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Em busca dos sinais

Paulo Coelho

Podemos achar que tudo que a vida nos oferece amanhí£ é repetir o que fizemos ontem e hoje. Mas, se prestarmos atení§í£o, vamos reparar que nenhum dia é igual ao outro.
Cada manhí£ traz uma bení§í£o escondida; uma bení§í£o que só serve para este dia, e que ní£o pode ser guardada ou reaproveitada. Se ní£o usarmos este milagre hoje, ele se perderá.
Este milagre está nos detalhes do cotidiano; é preciso viver, a cada instante temos a saí­da para o problema, a maneira de encontrar o que está faltando, a pista certa para a decisí£o que precisa ser tomada para mudar todo o nosso futuro.

Mas como ter coragem para isso? No meu entender, Deus fala conosco através de sinais. É uma linguagem individual, que requer fé e disciplina para ser totalmente absorvida.

Santo Agostinho, por exemplo,foi convertido desta maneira. Durante anos procurou – em várias correntes filosóficas – uma resposta para o sentido da vida, até que certa tarde, no jardim de sua casa em Milí£o, refletindo sobre o fracasso de sua busca, escutou uma crianí§a na rua, cantando: “Pega e líª! Pega e líª!”
Apesar de sempre ter sido governado pela lógica, resolveu – num impulso – abrir o primeiro livro ao seu alcance. Era a Bí­blia, e ele leu um trecho de Sí£o Paulo – com as respostas que procurava. A partir daí­, a lógica de Agostinho abriu espaí§o para que a fé também pudesse participar, e ele se transformou num dos maiores teólogos da Igreja.

Os monges do deserto afirmavam que era necessário deixar a mí£o dos anjos agir. Para isto, de vez em quando faziam coisas absurdas – como falar com flores ou rir sem razí£o. Os alquimistas seguem os “sinais de Deus”; pistas que muitas vezes ní£o fazem sentido, mas que terminam levando a algum lugar.
“O homem moderno quis eliminar as incertezas e dúvidas de sua vida. E terminou por deixar sua alma morrendo de fome; a alma se alimenta de mistérios” – diz o deí£o da Catedral de San Francisco.

Existe um exercí­cio de meditaí§í£o que consiste em acrescentar – geralmente durante dez minutos por dia – um motivo para cada uma de nossas aí§íµes. Um exemplo: “eu agora leio este blog porque vi um link no Tweeter ou no Facebook. Eu pensei agora em tal pessoa, porque tal assunto que li me levou a isto. Eu andei até a porta, porque vou sair de casa”. E daí­ por diante.
Buda chama isto de “atení§í£o consciente”. Quando nos vemos repetindo a mais comum das rotinas, nos damos conta da riqueza que cerca nossa vida. Compreendemos cada passo, cada atitude. Descobrimos coisas importantes, e pensamentos inúteis.

No final de uma semana – a disciplina é sempre fundamental – estamos mais conscientes de nossas faltas e distraí§íµes, mas também entendemos que, em certos momentos, ní£o havia nenhum motivo para agirmos como agimos, e seguimos nosso impulso, nossa intuií§í£o; é aí­ que comeí§amos a compreender esta linguagem silenciosa que Deus usa para nos mostrar o caminho certo. Chamem de intuií§í£o, sinal, instinto, coincidíªncia, ní£o importa o nome – o que importa é que, através da “atení§í£o consciente”, nos damos conta que estamos muitas vezes sendo guiados para a decisí£o certa.

E isso nos deixa mais confiantes e mais fortes.

Quote of the Week

I decided to pull a Buddhist monk and keep a smile on my face till 31/01 ( always have deadlines for my promises…). Smiling non-stop works, makes you and people around you feel better, and it does not blind you to the problems around that must be solved. Try it. Smile now.

La ley de Jante

Paulo Coelho

-¿Qué piensa de la princesa Marta Luisa?
El periodista noruego me entrevistaba a orillas del lago de Ginebra. Normalmente no respondo a preguntas ajenas a mi trabajo, pero en este caso la curiosidad del periodista tení­a un motivo: la princesa habí­a hecho bordar, en el vestido que lució en su 30º cumpleaños, el nombre de algunas personas importantes en su vida, entre los cuales se encontraba el mí­o (a mi mujer le pareció ésta una idea tan buena que decidió hacer lo mismo al cumplir cincuenta años, e hizo bordar en su vestido una pequeña inscripción que decí­a “inspirado por la princesa de Noruega”).
-Me parece una persona sensible, delicada, e inteligente -respondí­-. Tuve ocasión de conocerla en Oslo, cuando me presentó a su marido, que es escritor, como yo.
No querí­a decir más, pero no pude contenerme:
-Y hay una cosa que de verdad no entiendo: ¿por qué la prensa noruega pasó a atacar el trabajo literario de su marido después de su boda con la princesa? Antes las crí­ticas siempre eran positivas.

