Edição nº 146: A carta que não posso responder

Justin FullerA carta que não posso responder está agora sobre a minha mesa. Chegou às minhas mãos por causa de um esforço de um casal de holandeses, que me enviou uma correspondência eletrônica em junho de 2006. Eu não dei importância, e não retornei. Tornaram a insistir no final do mesmo mês, e eu tampouco dei atenção. Até que veio a advertência em palavras mais sérias:

“Esta é a última vez que pedimos este favor. Fica a seu critério escrever ou não para Justin. Melhor dizendo, fica a critério da sua consciência. Conheci seus livros justamente por recomendação dele. Atenciosamente, Jacobus (omito o sobrenome)”.

Li com cuidado o texto do e-mail: ali dizia que Justin Fuller, prisioneiro #999266 da Unidade Polunsky, Livingston, Texas, será executado exatamente no dia do meu aniversário: 24 de agosto. O advogado, Don Bailey, já foi a todas as instâncias, e pelo visto a causa está perdida. Não estão me pedindo que vá a público denunciar o fato, ou que tome posição a respeito: querem apenas que envie algumas palavras de conforto a este leitor.

Digito o nome de Justin em um mecanismo de busca. Vejo sua foto, descubro que há uma página com os o nome de todos que estão (ou estavam) no corredor da morte no Texas. Vejo sua ficha criminal: www.tdcj.state.tx.us/stat/fullerjustin.htm

Escrevo a carta. Na semana seguinte ao meu aniversário, Jacobus me escreve mais uma vez: Justin a recebeu, e me respondeu antes de ser executado. A carta está me esperando em um hotel que costumo ficar em determinada cidade, e que dei como endereço de remetente.

Finalmente, no final de Outubro 2006, passo pelo hotel. Sei que tem uma carta de um condenado a morte que me espera. Sei que ele já foi executado. Recolho a carta, paro em um bar, e leio as palavras de alguém a quem nunca mais poderei responder. A quem tampouco posso pedir permissão para publicar trechos, mas como estamos discutindo uma verdadeira aberração da justiça - a morte como instrumento do estado - transcrevo aqui algumas partes:

“Caro Sr. Coelho:

“O corredor da morte é a arena onde as políticas de Poder, Retribuição, e Violência, são aplicadas a um homem usando (materiais como) concreto e aço. Até que este homem se transforma em aço, e seu coração passa a ser tão duro como o concreto. Entretanto, embora o aço possa ser duro, ainda é capaz de ser flexível, e embora o coração tenha se transformado em concreto, ainda é capaz de bater. Além (do concreto e aço) resta o homem, seu amor pela vida, e os grandes princípios que regem o ser humano”.

“Sua carta me deixou surpreso. E é muito estranho que minha transcendência (Justin sempre usa este termo, ao invés de “execução”) possa acontecer justamente no dia do seu aniversário. Claro que espero que isso não ocorra, mas nós dois sabemos que com a vida sempre vem a morte. Nos EUA, executam prisioneiros em nome do que chamam de “justiça”, sem levar em conta a capacidade de serem bem representados nos tribunais, as condições de nascimento e o ambiente familiar.

“Enquanto espero o último apelo à Corte Suprema, me encontro cheio de vida, forte, e com meu espírito inteiramente livre”.

“Se eu transcender, poderei finalmente flutuar no vento e desfrutar a liberdade. Pude entender que embora meu corpo esteja preso, a minha vida mudou, e a minha alma ainda pode amar, já que toda liberdade é mental. Existe muita gente neste mundo que, embora esteja do lado de fora da prisão, encontra-se muito mais presa do que eu”.

“ Só quando estas pessoas entenderem que a liberdade é um estado da mente, é que elas poderão realmente desfrutá-la”.

A carta que eu não pude responder é bem mais longa, descreve a relação que estabelecemos através dos meus livros. Deseja tudo que há de melhor para mim e para a minha família. E agora repousa na minha mesa.

A carta que eu não pude responder, de um condenado à morte, preso quando tinha 19 anos, executado quando tinha 27 anos de idade, não contem palavras de lamento: fala de liberdade e vida.

38 Responses to “Edição nº 146: A carta que não posso responder”


  1. 1 Daniel Ramos

    Muito Interessante. Dá muito que pensar. A mim deixou-me boquiaberto e a pensar nas palavras dele.
    Quantas e quantas vezes estamos completamente agarrados (Presos) a quase tudo: trabalho, forma de estar na sociedade, sentimentos, forma de pensar dos outros, medos estúpidos, etc…
    Vou acabar de digerir a história…
    Um Abraço.

  2. 2 JOse Antonio

    Concordo quando ele fala sobre as condições do nascimento e ambiente familiar. Sim o homem é um produto do seu meio. Segundo Kardec, esse homem escolhe o seu ambiente e meio familiar antes mesmo de ser gerado, e que essa escolha está relacionada ao seu crescimento espiritual.
    Como resolver essa questão ?? Parece injusto pessoas capazes serem preteridas por outras apenas porque o poder assim o quer. Por outro lado se o próprio espirito escolheu assim o que fazer ?? Porque a consciência então da justiça ou injustiça se nesse caso parece não existir, ou se existe parece ser apenas para justificar os anseios de uma sociedade material.

