10 seg leitura: onde Deus vive


 

Entre a Franí§a e a Espanha existe uma cadeia de montanhas.
Nesta cadeia de montanhas existe uma aldeia chamada Argeles-Gazost.
Nesta aldeia, existe uma ladeira que leva até o vale.

Todas as tardes, um velho passeia por ali.
Quando fui a Argeles a primeira vez, ní£o reparei.
Da segunda vez, vi que sempre cruzava comigo.
E cada vez que eu visitava aquela aldeia, reparava em mais detalhes – a roupa, a boina, a bengala, os óculos.

Uma única vez conversei com ele. Querendo brincar, perguntei:

“Será que Deus vive nestas lindas montanhas a nossa volta?”

“Deus vive nos lugares onde deixam Ele entrar”, foi a resposta.
 
 

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30 SEG LEITURA: Um santo no lugar errado

IN ENGLISH, CLICK HERE: A saint in the wrong place
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Illustration by Ken Crane

“Por que existem pessoas que saem facilmente dos problemas mais complicados, enquanto outras sofrem por problemas muito pequenos, morrem afogadas num copo de água?”

Ramesh simplesmente sorriu e me contou um história.

… “Era uma vez um sujeito que viveu amorosamente toda a sua vida. Quando morreu, todo mundo lhe falou para ir ao céu. Um homem tí£o bondoso quanto ele somente poderia ir para o Paraí­so.
Ir para o céu ní£o era tí£o importante para aquele homem, mas mesmo assim ele foi até lá.

Naquela época, o céu ní£o havia ainda passado por um programa de qualidade total. A recepí§í£o ní£o funcionava muito bem. A moí§a que o recebeu deu uma olhada rápida nas fichas em cima do balcí£o e, como ní£o viu o nome dele na lista, lhe orientou para ir ao Inferno.

E, no Inferno, ninguém exige crachá nem convite, qualquer um que chega é convidado a entrar. O sujeito entrou e foi ficando…

Alguns dias depois, Lúcifer chega furioso í s portas do Paraí­so para tomar satisfaí§íµes com Sí£o Pedro:

– Isso que vocíª está fazendo é puro terrorismo!!

Sem saber o motivo de tanta raiva, Pedro pergunta do que se trata. Um transtornado Lúcifer responde:

– Vocíª mandou aquele sujeito para o Inferno e ele está me desmoralizando! Chegou escutando as pessoas, olhando-as nos olhos, conversando com elas. Agora, está todo mundo dialogando, se abraí§ando, se beijando. O inferno ní£o é lugar para isso! Por favor, traga este sujeito para cá!”

Quando Ramesh terminou de contar esta história olhou-me carinhosamente e disse:

– Viva com tanto amor no coraí§í£o que se, por engano, vocíª for parar no Inferno, o próprio demí´nio lhe trará de volta ao Paraí­so.”

Uma história sobre minha história


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Depois de ter comentado no Twitter, anteontem, sobre a visita de Carollna Kotscho – para a leitura final do roteiro do filme sobre minha vida – fiquei impressionadissimo com a quantidade de gente (brasileiros e estrangeiros) que me pediu detalhes a respeito.
Portanto, em deferencia aos meus amigos aqui no Twitter, fiz um resumo de nosso encontro.

Um pouco de história
Em 2005, quando assisti “Os dois filhos de Francisco”, perguntei a um amigo se conhecia a pessoa que fez o roteiro do filme. Tinha interesse de encontra-la apenas para conversar sobre a maneira brilhante de contar uma história que, em principio, nao me interessaria nada, e terminou me comovendo. Meu amigo conhecia a autora, Carolina Kotscho.
Nos encontramos e conversamos. Durante a conversa, veio a ideia de fazer um filme sobre minha vida. Eu hesitei, mas Carol foi persistente. Finalmente terminei cedendo.
Algumas semanas depois, os produtores entraram no jogo.