No era propiamente una pregunta, sino una provocación, puesto que yo imaginaba la respuesta: la crí­tica cambió porque la gente tiene envidia, el más amargo de los sentimientos humanos.
El periodista, sin embargo, fue más sofisticado que eso:
-Porque habí­a violado la ley de Jante.

Evidentemente yo jamás habí­a oí­do hablar de semejante ley, y el periodista tuvo que explicarme en qué consistí­a. Al continuar el viaje, me di cuenta de que en cualquier paí­s de Escandinavia es difí­cil encontrar a alguien que no conozca dicha ley. Una ley que, aunque existe desde el comienzo de la civilización, no fue enunciada oficialmente hasta 1933, en la novela Un refugiado sobrepasa sus lí­mites, del escritor Aksel Sandemose.
La triste constatación es que la Ley de Jante se aplica en todos los paí­ses del mundo, por mucho que digan los brasileños que “esto sólo pasa aquí­”, o los franceses que “desgraciadamente, en nuestro paí­s es así­”.

Como el lector ya estará irritado porque lleva más de media columna sin saber qué es esta Ley de Jante, intentaré resumirla aquí­ con mis propias palabras:
“No vales nada, a nadie le interesa lo que piensas, la mediocridad y el anonimato son la mejor elección. Actúa de acuerdo con estos principios y no tendrás grandes problemas en tu vida.”

La Ley de Jante explica, en su contexto, los celos y la envidia que tanto dolor de cabeza le dan a personas como Ari Behn, el marido de la princesa. Éste es uno de sus aspectos más negativos, pero existe algo mucho más peligroso.
Por culpa de esta ley el mundo ha sido manipulado de todas las maneras posibles, por gente que no teme el comentario ajeno, y que hace tanto mal como quiere. Acabamos de asistir a una guerra inútil en Iraq, que aún hoy sigue cobrándose muchas vidas; vemos un abismo entre los paí­ses ricos y los pobres, injusticia social por todas partes, violencia descontrolada, personas obligadas a renunciar a sus sueños por culpa de ataques injustos y cobardes. Antes de iniciar la segunda guerra mundial, Hitler dio señales de sus intenciones, y lo que le hizo seguir adelante fue saber que, gracias a la Ley de Jante, nadie se atreverí­a a desafiarlo.

La mediocridad puede ser cómoda, hasta que un dí­a la tragedia llama a la puerta. Es entonces cuando la gente se pregunta: “¿por qué nadie dijo nada, cuando todo el mundo veí­a lo que iba a ocurrir?”
Muy sencillo: nadie dijo nada porque tampoco la gente dijo nada.

Por lo tanto, para evitar que las cosas se pongan cada vez peor, tal vez sea ahora el momento de escribir la anti-ley de Jante:
“Vales mucho más de lo que piensas. Aunque no lo creas, tu trabajo y tu presencia en este mundo son importantes. Claro que, si piensas de esta manera, puede que tengas muchos problemas por transgredir la Ley de Jante. Pero no te dejes intimidar, sigue viviendo sin miedo y al final vencerás.”

(en el libro “Ser como un rio que fluye”)

