O profeta, Khalil Gibran

Ní£o podemos esquecer quem somos

Em todas as lí­nguas do mundo existe um mesmo ditado: o que os olhos ní£o víªem, o coraí§í£o ní£o sente.
Pois eu afirmo que ní£o há nada mais falso do que isso; quanto mais longe, mais perto do coraí§í£o estí£o os sentimentos que procuramos sufocar e esquecer.
Se estamos no exí­lio, queremos guardar cada pequena lembraní§a de nossas raí­zes, se estamos distantes da pessoa amada, cada pessoa que passa pela rua nos faz lembrar dela.

Os evangelhos, e todos os textos sagrados de todas as religiíµes foram escritos no exí­lio, em busca da compreensí£o de Deus, da fé que movia os povos adiante, da peregrinaí§í£o das almas errantes pela face da terra.

Ní£o sabiam os nossos antepassados – e tampouco nós sabemos o que a Divindade espera de nossas vidas -, e é nesse momento que os livros sí£o escritos, os quadros pintados, porque ní£o queremos e ní£o podemos esquecer quem somos.

O guerreiro da luz e o novo ano

Sabendo esperar

O guerreiro da luz precisa de tempo para si mesmo. E usa este tempo para o descanso, a contemplaí§í£o, o contacto com a Alma do Mundo. Mesmo no meio de um combate, ele consegue meditar.

Em algumas ocasiíµes o guerreiro senta-se, relaxa, e deixa que tudo que está acontecendo ao seu redor continue acontecendo. Olha tudo a sua volta como se fosse um espectador, ní£o tenta crescer nem diminuir – apenas entregar-se sem resistíªncia ao movimento da vida.

Aos poucos, tudo que parecia complicado comeí§a a tornar-se simples. E o guerreiro se alegra.

Descobrindo o objetivo

Quando se quer uma coisa, o Universo inteiro conspira a favor. O guerreiro da luz sabe disso.

Por esta razí£o, toma muito cuidado com seus pensamentos. Escondidos debaixo de uma série de boas intení§íµes estí£o desejos que ninguém ousa confessar a si mesmo: a vinganí§a, a autodestruií§í£o, a culpa, o medo da vitória, a alegria macabra com a tragédia dos outros.

O Universo ní£o julga: conspira a favor do que desejamos. Por isso, o guerreiro tem coragem de olhar para as sombras de sua alma e procura iluminá-las com a luz do perdí£o.

O guerreiro da luz é senhor dos seus pensamentos.

Entendendo a rotina

Há momentos em que o caminho do guerreiro passa por perí­odos de rotina. Entí£o ele aplica um ensinamento de Nachman de Bratzlav:

“Se vocíª ní£o consegue se concentrar, ou se está aborrecido com o seu dia, deve repetir apenas uma simples palavra, porque isto faz bem a alma. Ní£o diga nada mais, apenas repita esta palavra sem parar, incontáveis vezes. Ela terminará perdendo seu sentido, e depois ganhará um significado novo. Deus abrirá as portas, e vocíª terminará usando esta simples palavra para dizer tudo o que queria”.

Quando é forí§ado a fazer a mesma tarefa várias vezes, o guerreiro utiliza esta tática, e transforma o seu trabalho em oraí§í£o.

Celebrando o ano que termina

O guerreiro viveu todos os dias do ano que passou, e mesmo que tenha perdido grandes batalhas, sobreviveu e está aqui. Isso é uma vitória. Esta vitória custou momentos difí­ceis, noites de dúvidas, intermináveis dias de espera. Desde os tempos antigos, celebrar um triunfo faz parte do próprio ritual da vida.

A comemoraí§í£o é um rito de passagem.

Os companheiros olham a alegria do guerreiro da luz, e pensam: “por que faz isto? Pode decepcionar-se em seu próximo combate. Pode atrair a fúria do inimigo”.

Mas o guerreiro sabe o motivo de seu gesto. Ele se beneficia do melhor presente que a vitória é capaz de trazer: confianí§a.

O guerreiro celebra o ano que passou, para ter mais forí§as nas batalhas de amanhí£.

(em O Manual do Guerreiro da Luz )

Novo escritório em Barcelona

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Paulo Coelho, que este ano publicou um novo livro, “Adultério” – presente em todas as listas de mais vendidos em todos os paí­ses em que foi publicado – estará em Barcelona dia 12 de novembro para a inauguraí§í£o do novo escritório da agencia literária Sant Jordi Asociados.
A agencia é responsável por todos os direitos do autor desde que foi fundada, 20 anos atrás.

Diz Monica Antunes, sua representante exclusiva desde as primeiras traduí§íµes de O Alquimista – atualmente em 140 paí­ses em mais de 80 idiomas: ” as novas oportunidades acarretadas pelas transformaí§íµes profundas que o mercado literário está atravessando, tem nos permitido crescer bastante. ” Antunes se refere basicamente a edií§íµes digitais – a Sant Jordi Asociados agora publica em plataformas eletrí´nicas todos os livros do autor em portugues, frances, alemí£o, italiano, polones e espanhol.

Os novos escritórios da Sant Jordi Asociados tem o dobro de tamanho do escritório anterior, graí§as a constante expansí£o do trabalho de Paulo Coelho no mundo.

Para Coelho, “Barcelona é uma referíªncia para o mundo editorial, e sempre foi generosa comigo em com Mí´nica, quando ainda estavamos dando os primeiros passos”.
Carlos Revés, diretor da área editorial do Grupo Planeta, afirma que a presení§a de Mí´nica Antunes na cidade permite uma aproximaí§í£o especial com o autor e sua representante. “Estamos muito contentes que, durate a inauguraí§í£o, poderemos brindar o sucesso de Adultério no paí­s; desde que foi publicado, ní£o saiu da lista de mais vendidos”.

Para maiores informaí§íµes: + 34 93 224 0107

A critica literaria e o leitor

A critica literária e o leitor

A critica literária e o leitor

A recepí§í£o da obra de Paulo Coelho pela crí­tica

 

(NOTA: a versí£o acima ní£o é a definitiva. Assim que receber a tese já corrigida, substituiremos)

#somostodosmacacos

(abaixo a análise feita pela Loducca a respeito da hashtag. Uma análise pertinente e lúcida)

Como toda manifestaí§í£o, o #somostodosmacacos – mesmo atingindo dimensí£o mundial e provocando uma discussí£o honesta sobre um tema, infelizmente, mais atual do que gostarí­amos – gerou algumas dúvidas sobre ele mesmo, sobre a forma e também sobre a participaí§í£o de uma empresa de comunicaí§í£o nele, nós. Por isso, estamos nos manifestando oficialmente sobre cada um dos principais temas levantados, alguns bastante pertinentes, outros, nem tanto ao nosso ver. Felizmente a maioria compreendeu a importí¢ncia e soube ver a maneira irí´nica e icí´nica (banana) que foi usada e, por isso mesmo, fez sucesso tí£o rápida e espontaneamente.