2005 a 2011
Durante os dois anos seguintes, duas coisas aconteceram em paralelo: por um lado, Carol comeí§ou uma pesquisa intensa sobre minha vida, e por outro lado um batalhí£o de advogados americanos sentou-se com minha agente, Monica Antunes, para acertar os detalhes do contrato.
A conversa com os advogados parecia ní£o levar a lugar nenhum. Queriam ter controle sobre minha história – que me possui, e foi vivida com muito sangue, suor, e lágrimas.
Ní£o contente em fuí§ar todos os meus arquivos pessoais, antigos diários, etc, Carol queria encontrar-se comigo todos os meses.
Eu já tinha dado tres longas entrevistas sobre minha vida. A primeira para o jornalista do El Pais, Juan Arias, que resultou no livro “Confissíµes de um peregrino”, a segunda para o biógrafo Fernando Morais, que escreveu a biografia “O Mago”, e a terceira para Herica Marmo, resumida ao periodo musical, que teve como resultado o excelente “A caní§í£o do mago”, a mais completa publicaí§í£o a respeito de minha encarnaí§í£o como letrista.
Ou seja: estava (e continuo, diga-se de passagem) farto de falar a respeito de mim mesmo.
Mas Carol nao desistiu.
E assim, nos anos seguintes, nos encontramos em diferentes paí­ses (Brasil, Turquia, Alemanha, Franí§a, Austria). O resultado sí£o os dez DVDs que voces podem ver na foto, í  minha direita. Se fossem em CD, teriamos uma pilha de 67 discos!
Os advogados resolveram todas as centenas de itens pendentes (como deve ser distribuí­do fora do Brasil, ní£o querem correr nenhum risco), os produtores montaram o esquema empresarial do projeto.
Todos fizemos um pacto: ní£o falariamos sobre o assunto até que chegassemos ao roteiro final.

O roteiro final
Ontem, dia 28 de abril de 2011, nos encontramos para a leitura final do roteiro. Cabe lembrar aqui eu eu ní£o tinha lido nenhuma das muitas versíµes anteriores.
Era a primeira vez que iria escutar como seria minha história nas telas.
Eu tinha tres perguntas para Carol:
– Quem é o diretor? Quem irá me interpretar? Quando estreia?
Ela respondeu a primeira pergunta com outra:
– Quem voce gostaria que fosse o diretor?
– Clint Eastwood.
Carol nao gostou muito. Disse que qualquer diretor americano iria reescrever por completo o roteiro. Pelo visto tem uma carta na manga, mas ní£o revelou.
Quanto í s outras duas perguntas:
Quem irá me interpretar é um ator muitissimo mais bonito que eu! Nao posso dizer o nome aqui porque o contrato nao está assinado, mas o ego inflou: será que ela me víª desta maneira?
Diga-se de passagem que considero este ator o MELHOR da atualidade. Mas Carol ní£o sabia disso.
Finalmente, a data de estreia está prevista para o final de 2012.

Uma vez respondida minhas perguntas, carol pegou uma camera de video, dois gravadores (isso já tinha acontecido antes, e vejo que, apesar de trabalhar em cinema,desconfia muitissimo da tecnologia) e me disse:
– Tenho 123 perguntas, relativas as 123 cenas do filme.
Abraxas!
Ha dois anos praticamente nao dou entrevistas (nao dei nenhuma quando O ALEPH foi publicado e, graí§as a Deus,nao foi por falta de interesse da imprensa). E apesar dos 10 dvds, carol ainda nao estava satisfeita. precisava fazer uma “verificaí§ao final” por “motivos legais”. Assim exigiram os advogados.
No final de cada cena eu deveria afirmar se era verdade, mentira, ou se tinha alguma coisa para acrescentar.
Afirmei “verdade” em todos os capitulos.
A medida que a leitura prosseguia, eu redescobria a mim mesmo. Me perguntava em silíªncio: ” por que agi assim? de onde veio a coragem para superar tal situaí§ao? como é que pude ser tao agressivo diante de tal experiencia?”
Eu era inteiramente a pessoa do filme (ou seja, os fatos eram reais) mas ao mesmo tempo parecia que estavamos falando de um outro Paulo, que me surpreendia a cada etapa.
Foram tres horas de emoí§í£o, surpresa, e alegria. O roteiro está ótimo.

Volta ao pacto
E todo o grupo envolvido retorna ao pacto original: ninguem tornará a falar mais sobre o assunto até que o filme esteja na produí§í£o final.
Exceto por Carol, que dará um entrevista (prometida há mais de um ano, para o “Hollywood Reporter” )
Uma vez feito isso, se conseguimos manter o projeto secreto por cinco anos, ní£o será dificil continuar com o silíªncio.
É uma decisí£o que sempre pautou minha vida: fale apenas quanto as coisas estiverem prontas.
O roteiro está pronto e eu falei sobre ele. Mas o filme ní£o está.
Ou seja, a parte deste texto que coloco aqui, ní£o haverá nenhum outro – ou notas para a imprensa – até outubro ou novembro de 2012.