A lei de Jante

Paulo Coelho

– O que vocíª acha da princesa Martha-Louise?
O jornalista norueguíªs me entrevistava í  beira do lago de Genebra. Geralmente me recuso responder perguntas que fogem ao contexto do meu trabalho, mas neste caso sua curiosidade tinha um motivo: a princesa, no vestido que usara ao fazer 30 anos, mandara bordar o nome de varias pessoas que tinham sido importantes em sua vida – e entre estes nomes estava o meu (minha mulher achou a idéia tí£o boa que resolveu fazer a mesma coisa em seu aniversário de 50 anos, colocando o crédito “inspirado pela princesa da Noruega” em um dos cantos da sua roupa).
– Acho uma pessoa sensí­vel, delicada, inteligente – respondi. – Tive oportunidade de conhece-la em Oslo, quando me apresentou a seu marido, escritor como eu.
Parei um pouco, mas precisava ir adiante:
– E existe uma coisa que eu realmente ní£o entendo: por que a imprensa norueguesa passou a atacar o trabalho literário do seu marido depois que ele se casou com a princesa? Antes as crí­ticas eram positivas.
Ní£o era propriamente uma pergunta, mas uma provocaí§í£o, pois eu já imaginava a resposta: a crí­tica mudou porque as pessoas sentem inveja, o mais amargo dos sentimentos humanos.
O jornalista, entretanto, foi mais sofisticado do que isso:
– Porque ele transgrediu a Lei de Jante.

Evidente que eu jamais ouvira falar disso, e ele me explicou o que era. Continuando a viagem, percebi que em todos os paí­ses da Escandinávia é difí­cil encontrar alguém que ní£o conheí§a esta lei. Embora ela já exista desde o inicio da civilizaí§í£o, foi enunciada oficialmente apenas em 1933 pelo escritor Aksel Sandemose na novela “Um refugiado ultrapassa seus limites”.

A triste constataí§í£o é que a Lei de Jante é uma regra aplicada em todos os paí­ses do mundo, embora os brasileiros digam “isso só acontece aqui”, ou os franceses afirmem “em nosso paí­s, infelizmente é assim.” Como o leitor já deve estar irritado porque leu mais da metade da coluna sem saber exatamente do que se trata a Lei de Jante, vou tentar resumi-la aqui, com minhas próprias palavras:
“Vocíª ní£o vale nada, ninguém está interessado no que vocíª pensa, a mediocridade e o anonimato sí£o a melhor escolha. Se agir assim, vocíª jamais terá grandes problemas em sua vida.”

A Lei de Jante enfoca, em seu contexto, o sentimento de ciúme e inveja que í s vezes dá muita dor de cabeí§a a pessoas como Ari Behn, o marido da princesa Martha-Louise. Este é um dos seus aspectos negativos, mas existe algo muito mais perigoso.
É graí§as a ela que o mundo tem sido manipulado de todas as maneiras, por gente que ní£o teme o comentário dos outros, e termina fazendo o mal que deseja. Acabamos de assistir uma guerra inútil no Iraque, que continua custando muitas vidas; vemos um grande abismo entre os paí­ses ricos e os paí­ses pobres, injustií§a social por todos os lados, violíªncia descontrolada, pessoas que sí£o obrigadas a renunciar aos seus sonhos por causa de ataques injustos e covardes. Antes de iniciar a segunda guerra mundial, Hitler deu vários sinais de suas intení§íµes, e o que o fez ir adiante foi saber que ninguém ousaria desafia-lo por causa da Lei de Jante.

A mediocridade pode ser confortável, até que um dia a tragédia bate í  porta, e entí£o as pessoas se perguntam: “mas porque ninguém disse nada, quando todo mundo estava vendo que isso ia acontecer? ”
Simples: ninguém disse nada porque elas também ní£o disseram nada.

Portanto, para evitar que as coisas fiquem cada vez piores, talvez fosse o momento de escrever a anti-lei de Jante:
“Vocíª vale muito mais do que pensa. Seu trabalho e sua presení§a nesta Terra sí£o importantes, mesmo que vocíª ní£o acredite. Claro que, pensando assim, vocíª poderá ter muitos problemas por estar transgredindo a Lei de Jante – mas ní£o se deixe intimidar por eles, continue vivendo sem medo, e irá vencer no final.”

(trecho do livro “Ser como um rio que flui”)

La importancia del gato en la meditación

Paulo Coelho

Habiendo escrito un libro sobre la locura (Veronika decide morrir ) , me ví­ obligado a preguntar cuantas de las cosas que hacemos nos han sido impuestas por necesidad o por absurdo. ¿Por qué usamos corbata? ¿Por qué el reloj gira en “sentido horario” Si vivimos en un sistema decimal ¿por qué el dí­a tiene 24 horas de 60 minutos cada una?
El hecho es que muchas de las reglas que obedecemos hoy en dí­a no tienen ningún fundamento. A pesar de ello, si deseamos actuar de manera diferente, somos considerados “locos” o “inmaduros”.
Mientras tanto, la sociedad va creando algunos sistemas que en el transcurso del tiempo pierden su razón de ser , pero continúan imponiendo sus reglas. Una interesante historia japonesa ilustra lo que quiero decir:

Un gran maestro zen budista, responsable por el monasterio de Mayu Kagi, tení­a un gato que era la pasión de su vida. Así­, durante las clases de meditación, lo mantení­a a su lado, para disfrutar lo más posible de su compañí­a.
Cierta mañana, el maestro – que era ya bastante viejo – apareció muerto. El discí­pulo de mayor grado ocupó su lugar.
-¿Qué haremos con el gato? – preguntaron los otros monjes.
Como homenaje al recuerdo de su antiguo instructor, el nuevo maestro decidió permitir que el gato continuase asistiendo a las clases de budismo zen.

Algunos discí­pulos de los monasterior vecinos, que viajaban mucho por la región, descubrieron que en uno de los más famosos templos del lugar, un gato participaba en las meditaciones. Y la historia comenzó a correr.
Pasaron muchos años. El gato murió, pero los alumnos del monasterio estaban tan acostumbrados a su presencia que buscaron otro gato. Mientras tanto, los demás templos empezaron a introducir gatos en sus meditaciones: creí­an que el gato era el verdadero responsable de la fama y la calidad de enseñanza de Mayu Kagi, olvidando que el antiguo maestro era un excelente instructor.

Transcurrió una generación, y comenzaron a surgir tratados técnicos sobre la importancia del gato en la meditación zen. Un profesor universitario desarrolló la tesis – aceptada por la comunidad académica – de que este felino poseí­a la capacidad de aumentar el nivel de concentración humana y eliminar las energí­as negtivas.

Hasta que apareció un maestro que tení­a alergia por los animales domésticos y resolvió retirar el gato de las prácticas diarias con sus alumnos.
Se produjo una gran reacción negativa, pero el maestro insistió. Y como era un excelente instructor, los alumnos continuaron con el mismo rendimiento escolar, a pesar de la ausencia del gato.
Poco a poco, los monasterios – siempre en busca de ideas nuevas y cansados de tener que alimentar a tantos gatos – fueron eliminando a los animales de las clases. En 20 años comenzaron a surgir nuevas tesis revolucionarias, con tí­tulos convincentes como “La importancia de la meditación sin el gato” o “Equilibrando el universo zen solo por el poder de la mente, sin la ayuda de animales”.

Pasó otro siglo y el gato salió por completo del ritual de la meditación zen en aquella región. Pero se necesitaron doscientos años para que todo volviese a la normalidad, ya que nadie se preguntó, durante todo ese tiempo, por qué el gato estaba allí­.


en mi libro “Ser como el rio que fluye”

Importancia do gato na meditaí§í£o

Paulo Coelho

Tendo recentemente escrito um livro sobre a loucura ( Veronika decide morrer) , vi-me obrigado a perguntar o quanto das coisas que fazemos nos foi imposta por necessidade, ou por absurdo. Por que usamos gravata? Por que o relógio gira no “sentido horário”? Se vivemos num sistema decimal, porque o dia tem 24 horas de 60 minutos cada?
O fato é que, muitas da regras que obedecemos hoje em dia ní£o tem nenhum fundamento. Mesmo assim, se desejemos agir diferente, somos considerados “loucos” ou “imaturos”.
Enquanto isso, a sociedade vai criando alguns sistemas que, no decorrer do tempo, perdem a razí£o de ser, mas continuam impondo suas regras. Uma interessante história japonesa ilustra o que quero dizer:

Um grande mestre zen budista, responsavel pelo mosteiro de Mayu Kagi, tinha um gato, que era sua verdadeira paixí£o na vida. Assim, , durante as aulas de meditaí§í£o, mantinha o gato ao seu lado – para desfrutar o mais possí­vel de sua companhia.
Certa manhí£, o mestre – que já estava bastante velho – apareceu morto. O discí­pulo mais graduado ocupou seu lugar.
– O que vamos fazer com o gato? – perguntaram os outros monges.
Numa homenagem í  lembraní§a de seu antigo instrutor, o novo mestre decidiu permitir que o gato continuasse frequentando as aulas de zen-budismo.
Alguns discí­pulos de mosteiros vizinhos, que viajavam muito pela regií£o, descobriram que, num dos mais afamados templos do local, um gato participava das meditaí§íµes. A história comeí§ou a correr.