Como nasceu o #somostodosmacacos. Fatos.

Segundo o Daniel Alves em entrevista para a revista Placar após o incidente no jogo de 29/3, no jogo contra o Espanyol, onde alguns “torcedores” jogaram bananas no campo para os jogadores brasileiros do Barcelona, mas que tanto o Neymar Jr. quanto o Daniel Alves, ní£o viram na hora só tendo conhecimento do que aconteceu, mais tarde, pela imprensa. Quando souberam, ainda segundo Daniel Alves, Neymar teria comentado em tom de brincadeira que, “se tivesse visto a banana, teria comido”. Na volta para Barcelona, depois da derrota para o Granada, torcedores imitaram macacos quando Neymar Jr. estava chegando ao Camp Nou. Nesse momento, Neymar Jr., sabendo da responsabilidade mundial que tem, quis se manifestar contra o racismo e nos pediu, junto com Sr. Neymar e Eduardo Musa, que pensássemos em algo que pudesse ser feito nas redes sociais.
Por que nós? Há anos a Loducca orienta parte das aí§íµes de comunicaí§í£o do Neymar Jr., do Instituto etc. O natural seria conversar conosco.
Nos pareceu (e ainda nos parece) que fazer algo bem-humorado, irí´nico e que ridicularizasse as atitudes racistas teria maior capacidade de levantar a discussí£o, seria mais eficiente em tocar o coraí§í£o das pessoas do que algo que reclamasse, chorasse ou ficasse tentando reforí§ar um papel de ví­tima (caminhos que já foram seguidos em momentos diferentes, tíªm seus méritos, mas que ní£o tiveram a mesma repercussí£o). Ainda mais para uma pessoa com a personalidade alegre, brilhante e divertida como a do Neymar Jr. Tinha que ser algo como ele.
O que fizemos?
Criamos a hashtag “somos todos macacos” e a ideia de “mandar uma banana” para todos os racistas através de uma foto do Neymar comendo uma banana. E também um ví­deo onde explicamos a manifestaí§í£o do Neymar Jr.
Entí£o aconteceu de jogarem a banana para o Daniel Alves no jogo do Barcelona contra o Villareal, dia 27/4 , que imediatamente ” traí§ou a banana”.
Poucos devem duvidar que era o momento correto para iniciarmos o movimento que o Neymar Jr. queria, independentemente de ter acontecido com ele ou com o Daniel Alves.
Imediatamente Neymar Jr., que estava com seu filho naquele momento, bateu a foto (a que ficou conhecida mundialmente) e postou no twitter . Logo após o ví­deo.
Qual seria o erro do Neymar Jr. fazer uma manifestaí§í£o pública pensada e de maneira profissional? Ainda ní£o conseguimos descobrir.
Saber colocar um pensamento, uma ideia, no momento mais adequado e propí­cio para que ele tenha um impacto maior e melhor é oportunismo? Desde quando?

#somostodosmacacos é racista

Colocado como foi, ironicamente, na situaí§í£o (logo após a maravilhosa atitude do Daniel Alves), a hashtag, mais a imagem de Neymar com seu filho, ní£o chama os negros de macacos, mas LEMBRA OU ALERTA AOS BRANCOS que somos todos iguais, vindos “do mesmo macaco”. Este é um fato cientí­fico provado e comprovado (salvo alguns fanáticos que ainda questionam Darwin), ní£o uma opinií£o. Achamos que isso fica bastante claro no post do Neymar Jr. com o seu filho e no ví­deo que fizemos para esclarecer as motivaí§íµes e intení§íµes do movimento. Achamos 100% válido quem questiona se a hashtag do movimento é a melhor ou ní£o para alertar as pessoas contra o racismo (alguns acham que deveria ser #somostodoshumanos). Respeitamos e estamos abertos a discutir, ouvir e aprender. Mas nos parece desinformaí§í£o, má-fé ou algo pior quando alguns querem tentar dizer que estamos chamando exclusivamente os negros de macacos: somos todos macacos!

Se tem agíªncia de propaganda, ní£o deve ser coisa boa, ní£o vale.

O que é isso além de puro preconceito? O que é isso além de “atirar” bananas nos profissionais de comunicaí§í£o, em sua esmagadora maioria sí£o sérios, engajados pessoal ou profissionalmente em causas importantes. Engenheiros, médicos, jornalistas, TODOS podem querer usar seu expertise por um mundo melhor, menos os publicitários?! Faz sentido isso?

A agíªncia se aproveitou para aparecer ou, ao contrário, estava escondendo que tinha participaí§í£o

A agíªncia ní£o tinha nenhuma intení§í£o de assumir a paternidade da aí§í£o, já que a causa era é infinitamente maior do que isso. E também ní£o tivemos nenhuma restrií§í£o em assumir nossa participaí§í£o quando o repórter do Meio & Mensagem nos procurou dizendo que tinha informaí§íµes de que nós haví­amos participado. Ní£o havia do que se aproveitar, nem a esconder.

Celso Loducca

Fundaí§í£o Paulo Coelho (beta)

CLICQUE AQUI IR AO SITE DA FUNDAçíƒO PAULO COELHO

Se meu trabalho resistir ao tempo, sempre haverá curiosidade em saber como vivi meus dias.
Meus manuscritos. Meus diários. Os recortes de imprensa. As crí­ticas. As cartas dos leitores. E por aí­ vai.
Resolvi criar uma Fundaí§í£o Virtual onde todo este material poderá ser acessado – em qualquer lugar do mundo.

Um local fí­sico ní£o basta – a pesquisa seria limitada í queles que podem vir até Genebra, onde estamos instalando a Fundaí§í£o Paulo Coelho (abertura no final de 2014).
Assim, decidimos colocar todo o material na nuvem.
O portal que estí£o vendo é uma versí£o beta. Podem ocorrer muitos erros durante a navegaí§í£o.

Quem puder colaborar conosco, apontando melhoras, por favor enviar um email para Ertz Porfirio
Muito obrigado.

