nasci. Respondi: ‘Nunca. Nem vai precisar. Provavelmente nem de biblioteca vai precisar’.”

Fica o registro.

Publishnews: ní£o seja tí£o crí­tico com o gosto dos outros

Na Publishnews, o portal de referencia no mercado editorial brasileiro, uma excelente matéria sobre o mercado editorial, escrita por Pedro Almeida, jornalista e professor de literatura.
Na semana passada, a Folha de Sí£o Paulo publicou outro grande artigo sobre as mudaní§as do mercado editorial.
Pelo visto, vozes sensatas comeí§am a ser a regra, e ní£o a exceí§í£o.
Quem lucra sí£o os autores e os leitores.

A seguir, trechos do artigo “Um novo mercado, um novo olhar”:

Penso que as opiniíµes sobre o mercado, muitas tratadas como regras ou verdades, sí£o frutos de opiniíµes obsoletas, sensaí§íµes, frutos do senso comum. Já escrevi aqui algumas vezes sobre nossa mania de tratar a literatura como algo sagrado, complexo, o que a tornou elitista e distante e que nos fez estabelecer valores tí£o arraigados sobre o que é bom e ruim, o que deve ou ní£o ser publicado.

***

Uma série de autores/artistas hoje tratados como cult, no passado, ou mesmo em sua época, eram tratados como beberríµes, filósofos de esquina ou equivalentes. De modo que ou a inteligíªncia de sua época estava toda errada, ou os valores mudaram, ou nosso gosto piorou bastante.

***

“Valor cultural dos livros”. Ainda é uma expressí£o que circula livremente. Cresci ouvindo que ler sempre é bom. Com o tempo elegi meus autores preferidos, sempre pautado por dois aspectos: conhecendo autores/obras e escolhendo aqueles que me diziam algo. Quando a oferta do número de livros e autores aumentou no mercado, comeí§ou-se um discurso sobre o que era bom ou ruim. […] Penso que falta ainda respeito pelo gosto dos outros, é como se vivíªssemos numa ditadura literária. Livro é como musica, roupa, sapato, comida. Cada um tem uma dialética para defender seu gosto e contar suas vantagens. Para uns é instruí§í£o, para outros, prazer, autoconhecimento, evoluí§í£o pessoal.

***

Essa crí­tica de valor parece um coro de pessoas que pertencem ao mesmo clube, fazem as mesmas coisas e frequentam os mesmos lugares (ou gostariam de frequentar). Entí£o a crí­tica acaba sempre se referindo a um tipo de leitor, como se fosse uma defesa dos valores de um grupo. Um erro. Estamos tratando os livros como se fí´ssemos uma torcida de time de futebol, fingindo ser mais civilizados que as torcidas, quando na verdade somos irí´nicos, sarcásticos, mais perversos que torcedores, e por isso podemos provocar danos mais profundos, porque sí£o elaborados.

***

Por que, por exemplo, um programa de apoio a traduí§íµes no Brasil contempla apenas autores consagrados pela crí­tica? Porque essa crí­tica, que representa apenas um grupo de leitores, continua guiando desde premiaí§íµes, estilos e escolas literárias a oficinas e palestras em bienais. Devemos buscar uma visí£o mais democrática, pensar mais nos leitores, no público, no incentivo para que o bolo (número de leitores) cresí§a e ní£o continue pautado pelas mesmas visíµes de sempre.

***

A literatura que vocíª aprova hoje, se ní£o for por afinidade muito pessoal, talvez o fará sentir vergonha no futuro, da mesma forma que ri hoje dos penteados e moda dos anos 80. Comentário: ní£o seja tí£o crí­tico com o gosto dos outros.

“O discurso ní£o é esse livro é ruim, é ní£o gostei desse livro'”

criticVivo lendo reclamaí§íµes de crí­ticos e pseudo-acadíªmicos, dizendo as coisas de sempre: a cultura empobreceu, os leitores estí£o mais burros, a internet é o anticristo, o ivro eletrí´nico “ní£o tem cheiro”, coisas do tipo.
Na verdade, quem perdeu completamente a sintonia com o mundo foi esse tipo de gente. Desesperados porque já ninguém escuta o que dizem, resta-lhes apenas a “demoní­aca” internet para expressarem suas lamentaí§íµes.
Andei fazendo uma pesquisa nestes portais. Cada artigo tem um ou dois comentários, de gente que escreve em portais semelhantes.