P.S – Carol é mulher de Braulio Mantovani – que tem a seu credito, entre outras coisas, os roteiros de “Cidade de Deus”, “Tropa de Elite” e “Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro”, e portanto, assiim que terminamos a conversa, aprendi muití­ssimo sobre os bastidores de ambos os filmes…

LEITURA DE 20 SEG: O asilo

EN ENGLISH CLICK HERE: The Asylum
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uma história de Kahlil Gibran
 

Eu estava andando nos jardins de um asilo de loucos, quando encontrei um jovem rapaz, lendo um livro de filosofia.

Por seu jeito, e pela saúde que mostrava, ní£o combinava muito com os outros internos.

Sentei-me ao seu lado, e perguntei: “O que vocíª está fazendo aqui?”

Ele me olhou surpreso. Mas, vendo que eu ní£o era um dos médicos, respondeu:
“É muito simples. Meu pai, um brilhante advogado, queria que eu fosse como ele.
“Meu tio, que tinha um grande entreposto comercial, gostaria que eu seguisse seu exemplo.
“Minha mí£e desejava que eu fosse a imagem de seu adorado pai.
“Minha irmí£ sempre me citava o seu marido como exemplo de um homem bem-sucedido.
“Meu irmí£o procurava treinar-me para ser um excelente atleta como ele.

“E o mesmo acontecia com meus professores na escola, o mestre de piano, o tutor de inglíªs. Todos estavam convencidos e determinados que eram o melhor exemplo a seguir. Ninguém me olhava como se deve olhar um homem. Mas como se olha no espelho”.

“Desta maneira, eu resolvi internar-me neste asilo. Pelo menos aqui eu posso ser eu mesmo”.

 
 

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20 seg leitura: Não me deixe implorar para acalmar a minha dor

IN ENGLISH: Let me not beg for the stilling of my pain

Senhor, não me deixe rezar para ser protegido dos perigos,
mas para ser destemido ao encará-los.Não me deixe implorar para acalmar a minha dor,
mas para ter a coragem de suporta-la.

Não me deixe ficar apenas procurando aliados nas batalhas da vida,
mas que eu aprenda a contar com minha própria força.

Que eu não fique ansioso, esperando para ser salvo,
mas que tenha paciência para conquistar a minha liberdade.

Faze com que eu não seja um covarde,
embora conte sempre com a Sua misericórdia;

E que eu esteja ao alcance de Sua mão nos momentos de derrota

por Rabindranath Tagore

 

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Revolucionário e rebelde

IN ENGLISH: Revolutionary and rebel
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EN ESPANOL: REVOLUCIONARIO Y REBELDE
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Khalil Gibran diz que, há 20 séculos, os homens adoram a fraqueza na pessoa de Jesus e ní£o compreendem Sua forí§a.
Jesus ní£o viveu como um covarde e ní£o morreu queixando-se e sofrendo.
Viveu como revolucionário e foi crucificado como rebelde.

“Ní£o era um pássaro de asas partidas, mas uma tempestade violenta, que quebrava as asas tortas.
“Ní£o era uma ví­tima dos seus perseguidores e ní£o sofreu nas mí£os de seus executores – mas era livre diante de todos.
“Ele veio insuflar uma alma nova e forte, que faz de cada coraí§í£o um templo, de cada alma um altar e de cada ser humano um sacerdote.”

Olhando com cuidado sua vida, veremos que, embora soubesse que sua Paixí£o era inevitável, procurou nos dar o sentido da alegria em cada gesto.
Ele deve ter pensado bastante antes de decidir qual o primeiro milagre que devia realizar.
Deve ter considerado a cura de um paralí­tico, a ressurreií§í£o de um morto, a expulsí£o de um demí´nio, algo que seus contemporí¢neos considerassem como “uma atitude nobre”; afinal, era a primeira vez que se mostraria ao mundo como o Filho de Deus.

E está escrito: seu primeiro milagre foi transformar água em vinho – para animar uma festa de casamento.

Que a sabedoria deste gesto nos inspire, e esteja sempre presente em nossas almas: a busca espiritual é compaixí£o, entusiasmo e também alegria.
 