CLICQUE AQUI IR AO SITE DA FUNDAçíƒO PAULO COELHO

 
 

20 seg leitura: a águia

Um ovo de águia foi colocado, por acaso, no ninho de uma galinha. Quando o filhote nasceu, juntou-se aos pintinhos, e passou a depender da sua mí£e adotiva.

Aos poucos, porém, foi sentindo necessidade de voar.

Um belo dia perguntou para a galinha: “quando irei cruzar os céus?”

A pobre galinha, que ní£o sabia como ajudar fugiu da pergunta: “quando vocíª estiver preparado, eu lhe ensino”.

Passou-se mais um tempo, e a águia desconfiou que a mí£e ní£o sabia voar. Mas ní£o conseguia soltar-se e voar por si mesma.

“Por que ní£o bate as asas e sobe aos céus?” perguntavam seus irmí£os.

“Porque vou ferir minha mí£e, que me deu tanto carinho”, respon­dia a águia.

E por causa disto, jamais saiu do chí£o.

Por que não dou entrevistas?

EN ESPANOL AQUI —> ¿Por qué no doy entrevistas?
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Como já devem ter notado, faz tempo que ní£o dou entrevistas quando publico um novo livro. E isso ní£o se deve, de maneira nenhuma, a uma atitude de arrogancia ou desrespeito com jornalistas. Junto com os livreiros e os leitores, eles colaboraram muito para o meu sucesso.

Entí£o por que decidi parar com entrevistas – exceto para alguns amigos, com quem tenho laços de gratidão. Em “A Espiã”, resolvi substituir a entrevista pelo video cast (Facebook Mentions e Periscope )
Existem várias razoes para isso.

1] as comunidades sociais hoje me permitem chegar diretamente ao leitor, e dizer: “aqui está meu novo tí­tulo, leiam e recomendem se gostarem”. Portanto, a idéia de promover um livro através da mí­dia termina sendo redundante.

2] sempre precisei lutar com a idéia de explicar o que escrevi. Penso que o texto deve ser claro o suficiente.

3] os cadernos de cultura, que floresciam na minha época, terminaram acabando. A mais recente perda foi a Ilustrí­ssima, da Folha de São Paulo.

4] em virtude disso, surgem perguntas que ní£o tenho a menor paciência para responder, tais como “Explique o seu sucesso” ou “o que faz com seu dinheiro”. Nada que seja relacionado ao processo criativo em si.

Isso ní£o quer de maneira nenhuma dizer que NUNCA dou entrevistas.
Quando vejo um assunto que julgo importante opinar – como, por exemplo, defender o conteúdo livre na internet (Pirateiem tudo que escrevi) – eu estou sempre acessivel.

O mesmo ocorre quando se trata de promover autores que julgo relevantes – como por exemplo Khalil Gibran ou Malba Tahan, que iluminaram minha juventude. Jamais me furto de fazer com que minha palavra seja ouvida quando vejo alguma barbaridade no terreno polí­tico ou cultural.

Só para vocíªs terem uma idéia, meio bilhí£o de pessoas em todo o planeta leram meu texto contra a guerra no Iraque, Obrigado Presidente Bush.
Outro exemplo: quando Tony Blair foi convidado para ser “consultor” das Olimpí­adas do Rio, eu imediatamente me manifestei, e consegui impedir sua presení§a. ((leia aqui)

Esperam que me entendam. Ní£o vou ficar quieto quando precisar falar em alto e bom tom. Quanto ao mais, o que preciso dizer hoje em dia está nos livros ou nas comunidades sociais, que administro pessoalmente.

Paulo

Decidindo o destino alheio

Malba Tahan conta a história de um homem que encontrou um anjo no deserto, e lhe deu água. “Sou o anjo da morte e vim buscá-lo”, disse o anjo. “Mas como vocíª foi bom, vou lhe emprestar o Livro do Destino por cinco minutos; vocíª pode alterar o que quiser”.

O anjo entregou o livro. Ao folhear suas páginas, o homem foi lendo a vida dos seus vizinhos. Ficou descontente: “estas pessoas ní£o merecem coisas tí£o boas”, pen­sou. De caneta em punho, comeí§ou piorar a vida de cada um.

Finalmente, chegou na página de seu destino. Viu seu final trági­co, mas quando preparava-se para mudá-lo, o livro sumiu. Já se tinham passado cinco minutos.

E o anjo, ali mesmo, levou a alma do homem.

Culpar os outros é fácil

Hoje sou surpreendido com uma matéria no Valor Economico, que coloca em Luis Ruffato toda a culpa pelo fiasco que foi Frankfurt. O injusto tí­tulo é “O efeito Luis Ruffato nas letras”. Como o portal é fechado, aqui vai um trecho

Seja pelo alto orí§amento, pela seleí§í£o dos 70 escritores que faziam parte da delegaí§í£o oficial, pela ausíªncia-presení§a de Paulo Coelho ou pelo politizado e franco discurso de abertura que proferiu Luiz Ruffato, as crí­ticas marcaram a presení§a brasileira, pelo menos no que diz respeito í  imprensa nacional e também í  alemí£. O já batizado “Efeito Ruffato” pode ser traduzido nas palavras que o diretor da feira, Juergen Boos, laní§ou durante uma coletiva de imprensa: “A participaí§í£o brasileira destruiu a imagem que se fazia aqui na Alemanha de um paí­s colorido no qual ninguém trabalha, que é como 90% dos alemí£es viam o Brasil”.
Tantos poréns í  participaí§í£o brasileira em Frankfurt – e aí­ aparece outro desdobramento do efeito Ruffato – parece ter provocado medo a mais crí­ticas e, portanto, certa retraí§í£o que ameaí§a as novas homenagens que víªm aí­. A 50ª Feira do Livro Infantil de Bolonha (24 a 27 de marí§o) é o primeiro exemplo, com um orí§amento inicialmente de R$ 2,5 milhíµes anunciado pela Biblioteca Nacional para as atividades do Brasil, que foi reduzido a R$ 1,3 milhí£o e agora segue indefinido.

Isso é um absurdo. Nao estava lá, mas uma coisa sei: o discurso de Ruffato, muito bem feito, nao teve absolutamente nenhuma repercussí£o fora do Brasil. Alias, nenhum discurso de abertura da Feira de Frankfurt jamais teve – o interesse é zero. Sei disso porque em 2008 fui um dos convidados para a entrevista coletiva de abertura, e meus comentários tiveram repercussí£o apenas na Turquia, que era o paí­s homenageado.

Coloquemos os pingos nos “ii”: Por que eu me recusei a ir í  Feira?
Aqui está a razí£o: “Porque recusei o convite do Ministério da Cultura”
E, sem querer dar uma de profeta, acabei tomando uma das decisíµes mais acertadas de meu 2013.