Enfim, nada mais triste – mas também nada mais merecido.
Os arautos da “alta cultura” foram pego de surpresa, í  semelhaní§a dos aristocratas que curtiam suas festas em Versailles, Franí§a, em 1789: um belo dia, sem qualquer aviso, a populaí§í£o revoltou-se e a grande maioria foi parar na guilhotina.
No caso da “alta cultura”, a revoluí§í£o foi menos visí­vel, e nem por isso menos contundente.
Há anos ninguém escuta o que dizem, mas como ocorre com todos aqueles que estí£o trancados em suas torres de marfim, só agora passaram a ser dar conta.

Isso quer dizer que ní£o existe mais crí­tica literária? Claro que existe.
Mas o objetivo ní£o é demolir o trabalho alheio, nem arrotar cultura com dezenas de citaí§íµes.
O objetivo é muito simples: dizer se gostou ou ní£o gostou de um livro.

Neste sábado, as jornalistas Raquel Cozer e Fernanda Ezabella publicaram uma interessante matéria na Folha de Sí£o Paulo, dividida
em duas partes
Resenhas literárias de amadores na internet atraem leitores e abrem filí£o para editoras e Blogueiros resenhistas dizem que chegam a ler 70 livros em um só ano

Como ní£o poderia deixar de ser, existe ainda uma terceira parte, uma “análise” feita por alguém do sistema acadíªmico, colocando tudo sob suspeita, aventando a hipótese que que a revoluí§í£o da crí­tica é algo manipulado pelas editoras. Enfim, a “análise”que confirma tudo que disse acima.

A matéria vem em um momento bastante oportuno. Postei um dos links acima do meu Twitter, e fiquei supreso com a receptividade, embora tenha sido “insultado” porque o link levava para um portal pago (“vc está querendo nos convencer a assinar a Folha?” disse um. “Só pode ler quem é rico” disse outro). Resolvi cortar algumas partes e coloca-las aqui.

Abaixo alguns pontos da matéria de Cozer e Ezabella:

Todo míªs, 75 mil pessoas acessam os ví­deos em que o paulista Danilo Leonardi, 26, comenta livros. A carioca Ana Grilo, 37, diz ler até 150 tí­tulos por ano para seu blog de resenhas, escrito em inglíªs. O americano Donald Mitchell, 66, já publicou 4.475 resenhas na Amazon -por parte delas, levantou R$ 70 mil, doados para uma ONG beneficente.

Os tríªs sí£o personagens de um movimento que, nos últimos anos, chamou a atení§í£o de editoras e virou negócio: o de crí­ticas de livros feitas na internet por amadores, que, com linguagem mais simples, atraem milhares de leitores.

Com o aumento na venda de e-books, a expansí£o da autopublicaí§í£o e a concorríªncia ferrenha entre editoras, textos escritos por hobby ou por até R$ 1.000 tornaram-se uma alternativa de divulgaí§í£o capaz de atingir nichos e multiplicar vendas de livros.

Nos EUA, páginas como o Hollywood Book Reviews e o Pacific Book Review cobram de autores e editoras de R$ 250 a R$ 800 por textos a serem publicados em até 26 sites, incluindo seí§íµes de comentários de lojas virtuais.
O “pagamento”, ressaltam editoras e blogueiros, sí£o apenas os livros a serem avaliados, nunca dinheiro.

Enquanto crí­ticas feitas por especialistas em jornais fazem livreiros dar destaque aos tí­tulos nas lojas, blogueiros atraem leitores de gosto similar e alimentam o boca a boca. (meu comentário: será mesmo? Duas séries, “Crespúsculo” e “50 Tons” tiveram todo o destaque necessário nas lojas. O livreiro está sempre muito antenado, e notou que caderno de cultura já perdeu por completo a releví¢ncia)

“É bem pessoal. Eles deixam claro que é o canto deles”, diz a gerente de marketing da Intrí­nseca, Heloiza Daou.

“O discurso ní£o é ‘esse livro é ruim’, é ‘ní£o gostei desse livro'”, diz Diana Passy, gerente de mí­dias sociais da Companhia das Letras.

