Paulo Coelho

Stories & Reflections

Com a palavra o leitor desta newsletter

Author: Paulo Coelho

Anabel (Mérida, Espanha)

Ní£o sei se tudo está escrito, ní£o sei se uma pessoa escreve sua história no momento de nascer, ou antes, ou enquanto vive. O que estou convencida é que tudo que se passa em nossa vida tem um sentido, e para isso é necessário viver intensamente cada momento. Porque é o dia de hoje que nos permite avaní§ar, quebrar as amarras, deixar que a vida possa fluir em toda a sua liberdade, e entender que o amor ao instante é o que nos deixa contentes. Amar o que vemos, o que tocamos, o que ní£o entendemos, amar o desconhecido, o que nos provoca inquietaí§íµes, o profundo e o superficial, mas amar de qualquer maneira.

Beba (Islamabad, Paquistí£o)

A vida é absolutamente temperamental, e termina nos guiando por caminhos que ní£o estávamos absolutamente convencidos ou entusiasmados por percorrer. Mas o que seria de nós sem essas surpresas? Levanto um brinde a tudo de absurdo e maravilhoso que seguiremos encontrando a cada passo adiante.

Iris (ao chegar a Santiago de Compostela)

Quando cheguei í  Praí§a do Obradoiro, perguntei a mim mesma: por que tive que encontrar tantas dificuldades? Entrei na fila interminável para beijar o santo, tudo me parecia absurdo, exceto o reencontro com alguns peregrinos que conheci no caminho. Sim, tudo era absurdo, exceto a alegria de ter vencido os meus limites e sentir-me, por causa disso, uma pessoa melhor. Ainda bem que ní£o andei como o resto das pessoas. Ainda bem que decidi parar sempre que o sol se punha, evitando pensar se estava perto de um albergue ou se havia comida. Ainda bem que comi um prato de lentilhas que me deu uma intoxicaí§í£o e me obrigou a dormir aos pés de uma montanha, em um lugar que ní£o teria conhecido se ní£o fosse esse problema.

Ainda bem que perdi a hora, e terminei tendo que passar a noite debaixo de um céu cheio de estrelas. Ainda bem que comeí§ava a andar quando tinha vontade, e parava quando queria, sem ninguém para me dizer se isso era certo ou errado. Ainda bem que estava sozinha, e por causa disso a lua me tratou de maneira muito especial. Ainda bem que errei quatrocentas vezes a rota determinada, e terminei conhecendo lugares que ninguém conheceu. Em um destes desvios, terminei ficando sentada o dia inteiro diante da porta de um convento, pensando em minha vocaí§í£o

Foi por causa de tantos absurdos, e tantos “ainda bem”, que a coisa teve graí§a. Porque antes a minha vida tinha uma meta, e a partir de agora continuarei caminhando apenas pelo prazer de andar.

Maximiliano (Veracruz, México)

Antes de uma tempestade tudo é silencio e calma, embora possamos sentir o cheiro das gotas de água. Há alguns dias estive com um amigo e sua irmí£ no Porto de Tuxpam. Era Carnaval, todo mundo se divertia, e no melhor da festa o céu comeí§ou a encher-se de nuvens, os raios caiam cada vez mais perto, e a chuva comeí§ou. Todos correram para buscar abrigo.

E de repente, como se houvesse uma comunicaí§í£o misteriosa entre as pessoas, todos voltamos para a rua, descobrindo que a tempestade apenas contribuí­a para que o mundo ficasse mais fértil e o clima mais ameno. A alegria voltou, embora ninguém entendesse direito por que estava alegre.

Um dos momentos mais sublimes que alguém pode experimentar é justamente viver uma tempestade.

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