 

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Somos diferentes

Um samurai, conhecido por todos pela sua nobreza e honestidade, veio visitar um monge Zen em busca de conselhos.

– Por que estou me sentindo tí£o inferior? – perguntou, assim que o monge acabou de rezar. – Ao víª-lo meditando, senti que minha vida ní£o tinha a menor importí¢ncia.

– Espere. Assim que eu tiver atendido todos que me procurarem hoje, eu lhe darei a resposta.
Durante o dia inteiro o samurai ficou sentado no jardim do templo, olhando as pessoas entrando e saindo em busca de conselhos.

De noite, quando todos já haviam partido, ele insistiu:

– Agora o senhor pode me ensinar?

A lua cheia brilhava no céu, e todo o ambiente inspirava uma profunda tranqüilidade.

– Está vendo esta lua, como é linda? Ela vai cruzar todo o firmamento, e amanhí£ o sol tornará de novo a brilhar.
“Só que a luz do sol é muito mais forte, e consegue mostrar os detalhes da paisagem que temos í  nossa frente: árvores, montanhas, nuvens.
“Tenho contemplado os dois durante anos, e nunca escutei a lua dizendo: por que ní£o tenho o mesmo brilho do sol? Será que sou inferior a ele?

– Claro que ní£o – respondeu o samurai. – Lua e sol sí£o coisas diferentes, e cada um tem sua própria beleza.

– Entí£o, vocíª sabe a resposta. Somos duas pessoas diferentes, cada qual lutando í  sua maneira por aquilo que acredita, e fazendo o possí­vel para tornar este mundo melhor; o resto sí£o apenas aparíªncias.
 
 

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Duas bení§í£os celtas


No momento em que minha cidade sofre com o assassinato de crianí§as em uma escola, no momento em que nos damos conta que um só demente é capaz de espalhar tanta tristeza ao redor, encontrei estas duas bení§í£os antigas em um dos livros de minha biblioteca. E quero dividir com voces:

Uma oraí§í£o celta

Que Deus nos díª
para cada tempestade, um arco-iris
Para cada lágrima, um sorriso
Para cada gesto de ternura, uma promessa
E uma bení§í£o em cada momento difí­cil.
Que tenhamos sempre um amigo fiel
para dividir os nossos problemas.
E que cada oraí§í£o seja sempre escutada e respondida.

Uma antí­ga bení§í£o celta

Que a estrada ensine o melhor caminho
Que o vento esteja sempre em suas costas
Que o sol ilumine seu rosto
Que a chuva fertilize seu campo
E até que nos encontremos de novo
Que Deus lhe guarde na palma da mí£o


traduí§í£o: Paulo Coelho

Os dois escultores

por Cleo V. Swarat

Sonhei que estava em um estúdio
vendo dois escultores trabalhando.
Em lugar de barro, tinham como matéria prima uma crianí§a
e procuravam trata-la com carinho

Um dos escultores era uma professora
e as ferramentas que usava eram livros, música e arte.
O outro era um pai
tendo nas mí£os disciplina e carinho

Quando finalmente terminaram
ficaram orgulhosos,
já que todo o esforí§o daquele trabalho
ní£o poderia ser comprado, vendido ou destruí­do.

Ambos concordaram em uma coisa:
se um deles tivesse trabalhado sózinho, ní£o teria conseguido nada.
Mas ajudando o pai, estava a escola
e ajudando a professora, estava o lar.



traduí§í£o: Paulo Coelho

Daqui há cem anos

(trecho do poema “Within My Power” de Forest Witcraft)

Daqui há cem anos

ní£o terá a menor importí¢ncia

que tipo de carro eu dirigia

qual o tamanho da casa em que vivia

quanto dinheiro tinha na minha conta bancária

ou qual o estilo de minhas roupas

Mas o mundo será um lugar melhor porque

eu ajudei a educar um jovem


(traduí§í£o: Paulo Coelho)

Quando você achou que eu não estava olhando

IN ENGLISH: When You Thought I Wasn’t Looking
________________________________

por Mary Rita Schilke Korzan
Quando você achou que eu não estava olhando
Pendurou meu primeiro desenho na geladeira
E isso me deu vontade de pintar outro
Quando você achou que eu não estava olhando
Alimentou um gato na rua
E aprendi a ser gentil com os animais

Quando você achou que eu não estava olhando
Cozinhou um bolo de aniversário para mim
E entendi que pequenas coisas sí£o coisas muito importantes

Quando você achou que eu não estava olhando
Você disse uma prece
E descobri que sempre haverá um Deus com quem eu possa conversar

Quando você achou que eu não estava olhando
Me deu um beijo de boa-noite
E me senti amada.