Muitos anos se passaram. O gato morreu, mas os alunos do mosteiro estavam tí£o acostumados com a sua presení§a, que arranjaram outro gato. Enquanto isso, os outros templos comeí§aram a introduzir gatos em suas meditaí§íµes: acreditavam que o gato era o verdadeiro responsavel pela fama e a qualidade do ensino de Mayu Kagi, e esqueciam-se que o antigo mestre era um excelente instrutor

Uma geraí§í£o se passou, e comeí§aram a surgir tratados técnicos sobre a importancia do gato na meditaí§í£o zen. Um professor universitário desenvolveu uma tese – aceita pela comunidade acadíªmica – que o felino tinha capacidade de aumentar a concentraí§í£o humana, e eliminar as energias negativas.
E assim, durante um século, o gato foi considerado como parte essencial no estudo do zen-budismo naquela regií£o.

Até que apareceu um mestre que tinha alergia a pelos de animais domésticos, e resolveu tirar o gato de suas práticas diárias com os alunos.
Houve uma grande reaí§í£o negativa – mas o mestre insistiu. Como era um excelente instrutor, os alunos continuavam com o mesmo rendimento escolar, apesar da ausencia do gato.
Pouco a pouco, os mosteiros – sempre em busca de idéias novas, e já cansados de ter que alimentar tantos gatos – foram eliminando os animais das aulas. Em vinte anos, comeí§aram a surgir novas teses revolucionárias – com titulos convincentes como “A importancia da meditaí§í£o sem o gato”, ou “Equilibrando o universo zen apenas pelo poder da mente, sem a ajuda de animais”.

Mais um século se passou, e o gato saiu por completo do ritual de meditaí§í£o zen naquela regií£o. Mas foram precisos duzentos anos para que tudo voltasse ao normal – já que ninguém se perguntou, durante todo este tempo, por que o gato estava ali.


trecho do meu livro “Ser como um rio que flui”

Maria y el sexo

Paulo Coelho

Los hombres que habí­a conocido desde su llegada a Genève hací­an de todo para parecer seguros de sí­ mismos, como si gobernasen el mundo y sus propias vidas; Maria, sin embargo, veí­a en los ojos de cada uno de ellos el terror a la esposa, el pánico a no conseguir una erección, a no ser lo suficientemente machos ni ante una simple prostituta a quien estaban pagando.
Si fueran a una tienda y no les gustase el calzado, serí­an capaces de volver con el ticket en la mano y exigir el reembolso. Sin embargo, aunque también estuviesen pagando por una compañí­a, si no tení­an una erección jamás volverí­an a la misma discoteca, porque creí­an que la historia ya se habrí­a extendido entre todas las demás mujeres de allí­, y eso era una vergüenza.

«Soy yo la que deberí­a tener vergüenza por no ser capaz de excitar a un hombre. Pero, en realidad, son ellos los que la tienen.»

Para evitar estos dilemas, Maria procuraba dejarlos siempre a su aire, y cuando alguno de ellos parecí­a más borracho o más frágil de lo normal, evitaba el sexo, y se concentraba sólo en las caricias y la masturbación, lo que los dejaba muy contentos, por más absurda que fuese la situación, ya que podí­an masturbarse ellos solos.
Siempre era preciso evitar que se sintiesen avergonzados. Aquellos hombres, tan poderosos y arrogantes en sus trabajos, luchando sin parar con empleados, clientes, proveedores, prejuicios, secretos, falsas actitudes, hipocresí­a, miedo, opresión, terminaban el dí­a en una discoteca, y no les importaba pagar trescientos cincuenta francos suizos para dejar de ser ellos mismos durante la noche.

«¿Durante la noche? Maria, estás exagerando. En realidad, son cuarenta y cinco minutos y, aun así­, si descontamos el tiempo de quitarse la ropa, ensayar alguna falsa caricia, hablar de algo trivial, vestirse, reduciremos este tiempo a once minutos de sexo propiamente dicho.»

Once minutos. El mundo giraba en torno a algo que duraba solamente once minutos.