    Sds

  3. 3 Regina Franco

    Paulo, acompanho seus livros e sua tragetória, sempre me identifiquei com muitas coisas que escreve e todas elas me fizeram bem.
    Você ao tratar de um tema que para nós brasileiros está em evidencia ,nos causa reações apaixonadas …pois o nivel de violencia com a qual convive nossa sociedade e os recentes acontecimentos que chocaram a opinão pública, tiveram o condão de fazer com que politicos discutissem a redução da maioridade penal …..e que a sociedade pensasse sobre a aplicação da pena de morte neste país …
    Se certa ou não a justiça norte americana …não sei lhe dizer ….o que consigo sentir é unicamente a impotencia dos cidadãos brasileiros e da justiça brasileira diante do barbarismo de tantos bandidos ..é de causar nausea como um ser humano pode descer a tais niveis de degradação …e com isso convive nossa sociedade….

  4. 4 Alessandra Cecílio Fonseca

    Fiquei muito assustada com essa história. Apesar de saber que existem pessoas no corredor da morte, isso não faz parte do nosso dia-a-dia, portanto, acabamos esquecendo esse lado terrível da vida. Não consigo concordar com pena de morte, é cruel demais… mas também é cruel matar pessoas para roubar ou outro motivo qualquer, acredito que nada justifica e dá o direito de tirar a vida, por mais sofrido, pobre ou seja lá o que for, não podemos sair por ai agredindo, roubando e matando.
    Entrei no link do corredor da morte e me senti pior ainda, sem perceber já me coloco no lugar daquela pessoa e me sinto muito mal. São coisas inconcebíveis na minha maneira de entender a vida, o amor ao próximo e o respeito.

  5. 5 Daniel Joao Da Silva

    Bateu muito forte saber esse ocorrido isto antas de mais nada me fez ter a consiencia de que estou alcansando a minha liberdade aos 42 anos mesmo estando aqui fora . abrigado paulo voçe e o cara Daniel 09/05/2007

  6. 6 Cris

    Eu nao sei muito bem o que pensar da sua newsletter Paulo,mas que fiquei chocada la isso fiquei! Por um lado compreendo o que o fez nao ligar aos apelos dos senhores holandeses e quase em cima da hora ter respondido a uma carta que por fim nao chega a ter resposta. Nao deixa de ser chocante a forma como acabou a sua passagem por este mundo e como Justin viu com a condenaçao à morte que isso nao era mais que uma transcendencia da vida. Mas fui ver o porqué da sua condenaçao e ter tirado a vida a alguém que nao teve a chance de escolher acaba por ser mais penoso do que propriamente ser condenado à morte por um grupo de homens e esperar tantos anos por esse momento enquanto que a sua vitima durou bem menos tempo.Sim,ninguém tem o direito de tirar a vida a alguém,logo isso é valido para quem mata como para quem condena à morte e sinceramente, por mais que se diga que é preciso ter compaixao,jà nao digo se fosse vitima porque ai ja nao poderia escolher mas se fosse mae, filha, irma de alguma vitima de um crime deste tipo,logico que era isso que eu ia desejar para quem o tivesse cometido,a morte,o mesmo fim,ainda que com motivaçoes diferentes.

  7. 7 Roberto

    Cada um de nós é uma unidade de consciência. Somos uma parte de Deus. Deus evolui também, através das unidades de consciência. A nossa essência é a mesma, igual, o que muda é a nível de consciência. Justin através da sua experiência - única -, nos leva a reflexão, cada um com a sua - única -.

  8. 8 Raquel Gomes

    É, Paulo… É triste ver como às vezes perdemos a chance de dizer às pessoas que elas, apesar de não fazerem parte diretamente de nossas vidas, são importantes de alguma forma.
    É como nunca ter visto a mãe biológica, e nunca poder dizer obrigada por ter ganhado a vida por meio de seu ventre.
    Ainda bem que você pelo menos teve a chance de, uma vez, manter contato com uma pessoa que você jamais poderia imaginar que pudesse ter se iluminado tanto com suas palavras.
    Justin foi realmente tocado no coração, devia ter sua “lenda pessoal”, e ainda assim conseguiu enxergar o lado positivo da morte (ou transcendência): a liberdade de seu espírito.
    Quem diria que haveria em um persídio do Texas um homem que, apesar do sofrimento, conseguia ter inspiração para ler livros com mensagens de perseverança, esperança.
    E ainda assim, Justin conseguiu o impensável: contestar a forma de se fazer justiça por uma ótica que tanto discutimos, os antecedentes familiar e social da pessoa.
    Nem sempre o ciminoso o é por vontade. Não discuto que ele seja inocente, mas talvez o que olevou a fazer o quer que tenha feito não seja um fator tão pessoal assim. Não só de índole vive o ser humano.

    Aproveito a oportunidade para lhe dizer que sou sua leitora há muitos anos (pelo menos 10, tenho 24) e que descobri muito de minha vida (atual e as passadas) após começar a ler seus livros. O engraçado é que dois deles despareceram de minha estante sem nunca ter sido emprestado a ninguém, e eu nunca mais os encontrei. E só acontece com os seus livros…

  9. 9 cris souza

    Uma das poucas coisas que já me emocionaram nessa vida, é assustador o que essa leitura me fez pensar da minha “vida”,fiquei pensando em como posso me desprender e viver a minha liberdade, antes que eu seja executada pelos conceitos que acho correto ou que as pessoas me impoe como obrigações!!!

    Fiquei pensando em como o mundo é injusto e como é injusto o fato de não podermos mudar as leis, as pessoas, e como somos tolos em muitas vezes não conseguirmos mudar a nós mesmos!!!

    Ao ler essa história, um pouco de mim trasgrediu com ele.
    Ele não podia fazer nada para se libertar, mesmo assim se libertou com suas idéias, já eu, tenho tudo para ser livre e mesmo assim estou mais presa do que ele pode estar!!!

    É lastimavel!!!