Quando você achou que eu não estava olhando
Notei algumas lágrimas nos seus olhos
E soube que algumas coisas são dolorosas –
Mas que nãohá nada de errado em chorar

Quando você achou que eu não estava olhando
Você sorriu
E eu me senti linda

Quando você achou que eu não estava olhando –
eu olhei…
E quero agradecer
Por tudo aquilo que fez
Quando achou que eu não estava olhando

 

Tradução: Paulo Coelho

 

“Os literatos”


Carta no Painel do Leitor da Folha de Sí£o Paulo, criticando um artigo agressivo e tendencioso escrito pelo advogado Celso Mori
+

O Globo.com: Traduzindo o Juridiquíªs

por Renato Pacca

Para Celso Mori, Paulo Coelho está longe de ser “uma unanimidade como literato entre os formadores de opinií£o brasileiros” e o presidente Obama teria perdido “uma excelente oportunidade de se referir a Machado de Assis”.
Ora, o juí­zo de valor que Celso Mori tem acerca do mérito literário de Paulo Coelho ní£o pode ser melhor do que o de Obama ou de seus assessores, ou de qualquer um de nós.
Citar um escritor brasileiro consagrado é uma questí£o de oportunidade e de gosto, concorde-se com ele ou ní£o. Criticar as escolhas do presidente Obama – Paulo Coelho ao invés de Machado de Assis – é puro exercí­cio arbitrário do gosto pessoal.
Inútil, portanto.

Leia a í­ntegra do texto AQUI

Obama, Coelho, Machado

Por Denis Zanini Lima

Que mal há em citar o escritor brasileiro que mais vendeu livros no mundo e que mais tem obras traduzidas em outros idiomas, constando até no Guiness Book?
Que mal há em enaltecer um dos poucos escribas nascidos abaixo da Linha do Equador que é reconhecido nas ruas e é obrigado a parar para dar autógrafos e posar para fotos com fí£s?
A qualidade de seu trabalho ní£o é boa? Ní£o agrada a todos? Tudo bem. Mas por acaso ele já fez algo que desabonasse nosso paí­s? Ofendeu nossa cultura? Menosprezou nossos valores? Chamou o Silvio Santos de velho gagá e a Hebe de velha tarada?

Leia a í­ntegra do post AQUI

Vocíª, que eles chamam Senhor

por Abade Burkhard

Vocíª, que preenche minha alma
Vocíª, que criou o mundo
Quando olho para o microcosmos e para o macrocosmos,
tudo que encontro é vocíª
E percebo sua grandeza.

Vocíª que eles chamam Senhor
Vocíª que eles chamam Pai
Vocíª que eles chamam Alá,
Vocíª que eles chamam Jeová
Vocíª, que está aqui.

Que está aqui conosco. Que caminha conosco.
Quanto mais velho fico, mais entendo que posso chama-lo de amigo.
Vocíª é o amigo de minha vida, que me ama e que me chamou para levar sua mensagem adiante.
Obrigado por isso.

Eu queria pedir por todos que estí£o aqui hoje, para que sintam a grandeza e o amor de Deus. Que nos quer, que nos ama.
Jesus mostrou-nos um caminho onde podemos andar juntos,
Apesar de todas as diferení§as entre nós, ainda podemos caminhar juntos
Buscando e encontrando maneiras que nos permitirí£o viver uma vida mais bela e mais intensa.

Paulo tem escrito sobre sua busca de um sentido para a vida.
E enquanto percorria novos caminhos, ele tomou rumos errados e atalhos complicados,
como todos nós.

Que continuemos buscando por Vocíª em todos os seres humanos que cruzam nossas vidas.

Amém

_________________________________
Istambul, Turquia, 19 de Marí§o. Voce pode ver o momento em que o Abade Burkhard reza em alemí£o no 6:09 min do video de nossa prece coletiva

Solidí£o

Adorei o ví­deo, querida Márcia!