Nhá Chica de Baependi (beatificada em 4 maio 2013)


O que é um milagre?
Existem definií§íµes de todos os tipos: algo que vai contra as leis da natureza, intercessíµes em momentos de crise profunda, coisas cientificamente impossí­veis, etc.
Eu tenho minha própria definií§í£o: milagre é aquilo que enche o nosso coraí§í£o de paz. ís vezes se manifesta sob forma de uma cura, de um desejo atendido, ní£o importa – o resultado é que, quando o milagre acontece, sentimos uma profunda reveríªncia pela graí§a que Deus nos concedeu.

Há vinte e tantos anos atrás, quando eu vivia meu perí­odo hippie, minha irmí£ me convidou para ser padrinho de sua primeira filha. Adorei o convite, fiquei contente que ela ní£o me pediu para que cortasse os cabelos (naquela época, chegavam até a cintura), nem me exigiu um presente caro para a afilhada (eu ní£o teria como comprar).
A filha nasceu, o primeiro ano se passou, e o batizado ní£o acontecia nunca. Achei que minha irmí£ tinha mudado de idéia, fui perguntar o que havia acontecido, e ela respondeu: “Vocíª continua padrinho. Acontece que eu fiz uma promessa para Nhá Chica, e quero batizá-la em Baependi, porque ela me concedeu uma graí§a”.

Ní£o sabia onde era Baependi, e jamais tinha escutado falar de Nhá Chica. O perí­odo hippie passou, eu me tornei executivo de gravadora, minha irmí£ teve uma outra filha, e nada de batizado. Finalmente, em 1978, a decisí£o foi tomada, e as duas famí­lias – dela e de seu ex-marido – foram a Baependi. Ali eu descobri que a tal Nhá Chica, que ní£o tinha dinheiro nem para seu próprio sustento, havia passado 30 anos construindo uma igreja e ajudando os pobres.

Eu vinha de um perí­odo muito turbulento em minha vida, e já ní£o acreditava mais em Deus. Ou melhor, dizendo, já ní£o achava que procurar o mundo espiritual tinha muita importí¢ncia: o que contava eram as coisas deste mundo, e os resultados que pudesse conseguir. Tinha abandonado meus sonhos loucos da juventude – entre os quais, ser escritor – e ní£o pretendia voltar a ter ilusíµes.
Estava ali naquela igreja para apenas cumprir um dever social; enquanto esperava a hora do batizado, comecei a passear pelos arredores, e terminei entrando na humilde casa de Nhá Chica, ao lado da igreja. Dois cí´modos, e um pequeno altar, com algumas imagens de santos, e um vaso com duas rosas vermelhas e uma branca.

Num impulso, diferente de tudo o que eu pensava na época, fiz um pedido: se, algum dia, eu conseguir ser o escritor que queria ser e já ní£o quero mais, voltarei aqui quando tiver 50 anos, e trarei duas rosas vermelhas e uma branca.

Apenas para me lembrar do batizado, comprei um retrato de Nhá Chica. Na volta para o Rio, o desastre: um í´nibus pára subitamente na minha frente, eu desvio o carro numa fraí§í£o de segundo, o meu cunhado também consegue desviar, o carro que vem atrás se choca, há uma explosí£o, vários mortos. Estacionamos na beira da estrada, sem saber o que fazer. Eu procuro no bolso um cigarro, e vem o retrato de Nhá Chica. Silencioso em sua mensagem de proteí§í£o.

Ali comeí§ava minha jornada de volta aos sonhos, í  busca espiritual, í  literatura, e um dia eu me vi de novo no Bom Combate, aquele que vocíª trava com o coraí§í£o cheio de paz, porque é resultado de um milagre. Nunca me esqueci das tríªs rosas. Finalmente, os cinqüenta anos – que naquela época pareciam tí£o distantes – terminaram chegando.

E quase passam. Durante a Copa do Mundo, fui a Baependi pagar minha promessa. Alguém me viu chegando em Caxambu (onde pernoitei), e um jornalista veio me entrevistar. Quando eu contei o que estava fazendo ali, ele pediu:
– Fale sobre Nhá Chica. O corpo dela foi exumado esta semana, e o processo de beatificaí§í£o está no Vaticano. As pessoas precisam dar seu testemunho.
– Ní£o – disse eu. – É uma história muito í­ntima. Só falaria se recebesse um sinal.
E pensei comigo mesmo: “O que seria um sinal? Só mesmo se alguém falasse em nome dela!”