Y por esos once minutos en un dí­a de veinticuatro horas (considerando que todos hiciesen el amor con sus esposas todos los dí­as, lo que era un verdadero absurdo y una gran mentira), ellos se casaban, sustentaban a la familia, aguantaban el llanto de los niños, se deshací­an en explicaciones cuando llegaban tarde a casa, veí­an a decenas, centenas de mujeres con las que les gustarí­a pasear por el lago de Genève, compraban ropa cara para ellos, ropa aún más cara para ellas, pagaban a prostitutas para compensar lo que echaban en falta, sustentaban una gigantesca industria de cosméticos, dietas, gimnasia, pornografí­a, poder, y cuando quedaban con otros hombres, al contrario
de lo que decí­a la leyenda, jamás hablaban de mujeres. Charlaban sobre trabajo, dinero y deporte.

Algo iba muy mal en la civilización; y ese algo no era la deforestación amazónica, ni la capa de ozono, ni la muerte de los pandas, ni el tabaco, ni los alimentos cancerí­genos, ni la situación de las cárceles, como gritaban los periódicos.

Era exactamente aquello en lo que ella trabajaba: el sexo.

en mi libro “Once Minutos” (2003)

Maria e o sexo

EN ESPANOL AQUI: Maria y el sexo

do livro “11 Minutos”

Os homens que conhecera desde que chegara em Genève faziam de tudo para parecerem seguros de si, como se governassem o mundo e suas próprias vidas; Maria, porém, via nos olhos de cada um o terror da esposa, o pí¢nico de ní£o conseguir ter uma ereí§í£o, de ní£o serem machos o suficiente nem diante de uma simples prostituta, a quem estavam pagando. Se fossem a uma loja e ní£o lhes agradasse o calí§ado, seriam capazes de voltar com o recibo na mí£o e exigir o reembolso. Entretanto, embora também estivessem pagando por uma companhia, se ní£o tivessem uma ereí§í£o, jamais voltariam í  mesma boate, porque achavam que a historia teria se espalhado entre todas, as outras mulheres, uma vergonha.

“Sou eu quem devia ter vergonha por ní£o conseguir excitar um homem. Mas, na verdade, sí£o eles que tíªm.”

Para evitar estes constrangimentos, Maria procurava deixá-los sempre í  vontade, e quando algum deles parecia mais bíªbado ou mais frágil que o normal, evitava o sexo e concentrava-se apenas em carí­cias e masturbaí§í£o – o que os deixava muito contentes – por mais absurdo que fosse esta situaí§í£o, já que podiam masturbar-se sozinhos.

Era preciso sempre evitar que ficassem envergonhados. Aqueles homens, tí£o poderosos e arrogantes em seus trabalhos, onde lidavam sem parar com empregados, clientes, fornecedores, preconceitos, segredos, atitudes falsas, hipocrisia, medo, opressí£o, terminavam o dia em uma boate, e ní£o se importavam em pagar 350 francos suí­í§os para deixarem de ser eles mesmos durante a noite.

“Durante a noite? Ora, Maria, vocíª está exagerando. Na verdade, sí£o 45 minutos, e mesmo assim, se descontarmos tirar a roupa, ensaiar algum falso carinho, conversar alguma coisa óbvia, vestir a roupa, reduziremos este tempo para onze minutos de sexo propriamente dito”.

Onze minutos. O mundo girava em torno de algo que demorava apenas onze minutos.

E por causa destes onze minutos em um dia de 24 horas (considerando que todos fizessem amor com suas esposas, todos os dias, o que era um verdadeiro absurdo e uma mentira completa), eles se casavam, sustentavam a famí­lia, agüentavam o choro das crianí§as, se desmanchavam em explicaí§íµes quando chegavam tarde em casa, olhavam dezenas, centenas de outras mulheres com quem gostariam de passear em torno do lago de Genève,, compravam roupas caras para eles, roupas mais caras ainda para elas, pagavam prostitutas para compensar o que estava faltando, sustentavam uma gigantesca indústria de cosméticos, dietas, ginástica, pornografia, poder – e quando se encontravam com outros homens, ao contrário do que dizia a lenda, jamais falavam de mulheres. Conversavam sobre empregos, dinheiro e esporte.

Havia algo de muito errado com a civilizaí§í£o; e esta coisa ní£o era o desmatamento da Amazí´nia, a camada de ozí´nio, a morte dos pandas, o cigarro, os alimentos cancerí­genos, a situaí§í£o nas penitenciárias, como gritavam os jornais.

Era exatamente aquilo em que trabalhava: o sexo.

trecho do livro “Onze Minutos”

Quote of the Week

Forgive but do not forget, or you will be hurt again. Forgiving changes the perspectives. Forgetting loses the lesson.