O que listei foi o que fez com que a presení§a do Brasil ní£o tivesse nenhuma repercussí£o: falta de representatividade da delegaí§í£o convidada.
Hoje o ufanismo diz que “existem agora mais de 200 tí­tulos traduzidos para o alemí£o”, mas onde estí£o estes livros?
Em recente viagem í  Alemanha, NENHUMA das livrarias que visitei os tem em estoque.
Acompanhei tudo que saiu sobre a Feira durante o mes de outubro, e além da doení§a de nossos queridos Ziraldo e Cony, até mesmo a imprensa brasileira se esforí§ava para descobrir notí­cias inexistentes.
Pobres dos escritores que passaram o ano inteiro esperando por este momento, e que nem em jornais brasileiros tiveram seus nomes mencionados.

A imagem que saia nos poucos jornais estrangeiros que publicaram algo a respeito da presení§a brasileira era de gente deitada em uma rede, lendo um livro. Pode?

De quem é a culpa?
A curadoria listou 20 escritores representativos e outros 50 que praticamente ninguém tinha ouvido falar – uma visí£o sem visí£o, ultrapassada, regida pelas leis da pseudo-intelectualidade, totalmente obscurantista. A literatura brasileira ní£o estava representada ali. E seguramente a culpa NíƒO é de Luis Ruffato, que – pelo que li no jornal O Globo na semana passada – terminou com medo de ser agredido por outros participantes brasileiros.
(Nota: ní£o conheí§o Manuel da Costa Pinto, o curador da feira e crí­tico da Folha de Sí£o Paulo. O vi apenas uma vez, durante uma entrevista que dei para o progrma “Roda Viva”. Ní£o tenho absolutamente nada contra a pessoa, mas questiono seus critérios, assim como ele tem o direito de questionar meus critérios literários)

Ou seja: o Brasil perdeu uma excelente oportunidade de mostrar a forí§a de sua literatura jovem, diní¢mica, que atrai leitores para as livrarias.
O autor Nassim Nicholas Taleb, em seu livro “Black Swan”, usa um termo muito próprio: a falácia da narrativa. As pessoas desenvolvem toda uma teoria, comeí§am a repetir umas as outras a mesma história, terminam se convencendo que estí£o certas, e assim vivem felizes por algum tempo até que essa narrativa, totalmente falsa, cai por terra quando a teoria é aplicada.

A presení§a do Brasil na Feira de Frankfurt foi uma demonstraí§í£o clássica desta “falácia da narrativa”. Deu no que deu, e custou 19 milhíµes de reais.

30 sec leitura: a brasa solitária

Juan ia sempre aos servií§os dominicais de sua congregaí§í£o. Mas comeí§ou a achar que o pastor dizia sempre as mesmas coisas, e parou de frequentar a igreja.

Dois meses depois, em uma fria noite de inverno, o pastor foi visitá-lo.
“Deve ter vindo para tentar convencer-me a voltar”, pensou Juan consigo mesmo. Imaginou que ní£o podia dizer a verdadeira razí£o: os sermíµes repetitivos.
Precisava encontrar uma desculpa, e enquanto pensava colocou duas cadeiras diante da lareira, e comeí§ou a falar sobre o tempo.

O pastor ní£o disse nada.

Juan, depois de tentar inutilmente puxar conversa por algum tempo, também calou-se.
Os dois ficaram em silíªncio, contemplando o fogo por quase meia-hora.

Foi entí£o que o pastor levantou-se, e com a ajuda de um galho que ainda ní£o tinha queimado, afastou uma brasa, colocando-a longe do fogo.
A brasa, como ní£o tinha suficiente calor para continuar queimando, comeí§ou a apagar. Juan, mais que depressa, atirou-a de volta ao centro da lareira.

“Boa noite”, disse o pastor, levantando-se para sair.

“Boa noite e muito obrigado”, respondeu Juan. “A brasa longe do fogo, por mais brilhante que seja, terminará extinguindo rapidamente.
“O homem longe dos seus semelhantes, por mais inteligente que seja, ní£o conseguirá conservar seu calor e sua chama. Voltarei í  igreja no próximo domingo.”

Hangout com Jovem Nerd 09/10/2013

Mentiras, Morais, Marta e Mimimi que ní£o acaba

From: Paulo Coelho
Date: Sun, 06 Oct 2013 18:37:29 +0200
To: Fernando Morais

Que interessante link , Fernando.
Agora espero sinceramente que voce faí§a um post ali (ní£o um comentário, porque ninguem le comentário ali) contando em detalhes nossa conversa de segunda-feira
a] que a Marta te procurou duas vezes na segunda. Já havia te procurado antes [quereudo falar comigo], tenho email dela que voce me repassou
b] que o objetivo do seu telefonema era dizer que eu teria meu auditório de mil lugares, que ela tinha conseguido isso
dc] que eu demonstrei nao apenas espanto, mas irritaí§ao. EU NUNCA pedi isso, tinha um auditorio de 600 lugares na Feira, e um auditorio de 2.000 lugares no Maritm Frankfurt
d] enviei um email para voce, como pediu, para que repassasse para Marta. Ali mostrava minha surpresa e indignidade.

Ontem o escritor e biógrafo Fernando Morais (escreveu “O Mago”) me enviou um link de um portal, aparentemente ligado ao PT, com um post cheio de mentiras. Mentiras que podem ser comprovadas.

Fernando MOrais sabia que tudo era invení§í£o. Conversamos na segunda-feira, com testemunhas de ambos os lados, mas resumindo:

1 -há dias me informa que Marta Suplicy quer conversar comigo. Perguntou se podia dar meu email privado, eu disse que tudo bem.
2= Recebi um email de alguem do Gabinete de Marta, pedindo que entrasse em contato com ela urgente. Ní£o respondi.

Na segunda dia 30 de setembro, Fernando me enviou mais de uma mensagem via email. Disse que quando chegasse em casa telefonaria, e foi o que fiz. Fiquei horrorizado com o que me disse.
Ou
a] mentem para a ministra descaradamente
b] ela ní£o acompanha de perto o que está acontecendo.

c] Fernando me pediu que enviasse um email, que ele repassaria para Marta. Fiz isso

Tenho provas (minha agente em fevereiro pediu para que eu abrisse a Feira, e rebati na hora). Tanto o diretor da Feira, Juergen Boss, como a minha editora local, Diogenes, podem confirmar facilmente as mentiras.