19 Marí§o: Oraí§í£o de Sí£o José

POR QUE CELEBRO ESTE DIA?
(Depois de um rápido agradecimento em ingles, falo portugues)

A ORAçíƒO
(a primeira oraí§í£o é em portugues)

Matando os sonhos

” O primeiro sintoma de que estamos matando nossos sonhos é a falta de tempo. As pessoas mais ocupadas que conheci na minha vida sempre tinham tempo para tudo. As que nada faziam estavam sempre cansadas, não davam conta do pouco trabalho que precisavam realizar, e se queixavam de que o dia era curto demais: na verdade, elas tinham medo de combater o Bom Combate.

“O segundo sintoma da morte de nossos sonhos são nossas certezas. Porque não queremos aceitar a vida como uma grande aventura a ser vivida, passamos a nos julgar sábios, justos e corretos no pouco que pedimos da existência. Olhamos para além das muralhas do nosso dia-dia, ouvimos o ruí­do de lanças que se quebram, o cheiro de suor e de pólvora, as grandes quedas e os olhares sedentos de conquista dos guerreiros. Mas nunca percebemos a alegria, a imensa Alegria que está no coraí§í£o de quem está lutando, porque para estes não importa nem a vitória nem a derrota, importa apenas combater o Bom Combate.

“Finalmente, o terceiro sintoma da morte de nossos sonhos é a Paz. A vida passa a ser uma tarde de Domingo, sem nos pedir grandes coisas, e sem exigir mais do que queremos dar. Achamos que estamos maduros, deixamos de lado as fantasias da infância.

” Quando renunciamos aos nossos sonhos e encontramos a paz, temos um pequeno perí­odo de tranqüilidade. Mas os sonhos mortos começam a apodrecer dentro de nós, e infestar todo o ambiente em que vivemos.

“Começamos a nos tornar cruéis com aqueles que nos cercam, e finalmente passamos a dirigir esta crueldade contra nós mesmos. Surgem as doenças e as psicoses. O que querí­amos evitar no combate – a decepção e a derrota – passam a ser o único legado de nossa covardia. E um belo dia, os sonhos mortos e apodrecidos tornam o ar difí­cil de respirar e passamos a desejar a morte, que nos livra de nossas certezas, de nossas ocupações, e daquela terrí­vel paz das tardes de domingo.”

__________________________
Petrus foi o meu guia no Caminho de Santiago. Trecho do livro “O Diario de um Mago” (1987)

Senhor, não sei onde estou indo


IN ENGLISH HERE : I have no idea where I am going
EN ESPANOL AQUI: No tengo idea de adónde voy

Senhor meu Deus, eu não tenho idéia para onde estou indo,
não vejo o caminho adiante
E não tenho certeza onde irá me levar

Tampouco conheçoo a mim mesmo
E o fato de achar que estou cumprindo sua vontade
não me garante que estou fazendo o que devo

Mas acredito que meu desejo de agrada-lo lhe deixa contente.
Espero que este desejo esteja presente em tudo que faça

E que eu sempre consiga mante-lo em meu coração.
Se eu continuar assim, voce me guiará pelo caminho certo
apesar das minhas dúvidas

E eu nada temerei, pois Você sempre estará comigo
e nunca irá me deixar enfrentar os perigos sozinho

______________________________________
em in Thoughts in Solitude de Thomas Merton

 

 

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O segredo da felicidade (O Alquimista)

Certo mercador enviou seu filho para aprender o Segredo da Felicidade com o mais sábio de todos os homens. O rapaz andou durante quarenta dias pelo deserto, até chegar a um belo castelo, no alto de uma montanha. Lá vivia o Sábio que o rapaz buscava.

Ao invés de encontrar um homem santo, porém, o nosso herói entrou numa sala e viu uma atividade imensa; mercadores entravam e saí­am, pessoas conversavam pelos cantos, uma pequena orquestra tocava melodias suaves, e havia uma farta mesa com os mais deliciosos pratos daquela regií£o do mundo.

O Sábio conversava com todos, e o rapaz teve que esperar duas horas até chegar sua vez de ser atendido.

Com muita paciíªncia, escutou atentamente o motivo da visita do rapaz, mas disse-lhe que naquele momento ní£o tinha tempo de explicar-lhe o Segredo da Felicidade.

Sugeriu que o rapaz desse um passeio por seu palácio, e voltasse daqui a duas horas.