  10. 10 vitoria

    Estou boquiaberta e volto a estaca zero,depois de ter passado a manhã a sentir-me “crescida”,muito contente comigo mesma….eita Deus!Vc não brinca em serviço….EU não sou nada neste existir…e é bom saber que tem elementos aí sábios, como esse irmão que enfrenta ser “assassinado”na maior paz!!!!!!Bom post Paulo Coelho!beijinhos

  11. 11 Regina Franco

    Voltei aqui, e não consigo deixar de me expressar …
    Carissimos …que tipo de liberdade pode ter alguem que se diz consciente e tranquilo ao “transcender ” sem ter em momento algum admitido o sofrimento que causou a pessoa que ele sequestrou , levou a bancos para roubar dinheiro e ainda covardemente matou ?…que liberdade é esta ??????? é possivel alguem se sentir em paz tendo feito isso e causado tanto sofrimento a uma familia ?
    desculpem o desabafo ……não é possivel aceitar e acho eu por este motivo ,Paulo você , não conseguiu responder de plano à esta carta …..não nos cabe julgar …mas se possivel comentar …é sempre lamentável a escolha do caminho que não contempla o amor ao proximo, em qualquer situação na vida.

  12. 12 Simone Marchito

    As vezes a gente pensa que vai ajudar e acaba por ser ajudado.Pensa que vai ensinar e acaba por ser o aluno.

  13. 13 Jhons Cassimiro- Remígio-PB

    Estimado Paulo,

    Deve ser incrível e estranho(eu acho)para você saber que faz parte da vida de pessoas tão diferentes e que vivem situações tão diversas ao redor de todo o mundo. Todos nós que lemos seus livros sabemos que eles tem uma relação muito forte com nossa vida. Tocam-nos profundamente como se estivesse sido escrito para cada leitor, separadamente. Isto é sinal de que és universal. Suas histórias são incríveis, e é muito bom ter como escritor preferido, alguém que se preocupa com seus leitores, pondo a disposição o site oficial, vários blogs e colunas. Parabéns e que Deus te abençoe para que possas continuar escrevendo e dando alimento à nossa alma pelo tempo que for necessário.

  14. 14 Andréa Maria de Paula Souza

    É, estou imaginando quanta polêmica esse relato possa ter gerado. Sem querer levar a análise do caso de Justin para o lado social, político ou religioso, tento refletir apenas acerca de sua postura perante a sua sentença, mostrando que o aprisionamento da sua matéria não o impedia de alimentar a liberdade de suas convicções. Isso nos faz pensar também, por um outro lado, nas centenas de pessoas intituladas livres, mas que encontram-se totalmente acorrentadas por seus medos, ceticismos e falta de iniciativas diante da vida.

  15. 15 CLAUDINEIS

    EU NAO CONSIGO ENTENDER COMO UMA PESSOA QUE PENSA ASSIM COMETEU UM DELITO TÃO GRAVE QUE O LEVOU AO CORREDOR DA MORTE. AS VEZES ME COBRO POR CONFIAR MAS MUITO MAIS POR NAO CONFIAR EM PALAVRAS, EU ACREDITO QUE AS PESSOAS SÃO O QUE FAZEM NO SEU DIA A DIA, NO SEU COTIDIANO, NAO EM SUAS PALAVRAS. NAO SOU A FAVOR DA PENA DE MORTE, MAS ACHO QUE PESSOAS QUE TIRAM A VIDA DE OUTRA NAO TEM O DIREITO DE CONTINUAR CONVIVENDO COM OUTRAS PESSOAS, NEM DE SE TORNAR HEROI APOS SUA MORTE POR UM PENSAMENTO SOBRE A LIBERDADE, A VIDA, QUE ELE SO VALORIZOU APOS PERDE - LAS. ACHO QUE SOU OU ESTOU MUITO DURA MUITO AMARGA, NAO CONSIGO ME ENCANTAR COM CERTAS COISAS…

  16. 16 BRUNNO RIBEIRO (INFINITUS)

    Este não é um assunto fácil de se comentar. Não sei o que ele fez para estar nesta situação mas independente do que ele tenha feito nenhum de nós tem o direito de julgá-lo ´´pois aquele que julgar o próximo será colocado numa condição adversa semelhante a que levou seu próximo a errar e então Deus dirá: ´´Se você é tão perfeito assim então se comporte de maneira melhor´´
    Agora o que tenho a dizer sobre as verdades infinitas de acordo com o meu grau de percepção é que OS MUNDOS além-túmulo são muito mais dinâmicos que o plano físico. Mas nossa ida para um determinado mundo x ou y dependerá de nossa frequência espiritual. Vamos fazer uma experiência. Pense no dia mais feliz de sua vida. Agora multiplique esta sensação por 1 milhão. Pois bem, existem planos no infinito que só de vocês estarem neles já terão esta sensação. E olhe que isto nem se compara a estar no PARAÍSO !
    Creio que Justin Fuller chegou a conclusão de que muitos no mundo andam distraídos e que esta situação em que se encontrava lhe trouxe algo de bom, a certeza de que mesmo antes de transcender ele já havia se libertado, já havia elevado seu espírito para algo maior e mais dinâmico, que se por algum motivo ele não viesse a transceder caminharia pelo mundo com um único propósito: AMAR TUDO E A TODOS

    ´´Marcharemos em bloco e esmagaremos as trevas´´

    BRUNNO RIBEIRO (INFINITUS)