No dia seguinte, peguei o carro, as flores, e fui a Baependi. Parei um pouco distante da igreja, lembrando o executivo de gravadora que estivera ali tanto tempo antes, e as muitas coisas que tinham me conduzido de volta. Quando ia entrando na casa, uma mulher jovem saiu de uma loja de roupas:
– Vi que seu livro “Maktub” é dedicado a Nhá Chica – disse ela. – Garanto que ela ficou contente.

E ní£o me pediu nada. Mas aquele era o sinal que eu estava esperando. E este é o depoimento público que eu precisava dar.

O problema continua?

Consulado do Brasil, manifeste-se por favor

Date: Fri, 15 Mar 2013 22:46:43 +0100
Subject: AJUDA/ AYUDA URGENTE- INDIGNANTE

Caros amigos

Os pido ayuda. La esposa del portero de mi urbanización, una brasileña casada con un español, Telma de Souza Lima, tiene a su madre, Equitéria de Souza Lima, detenida en el aeropuerto de Barajas por no llevar con ella la carta de invitación y Euros suficientes para su estancia.

Resulta que Telma está casada con un ciudadano español, Diego Viedna Artero, y su madre ha venido a España ayudarla porque Diego se encuentra ahora mismo ingresado en el hospital Infanta Sofia, en fase terminal de cáncer. Le quedan pocos dias o semanas. Por eso, la señora Equitéria, ha salido desde Brasil sin esos documentos; porque Telma, ocupandose de su marido, no ha pensado en esa posibilidad. Detalle: no es la primera entrada de Equiteria en España.

Telma tiene ahora mismo a una abogada con ella en el aeropuerto, pero la policia de fronteras ha emitido sentencia de deportación para mañana a las 15 horas y hay poco que se pueda hacer. A no ser que los medios de comunicación, tanto en Brasil cuanto en España se muevan, o algun contacto en Ministerio de Exterior en España, o el Consulado de Brasil, o algún Juez de peso que se pueda pronunciar o intervenir contra esa injusticia profundamente indignante y deshumana, Equiteria volvera a Brasil mañana a las 15 horas, y Telma se quedará sin el apoyo de su madre en esos momentos dificiles.

Os agradezco de corazón a los copiados en BCC, si podeí­s enviar ese mensaje a los medios a los cuales tienen aceso en los dos lados del Atlantico, o personas de influencia polí­tica que sé que conocen, para que una decisión absolutamente arbitraria un policia de fronteras impida a una persona humilde de apoyar a su hija en ese momento de perdida y dolor.

Muchas gracias por qualquier ayuda,

Iona de Macedo TEL: +34 639 185121

Manual de matar trolls

“E tendo feito um azorrague de cordéis, laní§ou todos fora”(Joí£o, 2:15)

1] Bullying (trolagem) só ocorre com quem tem alguma releví¢ncia. Se voce está sendo trolado, é porque está acima da média.
Ní£o concorda? Basta ir para algum portal, abrir uma noticia de celebridade, e olhar os comentários. Qualquer celebridade – seja ela artista, polí­tica, esportista.
2] A anonimidade na internet é covarde. Os trolls sí£o pessoas com um comportamento doentio, mas que podem causar mal aos mais fracos.
3] Só existe uma maneira de reagir: deixando bem claro que qualquer coisa que escreverem sobre vocíª terá consequíªncias no futuro. Talvez ní£o no próximo míªs, nem no próximo ano, mas um dia eles ví£o precisar de sua ajuda.
4] E vocíª, claro, ní£o vai ajudar. Porque tem um a lista com o nome de todos os que pertencem í s trevas.
5] crie esta lista agora. Mantenha-a atualizada. E desta maneira voce sempre terá a última palavra.
Os trolls ní£o merecem respeito, porque ní£o respeitam ninguem, e se acham o máximo porque ingenuamente pensam que estí£o atuando de maneira aní´nima.