Enviei o email que abre este post.
Pedi a Fernando para escrever ali (conhece os admins) e desmentir. Eu na verdade ní£o tinha a menor idéia do que estavam armando (embora deduzisse que estavam armando algo).

Pois bem: Fernando disse que podia escrever ali um comentário ali dizendo que o Brasil ní£o me valoriza (o que ní£o é verdade, mas isso é um outro tema).
Mas que ní£o ia se meter em “picuí­nhas”.
Eu disse que um comentário ali daria credibilidade ao que o post acusava.
Fernando, sempre tí£o correto, de repente mostrou que ní£o quer se envolver em “picuí­nhas”, quando o que está em jogo é um post mentiroso – mas de um blog ligado ao PT.

Fica o registro: minha biografia é absolutamente correta. Ní£o tem os erros do post

Escritores convidados Frankfurt 2013

Aqui está a delegaí§í£o de escritores da Feira do Livro de Frankfurt (fonte: Biblioteca Nacional )

Adélia Prado (Minas Gerais)

Adriana Lisboa (Rio de Janeiro)

Affonso Romano de Sant’Anna (Minas Gerais)

Age de Carvalho (Pará)

Alice Ruiz (Paraná)

Ana Maria Machado (Rio de Janeiro)

Ana Miranda (Ceará)

André Sant’Anna (Minas Gerais)

Andrea del Fuego (Sí£o Paulo)

Angela Lago (Minas Gerais)

Antonio Carlos Viana (Sergipe)

Beatriz Bracher (Sí£o Paulo)

Bernardo Ajzenberg (Sí£o Paulo)

Bernardo Carvalho (Rio de Janeiro)

Carlos Heitor Cony (Rio de Janeiro)

Carola Saavedra (Rio de Janeiro)

Chacal (Rio de Janeiro)

Cí­ntia Moscovich (Rio Grande do Sul)

Cristoví£o Tezza (Santa Catarina)

Daniel Galera (Rio Grande do Sul)

Daniel Munduruku (Pará)

Eva Furnari (Sí£o Paulo)

Fábio Moon e Gabriel Bá (Sí£o Paulo)

Fernando Gonsales (Sí£o Paulo)

Fernando Morais (Minas Gerais)

Fernando Vilela (Sí£o Paulo)

Ferréz (Sí£o Paulo)

Flora Süssekind (Rio de Janeiro)

Francisco Alvim (Minas Gerais)

Ignácio de Loyola Brandí£o (Sí£o Paulo)

Joí£o Almino (Rio Grande do Norte)

Joí£o Gilberto Noll (Rio Grande do Sul)

Joí£o Ubaldo Ribeiro (Bahia)

Joca Reiners Terron (Mato Grosso)

José Miguel Wisnik (Sí£o Paulo)

José Murilo de Carvalho (Minas Gerais)

Laurentino Gomes (Paraná)

Lelis (Minas Gerais)

Lilia Moritz Schwarcz (Sí£o Paulo)

Lourení§o Mutarelli (Sí£o Paulo)

Luiz Costa Lima (Maranhí£o)

Luiz Ruffato (Minas Gerais)

Manuela Carneiro da Cunha (Portugal – Sí£o Paulo)

Marí§al Aquino (Sí£o Paulo)

Marcelino Freire (Pernambuco)

Maria Esther Maciel (Minas Gerais)

Maria Rita Kehl (Sí£o Paulo)

Marina Colasanti (Rio de Janeiro)

Mauricio de Sousa (Sí£o Paulo)

Michel Laub (Rio Grande do Sul)

Miguel Nicolelis (Sí£o Paulo)

Nélida Piñón (Rio de Janeiro)

Nicolas Behr (Mato Grosso)

Nuno Ramos (Sí£o Paulo)

Patricia Melo (Sí£o Paulo)

Paulo Coelho (Rio de Janeiro)

Paulo Henriques Britto (Rio de Janeiro)

Paulo Lins (Rio de Janeiro)

Pedro Bandeira (Sí£o Paulo)

Roger Mello (Distrito Federal – Brasí­lia)

Ronaldo Correia de Brito (Ceará)

Ruth Rocha (Sí£o Paulo)

Ruy Castro (Minas Gerais)

Sérgio Sant’Anna (Rio de Janeiro)

Silviano Santiago (Minas Gerais)

Teixeira Coelho (Sí£o Paulo)

Veronica Stigger (Rio Grande do Sul)

Walnice Nogueira Galví£o (Sí£o Paulo)

Ziraldo (Minas Gerais)

“Por que recusou o convite do Ministério da Cultura?”

 
 

[ACIMA: HANGOUT COM JOVEM NERD, íšNICA ENTREVISTA QUE DEI PARA BRASIL
ABAIXO, ALGUNS TRECHOS DA ENTREVISTA. A MATERIA SAIU NO DOMINGO, DIA DE OUTUBRO, NA ALEMANHA.]

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logo_die_welt>Martin Scholz_Interview with Paulo Coelho for Welt am Sonntag, Sunday 06 October 2013


WELT AM SONNTAG: Na próxima semana, a maior feira literária do mundo abre suas portas em Frankfurt. O Brasil é o paí­s de honra, mas vocíª que é o autor brasileiro de maior sucesso ní£o participará. Por que recusou o convite do Ministério da Cultura?

PAULO COELHO: Estou em constante contato com jovens escritores do meu paí­s. Mas quando o governo chega para apresentar oficialmente a cultura brasileira em outros lugares, infelizmente esses sí£o ignorados e a polí­ticagem interna acaba predominando. O Ministério da Cultura do Brasil convidou 70 pessoas para irem í  Frankfurt…

WaS: 70 escritores.
PC: Eu duvido que sejam todos escritores profissionais. Dos 70 escritores convidados (LISTA AQUI) , eu conheí§o apenas 20, entí£o os outros 50 nunca ouvi falar. Presumo que sejam amigos de amigos de amigos. Nepotismo. O que me incomoda mais: EXISTE uma nova e excitante cena literária brasileira. Mas a maioria desses jovens autores ní£o está nessa lista.