  17. 17 annamaria

    Prezado e querido Paulo Coelho…que desencontro não?As forças do Universo conspiraram para que vc não lesse esta carta antes da execussão de Justin.Foram os pais de Justin que te enviaram?Talves essa carta deva ser respondida agora a esses pais que devem ser sofredores,vítimas das más escolhas e rebeldias dos filho.Pense comigo:você não tem filhos não é?Mas tem suas crianças criadas com zelo no Instituto Paulo Coelho.Tenho certeza que são acolhidas com imenso carinho,terão oportunidade de serm restauradas.Vamos dar um pulo no tempo …daqui 13 anos um fikho seu(mesmo que não seja do seu sangue),que você investiu na sua vida para ele e também aos seus irmãos no Ibstituto,cresça no Rio de Janeiro e devagar tudo que de bom foi passado ele ignora e passe a se involver na marginalidade que é a coisa que mais rola no nosso país.Penso se vc abrisse um jornal tomando o seu café e desse de cara com a foto do seu filho espancado pela polícia e encarcerado nas prisões sub-humanas co Brasil por ter atirado em alguém (seja lá qual for o motivo) você ficaria terrivelmente abalado.Talves Deus tenha segurado essa carta para não te envolver nos pensamentos de Justin e que êle teria que pagar por sua escolha/Nào nos cabe julgar Justin…só Deus na sua infinita Misericórdia!Deus perdoa!existe a justiça Divina para os atos humanos mais ediondos ,se ele se arrepender diante o PAI.Justin é um problema para Deus agora .Mas não nos esqueçamos que dor maior quem está passando são os pais.Esses sim merecem suas sabias palavras; pois tenho certeza que nenhum pai gostaria de ver seu filho numa penitenciária de segurança máxima nem lá e nem aqui .Acho que as situaçoes dos nossos presídios sào muito mais terríveis do que as prisões dos E.Unidos.Se uma situação ocorrece comigo como você relata eu escreveria uma carta sábia e espiritualista cheia dos seus conhecimentos aplacando a dor tripla do casal.Primeiro:o filho criado com zelo passa a não mais respeita-los e cai na marginalidade e se torna um assassino.SEgundo:Justim lhes dá a tarefa de colocar uma carta para vc que por força do Universo não chegou a ter uma resposta para Justin.Terceiro:um anjo sopra no meu ouvido que essas palavras sábias e que curam as almas fadigadas pelo sofrimento(que são as suas)quem sabe seriam um alento para esse casal que já deve estar se desestruturando pela má fama do filho,pela culpa,pela depressão e marginalização de ter um filho criminoso.Serão marginalizados pela sociedade rígida e fria norte -americana.Se forem negros a coisa piorará e o sofrimento será maior.Escreva aos pais de Justin com suas mágicas palavras . Eles devem ser pessoas de Fé e te rogaram suas palavras para o filho.Masa vc foi impedido espiritualmente de se envolver nos trâmites da Pena de Morte.Lembrem a eles(os pais) que existe um Deus que perdoará o filho se esse se render e pedir perdão pelos seus erros.Me preocupo muito com os pais de hoje que têm filhos delinquêntes por conta própria,por livre arbítrio.Essas são minhas humildes palavras para essa saia justa que vc se encontra!Essa carta pode ser a salvaçãp da dor dos pais de justin que no momento precisam de todo apoio espiritual que vc pode dar a eles.ESSES sim merecem sua palavra no mpmento e sua carta pode cumprir o papel dela:colocar Esperança nos coraçoes deste pais que devem estar com depressão profunda e a família se desestruturá se não houver ajuda espiritual como suas palavrs mágicas ,que acalentam as suas almas do nosso mundo tão conturbado!Você agora pode responder a carta tranquilamente sem se envolver com leis americanas,polêmicas.Vc só levará alento aos pais…pois a dor deve ser sem tamanho/Reli “As Walquírias”.Foi ótimo!estou entrando dia 22 para outra cirurgia ortopédica e o livro me lembrou de muitas coisas esquecidas.Há 50 dias reli o Monte Cinco que também me deu força e determinação para seguir o caminho sem interrupção e fui para outra cirurgia na época.Consegui!foi explendida! cheguei sozinha no hospital ( não tinha quem fazer-me companhia)mas aos poucos os anjos FORAM chegando e foi um sucesso a cirurgia e recuperção do pé esquerdo.Agora vou à luta para consertar o pé direito.Fico cá pensando como a mente Humana é totalmente diversa e vulnerável.Enquanto alguns lutam para recuperar a vida estrsçalhada há 7 anos atrás por criminosos,eles estão aí soltos.Nem por um momento forcei minha mente para ir atrás da justiça daqui,pois a própria polícia deu tempo dos marginais escaparem.Nào os odeio…enreguei-os para Deus JUlga-los.Eu não dou conta. eU NÃO SEI FAZER ISSO.nÀO TENHO FORÇAS!Cuidei foi de meus pais,pelo sogrimento que me viam passar e entreguei minha casa e vim ficar junto deles; para VIVER com suas presenças sábias(84 e 86anos)Eles cuidam de mim e eu deles.Fui vítima de um Justim,só que não morri./PAZ e BEM…reflita sobre a dor dos pais !você é um consolador de almas aflitas .a carta não era para chegar um Justim e sim agora, para seus pais.Assim penso eu,querido Paulo/annamaria

  18. 18 DAIANE QUADROS

    MESMO NÃO SABENDO O QUE LEVOU O PRESIDIÁRIO JUSTIN, A SER CONDENADO E EXECUTADO, NÃO CONCORDO COM TAL PROCEDIMENTO, POIS APENAS DEUS TEM O PODER TIRAR A VIDA DAS PESSOAS, MAS NO CASO DE JUSTIN, PERCEBO QUE ELE ESTAVA PREPARADO. É UM HOMEM INTELIGENTE, E QUE COM CERTEZA TERÁ O SEU PERDÃO!!!! HISTÓRIAS COMO ESTA, ME MOTIVA AINDA MAIS DE VIVER INTENSAMENTE, APROVEITANDO CADA MOMENTO DA MINHA VIDA, NÃO DEIXANDO PASSAR AS DÁDIVAS QUE DEUS ME DEIXOU!!! UM ABRAÇO À TODOS!!!