NOTAS
Muita gente pode dizer: “isso é vinganí§a!”. Nada mais errado. Vocíª merece respeito – e respeito é uma conquista, ní£o uma coisa que deve tomar como garantida.
Cabe a vocíª lutar contra aqueles que querem cobrir o mundo de negatividade e de trevas.
Quando eu era jovem fui muito trolado na escola. Os outros me atacavam para poder brilhar. Eu ní£o tinha como me defender, e tudo que pude fazer foi esperar o momento do contra-ataque, qeu sempre surge.
Podia também me dar por vencido, acreditar que ní£o valia nada. Mas desde sempre tive essa idéia do “guerreiro da luz”, aquele que está sempre sendo testado, e precisa aceitar desafios.
Nesta altura (devia ter uns 16 anos) resolvi criar duas listas. A de pessoas que me apoiavam e me ajudavam (Lista da Luz) e a dos que insistiam em me colocar para baixo ( Lista Negra)

Hoje em dia já ní£o me ocupo mais disso, mas meu escritório varre sistematicamente a internet, e anota os nomes da lista negra.
Nestes dez anos passados, por exemplo, pelo menos umas 150 pessoas que me atacaram vieram me pedir favores.
Achavam que eu tinha esquecido. Um deles inclusive veio me pedir voto para uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, da qual sou membro.
Outros, escritores e musicos aspirantes, que pediam um apoio para seus trabalhos mas que ní£o hesitavam em falar mal em comunidades sociais.
Claro que nunca me lembro de quem fala mal, e raramente leio o que escrevem. Mas antes de fazer qualquer favor eu consulto meu escritório.
ee o nome estiver ali, serei muito gentil mas farei questí£o de lembrar í  pessoa o que ela disse, e por essa razí£o ní£o me julgo “í  altura” de fazer qualquer coisa.

ANEXOS
A Lei de Jante (Portugues)
11 Facts about Bullying
A few real life cases young kids committing suicide as a consequence of cyberbullying
 
 

Os dois meninos

black-outline-two-boysUma velha história árabe conta que dois meninos – um rico e um pobre – voltavam do mercado. O rico trazia biscoitos untados com mel, e o pobre trazia um pedaí§o de pí£o velho.

– Deixo vocíª comer meu biscoito, se bancar o cí£o para mim – disse o rico.

O menino pobre aceitou e, de quatro na calí§ada, comeí§ou a comer as guloseimas do menino rico.

O sábio Fath, que assistia a cena, comentou:

– Se este menino pobre tivesse um pouco de dignidade, ia terminar descobrindo uma maneira de ganhar dinheiro. Mas ele prefere tornar-se o cí£o do menino rico, para comer seu biscoito.

“Amanhí£, quando for grande, fará o mesmo por um cargo público, e será capaz de trair seu paí­s por uma bolsa de ouro.”

2015 Encerrando ciclos


Illustration by Ken Crane

Ní£o consegui comprovar o autor deste texto, que circula na internet como se eu o tivesse escrito – até o momento pelo menos dez pessoas clamam sua autoria. Resolvi transcreve-lo aqui com modificaí§íµes que fiz
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Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capí­tulos.
Ní£o importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relaí§í£o? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro paí­s? A amizade tí£o longamente cultivada desapareceu sem explicaí§íµes?
Vocíª pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu….
Pode dizer para si mesmo que ní£o dará mais um passo enquanto ní£o entender as razíµes que levaram certas coisas, que eram tí£o importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmí£os, todos estarí£o encerrando capí­tulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerí£o ao ver que vocíª está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou ní£o voltará: ní£o podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligaí§í£o com quem já foi embora e ní£o tem a menor intení§í£o de voltar.

As coisas passam, e o melhor a fazer é deixar que elas realmente possam ir embora…

Por isso é tí£o importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordaí§íµes, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visí­vel é uma manifestaí§í£o do mundo invisí­vel, do que está acontecendo em nosso coraí§í£o… e o desfazer-se de certas lembraní§as significa também abrir espaí§o para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto í s vezes ganhamos, e í s vezes perdemos.

Ní£o espere que devolvam algo, ní£o espere que reconheí§am seu esforí§o, que descubram seu gíªnio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisí£o emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como vocíª sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Ní£o há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que ní£o sí£o aceitos, promessas de emprego que ní£o tíªm data marcada para comeí§ar, decisíµes que sempre sí£o adiadas em nome do “momento ideal”.
Antes de comeí§ar um capí­tulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituí­vel, um hábito ní£o é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difí­cil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Ní£o por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já ní£o se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Esqueí§a quem vocíª era, e passe a ser quem é.

FELIZ 2011!