Un guerrero de la luz sabe lo que quiere

Un guerrero de la luz jamás hace trampas, pero sabe distraer a su adversario.

Por más ansioso que esté, juega con los recursos de la estrategia para alcanzar su objetivo. Cuando percibe que está llegando al fin de sus fuerzas, hace que el enemigo piense que no tiene prisa. Cuando tiene que atacar el lado derecho, mueve sus tropas hacia el lado izquierdo. Si pretende iniciar la lucha inmediatamente, finge que tiene sueño y que se prepara para dormir.

Los amigos comentan: “hay que ver como ha perdido su entusiasmo”. Pero él prescinde de sus comentarios, porque los amigos no conocen sus tácticas de combate.

Un guerrero de la luz sabe lo que quiere. Y no necesita dar explicaciones.

en “El manual del guerrero de la luz”
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Castañeda y el ánimo del guerrero

Carlos Castañeda fue un autor que marcó a mi generación, aun cuando nunca haya sido considerado por el sistema académico como alguien digno de atención. En su homenaje, publico una selección de sus textos más importantes:
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Lo más difí­cil en este mundo es adoptar el ánimo y la actitud de un guerrero. De nada sirve estar triste, quejarse, sentirse ví­ctima de injusticias o creer que alguien nos está haciendo algo negativo. Nadie está haciendo nada, y mucho menos a un guerrero.
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No importa como fuimos criados. Lo que determina nuestro modo de actuar es la manera como administramos nuestra voluntad. Un hombre es la suma de todas sus voluntades, que determinan su manera de vivir y morir.
La voluntad es un sentimiento, un talento, algo que nos da entusiasmo. La voluntad es algo que se adquiere, pero para eso hay que luchar toda la vida.
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La humildad de un guerrero no es la misma que la de un hombre servil. El guerrrero no inclina su cabeza ante nadie, pero tampoco permite que nadie se incline ante él. El hombre servil, en cambio, se arrodilla ante cualquier persona que considere más poderosa y exige que las personas que están bajo sus órdenes tengan la misma conducta ante él.
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Lo malo de las palabras es que ellas nos hacen sentir como si estuviésemos iluminados, comprendiendo todo. Pero cuando nos llega el momento de enfrentar al mundo vemos que la realidad es completamente diferente de aquello que discutimos o escuchamos. Por causa de eso, un guerrero procura actuar y no pierde su tiempo en conversaciones inútiles.
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El hombre común piensa que entregarse a las dudas y a las preocupaciones es una señal de sensibilidad, de espiritualidad. Actuando así­, se distancia del verdadero sentido de la vida pues su razón diminuta lo convierte en el santo o en el monstruo que imagina ser y antes de darse cuenta ya está preso en la trampa que se creó él mismo.
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Solo un guerrero puede soportar el camino del conocimiento. Un guerrero no se queja ni se lamenta de nada, no cree que los desafí­os sean buenos o malos. Los desafí­os son simplemente desafí­os.
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El mundo es insondable y misterioso, y así­ somos todos nosotros. El arte del guerrero consiste en equilibar el terror de ser un hombre con la maravilla de ser un hombre.

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Quote of the Week

In a time of lies, truth becomes a revolutionary act.

El instante mágico

Paulo Coelho

Es necesario correr riesgos. Sólo entendemos del todo el milagro de la vida cuando dejamos que suceda lo inesperado.
Todos los dí­as Dios nos da, junto con el sol, un momento en el que es posible cambiar todo lo que nos hace infelices. Todos los dí­as tratamos de fingir que no percibimos ese momento, que ese momento no existe, que hoy es igual que ayer y será igual que mañana.
Pero quien presta atención a su dí­a, descubre el instante mágico.
Puede estar escondido en la hora en que metemos la llave en la puerta por la mañana, en el instante de silencio después del almuerzo, en las mil y una cosas que nos parecen iguales.
Ese momento existe: un momento en el que toda la fuerza de las estrellas pasa a través de nosotros y nos permite hacer milagros.
La felicidad es a veces una bendición, pero por lo general es una conquista. El instante mágico del dí­a nos ayuda a cambiar, nos hace ir en busca de nuestros sueños. Vamos a sufrir, vamos a afrontar muchas desilusiones…., pero todo es pasajero, y no deja marcas. Y en el futuro podemos mirar hacia atrás con orgullo y fe.
Pobre del que tiene miedo de correr riesgos. Porque ése quizá no se decepcione nunca, ni tenga desilusiones, ni sufra como los que persiguen un sueño.
Pero al mirar atrás -porque siempre miramos hacia atrás- oirá que el corazón le dice:
“Qué hiciste con los milagros que Dios sembró en tus dí­as? Qué hiciste con los talentos que tu Maestro te confió? Los enterraste en el fondo de una cueva, porque tení­as miedo de perderlos.
Entonces, ésta es tu herencia: la certeza de que has desperdiciado tu vida”.
Pobre de quien escucha estas palabras. Porque entonces creerá en milagros, pero los instantes mágicos de su vida ya habrán pasado.