  19. 19 Amarilda

    Após ler sobre esse presidiário, sei que já faz um bom tempo que me considero num cárcere criado e vivido por mim, pelas escolhas que faço todo dia quando acordo e passo pelos dias com dúvidas, de que será que estou indo pelo caminho certo? E assim nessa dúvida não realizo nada de importante…mas vivo com a esperança que sempre no dia de hoje encontrarei a resposta que procuro! Será que é hoje? Na busca da RESPOSTA encontro outras respostas que formam e transforma minha vida e dentre essas respostas tenho a plena convicção de que a VIDA sempre vale a pena, jamais voltaremos para DEUS da mesma maneira que saímos DELE, o pior será não voltar para ELE, acredito que mesmo nessa aberração um condenado à morte possa retornar para DEUS e quem sabe seu inquisitor que se julga justo possa não retornar à DEUS porque fugiu da lei da vida que é o AMOR.

  20. 20 Dannie

    Paulo,
    tenho 20 anos. Li, se não todos, 90% de seus livros. Os tenho em minha prateleira e mais ainda, em minha mente! Devoro cada palavra como quem precisa encontrar o perdão que foi negado a Justin. Acredito que este seja o motivo principal de seu post. O perdão.
    Acredito que não foi a toa que após anos de procura, eu só tenha encontrado um meio de me comunicar contigo hoje,com este tema PERDÃO!
    Ao ler o texto, tive a impressão de que você procura o perdão por não ter conseguido encontrar a carta antes. Mesmo que não tenha tido absolutamente nenhuma culpa, somos sempre voltados a pensar que TALVEZ poderíamos ter feito algo.
    Mas na realidade, eu acredito que não possamos. Vejo isso pelas palavras. Trabalho com elas como redatora publicitária, e rabiscando poesias, amadoramente. Penso que elas sejam como Justin.
    Algumas vezes, um termo errado crucifica um poema. Uma expressão errônea deteriora uma história, e um ato desesperado termina com uma vida.
    Não sabemos o que Justin fez. Eu, pelo menos, não sei. Sei que se o crime por ele cometido ferisse alguém de minha família, eu concordaria com sua execução. Faz parte de mim ser humana e assim sendo, ter todos os defeitos pertinentes a nós, entretanto vejo que se nossa execução é inevitável, seja ela pelas críticas de quem nos lê, ou pela cadeira elétrica, tudo que nos resta é NOS perdoar.
    E é o que desejo fazer após ler este texto. Me perdoar. Porque sou imperfeita, e cometo crimes! Talvez não contra os outros, mas contra mim! Talvez você também perceba que não teve culpa (e quem sou eu para medir seus pensamentos? Eu não teria tamanha ousadia) e talvez Justin se perdoe pelo que cometeu.
    O que realmente importa é que num mundo tão completamente pecador, alguém ainda se dispõe a discorrer sobre o perdão e nos fazer pensar a respeito, e portanto, só cabe a nós agradecer: Paulo, mais uma vez, obrigada! Você é incrível! E eu me perdoo por ser tão desproporcionalmente muito mais interessada por sua obra do que qualquer outro escritor que já li, ainda que sejam Kafka, Assis ou Rowling!

    Abraços sinceros,
    Dannie Karam

  21. 21 Maria Zenice Goes

    Mesmo com a certeza que Deus existe, por que as pessoas não apredem a perdoar?
    Mesmo com tantas injustiças, o que leva o homem a dar uma terrivel sentença ao inves de propagar o arrependimento de um ser humano e orgulhar-se de ter salvo uma vida, um irmão.
    Não consigo entender o comportamento humano e nem as leis, que em alguns paises fazem falta e em outros exageram.
    Enquanto isso, devemos trabalhar para sempre fazer alguem feliz.Afinal não é por acaso que estamos aqui.

    Obrigada por tudo que voce nos oferece,
    boa leitura, grandes reflexões.

  22. 22 Marines

    É tão dificil escrever alguma coisa sobre oq vc escreve, pq ñ precisa de comentarios, e sim de reflexão…quando pego um livro seu pra ler, gosto de sentir a energia das folhas o cheiro de novo ou de guardado.
    Imagino tantas mãos que leram e tantos olhos que viajaram, o modo como vc descreve as sensações dos personagens como o vento sopra no deserto, a dor que o frio provoca que corta a carne…tanta magia que viajo…que Deus continue iluminando sua alma…
    Abraço, Marines.
    Caxias do Sul 15 de maio de 2007!22:15h

  23. 23 Andrea

    Tantos morrem baleados,em acidentes….sem se quer terem tempo de pensar, refletir…Quem sou?
    O que fiz de minha vida?O que vim fazer?Qual motivo de estar aqui, neste momento?….O homem de sorte este Justin…quem dera mais pessoas pudessem poder para, refletir…e poderem em algum momento ter a clareza de seus sentimentos…e outros como justin fazerem q tantas pessoas parem e reflitam com suas ultimas palavras….

