Edií§í£o nº 139: Quarto pecado capital – Ira

Segundo o dicionário: substantivo feminino, do latim Ira. cólera; zanga; indignaí§í£o; raiva; desejo de vinganí§a.

Para a Igreja Católica: a ira ní£o atenta apenas contra os outros, mas pode voltar-se contra aquele que deixa o ódio plantar sementes em seu coraí§í£o, e neste caso normalmente é levado ao suicí­dio. Precisamos entender que o castigo e a execuí§í£o do mesmo pertencem a Deus.

No “Verba Seniorum” (A Palavra dos Antigos): Dois sábios, que viviam na mesma ermida no deserto do Saara, conversavam um dia: “vamos brigar para que ní£o nos afastemos do ser humano, ou terminaremos por ní£o compreender direito as paixíµes que o torturam”, disse um deles.
“Ní£o sei como comeí§ar uma briga”.
“Pois faí§amos o seguinte: eu coloco este tijolo aqui no meio, e vocíª me diz: é meu. Eu responderei: ní£o , este tijolo é meu. Entí£o comeí§aremos a discutir, e terminaremos brigando”.
E assim fizeram. Um disse que o tijolo era dele. O outro contestou, dizendo que ní£o. “Ní£o vamos perder tempo com isto, fique com este tijolo,” disse o primeiro.”Sua idéia para a briga ní£o foi muito boa. Quando percebemos que temos uma alma imortal, é impossí­vel discutir por causa de coisas”.

Em estudo de laboratório: Janice Williams acompanhou por seis anos 13.000 homens e mulheres com idade entre 45 e 64 anos e, tomando o comportamento como base, descobriu que as pessoas que se irritam intensamente, e com freqüíªncia, tíªm tríªs vezes mais probabilidades de sofrer um infarto do que aquelas que encaram as adversidades com mais serenidade (Williams, 2000).
Isso ocorre porque, a cada episódio de Raiva, o organismo libera uma carga extra de adrenalina no sangue. A alta concentraí§í£o de adrenalina aumenta o número de batimentos cardí­acos e, simultaneamente, torna mais estreitos os vasos sanguí­neos, elevando a pressí£o arterial. A repetií§í£o desses episódios pode gerar dois problemas em geral associados ao infarto; alteraí§í£o do ritmo cardí­aco e uma súbita dilataí§í£o das placas de gordura que, porventura, estejam nas artérias. (Fonte: Ballone G.J. – Raiva e í“dio, emoí§íµes negativas)

Na música popular brasileira: Mas enquanto houver forí§a em meu peito eu ní£o quero mais nada/ Só vinganí§a! Vinganí§a! Vinganí§a! aos santos clamar/ Vocíª há de rolar como as pedras que rolam na estrada / sem ter nunca um cantinho de seu pra poder descansar. (Lupicí­nio Rodrigues)

Nas palavras de William Blake: Eu tinha raiva do meu amigo: comentei isso com ele, e a raiva passou. Eu tinha raiva do meu inimigo: ní£o comentei isso com ele, e a raiva aumentou.

No ódio ao estrangeiro (xenofobia): “Todos os paí­ses do Oeste estí£o infiltrados por muí§ulmanos. Alguns deles sí£o até mesmo capazes de conversar amavelmente, enquanto aguardam o momento de nos assassinar. Dizem que os eventos de 11 de Setembro (2001) aconteceram por causa de um choque de civilizaí§íµes. É mentira: um choque de civilizaí§íµes requer duas civilizaí§íµes distintas, e esse ní£o é o caso. Existe apenas uma civilizaí§í£o: a nossa. ” (Declaraí§íµes dos dirigentes do Partido Dinamarquíªs do Povo – DPP – semeando o ódio e o novo fascismo, que a Europa e o mundo inteiro assistem crescer sem tomar sérias providíªncias)

Comentário do Tao Te King: Todas as armas sí£o instrumentos do mal, ní£o sendo em absoluto, instrumentos do sábio prí­ncipe. Ele as usa somente quando premido pela necessidade. A calma e o repouso sí£o o que ele valoriza; a vitória pela forí§a das armas lhe é indesejável.
Considerá-la necessária é sinal de que o homem tem prazer com a mataní§a de outros homens, e aquele que se compraz com tal mataní§a ní£o poderá dirigir um império.
Quando quisermos enfraquecer alguém, devemos primeiro fortificá-lo. Se pretendermos derrotá-lo, devemos primeiro elevá-lo. Se tencionarmos despojá-lo, devemos primeiro dar-lhe presentes. Este é o chamado sutil discernimento.
Assim, os submissos e os fracos conquistarí£o os duros e fortes.

(a seguir: Gula)