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	<title>Comments on: Edição nº 146: A carta que não posso responder</title>
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	<pubDate>Sun, 12 Oct 2008 12:30:53 +0000</pubDate>
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		<title>By: Claudio Galvão Soares Coelho Junior</title>
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		<dc:creator>Claudio Galvão Soares Coelho Junior</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Aug 2008 17:36:39 +0000</pubDate>
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		<description>Liberdade, o poder da liberdade parece ter imposições, já a falta dela parece ser mais presente em nossas vidas, lutamos contra algo que desconhecemos, Justin não era o único a necessitar  de palavras de conforto e, outros viram e mais outros , com ou sem sentenças de vida ou da perda dela, é extremamente importante uma palavra,um gesto sem soberba profética , sem aqueles dizeres com tom de pena, enfim , podemos compreender perfeitamente , o porque daquela família, a família de Justin sedenta de paz em tempos de guerras , esta família buscou e o jovem principalmente acreditou no provável ,mas a carta que não pode ser respondida por razões nada pessoais.
Eu também não respondi cartas que atravessavam todos os 12 portões de uma penitenciara, em todos os finais de semana, era meu irmão, condenado pela justiça cega a viver 2 anos e 6 meses de sua vida, eu não tive coragem fui covarde admito, na manha da noite em que ele foi preso num domingo de páscoa , eu me levantei , retratei tudo que meu irmão iria passar, embora não fizesse sentido algum, afinal era um episodio irreal na vida de um trabalhador, honesto ,casado e pai aos 22 anos , mais isso aconteceu na noite do dia mais triste da minha vida, meus dias foram tragados pela idéia de morte e o apetite de vingança me atordoava, e as cartas não foram respondidas eu nunca consegui por meus pés dentro de um sistema prisional, tudo parecia um pesadelo aquela era a outra parte da vida que eu desconhecia totalmente, recorri a tudo,pedi ajuda a mim mesmo sem sucesso, comecei a ler seus livros , mergulhei profundamente na escrita e leitura, a vida é impressionante meu irmão Douglas Ricardo O. Coelho , tinha apenas 1 anos e mais ou menos 8 meses , nossa família perdia tudo, fomos morar numa área rural isso a 25 anos atrás e, ao lado de tapera que vivíamos eu, meus outros dois irmãos e meus pais , ficava á uma distancia de pouco mais de mil metros da futura penitenciara, eu tenho guardado na minha memória uma frase quase que balbuciada, reflexo da pouca idade ele disse nos braços da minha mãe indicando com um dos dedinhos magros- a casa do homem, tem piscina quero nadar quero ir lá posso mãe? - ele disse balbuciando de modo que se eu escrevesse seria complicada a compreensão ele acabou indo só que 20 anos depois , era a penitenciara que ele acreditava ser a casa de uma pessoa rica, foi lá que ele passou os piores momentos da vida dele, e eu não respondi as cartas que ele me mandou, ainda choro lamento ele me perdoou incondicionalmente , nós nos amamos somos uma família.
Minha história se misturou aos tantos livros, mais poucos tocaram tão fundo quanto aos seus, eles me fizeram companhias, em todos os domingos solitários que almocei sozinho entre um bocado e outro a mente atrevida dava sinais da solidão imposta por uma força impessoal. E hoje mais do que nunca quero superar tudo isso , já estive numa clinica psiquiátrica e a terapia em nada me ajudaria se fosse outras formas e formulas , livros , poesias nomes sem sobrenomes, foram momentos que me senti preso dentro de mim mesmo , eu estive numa prisão uma prisão pessoal,seus pensamentos meus reparos , seus acertos e minhas notas , estou aprendendo a viver mais e melhor, e nunca mais almoçarei sozinho. Obrigado , hoje eu escrevo jantarei sozinho , por outras razões.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Liberdade, o poder da liberdade parece ter imposições, já a falta dela parece ser mais presente em nossas vidas, lutamos contra algo que desconhecemos, Justin não era o único a necessitar  de palavras de conforto e, outros viram e mais outros , com ou sem sentenças de vida ou da perda dela, é extremamente importante uma palavra,um gesto sem soberba profética , sem aqueles dizeres com tom de pena, enfim , podemos compreender perfeitamente , o porque daquela família, a família de Justin sedenta de paz em tempos de guerras , esta família buscou e o jovem principalmente acreditou no provável ,mas a carta que não pode ser respondida por razões nada pessoais.<br />
Eu também não respondi cartas que atravessavam todos os 12 portões de uma penitenciara, em todos os finais de semana, era meu irmão, condenado pela justiça cega a viver 2 anos e 6 meses de sua vida, eu não tive coragem fui covarde admito, na manha da noite em que ele foi preso num domingo de páscoa , eu me levantei , retratei tudo que meu irmão iria passar, embora não fizesse sentido algum, afinal era um episodio irreal na vida de um trabalhador, honesto ,casado e pai aos 22 anos , mais isso aconteceu na noite do dia mais triste da minha vida, meus dias foram tragados pela idéia de morte e o apetite de vingança me atordoava, e as cartas não foram respondidas eu nunca consegui por meus pés dentro de um sistema prisional, tudo parecia um pesadelo aquela era a outra parte da vida que eu desconhecia totalmente, recorri a tudo,pedi ajuda a mim mesmo sem sucesso, comecei a ler seus livros , mergulhei profundamente na escrita e leitura, a vida é impressionante meu irmão Douglas Ricardo O. Coelho , tinha apenas 1 anos e mais ou menos 8 meses , nossa família perdia tudo, fomos morar numa área rural isso a 25 anos atrás e, ao lado de tapera que vivíamos eu, meus outros dois irmãos e meus pais , ficava á uma distancia de pouco mais de mil metros da futura penitenciara, eu tenho guardado na minha memória uma frase quase que balbuciada, reflexo da pouca idade ele disse nos braços da minha mãe indicando com um dos dedinhos magros- a casa do homem, tem piscina quero nadar quero ir lá posso mãe? - ele disse balbuciando de modo que se eu escrevesse seria complicada a compreensão ele acabou indo só que 20 anos depois , era a penitenciara que ele acreditava ser a casa de uma pessoa rica, foi lá que ele passou os piores momentos da vida dele, e eu não respondi as cartas que ele me mandou, ainda choro lamento ele me perdoou incondicionalmente , nós nos amamos somos uma família.<br />
Minha história se misturou aos tantos livros, mais poucos tocaram tão fundo quanto aos seus, eles me fizeram companhias, em todos os domingos solitários que almocei sozinho entre um bocado e outro a mente atrevida dava sinais da solidão imposta por uma força impessoal. E hoje mais do que nunca quero superar tudo isso , já estive numa clinica psiquiátrica e a terapia em nada me ajudaria se fosse outras formas e formulas , livros , poesias nomes sem sobrenomes, foram momentos que me senti preso dentro de mim mesmo , eu estive numa prisão uma prisão pessoal,seus pensamentos meus reparos , seus acertos e minhas notas , estou aprendendo a viver mais e melhor, e nunca mais almoçarei sozinho. Obrigado , hoje eu escrevo jantarei sozinho , por outras razões.</p>
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