  24. 24 Mercia Mendes

    Muitas das vezes nós q somos jovens acreditamos q a libertdade está em fazer aquilo q quisermos, de preferencia aquilo q seja proibido. Em poder sair a noite sem se preocupar com a hora de voltar, em tomar decisões importantes sobre a nossa vida. Esquecemos q para realmente estarmos libertos, é preciso q estejamos tranquilos com as atitudes q tomamos, certos das atitudes, e conscientes dos erros q cometemos.
    Seguimos sempre um modelo pre-estabelecido, coisas q todos ja fizeram, e ainda achamos q somos os únicos, revolucionarios… Tola ilusao!

  25. 25 Sanka

    o que mais me admira neste homem, e o que persigo, é a capacidade de ver o que há de bom onde, a princípio só se pode ver o que é ruim.

  26. 26 Isaias Malta

    Estou escrevendo este comentário sobre o assunto da pena de morte não de corpos, como a vigente em alguns estados norteamericanos, mas a das idéias, como a que está vigindo no Brasil.
    A pena de morte a que os brasileiros estão assistindo passivamente é o assassinato do livro “Roberto Carlos em Detalhes” do escritor Paulo César Araújo. Onze mil livros foram condenados à morte pela justiça brasileira em compactuação com a Editora Planeta. O escritor Paulo Coelho, apesar de ser editado pela Planeta, se posicionou frontalmente contra a barbárie de se queimar livros em nome de veleidades impostas pelas instabilidades emocionais de uma personalidade pública. O escritor Paulo Coelho, assim como se posicionou contra a execução do corpo físico do prisioneiro Justin, coerentermente também manifestou seu inteiro desagrado com uma execução penal tão igualmente cruel: a condenação à morte de quinze anos de trabalho do historiador Paulo César. No momento em que o trabalho intelecutal de alguém é proibido, sua vida é o seu trabalho, portanto ao condenar à morte a produção de um literato, a justiça brasileira não está somente negando a vida ao escritor, mas nos condenando a todos que pensamos, ao nos surrupiar o direito de escolha. Tempos negros no nosso país, onde em nome de leis confusas 11 mil livros são imolados no cadafalso do obscurantismo. O Paulo Coelho gritou, mas é apenas uma voz. Façamos coro a ele e não aceitemos que condenem à morte o nosso bem mais precioso: a liberdade.

  27. 27 J.S.H.

    Nos dias atuais, principalmente no nosso Brasil, a mídia divulga com tanta frequência, as façanhas de alguns marginais, que estes estão ganhando notoriedades e despertando admiração nas crianças e jovens de todas as classes sociais. Isto é um absurdo. Não podemos transformar bandidos em heróis.
    Existem crimes bárbaros, com requintes de crueldade, que às vezes duvidamos que um ser humano, seje capaz de tal ato.
    Claro que as condições financeira, estrutura familiar, comunidade onde vive, racismo da sociedade (ou vice-versa), amigos, etc., vão influir no comportamento de qualquer ser humano. Mas isto não é determinante para que uma pessoa trilhe o caminho do crime. Sabemos que em uma comunidade carente, onde o ambiente favorece a criminalidade, a esmagadora maioria dos moradores, são amantes da paz e do trabalho honesto.
    Não estou com isto, aprovando a condenação a pena máxima do sr. Justin Fuller. A complexidade humana, aliada a complexidade da vida, torna qualquer julgamento, difícil de ser totalmente justo.
    Justin foi executado aos 27 anos, tendo ainda todo uma vida pela frente. O que terá feito Justin para merecer tal condenação? Foi justo o seu julgamento? Realmente merecia ser condenado a morte? É difícil formar uma opinião, pois não assistimos a cena do crime.
    Independente do acerto ou não do julgamento dos humanos, o importante é que agora Justin terá (ou já teve) um julgamento justo. Provavelmente sr. Justin Fuller, está sendo julgado por Deus.
    Percebe-se pela carta que deixou a Paulo Coelho, que parecia estar arrependido pelo seu ato. Pelos ensinamentos cristão, se este arrependimento for sincero, Justin esta perdoado e neste momento se encontra no paraíso. Pelos pensamentos budista, Justin vai reencarnar em outro corpo, talvez em condição social diferente, mas com um “karma” para acertar. Isto visando o seu aperfeiçoamento espiritual. Quase na mesma direção, vai os ensinamentos espíritas.
    Independente de qual seja a nossa crença, o importante é que Justin tenha o julgamento que desejamos para nós, quando chegar o nosso dia. Que este julgamento seja sábio, justo, bondoso e misericordioso.
    No plano terreno, nobre foi a atitude de Paulo Coelho, enviando palavras de conforto naqueles momentos de solidão, angústia, dor e reflexão.
    Provavelmente a mensagem contida na carta de Paulo, foram umas das palavras mais significativas na vida de Justin. Acredito que depois de ler a carta, Justin Fuller deixou esta vida com menos òdio, menos revoltado, principalmente, acreditando um pouco mais no ser humano.

  28. 28 Dina

    Fiquei fascinada com essa historia e ainda mais com o numero de opinioes tao diversas.
    Na minha opiniao voce fez o que devia ser feito, eu nao acredito em coincidencias, mas sim que tudo acontece por alguma razao que nos transcende.
    Penso que nem sempre ao contrario do que possa parecer os culpados o sejam, quantas vezes vimos um filme e nos revoltamos pelo fim que teem onde os inocentes sao condenados e vice-versa? No entanto respeito todas as opinioes dadas, todas tem um ponto certo se formos a ver; mas se existe essa forca poderosa em que acredito, entao tudo sera resolvido pois a justica divina nao falha. Eu nao sou ninguem para julgar ou condenar, embora por vezes me sinta tentada, e entao que me lembro que sou um ser humano cheio de defeitos, falhas e evidentemente com muitas qualidades positivas tambem, peco entao a Deus que ilumine o caminho de todos nos, incluindo o meu.