WaS: Por que vocíª ní£o exerceu sua influíªncia como membro da Academia?
PC: Falei publicamente e conversei com muitos colegas escritores que ní£o foram convidados para Frankfurt como Eduardo Spohr, Carolina Munhóz, André Vianco, Felipe Neto e Raphael Draccon, só para mencionar alguns nomes. Eu tentei ao máximo levá-los para a feira, mas sem sucesso. Entí£o, por protesto, eu DECIDI ní£o ir mais para Frankfurt, o que foi uma decisí£o difí­cil por diversos motivos. Primeiro porque eu sempre quis ser convidado para um evento como este pelo meu governo, mas também porque tenho fortes laí§os com a Feira de Frankfurt, especialmente com seu diretor Jürgen Boos, que ní£o só reconheceu o processo de transformaí§í£o do impresso para o digital, como colocou o tópico até na programaí§í£o da feira. Ele iniciou vários fóruns e painéis com o assunto. Outras feiras do mesmo molde, como a de Genebra e Paris estí£o deteriorando porque se prendem a antigos conceitos. Eu NíƒO vou para Frankfurt mesmo com a alta estima que tenho por essa feira porque simplesmente ní£o aprovo o modo que está sendo representada a literatura brasileira. Ní£o quero posar de um Robin Hood brasileiro. Nem de Zorro ou Cavaleiro Solitário. Mas ní£o pareceria certo ser parte da delegaí§í£o oficial brasileira, do qual ní£o conheí§o a maioria dos escritores e que exclui tantos outros.

WaS: Isso te deixa claramente chateado.

PC: Porque isso é apenas um dos diversos pontos crí­ticos do atual cenário governamental brasileiro. Eu apoiei esse governo e estou muito decepcionado com isso. Existe uma lei que permite grandes empresas como a Volkswagen investirem parte de seus impostos em projetos culturais. Essa lei foi modificada de tal forma que a alta costura brasileira é sustentada por essas taxas – uma indústria que ní£o precisava desse tipo de apoio de forma alguma. Esse é apenas um detalhe, mas é um exemplo do que acontece em larga escala. Para mim, o atual governo brasileiro é um desastre. Onde quer que eu vá, as pessoas sempre me perguntam o que está acontecendo de errado em meu paí­s. O governo fez grandes promessas e ní£o as manteve. Isso é o que está acontecendo de errado.

WaS: Recentemente centenas de milhares de pessoas em mais de 140 cidades protestaram contra a corrupí§í£o, má gestí£o e desigualdade social. O que passa pela sua mente quando víª todas essas imagens de tumultos nos noticiários?
PC: Estou muito preocupado, sobretudo porque ní£o parece ter um fim breve. Tudo comeí§ou quando aumentaram as tarifas de í´nibus. E quando, após a Copa das Confederaí§íµes, um paí­s louco por futebol como o Brasil admitiu publicamente que temos problemas mais urgentes que modernizar nossos estádios para o Campeonato Mundial – isso já foi uma grande declaraí§í£o. No entanto, todo mundo foi pego de surpresa pelo escopo de raiva pública. Porque o Brasil tinha sido cotado como o novo paí­s do momento. O problema é que uma grande parte da populaí§í£o ní£o tem sido capaz de lucrar com esse momento. A violíªncia no Rio de Janeiro é um grande problema. O governador prometeu encontrar uma soluí§í£o, mas ele ní£o manteve sua promessa. Sí£o Paulo ní£o tem uma situaí§í£o melhor. Ní£o importa onde vocíª olha, o demí´nio da corrupí§í£o está olhando de volta pra vocíª. Em uma situaí§í£o tí£o tensa, elevar as tarifas de í´nibus parece ter sido a gota d’água para quebrar as costas do camelo. Pessoas respondem coisas desse tipo. Com a minha fundaí§í£o apoio crianí§as carentes de favelas durante anos, sem nunca ter recebido apoio financeiro ou até mesmo uma palavra de reconhecimento por parte do governo. Eu me encontro em uma situaí§í£o semelhante í  de muitos colegas brasileiros. Eu votei no governo de esquerda, pelo qual tinha grandes esperaní§as. Estive cego por muito tempo, ní£o querendo ver o que acontecia de errado. E eu me mantenho pela minha crí­tica.


WaS: Nestas circunstí¢ncias, o que vocíª espera do campeonato mundial no próximo ano? O ex-craque Ronaldinho mostrou pouca simpatia pelos manifestantes. Ele disse que campeonatos ní£o eram sobre construí§íµes de hospitais ou ruas, mas sim de estádios.

PC: Essa foi uma observaí§í£o muito estúpida. Ronaldinho deveria ter mantido sua boca fechada. Claro que hospitais, escolas e acima de tudo um bom sistema de transporte público sí£o mais importantes para um paí­s como o Brasil que estádios de futebol. O transporte público ainda é um grande problema no Brasil. A infraestrutura ní£o é apenas ruim, mas uma decadíªncia total. No entanto, ní£o perdi por completo a esperaní§a que antes da Copa vamos chegar aos nossos sentidos e usar os investimentos para o campeonato de uma forma que os brasileiros possam lucrar, mesmo após os jogos. Estou em dúvida, no entanto. Mas agora estou falando há um tempo sobre o Brasil e percebi que ní£o pintei um quadro muito positivo do meu paí­s.

WaS: Isso é ruim?
PC: Ní£o, vocíª pode manter isso. Especialmente porque já expresso parte dessa crí­tica no Facebook e no Twitter, embora em pequenos pedaí§os e ní£o em um grande bloco como está sendo agora em nossa conversa. Essa é a grande coisa sobre redes sociais. Se eu tenho algo a dizer, digo. Ní£o preciso dar longas entrevistas a jornalistas que predominantemente ví£o procurar fraquezas e argumentos falhos e focar neles diversas vezes. Hoje em dia, eu prefiro dividir os meus comentários imediatamente com os meus 8,5 milhíµes de seguidores no twitter, ou com meus 12 milhíµes de amigos no Facebook. Instantaneamente. Globalmente.

WaS: A revista Forbes declarou que vocíª é a segunda personalidade mais influente no twitter depois de Justin Bieber. No Facebook vocíª agora tem mais seguidores do que Madonna. Ní£o se torna assustador ter este número crescente de devotos on-line esperando que vocíª díª um significado a suas vidas?
PC: Nem um pouco. Eu gosto de participar de redes sociais porque é divertido e acho gratificante. Agora estou ligado aos meus leitores de todo o mundo de uma maneira que antes das redes sociais emergirem ní£o era possí­vel. Deixe-me dar-lhe um exemplo: sessíµes de autógrafos costumavam ser frustrante. 200 ou 300 pessoas ficavam muito felizes, porque conseguiam um autógrafo meu. Muitos outros ficavam irritados porque tinham esperado na fila e foram mandados para casa de mí£os vazias, já que ní£o posso assinar livros por oito horas a fio.

WaS: Mas para enviar mensagens no Twitter e no Facebook para seus fí£s em todos os cantos do mundo, todos os dias, pode ser cansativo também, certo?