en “A orillas del rio Piedra me senté y lloré”

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O instante mágico

Paulo Coelho

É preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteí§a.
Todos os dias Deus nos dá – junto com o sol – um momento em que é possí­vel mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que ní£o percebemos este momento, que ele ní£o existe, que hoje é igual í  ontem – e será igual í  amanhí£.
Mas, quem presta atení§í£o ao seu dia, descobre o instante mágico.
Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhí£, no instante de silíªncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Este momento existe – um momento em que toda a forí§a das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.
A felicidade í s vezes é uma bíªní§í£o – mas geralmente é uma conquista.
O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de nossos sonhos.
Vamos sofrer, vamos ter momentos difí­ceis, vamos enfrentar muitas desilusíµes – mas tudo é passageiro, e ní£o deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.
Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez ní£o se decepcione nunca, nem tenha desilusíµes, nem sofra como aqueles que tíªm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás – porque sempre olhamos para trás – vai escutar seu coraí§í£o dizendo: “o que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdíª-los. Entí£o, esta é a tua heraní§a: a certeza de que desperdií§aste tua vida”.
Pobre de quem escuta estas palavras. Porque entí£o acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terí£o passado.

trecho de “Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei”

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Himno a Isis ( siglo III o IV A.D.)

Porque soy la primera y la última,

yo soy la venerada y la despreciada,

yo soy la prostituta y la santa,

yo soy la esposa y la virgen,

yo soy la madre y la hija,

yo soy los brazos de mi madre,

yo soy la estéril y numerosos son mis hijos,

yo soy la bien casada y la soltera,

yo soy la que da a luz y la que jamás procreó,

yo soy el consuelo de los dolores del parto,

yo soy la esposa y el esposo,

y fue mi hombre quien me creó,

yo soy la madre de mi padre,

soy la hermana de mi marido,

y él es mi hijo rechazado.

Respetadme siempre,

porque yo soy la escandalosa y la magní­fica.

descubierto en Nag Hammadi, 1947


(una hora despues de postar, recibi el siguente comentário: “Sorry Paulo, but this original koptic text Nag Hammadi Codex NHC VI,2 is 3rd-4th century “AD”, not “BC”. It has the greek-koptic Titel βροντη “bront锝 and is NOT explicitely an hymn to goddess Isis, even if some historians regard it as “not impossible”.Kindest regards Metapher”)

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Hino a ísis (sec III ou IV A.D.)

Porque eu sou a primeira e a última

Eu sou a venerada e a desprezada

Eu sou a prostituta e a santa

Eu sou a esposa e a virgem

Eu sou a mí£e e a filha

Eu sou os braí§os de minha mí£e

Eu sou a estéril, e numerosos sí£o meus filhos

Eu sou a bem-casada e a solteira

Eu sou a que dá a luz e a que jamais procriou

Eu sou a consolaí§í£o das dores do parto

Eu sou a esposa e o esposo

E foi meu homem quem me criou

Eu sou a mí£e do meu pai

Sou a irmí£ de meu marido

E ele é o meu filho rejeitado

Respeitem-me sempre

Porque eu sou a escandalosa e a magní­fica

(descoberto em Nag Hammadi, 1947)


(Uma hora depois de postar, recebi o seguinte comentário: “Sorry Paulo, but this original koptic text Nag Hammadi Codex NHC VI,2 is 3rd-4th century “AD”, not “BC”. It has the greek-koptic Titel βροντη “bront锝 and is NOT explicitely an hymn to goddess Isis, even if some historians regard it as “not impossible”.Kindest regards Metapher)

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