  29. 29 andrea

    QUERIDA ANA
    CONCORDA INTEIRAMENTE COM SUA OPINIAO
    ESPERO QUE PAULO COELHO NA SUA SABEDORIA
    POSSA REALMENTE ACONCHEGAR COM CARINHO AS ALMAS TAO
    AFLITAS DE UM PAI E UMA FAMILIA QUE PASSA POR GRANDE
    TRAGEDIA.
    E A VOCE ,PARABENS PELA SUA FORÇA E CORAGEM
    QUE DEUS LHE DE SEMPRE CAPACIDADE PARA ESCOLHER O CAMINHO MAIS ACERTADO A SER TOMADO
    MMMMMMMMMMMMMMMUITA PAZ E LUZ EM SEUS DIAS
    ADMIRADA
    ANDREA

  30. 30 sandra

    PAULO COELHO COM SUA SABEDORIA MUDOU A MINHA VIDA E A CADA LEITURA QUE FAÇO POR MAIS QUE ACHE QUE NÃO SE APLICARÁ A MIM SEMPRE APRENDO E MUITO MUITO MUITO, MAIS DO QUE PUDESSE IMAGINAR COM A CARTA DE JUSTIN PUDE VER QUE SOU UMAS DESSAS PESSOAS “LIVRES”, PORÉM “PRESAS” A DIVERSAS COISAS SEM IMPORTÂNCIA NENHUMA MAIS QUE NOS ACORRENTAM , NOS TRANCAFIAM DENTRO DAS PIORES DAS PRISÕES,”NÓS MESMOS”.SEI QUE ESTOU PRESA DENTRO DE TABUS, MÁGOAS, COISAS QUE JÁ PASSARAM E JÁ NÃO TÊM MAIS IMPORTÂNCIA MAS QUE FORAM CRIANDO UM MURO ALTÍSSIMO EM VOLTA DE MIM E QUE ME IMPEDEM DE VER A LUZ DO SOL DA MINHA BELA VIDA.MAIS UMA VEZ OBRIGADO PAULO POR VC EXISTIR.

  31. 31 Cássia

    A carta que não pôde responder é a carta que, francamente, ninguém a responderá. Que as execuções ocorram na China ou nos Estados Unidos ou na guerra do tráfico no Brasil é algo que não é só um que pode evitar. Aos EUA, mandaríamos uma carta; à China, uma comissão internacional. E, ao Brasil, que resposta poderíamos dar?

  32. 32 Mario Cesar Alves Ramos

    É difícil julgarmos alguém, devemos julgar apenas os nossos atos. Devemos procurar nos arrenpender de algo feito, quer seja direta ou indiretamente. Tentar nos corrigir, para que possamos alcançar uma elevação maior.
    “Louis Claude de Saint Martin”, o Filósofo Desconhecido, pregava que só seremos felizes, quando o nosso próximo, também o for.
    Paulo, admiro e gosto de sua literatura.
    O julgamento de Justin, certo ou errado, é de difícil análise.
    Espero que o arrependimento dele seja real, que consiga o perdão desejado. Pois, que ele virá saldar este karma, virá, que foi criado por ele mesmo, ao ceifar uma vida, quanto a isto não resta dúvida.

    Paulo, que a “DIVINA E GRANDE CONSCIÊNCIA CÓSMICA O ILUMINE.

    DIVINATUR.

  33. 33 Marly

    Em muitos casos(talvez em todos)só conhecemos o verdadeiro valor da vida, a verdadeira existencia do ser humano quando estamos em uma condição diferente da abitual. Pois ela nos faz pensar e refletir sobre o quem somos dando a oportunidade de arrepender e melhorar como pessoa, claro que nem todos os casos a como voltar a traz, se der é bom nao desperdiçar. De uma coisa é certa, o que mais tememos, o que nao buscamos é o que nos é imposto, e o maravilhoso de tudo é saber que a resposta sempre esteve e esta dentro de cada um.
    PAULO COELHO QUE DEUS (DEUSA) O ABENÇÕE SEMPRE, ADMIRO SEU TRABALHO.

  34. 34 Luiz

    Tudo tem seu tempo! Mesmo que o tempo seja apenas uma convenção humana…
    Na verdade quando nasce o sol, dizemos nascer um novo dia, e quando vem a noite, dizemos: o dia se foi… ou uma nova noite nos dá o sossego para um novo dia… enfim… tudo aquilo que pudermos confabular sobre a noite e o dia, provavelmente, a meu ver, conotará o fruto de um “fantasma” mental, tal qual os fantasmas literários do brilhante Paulo Coelho.
    Exorcizar esses fantasmas, talvez seja uma condição da nossa realidade ou de uma hipotética realidade…
    Nossa mente, penso eu, é o portal do infinito… Há quem diga que Deus reside no nosso inconsciente. Será? Você sabe? Eu não sei… mas se soubesse, gritaria aos sete ventos: “Olha gente! Não somos apenas um acumulado de tecidos celulares, programados para existir num suposto espectro de tempo e espaço. Olha gente! Não somos apenas humanos, somos alguma coisa mais do que isso, talvez um espírito ou uma alma. Ou seja, não somos coisas finitas”.
    Gostaria de coração, saber isso. Mas não sei… Doce ilusão ou franca realidade?
    Se estou aqui e agora, digitando esse loquaz, insano ou prolixo “textinho” de “merda” é porque talvez eu seja alguma coisa além de um fétido estrume metido a filósofo, seguramente tentando ser alguma coisa sonora, digitável, virtual, que relamente “exista” e precisa entender que o “Bem” só existe porque o “Mal” o faz existir, ou vice-versa… Acho que assim me sinto existindo! Alguém me ajuda? Preciso existir…rs
    Se tiveram “saco” de ler as minhas diarréias mentais até agora, serei eternamente grato, porque alguém me fez existir, mesmo que virtualmente. Sorte sucesso a todos! Será que isso existe?rsrsrs