PC: Eu ní£o preciso estar on-line todos os dias e ní£o estou. Vocíª ní£o tem que escrever um livro a cada dia a fim de se considerar um escritor, ní£o é? Eu uso o twitter e posto no Facebook quando quero.

WaS: Vocíª tem vontade de salvar o mundo através das redes sociais?

PC: Eu ní£o quero salvar o mundo, eu meramente construo algumas pontes. E atualmente ní£o sou o único. O novo presidente iraniano abriu sua conta própria no Twitter (ou teve alguém para fazer isso por ele) e escreveu: “Feliz ano novo, meus amigos judeus”. Uma pequena mudaní§a paradigmática, que ní£o deve passar despercebida.

WaS: O que vocíª diz a seus colegas escritores que consideram Blogs e Twitter uma perda de tempo?
PC: Francamente, eu ní£o entendo a recusa. As redes sociais permitem que vocíª experimente novas formas de escrita. Eu escrevo de uma forma diferente para um blog, um romance, tweet ou em um post no Facebook. Nas redes sociais, posso discutir temas que meus leitores ou eu consideramos importantes. Isso ní£o significa que todos esses posts tenha que transformar em um livro. Mas através dessas redes posso chegar a uma comunidade gigantesca. Pessoas que ní£o ví£o mais a muitas livrarias e sí£o pouco interessadas em livros. Eles pensam que livros sí£o chatos. Minha experiíªncia é a seguinte: se eu publicar textos na internet, posso interessa-los em os meus livros. Ní£o devemos demonizar essas novas formas de comunicaí§í£o.
Também acho desconcertante quando os meus colegas escrevem: “a internet mata literatura” e em seguida publicam esses textos online. Eles escrevem na internet para reclamar da internet. Isso é como ser casado e só falar com sua esposa a fim de reclamar dela. Isso ní£o funciona.

WaS: Vocíª recentemente chocou o mundo editorial com um experimento altamente incomum. Em seu site incentiva usuários a baixar vários formatos e traduí§íµes de seus próprios livros. Gratuitamente. No entanto, as vendas de seus livros impressos continuam a aumentar apesar disso ou por causa desses downloads gratuitos, o que causa curiosidade entre a indústria editorial que está convenientemente ignorada. Por que ninguém lhe imitou ainda?

PC: Eu ní£o tenho resposta para isso. Eu fico me repetindo: se vocíª é um verdadeiro artista, entí£o o seu principal objetivo é ser notado.

WaS: Na verdade, vocíª já era um autor best-seller antes mesmo da chegada de downloads – que acabou sendo uma ferramenta de marketing interessante para impulsionar ainda mais suas vendas.
PC: Isso é o que eu continuo ouvindo: Paulo Coelho pode se dar ao luxo de permitir downloads gratuitos de seus livros, porque ele já é famoso. Eu sempre discordo: “eu sou quem eu sou hoje porque sempre tomo riscos e porque estou aberto a novas ideias”. Muitos colegas dizem: “eu ní£o dou os meus livros gratuitamente na internet”. O que já mostra que eles ní£o entendem o núcleo do mundo digital – que compartilhar termina somando ao invés de dividir.  Ní£o consigo explicar por que meus livros impressos vendem melhor hoje do que antes dos meus compartilhamentos, mas o que parece ser o caso é que a maioria dos leitores que baixa o primeiro livro de graí§a, depois sentem certa obrigaí§í£o de comprar o livro impresso. Pelo menos os jovens escritores ní£o parecem pessimistas com as redes sociais. Muitos jovens escritores brasileiros abraí§am essas oportunidades. Para eles sou um pouco de modelo. Eles até inventaram um bom apelido para mim: me chamam de Mago dos Nerds.

WaS : Isso é um elogio?
PC: Eu acredito realmente que sim.

A foto e seu autor

André Barcinski sumiu do Twitter ( WTF??? ) mas continua com seu blog na Folha de Sí£o Paulo
Sou leitor do mesmo.

Hoje, vendo um lindissimo post sobre a emoí§í£o causada pelo Boss cantando Sociedade Alternativa
(Bruce toca Raul e a gente chora )
resolvi fazer uma coisa que raramente faí§o: colocar um comentário ali.

Jamais posto comentários aní´nimos, por sinal.

E eis que descubro o autor da foto abaixo!
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Nas palavras do próprio André:

Andre Barcinski comentou em 21/09/13 at 11:48 Responder

Muito legal te ver por aqui, Paulo, e muito obrigado pelos esclarecimentos. Também tenho um esclarecimento a fazer: sabe aquela foto famosa sua com o Raul, nesse show do Canecí£o? Acho que é a última foto de vocíªs dois juntos, certo? Pois é, fui eu que fiz. Eu trabalhava pro Jornal do Brasil e fotografei o show. Essa foto circula muito, mas nunca com o crédito. Tenho um orgulho danado de ter registrado esse momento. Grande abraí§o pra vocíª e apareí§a mais vezes aqui no blog, por favor.

Como André ní£o tem Twitter, se algum amigo dele ler este post, favor avisa-lo

Frankfurt I

Neste final de semana, um colunista, uma revista e um jornal entraram em contato comigo para saber se ní£o vou í  Feira do Livro de Frankfurt por causa da “desorganizaí§í£o.” Talvez esse interesse tenha ocorrido por causa dos frequentes tuites que postei sobre o Ministério da Costura (antes conhecido por Ministério da Cultura, mas que no momento se dedica a justificar os subsí­dios da Lei Rouanet í  alta costura: Marta Suplicy libera verba para desfiles de luxo )

Preciso esclarecer alguns pontos:

ORGANIZAçíƒO
Embora eu seja convidado da delegaí§í£o oficial, quem organizou minha ida foi minha editora alemí£.
Portanto, tenho hotel (com banheiro no quarto!), carro, etc.
“Banheiro no quarto, o que é isso? ” alguém perguntará.
O fato é que o Brasil, embora já saiba há anos que seria o convidado de honra em 2013, reservou quartos sem banheiro para escritores. Leio na coluna de Ancelmo Gois nesta sexta: A ministra Marta Suplicy reconhece que ainda ní£o foi escolhido o lugar onde ví£o ficar hospedados os 70 escritores da delegaí§í£o brasileira na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, dia 8 de outubro:”” Mandei fazer uma nova licitaí§í£o depois que descobri que o hotel dos nossos escritores ní£o tinha banheiro nos quartos.
Vamos torcer para que consigam hotéis na cidade. Ou os escritores terí£o banheiro no quarto, mas precisarí£o viajar todos os dias no mí­nimo por 1:30 hr (40 min para ida + volta) , já que os hotéis – no momento – estí£o completamente lotados.