– Entretanto, quero lhe pedir um favor – completou, entregando ao rapaz uma colher de chá, onde pingou duas gotas de óleo. – Enquanto vocíª estiver caminhando, carregue esta colher sem deixar que o óleo seja derramado.

O rapaz comeí§ou a subir e descer as escadarias do palácio, mantendo sempre os olhos fixos na colher. Ao final de duas horas, retornou í  presení§a do Sábio.

– Entí£o – perguntou o Sábio – vocíª viu as tapeí§arias da Pérsia que estí£o na minha sala de jantar? Viu o jardim que o Mestre dos Jardineiros demorou dez anos para criar? Reparou nos belos pergaminhos de minha biblioteca?

O rapaz, envergonhado, confessou que ní£o havia visto nada. Sua única preocupaí§í£o era ní£o derramar as gotas de óleo que o Sábio lhe havia confiado.

– Pois entí£o volte e conheí§a as maravilhas do meu mundo – disse o Sábio. – Vocíª ní£o pode confiar num homem se ní£o conhece sua casa.

Já mais tranqüilo, o rapaz pegou a colher e voltou a passear pelo palácio, desta vez reparando em todas as obras de arte que pendiam do teto e das paredes. Viu os jardins, as montanhas ao redor, a delicadeza das flores, o requinte com que cada obra de arte estava colocada em seu lugar. De volta í  presení§a do Sábio, relatou pormenorizadamente tudo que havia visto.

– Mas onde estí£o as duas gotas de óleo que lhe confiei? – perguntou o Sábio.

Olhando para a colher, o rapaz percebeu que as havia derramado.

– Pois este é o único conselho que eu tenho para lhe dar – disse o mais Sábio dos Sábios. – O segredo da felicidade está em olhar todas as maravilhas do mundo, e nunca se esquecer das duas gotas de óleo na colher.

do livro O ALQUIMISTA

Quando envelhecer vou usar púrpura


poema de Jenny Joseph

Quando envelhecer vou usar púrpura com
chapéu vermelho, que ní£o combina
nem fica bem em mim.

Vou gastar a pensí£o em uí­sque e luvas de verí£o
e sandálias de cetim – e dizer que ní£o temos
dinheiro para a manteiga.

Vou sentar na calí§ada quando me cansar e devorar
as ofertas do supermercado, tocar as campainhas
e passar a bengala nas grades das praí§as
e compensar toda a sobriedade da
minha juventude.

Vou andar na chuva de chinelos, apanhar flores
no jardim dos outros e aprender a cuspir.

Vou usar camisas berrantes e engordar,
comer um quilo de salsichas de uma vez
ou só pí£o com picles a semana inteira
e juntar canetas e lápis e bolachas de cerveja e coisas em caixinhas.

Mas agora temos que usar roupas que nos deixem secos, pagar aluguel,
ní£o dizer palavrí£o na rua e ser bom exemplo
para as crianí§as.

Temos de ler o jornal
e convidar amigos para jantar.

Mas quem sabe eu devia comeí§ar já?
Assim os outros ní£o ví£o ficar chocados demais
quando de repente eu ficar velha
e comeí§ar a usar vestido púrpura.

1 MIN LEITURA: O instante mágico

É preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteí§a.

Todos os dias Deus nos dá – junto com o sol – um momento em que é possí­vel mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que ní£o percebemos este momento, que ele ní£o existe, que hoje é igual í  ontem – e será igual í  amanhí£.

Mas, quem presta atení§í£o ao seu dia, descobre o instante mágico.

Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhí£, no instante de silíªncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Este momento existe – um momento em que toda a forí§a das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.

A felicidade í s vezes é uma bíªní§í£o – mas geralmente é uma conquista.

O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de nossos sonhos.

Vamos sofrer, vamos ter momentos difí­ceis, vamos enfrentar muitas desilusíµes – mas tudo é passageiro, e ní£o deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.

Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez ní£o se decepcione nunca, nem tenha desilusíµes, nem sofra como aqueles que tíªm um sonho a seguir.
Mas quando olhar para trás – porque sempre olhamos para trás – vai escutar seu coraí§í£o dizendo: “o que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdíª-los. Entí£o, esta é a tua heraní§a: a certeza de que desperdií§aste tua vida”.

Pobre de quem escuta estas palavras. Porque entí£o acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terí£o passado.

Pilar
é a personagem principal de “Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei”
 
 
 

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