  35. 35 Talita

    Sempre pagamos por nossas escolhas, pois o que mais existe são leis que nos fazem pagar, eu ainda não entendo a lei de alguns homens, de alguns que senteciam seus semelhantes ou a si mesmo a morte, e nós os vivos ficamos a pensar e repensar nossas escolhas, e principalmente por que tem de haver outros que delas depedem nos remetendo a um profundo silêncio amargo( no meu caso de culpa) por ter escolhido não fazer nada.

  36. 36 callis

    Por vezes em nossas vidas, quando nos deparamos com situaçoes como a morte de alguem que amamos muito ou o medo que isso aconteça,percebemos o quanto somos frágeis… o quanto por vezes perdemos tempo com “problemas”que apenas criámos nas nossas cabeças,e nao somos capazes de perceber ou de dar valor ás pessoas que amamos e á importancia da vida….. Imagino que um condenado á morte deve passar pela experiencia mais inexplicável que existe que é sentir que vai partir… vai deixar aqueles que tanto ama… e é nestas situaçoes que devemos por vezes pensar ,e talvez assim teriamos outra forma de encarar a vida e o dia a dia… com um sorriso talvez…

  37. 37 Maria Izabel

    A uma carta que não poderemos responder é muito duro. mas em relação em estar no corredor da morte imagino que as vezes á inocentes e as vezes não há. Há pessoas que só percebe a vida, a familía, o que rege, e o que realmente está a sua volta, que se faz parte de toda a essÊncia deste universo maravilhoso, é quando está a beira da morte, seja por condenação, doença…

  38. 38 Claudio Galvão Soares Coelho Junior

    Liberdade, o poder da liberdade parece ter imposições, já a falta dela parece ser mais presente em nossas vidas, lutamos contra algo que desconhecemos, Justin não era o único a necessitar de palavras de conforto e, outros viram e mais outros , com ou sem sentenças de vida ou da perda dela, é extremamente importante uma palavra,um gesto sem soberba profética , sem aqueles dizeres com tom de pena, enfim , podemos compreender perfeitamente , o porque daquela família, a família de Justin sedenta de paz em tempos de guerras , esta família buscou e o jovem principalmente acreditou no provável ,mas a carta que não pode ser respondida por razões nada pessoais.
    Eu também não respondi cartas que atravessavam todos os 12 portões de uma penitenciara, em todos os finais de semana, era meu irmão, condenado pela justiça cega a viver 2 anos e 6 meses de sua vida, eu não tive coragem fui covarde admito, na manha da noite em que ele foi preso num domingo de páscoa , eu me levantei , retratei tudo que meu irmão iria passar, embora não fizesse sentido algum, afinal era um episodio irreal na vida de um trabalhador, honesto ,casado e pai aos 22 anos , mais isso aconteceu na noite do dia mais triste da minha vida, meus dias foram tragados pela idéia de morte e o apetite de vingança me atordoava, e as cartas não foram respondidas eu nunca consegui por meus pés dentro de um sistema prisional, tudo parecia um pesadelo aquela era a outra parte da vida que eu desconhecia totalmente, recorri a tudo,pedi ajuda a mim mesmo sem sucesso, comecei a ler seus livros , mergulhei profundamente na escrita e leitura, a vida é impressionante meu irmão Douglas Ricardo O. Coelho , tinha apenas 1 anos e mais ou menos 8 meses , nossa família perdia tudo, fomos morar numa área rural isso a 25 anos atrás e, ao lado de tapera que vivíamos eu, meus outros dois irmãos e meus pais , ficava á uma distancia de pouco mais de mil metros da futura penitenciara, eu tenho guardado na minha memória uma frase quase que balbuciada, reflexo da pouca idade ele disse nos braços da minha mãe indicando com um dos dedinhos magros- a casa do homem, tem piscina quero nadar quero ir lá posso mãe? - ele disse balbuciando de modo que se eu escrevesse seria complicada a compreensão ele acabou indo só que 20 anos depois , era a penitenciara que ele acreditava ser a casa de uma pessoa rica, foi lá que ele passou os piores momentos da vida dele, e eu não respondi as cartas que ele me mandou, ainda choro lamento ele me perdoou incondicionalmente , nós nos amamos somos uma família.
    Minha história se misturou aos tantos livros, mais poucos tocaram tão fundo quanto aos seus, eles me fizeram companhias, em todos os domingos solitários que almocei sozinho entre um bocado e outro a mente atrevida dava sinais da solidão imposta por uma força impessoal. E hoje mais do que nunca quero superar tudo isso , já estive numa clinica psiquiátrica e a terapia em nada me ajudaria se fosse outras formas e formulas , livros , poesias nomes sem sobrenomes, foram momentos que me senti preso dentro de mim mesmo , eu estive numa prisão uma prisão pessoal,seus pensamentos meus reparos , seus acertos e minhas notas , estou aprendendo a viver mais e melhor, e nunca mais almoçarei sozinho. Obrigado , hoje eu escrevo jantarei sozinho , por outras razões.

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