A ENTREVISTA
Nesta quinta feira, dia 5, resolvi dar uma única entrevista, para o maior jornal alemí£o, Die Welt. A entrevista será publicada no domingo, dia 6 de outubro.
O jornalista disse que ní£o conhecia absolutamente ninguém da lista.
Minha editora alemí£, Ruth Geiger, presente na entrevista, disse que o comentário em Frankfurt é o seguinte: “ao invés de trazer escritores consagrados, o Brasil optou por trazer desconhecidos e assim mostrar a nova face da literatura brasileira”.

QUEM É QUEM?
Vejam aqui: Lista de escritores brasileiros convidados para a Feira de Frankfurt 2013
Dos 70 nomes, conheí§o 22, e já li 17 autores – que realmente merecem estar ali. O resto simplesmente ní£o tenho idéia de quem seja.
Mas checando um por um dos 48 que nunca ouvi falar, descobri que estí£o longe de ser “a nova face da literatura brasileira”.
Pedi a algumas pessoas que me dissessem quais autores conheciam. A contagem variou entre quatro e cinco. E vocíª, quantos conhece?

BIENAL DO LIVRO RIO DE JANEIRO
Encerrada ontem, e merecidamente homenageando o Ziraldo, podemos ler em qualquer jornal os autores nacionais que fizeram sucesso junto ao público: a verdadeira nova literatura brasileira.
Veja o que escreve Raquel Cozer na Folha de Sí£o Paulo: A hora dos nacionais
Alguns exemplos: Andre Vianco, Felipe Neto, Carolina Munhoz, Eduardo Sphor, Raphael Draccon, e muitos mais. Além destes, temos Deive Passos e Alexandre Ottoni, autores do Protocolo Bluehand – que ní£o estiveram na Bienal mas escreveram um livro fantástico.
Nenhum deles está na lista.

O MINISTÉRIO DA CULTURA/COSTURA E MEU TRABALHO
EU nunca tive nenhuma traduí§í£o subsidiada pelo governo (agora apareceu um chiníªs que pediu, mas sem minha permissí£o ou conhecimento). Meus livros estí£o em 72 linguas, detenho o recorde de autor vivo mais traduzido do mundo. Sou publicado em 155 paí­ses.
O Ministério da Cultura nunca me ajudou. Ní£o entrei na lista oficial de Frankfurt 1994 (ainda bem, foi um desastre).
Em 1998, fui vetado pela Biblioteca Nacional para participar do Salon du Livre de Paris, embora tivesse 3 livros na lista dos mais vendidos na Franí§a (participei a convite de minha editora francesa, e foi fantástico).
Em 2008, o patético ex-ministro Juca Ferreira desmarcou em cima da hora sua presení§a na festa organizada por meus editores, celebrando í quela altura 100 milhíµes de livros vendidos ( por sinal, nunca devolveu o convite).

MUDA BRASIL
Em junho deste ano, assistimos as manifestaí§íµes que pediam mudaní§as estruturais. Pelo visto, a mudaní§a até agora foi permitir que a Lei Rouanet apoie desfile de moda.
Na época, postei um tuite dizendo que estou seriamente repensando minha presení§a em Frankfurt. Ainda ní£o decidi nada, mas se deixar de ir ní£o será por falta de organizaí§í£o.
Será por ní£o compactuar com o que o governo brasileiro quer mostrar ali.

Como diz Reinaldo Azevedo, de quem discordo em genero, número e grau de tudo que posta sobre polí­tica, mas concordo com tudo que posta sobre cultura: volto ao assunto mais adiante.

Minha vida em 750 GB

Em 1996 realizei, junto com minha mulher Christina Oticica, um grande sonho. A criaí§í£o do Instituto Paulo Coelho, uma instituií§í£o sem fins lucrativos, financiada exclusivamente por meuss direitos autoraisinst00
Em seguida, veio aquela pergunta de sempre: caso o meu trabalho ainda seja lembrado no futuro, o que fazer com todo o material que tenho, e que pode servir para pesquisas? Costuma-se ver o sucesso como um mar de rosas, e eu queria dar a todos a possibilidade de ver que ní£o é bem assim. Desta maneira, as pessoas lutariam por seus sonhos com mais seguraní§a, sabendo que existem muitas armadilhas no caminho.
A resposta para tal pergunta me pareceu simples:
a] criar uma Fundaí§í£o com todo o material que tenho, da certidí£o de nascimento dos meus pais í s crí­ticas negativas,
das fotos de infí¢ncia í s fotos da carreira
dos originais digitalizados de todos os meus livros até os recibos de viagem que guardava em minhas prinmeiras andaní§as pelo mundo.
infancia1[1]Paulo-Coelho--008

b] permitir que pessoas do planeta inteiro tivessem acesso a ela, já que meus livros estí£o editados em 72 lí­nguas e presentes em mais de 150 paí­ses.

A partir de 2001 o arquivo comeí§ou a ser digitalizado, e desde entí£o é atualizado sistematicamente.
Tal material é colocado na “nuvem” (ainda com acesso restrito), e poderá no futuro ser visualizado em qualquer canto da Terra.

Mas com dezenas de milhares de documentos, fotos, certidíµes, etc., de 1947 até hoje, onde chegamos?
750
Até o momento, em 750 GB. O disco em questí£o cabe no bolso do meu paletó.

Comeí§amos a procurar um lugar para a Fundaí§í£o fí­sica. Mas honestamente, quem se interessaria por isso?
O meu ego. O ego da minha mulher.
E mais ninguém.
E as dores de cabeí§a resultantes de uma fundaí§ao fí­sica, com funcionários, exposií§í£o, programaí§í£o cultural, etc. ní£o compensam. Resolvemos, portanto, manter apenas a Fundaí§í£o Virtual, e uma sala de 150 m2 onde todo o material será guardado em papel.
Desistimos da idéia.

Lembrei disso hoje por causa da conferíªncia de Silvio Meira, Professor do Centro de Informaí§í£o da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e cientista-chefe do Centro de Estudos de Sistemas Avaní§ados do Recife. Na excelente matéria de Raquel Cozer, na Folha de Sí£o Paulo, Silvio diz:
“Me perguntaram quando vai ter livraria em Taperoá, cidade de 12 mil habitantes onde nasci. Respondi: ‘Nunca. Nem vai precisar. Provavelmente nem de biblioteca vai precisar’.”

Fica o registro.